segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Arco Metropolitano do Rio ainda é pouco utilizado

08/10/2016  - O Globo

RIO - Inaugurado em 2014 com a expectativa de incentivar a economia do estado, o trecho do Arco Metropolitano entre Duque de Caxias e Itaguaí, que custou cerca de R$ 2 bilhões, é hoje subutilizado. Com a crise econômica, o movimento de carga caiu, e houve redução no número de carros de passeio. Sem qualquer ponto de apoio para motoristas e até de postos de combustíveis em seus 71 quilômetros, o Arco tornou-se uma via de pouco movimento. Para o presidente da Câmara Metropolitana de Integração Governamental, Vicente Loureiro, a solução para viabilizar a rodovia é a concessão à iniciativa privada, com cobrança de pedágio.

SEM CONTAGEM DE VEÍCULOS

No ano passado, o movimento era de cerca de 15 mil veículos por dia, metade do que havia sido previsto. Estima-se que hoje já estaria na casa dos 6 mil, mas, como o contrato com a empresa que fazia a contagem de tráfego foi suspenso no ano passado, por causa da crise no estado, não existem números atualizados.

— O Arco Metropolitano ficou pronto na hora em que economia começou a estagnar. O movimento de carga reduziu, e a pouca utilização acabou trazendo insegurança. Não há posto de informação nem qualquer apoio aos motoristas. Já nos reunimos com investidores e empreendedores que poderiam se instalar no Arco, mas não houve interesse — disse Vicente Loureiro. — O governador (licenciado) Luiz Fernando Pezão queria estadualizar a rodovia (que é federal, embora seja administrada por meio de convênio pelo estado), mas, com a crise financeira, isso não foi adiante.

A falta de sinalização sobre os acessos ao Arco Metropolitano é outro ponto citado por Vicente Loureiro:

— Nas estradas federais que ele (o Arco) corta, falta sinalização. O usuário não tem a percepção de que pode encurtar caminho.

O projeto teve início em 2008, e o primeiro trecho da rodovia deveria ter ficado pronto em setembro de 2010. Mas, três anos depois, apenas 35% tinham sido executados. As obras só foram aceleradas em 2012 e concluídas em 2014. O Arco foi pensado com uma via alternativa para o escoamento do tráfego pesado da Região Metropolitana, desafogando as esgotadas Avenida Brasil, Rodovia Presidente Dutra e a BR-040 (Rio-Petrópolis). Os cerca de 70 quilômetros ligam Itaguaí a Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde se conecta à BR-116 (Rio-Teresópolis) e à BR-493 (Magé-Manilha). Todo o trecho teria 145 quilômetros de estrada no entorno da Região Metropolitana do Rio, ligando as cidades de Itaboraí, Guapimirim, Magé, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Queimados, Seropédica e Itaguaí.

No entanto, as obras estão paralisadas no trecho entre Magé e Manilha, sob responsabilidade do governo federal. Os trabalhos de terraplanagem para a duplicação chegaram a ser iniciados, mas, segundo Vicente Loureiro, estão parados e sem prazo para serem retomados. Em uma placa instalada às margens da rodovia, a data de conclusão foi remarcada e agora consta fevereiro de 2018.



Para quem passa pelo Arco, a preocupação é constante. Além de não haver qualquer ponto de apoio ou telefones para os usuários, em vários trechos não há sinal de celular.

— Só passo lá durante o dia e, mesmo assim, raramente. Quando vejo que há congestionamento na Avenida Brasil, vou pelo Arco. Fico com medo de o carro enguiçar e não ter como pedir socorro — disse o comerciante Marcelos dos Santos, que costuma ir para Angra dos Reis de carro.

Na quarta-feira, o motorista de um caminhão de cargas foi rendido e roubado no Arco Metropolitano. Vindo de São Paulo, parou o caminhão depois que um tiro disparado por um dos bandidos atingiu o para-brisa do veículo. Ele foi mantido refém enquanto criminosos retiravam a carga, avaliada em R$ 290 mil. O homem, que tinha sido levado pelos bandidos para um barraco no alto do Morro da Quitanda, em Costas Barros, foi libertado por policiais da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) depois de uma intensa troca de tiros entre os agentes e os criminosos.

Não há estáticas específicas sobre o número de assaltos ocorridos no Arco Metropolitano. O Instituto de Segurança Pública (ISP), responsável pelas estatísticas de violência no estado, não tem um recorte específico da rodovia.

Perguntada sobre o esquema de policiamento, a Polícia Militar apenas enviou uma nota informando que o patrulhamento é realizado pelo Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) com carros que fazem rondas durante 24 horas.

A ocupação desordenada e a consequente favelização das margens da rodovia são outra preocupação. Há sete meses, a Câmara Metropolitana de Integração Governamental utiliza drones para fazer o monitoramento com o objetivo de identificar as áreas de risco, de ocupação, de impacto ambiental e as atividades econômicas situadas na faixa de domínio da rodovia.

OCUPAÇÃO DAS MARGENS

O mais recente relatório, segundo a Câmara, identificou dentro da faixa de domínio da rodovia, entre abril de 2015 e setembro deste ano, 42 delimitações de terreno (construções de cercas e muros), sete tentativas de construção, quatro pontos de comércio e três movimentações de terra, todas irregulares. Na rodovia, foram identificados 44 acessos e sete travessias irregulares. Todas as ocorrências foram notificadas ao DER.

O monitoramento mostrou ainda que, no entorno do Arco, foram verificadas cerca de 12 construções durante e após a inauguração da rodovia, sendo nove no município de Nova Iguaçu e três em Japeri. Também foram identificadas movimentações de terra nos municípios de Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí. Todas as prefeituras já foram notificadas para que providências sejam tomadas nos casos de irregularidade.

Em Vila de Cava, em Nova Iguaçu, existem várias construções irregulares. Lá, inclusive há um acesso, aberto por moradores, que tem movimento intenso de veículos durante todo o dia.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Cinemas que fizeram história no Centro voltam à cena

10/09/2016 - O Globo, Carlos Brito

Uma multidão ocupava os mil assentos do então Palácio Teatro, na Rua do Passeio 38, Centro do Rio. Era 20 de junho de 1929 e todos estavam ansiosos pela estreia de "Melodia da Broadway", de Harry Beaumont, primeiro filme sonoro exibido no Brasil. Na plateia, um espectador ilustre: o presidente Washington Luís, que pouco mais de um ano depois seria destituído do cargo por conta do golpe liderado por Getúlio Vargas, episódio que resultaria no fim da República Velha. Quatorze anos mais tarde, o rebatizado Cine Palácio ainda seria um dos principais representantes de uma época, na qual os grandes cinemas da região, como o Ideal e o Vitória, se destacavam na agenda de diversão do carioca. Mais recentemente, há quase quatro anos, após um período de decadência entre os anos 1990 e a primeira década dos anos 2000, parte dessas salas começaram a ser reinventadas e transformadas em novos espaços culturais. E o exemplo mais atual dessa tendência é o próprio Cine Palácio, que, desde o último dia 26, foi transformado em Teatro Riachuelo.

A obra de recuperação, que custou R$ 42 milhões, durou quase três anos e exigiu muito cuidado. O prédio está tombado desde 2008, quando deixou de funcionar como cinema, ao ser vendido pelo Grupo Severiano Ribeiro. Desde então, o lugar, que tem fachada em estilo neomourisco, concebida no fim do século XIX pelo arquiteto espanhol Adolfo Morales de los Rios, permaneceu fechado. O teatro agora faz parte do Passeio Corporate - um empreendimento imobiliário do banco Opportunity formado por três torres que ocuparão 70 mil metros quadrados e prevê a construção de um grande centro comercial na região - e é gerenciado pela Aventura Entretenimento, que ficará à frente da programação pelos próximos 20 anos.

- Queríamos participar do processo de revitalização da região. Soubemos do empreendimento e fizemos a proposta para assumirmos o espaço. A partir daí, entramos em obras, que foram bem mais complexas do que esperávamos - conta a produtora Aniela Jordan, uma das sócias da Aventura, experiente na produção de espetáculos musicais.

REFORÇO NA FUNDAÇÃO

Durante a reforma, por exemplo, foi constatado que a fundação original do Cine Palácio poderia não suportar o peso do novo teatro. Foi necessário instalar 30 estacas ao redor dos seis pilares de sustentação do imóvel. Além disso, com o acompanhamento de técnicos do Patrimônio Histórico Municipal, os administradores incorporaram novos elementos à arquitetura original, como lustres e cadeiras, ambos assinados pelo designer Zanini de Zanine.

- Quando todo o complexo começar a funcionar, pelo menos dez mil pessoas deverão passar por ele todos os dias. Boa parte da estrutura original foi mantida, mas fizemos inovações - diz Aniela.

Outro exemplo de reinvenção dos cinemas do Centro fica no número 62 da Rua da Carioca. Inaugurado em outubro de 1909, o Cine Ideal era um dos locais favoritos de Rui Barbosa, que ia assistir a filmes lançados pela distribuidora francesa Pathé. O espaço, que desde novembro passado funciona como Maison Leffié, ainda guarda seu charme: uma cobertura móvel de vidro projetada pelo engenheiro e arquiteto francês Gustave Eiffel, o mesmo da torre de Paris. Durante muito tempo, essa peça fez com que o Ideal fosse o único cinema ao ar livre à noite. A casa estava fechada desde 2014, após alguns anos abrigando festas para o público LGBT.

- Este prédio é parte da história dos grandes cinemas do Centro, não poderia continuar fechado. Por isso, fizemos tudo com muito cuidado, a cor das paredes respeitou as características da construção original - disse a arquiteta Rita de Cássia da Silva, uma das sócias do empreendimento cultural.

Para o pesquisador e autor do livro "Salas de cinema art déco no Rio de Janeiro", Renato Gama-Rosa, tanto o Ideal quanto o Palácio podem ser classificados no que se chama de escola eclética de arquitetura:

- Já o Cine Vitória é um exemplo perfeito do art déco americano, muito comum nas salas de exibição de Nova York e Los Angeles na década de 1930 e 1940. Foi o último dos grandes cinemas a ser inaugurado no Centro. Depois, esses locais seriam construídos apenas na Zona Norte e no subúrbio.

LIVRARIA BEM-SUCEDIDA

A menção ao Cine Vitória não é aleatória. O espaço erguido em 1942, na Rua Senador Dantas, abriga um dos empreendimentos mais bem-sucedidos entre os recuperados no Centro: a Livraria Cultura Cine Vitória. Inaugurada em dezembro de 2012, recebe cerca de 2.500 pessoas por dia no prédio que, ainda hoje, mantém características da construção original, como o piso de mármore, os lustres do salão de entrada, as sancas e luminárias laterais e a estrutura de madeira utilizada em parte das antigas cadeiras da plateia.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Túnel subterrâneo terá primeira galeria inaugurada no dia 19 deste mês

08/06/2016 - O Dia

Eduardo Paes visitou o novo Túnel Prefeito Marcello Alencar, que faz parte da reestruturação urbana da Região Portuária

Rio - O maior túnel subterrâneo do país, que substituirá o Elevado da Perimetral, terá a primeira galeria inaugurada no próximo dia 19. O prefeito Eduardo Paes visitou ontem o novo Túnel Prefeito Marcello Alencar, que faz parte da reestruturação urbana da Região Portuária, e apresentou como será a estrutura viária da área a partir deste sábado.

Prefeito Eduardo Paes visitou ontem as obras, que estão em fase final
Foto: Divulgação

Com 3.382 metros, o Túnel Marcello Alencar vai do Armazém 8 do Cais do Porto à Praça XV e faz parte da nova Via Expressa, que substitui a Perimetral e ligará a Avenida Brasil e a Ponte Rio-Niterói ao Aterro do Flamengo. Ele é composto por duas galerias: Continente (sentido Aterro do Flamengo) e Mar (sentido Avenida Brasil). A galeria Continente, com 3.370 metros e capacidade para receber até 55 mil veículos por dia, vai ser a primeira a ser inaugurada.

As modificações começam a zero hora de sábado, com novos acessos de veículos ao Aeroporto Santos Dumont. “Essa é uma entrega super importante para a cidade. A ausência desse túnel foi um fator de muito engarrafamento, não só no Centro da cidade, mas também na Zona Sul, no Aterro do Flamengo e na Avenida Brasil. Teremos uma redução de volumes nos túneis Rebouças e Santa Bárbara”, prevê o prefeito.

sábado, 4 de junho de 2016

Ilha Grande ganha obras na Vila do Abraão

03/06/2016 - O Globo, Selma Schmidt

Pousadas, bares e restaurantes não faltam na Vila do Abraão, porta de entrada da Ilha Grande. Tampouco circuitos em trilhas e no mar. Mas a Câmara Metropolitana de Integração Governamental do Rio, do governo do estado, entende que é preciso requalificar a infraestrutura básica local, para consolidar o turismo, atrair negócios e gerar empregos. O investimento, que custará R$ 28,3 milhões, será financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), dentro do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), e inclui reurbanização, drenagem e saneamento numa área de 517 mil metros quadrados. Já licitado, o projeto começará a ser executado no início de junho. Serão 16 meses de obras, a cargo da Hécio Gomes Engenharia.

No ano passado, em período de alta temporada, a vila chegou a receber num só dia 5.378 visitantes, segundo estatística do Conselho de Desenvolvimento Sustentável da Ilha Grande (Consig). Presidente da Câmara Metropolitana, o arquiteto Vicente Loureiro diz que, com as intervenções, pretende melhorar o atendimento ao turista, mas ressalta que é preciso limitar o número de visitantes à capacidade do lugar:

- Queremos turismo com responsabilidade, com cuidado. A ideia do projeto é dar qualidade e um tratamento uniforme à vila.

O DOBRO DE VISITANTES

A Câmara Metropolitana estima que, com as melhorias, a vila poderia comportar até 15 mil pessoas, incluindo os quatro mil moradores. Ou seja, conseguiria quase duplicar o número de turistas. Dos 5.378 visitantes/dia contabilizados em 2015, apenas 988 não pernoitaram no local. Entre os 4.390 restantes, 2.392 ficaram em pousadas, 670 em campings e 1.328 em casas. É para a Vila do Abraão que vai a maior parte dos turistas que desembarca na ilha. No seu cais, atracam grandes barcas com passageiros e mercadorias de Angra dos Reis e Mangaratiba.

Como a Ilha Grande é uma unidade de conservação, a proposta de revitalização do Abraão precisou ser submetida e licenciada por órgãos ambientais. A orla terá até um espaço gourmet para festas e eventos. Em um trecho, parte da calçada será alargada para a instalação de mesas e cadeiras.

A reurbanização da orla, da Rua Getulio Vargas e de vias perpendiculares prevê ainda a reforma de pontes, nova sinalização turística e substituição do saibro do pavimento por blocos de concreto. Duas praças também serão remodeladas e, quanto à iluminação, a fiação será embutida.

- Nos pontos que queremos destacar será dado um caráter cenográfico à iluminação, que ficará mais elaborada, com maior potência e foco direcionado - explica Loureiro.

Para a drenagem das águas de chuva, serão implantados 19 mil metros de dutos:

- Atualmente, esgoto e águas pluviais correm na mesma tubulação. Haverá a separação, para garantir mais balneabilidade e sustentabilidade.

O projeto contempla ainda a ampliação da Estação de Tratamento de Água (ETA) e a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) - com capacidade para 24 litros por segundo - e de seis elevatórias.

A revitalização da Vila do Abraão corre em paralelo ao projeto de privatização da gestão da Ilha Grande, que terá como consequência imediata a cobrança de taxa de acesso - cujo valor ainda não foi estipulado -e a fixação da capacidade de visitantes. Deverão ficar isentos da cobrança moradores da própria ilha, de Angra dos Reis e de Mangaratiba.

Liderado pela Secretaria estadual do Ambiente, o processo de privatização está sendo discutido desde janeiro de 2015. E a intenção do secretário André Corrêa é que o novo modelo esteja funcionando a partir do meio do ano que vem, com a administração a cargo de uma empresa, que também deverá adotar medidas visando a melhorar o saneamento básico e a destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos da ilha.

NOVA GESTÃO PARA PARQUE

O Parque Estadual da Ilha Grande será a primeira unidade de conservação do estado a ser gerida por meio de Parceria Público-Privada. O formato da PPP e o valor da taxa serão discutidos em audiência pública, ainda sem data marcada. Antes, em até um mês, a Secretaria do Ambiente pretende publicar aviso de consulta pública para que empresas manifestem interesse na parceria.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Prefeitura do Rio inaugura Novo Joá

28/05/2016 - Secretaria Municipal de Transportes

A Prefeitura do Rio entregou o Novo Joá à população no sábado (28/05), a três meses do início dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Com 5km de extensão, a travessia é um dos principais legados de mobilidade para os cariocas dentro do escopo de obras que preparam a cidade para as Olimpíadas. A estrutura foi construída contígua ao Elevado das Bandeiras e garantirá o aumento de capacidade viária em 30% entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca, podendo ser utilizada também em reversível nos horários de pico do tráfego. O Novo Joá conta com duas faixas e dois túneis paralelos ao já existente, sempre no sentido São Conrado-Barra. As pistas em operação, no tablado inferior, permanecem no sentido Barra-São Conrado. O tablado superior, que tem circulação em direção à Barra, passará a operar em mão dupla somente para automóveis. A faixa reversível será desativada.

As intervenções providenciaram a construção do novo Elevado Presidente Itamar Franco, com 1,1 km - cinco metros mais alto que o atual, para permitir que os motoristas continuem tendo a oportunidade de apreciar a vista para o mar; e abriram dois novos túneis, com 650 metros de extensão no total: Túnel Engenheiro Paulo Cezar Marcellino Figueire, com 220m, e Túnel Engenheiro Luiz Jacques de Moraes, com 430m. O escopo incluiu ainda a implantação da nova ponte da Joatinga, com 520 metros, e remodelou as faixas de acesso aos viadutos na altura de São Conrado, reorganizando o trânsito local.  

Iniciada em junho de 2014, com investimento de R$ 457,9 milhões, a concepção do projeto básico foi idealizada pela Fundação Geo-Rio. Toda a obra consumiu 28.000 m³ de concreto, o equivalente ao necessário para construir dois Museus do Amanhã. O volume de material escavado chegou a 92.000 m³, entre rocha e areia, o  que preencheria 25 piscinas olímpicas.

Uma ciclovia de 3,1 km foi construída sobre o elevado existente e será inaugurada após a rechecagem e inspeção dos técnicos da Coppe/UFRJ e INPH, cuja perícia independente foi contratada pela Prefeitura do Rio em abril deste ano. A faixa exclusiva para bicicletas vai contribuir para a ampliação da malha cicloviária da cidade, integrando as ciclovias existentes em São Conrado, na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes.

Esquema de trânsito

A nova pista do Joá e o tabuleiro inferior terão velocidade máxima de 80 km/h. Já o tabuleiro superior terá velocidade de 50 km/h. As vias contarão com fiscalização eletrônica. Com a nova configuração do Joá, espera-se uma redução de até 60% no tempo de viagem no sentido Barra no período da manhã. Já no período da tarde, a redução poderá chegar a 20%, em média, no trecho do Joá. No sentido contrário, o tempo de viagem será reduzido em 10%. Pelas pistas em operação do Joá, trafegam 85 mil veículos por dia. Por conta da redução de 85% do volume de tráfego durante a madrugada, a pista em mão dupla do tablado superior será fechada toda noite, das 23h30 às 4h30, exceto quando houver manutenção em outras pistas.

Caso haja necessidade de fechamento do tablado inferior ou da pista nova do Joá para serviços de manutenção ou conservação, o tablado superior funcionará em mão única, substituindo a pista que está fechada. Nesse caso, será permitida a circulação de ônibus, caminhões e motos.

Para os Jogos Olímpicos, no período de 31 de julho a 22 de agosto, haverá duas Faixas Olímpicas dedicadas (exclusivas) no Joá: uma faixa na nova pista sentido Barra e uma faixa no sentido São Conrado, no tablado inferior. As Faixas Olímpicas serão implementadas durante o evento para garantir o tempo de deslocamento da família olímpica aos locais de competição.

Os fechamentos de pista, quando necessários, serão comunicados com antecedência. Painéis de Mensagens Variáveis (PMV) informarão o regime de operação das pistas do Elevado do Joá. No tablado superior, dispositivos luminosos (que indicam a liberação de pista) também servirão de reforço na comunicação aos usuários sobre a operação.

 Com a nova pista, o monitoramento na via será intensificado. Equipes da CET-RIO estarão prontas para atuar em caso de ocorrências, por meio de rondas permanentes com motos, pick-ups e reboques, além de câmeras instaladas ao longo da via ligadas Centro de Operações Rio.

Paes entrega trecho entre a Praça Quinze e Museu Histórico Nacional

30/05/2016  - O Globo

Com um novo Centro à vista, os cariocas puderam redescobrir ontem mais um pedaço do coração da cidade, desta vez em um ponto entre a Praça Quinze e o Museu Histórico Nacional. Menosprezado e cinzento nos tempos da Perimetral e, durante meses, fechado para obras, o trecho de 777 metros de extensão à beira da Baía de Guanabara agora tem áreas verdes, bancos de madeira e caminho livre para pedestres e ciclistas diante de prédios históricos da região.

A área revitalizada, parte da Orla Luiz Paulo Conde, foi inaugurada pelo prefeito Eduardo Paes. Cruza a Praça Marechal Âncora, que abriga o restaurante Ancoramar (antigo Albamar), e vai até a Praça da Misericórdia, com uma passagem subterrânea que integra os dois espaços.

— É uma parte fantástica da cidade. Queremos que os cariocas venham aqui, pois perdemos esse hábito de frequentar o Centro, olhar para sua história — disse Paes, que explicou porque ainda havia alguns tapumes no caminho. — São do Túnel Marcello Alencar, que deve ficar pronto daqui a duas ou três semanas — afirmou o prefeito, que chamou a nova via de um alívio ao trânsito da Avenida Passos e dos túneis Rebouças e Santa Bárbara.

Com o trecho entregue ontem já são 2.677 metros da Orla Conde abertos — de um total de 3,5 quilômetros e nove praças. As próximas áreas a ficarem prontas, afirmou a prefeitura, serão a Praça da Candelária e a parte do boulevard do Porto entre os armazéns 6 e 8. Nos Jogos do Rio, lembrou o prefeito, o lugar vai receber uma pira olímpica.

— Essa orla será um grande espaço olímpico da cidade. Vai ser a primeira vez que a pira (depois de acesa na cerimônia de abertura no Maracanã) não ficará fechada dentro de um estádio — contou Paes. 

TEMOR QUANTO À SEGURANÇA 

Nas praças reabertas ontem, no entanto, os elogios dos visitantes vieram acompanhados de preocupações com a segurança no local. Receio manifestado, por exemplo, pela professora de música Helena Silva:

— Achei o lugar tudo de bom. Mas espero que não fique cheio de camelôs e que deem segurança para as pessoas poderem desfrutá-lo, porque está sem proteção.

Para a administradora de imóveis Mônica Vasconcelos, a falta de policiamento pode prejudicar a proposta da nova orla.

— Vai ser um espaço para marginais se não tiver policiamento — disse ela.

Até Paes ressaltou que a polícia precisa estar mais presente na área perto da estação das barcas:

— A prefeitura está cumprindo sua parte, urbanizando, pondo iluminação... Nós confiamos na polícia para agir e impedir que este seja um espaço que espante as pessoas. Quanto mais gente, menor o problema com a violência.

Conforme O GLOBO adiantou, o governo do estado vai adotar no Centro, a partir do dia 1º de julho, o modelo de policiamento em parceria com a iniciativa privada que já funciona em pontos como o Aterro. A Operação Centro Presente será apresentada hoje pela Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos e pela Fecomércio-RJ. O reforço na segurança da região deve contar com 522 PMs.

domingo, 29 de maio de 2016

Mudanças na Ponte Rio-Niterói: Mais fiscalização e tecnologia

27/05/2016  - O Globo

Na próxima quarta-feira, os 150 mil veículos que passam diariamente pela Ponte Rio-Niterói encontrarão mudanças importantes. A principal delas tem aparência discreta, mas é a que deve gerar mais ruído: a partir do dia 1º de junho, a rodovia passa a ser fiscalizada por radares eletrônicos que vão multar todos os veículos que ultrapassarem o limite de 80km/h. Outras novidades poderão ser notadas pelos usuários, como o sinal para conexão gratuita de internet via wi-fi e gradeamento nos acessos. As alterações estão entre os compromissos estabelecidos em contrato para o primeiro ano de concessão da Ecoponte, prazo que termina no fim do mês.

ANALICE PARON - Radares. O trecho antes da chegada à Ilha do Mocanguê é um dos que terão fiscalização eletrônica de velocidade

A praça do pedágio também será ampliada, com a criação de mais duas cabines com cobrança mista (tanto manual como automática) e uma faixa para motos. Atualmente, segundo a Ecoponte, cerca de 50% dos veículos utilizam as faixas automáticas. Para se ter uma ideia do impacto das cancelas automáticas, há duas semanas um problema durante a mudança do sistema de cobrança eletrônica fez com que a liberação das cancelas ficasse manual. Como resultado, o tempo de travessia chegou a 50 minutos. Outras obras previstas em contrato para execução até o fim do mês são a instalação das duas cabines para a Polícia Rodoviária Federal, uma em cada sentido. Radares, sistema de wi-fi e o posto na saída para Niterói já estão instalados, embora ainda não operem. Já a cabine policial no sentido Rio ainda não é vista na Ponte. Embora o prazo contratual para implantação do conjunto de melhorias esteja apertado — faltam quatro dias —, a concessionária afirma que entregará tudo dentro do limite.

Segundo a Ecoponte, o conjunto de equipamentos de fiscalização tem o objetivo de dar mais segurança e fluidez ao tráfego. É o caso dos radares, que se tornam uma realidade após anos de e boatos. Serão quatro conjuntos em cada sentido da rodovia — o que dá uma média de um aparelho a cada três quilômetros. O atual limite de 80km/h foi mantido, mas agora o abuso de velocidade custará caro ao motorista. O condutor que percorrer toda a extensão da Ponte a 100km/h vai chegar ao outro lado com quatro multas de R$ 127 cada e mais 20 pontos na carteira de motorista, o suficiente para perder a habilitação. Os equipamentos serão instalados nas descidas do vão central, na reta do Cais do Porto, na grande reta e próximos à Ilha do Mocanguê. As autuações ficam a cargo da PRF. A Ecoponte informou que não terá participação na arrecadação da receita com multas.

— Os radares trarão como consequência a diespeculações minuição exponencial no número de acidentes, uma vez que a velocidade é certamente o maior causador de acidentes na Ponte — garante Daniel Cerqueira, chefe da 2ª Delegacia da PRF (Ponte). —Vale lembrar aos motoristas que, na prática, estar a 100km/h ou a 80 km/h, no fim das contas, vai dar uma diferença de apenas dois minutos. Não justifica o risco.

Professor de Transportes da UFF e da Uerj, o engenheiro Gilberto Gonçalves explica que a definição do limite de velocidade leva em consideração as características de cada via. Ele lembra que a Ponte foi inaugurada, em 1974, com velocidade máxima de 120km/h, mas eram apenas três faixas e havia acostamento.

— Hoje são quatro faixas mais estreitas, então, é necessário diminuir o limite. Os automóveis não andam em linha reta. Eles oscilam, e essa movimentação é maior ou menor, dependendo da velocidade — explica o engenheiro, que também fala sobre a disponibilidade de wi-fi na rodovia. — Entendo que é uma tendência. Daqui para frente, cada vez mais carros estarão conectados à internet. Então será um serviço útil. É óbvio que não é algo para o motorista, mas para os passageiros e para o veículo — avalia.

Entre os motoristas, há quem discorde. Morador de Itaipu, o músico Breno Brito defende que a velocidade máxima da via deveria ser maior.

— Na Ponte, a 80km/h você tem a sensação de andar a 50km/h por hora. Imagina de noite. Vai dar sono no motorista — critica.

Para os próximos anos, a concessionária diz que estuda as mudanças no fluxo de veículos após a conclusão das obras na Transoceânica, da Avenida Brasil e na região do Porto Maravilha, que prometem desafogar o trânsito nas saídas da ponte.

— Para melhorar o transito num local, você investe em outro. Com as novas alternativas que diminuem o trânsito interno, como o túnel Charitas-Cafubá, a perspectiva é de melhorar o fluxo — avalia Wilson Castilho, gerente de contratos da Ecoponte.