segunda-feira, 31 de maio de 2010

Prefeitura conclui Programa Antipichação no Túnel Novo




Fachada, no sentido Botafogo-Copacabana, está limpa e ganhou nova iluminação monumental

31/05/2010

A Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos entregou à população, nesta segunda-feira, dia 31, a fachada do Túnel Novo livre das pichações. Além da limpeza, a fachada do túnel, no sentido Botafogo-Copacabana, recebeu nova iluminação monumental.


O trabalho de limpeza e revitalização da iluminação durou 20 dias e foi resultado da parceria da Prefeitura com o Shopping Rio Sul, que investiu R$ 200 mil. No total, foram instalados 16 novos pontos de luz, cujo projeto foi homologado pela Rioluz. Os projetores de última geração, com lâmpadas de vapor metálico de 150 watts de potência, são de fabricação belga.


"Com a entrega do Túnel Novo limpo, a Prefeitura conclui a primeira etapa do Programa Antipichação, que vai continuar em outros pontos da cidade. Este programa inclui ações em três vertentes: a limpeza em si, a repressão à atuação de pichadores e o estimulo à arte do grafite disponibilizando áreas específicas da cidade, como fizemos no muro da Secretaria de Conservação, na Avenida Francisco Bicalho”, lembrou o secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos, Carlos Roberto Osorio.


Para a limpeza da fachada do Túnel Novo, foi utilizada uma nova técnica, de origem alemã, que remove pichações com jatos de gelo seco. O trabalho, supervisionado pela Comlurb, contou no inicio com a participação voluntária dos ex-pichadores, responsáveis pela pichação do monumento ao Cristo Redentor. A fachada limpa será revestida com uma película protetora, a partir do uso de um produto especial antipichação.


Na operação no Túnel Novo, a Fundação Parques e Jardins realizou a limpeza da Fonte Adriano Ramos Pinto, de 1906, e a Secretaria Municipal de Ordem Pública reforçou a atuação da Guarda Municipal no sentido de coibir ação de pichadores no local e no acolhimento à população de rua.


Nesta primeira etapa do programa foram realizadas ainda a limpeza da fachada do túnel, no sentido Copacabana-Botafogo, assim como das duas galerias. Também o Túnel do Pasmado passou por limpeza na sua galeria.

Texto: Ascom Seconserva

Centro: polêmica pede passagem



Jornal do Brasil, José Luiz de Pinho, 30/mai
Com um misto de perplexidade e indignação. É assim que os cariocas estão encarando o projeto Rio Verde, da prefeitura, que prevê o fechamento da Avenida Rio Branco e adijacências a carros e ônibus, para transformá-las num parque urbanístico com 2 milhões de metros quadrados. O teste será no dia 26 de junho, um sábado. Até lá, o prefeito Eduardo Paes terá de conviver com as críticas das pessoas envolvidas no processo, como atestou o JB, em sua ida ao epicentro da polêmica.
Há 20 anos dona de um consultório de ginecologia e mastologia, na esquina da Rio Branco com Avenida Nilo Peçanha, a médica Rose Ribeiro repudia a criação do parque.
- Tenho várias pacientes acima de 80 anos, como elas vão se deslocar até a Rio Branco de metrô? - revolta-se a médica. - O prefeito acha que eu vou andar de metrô com um laptop e equipamento médico? Para ser assaltada?.
Rose ainda reclama da desvalorização do imóvel.
- Há duas décadas, fiz um grande investimento comprando meu consultório na esquina da Rio Branco por ser um ponto nobre. Agora vai ser esquina com um calçadão? Esse prefeito é mais maluco que o Cesar Maia - indigna-se.
Motoristas revoltados
Os taxistas também desaprovaram o projeto. Integrante da Associação de Táxis da Avenida Nilo Peçanha, Itamar Pedrosa, 43 anos, está revoltado.
- Se fechar a Rio Branco, para onde o trânsito, que já é uma loucura, vai escoar? Para a Avenida Passos, Mergulhão da Praça XV? Vai parar a cidade - alerta ele. - O prefeito tem que cuidar é da saúde pública que está abandonada.
Taxista há 23 anos, Itamar segue questionando.
- Onde os carros de valores vão parar para recolher o dinheiro das dezenas de bancos que tem aqui? E os edifícios garagem? Vão viver de quê? - indaga - Será que ele não sabe que dia 26 cai num sábado, dia morto no Centro? Que validade vai ter esse teste?
O também taxista Frank William, 27 anos, é contra a proibição de táxis na via.
- Esse projeto não existe. Aqui é uma área comercial. As pessoas precisam de opções de condução - entende Frank, morador de Mesquita.

Já contabilizando prejuízos nas vendas, os comerciantes são contra o projeto. Proprietária da cinquentenária livraria Da Vinci, no Edifício Marquês do Herval 185, na Avenida Rio Branco, Milena Duchiade discorda do prefeito.
- Tinha de haver um debate com urbanistas, comerciantes, engenheiros, sindicatos e a população. Não é assim, tive uma ideia, vou fazer. A Rio Branco pode virar um imenso camelódromo. Tem que haver é um corredor para ônibus, como em São Paulo e Curitiba.
Daniel Choniski, dono da livraria Berinjela há 15 anos, também critica.
- Não tenho opinião, porque a prefeitura não mostra o projeto. Ele é fechado a sete chaves. Como querem colocar quiosques se nem fiscalizam as bancas de jornais irregulares da avenida? - cobra.
Sugestão
O geofísico Alcides Aggio, paulista de 57 anos, acha que o Centro não tem estrutura para se dar o luxo de ter uma avenida como a Rio Branco exclusiva para pedestres.
- É complicado. O ideal era fazer como no Vale do Anhangabaú, que ganhou uma via subterrânea, deixando a superfície para pedrestes - lembra. - Mas é preciso ter bilhete único para todos os transportes e um metrô ao nível do de São Paulo, que o Rio não tem.
A revisora Mônica Machado não poupou o prefeito Eduardo Paes de críticas.
- Isso é um projeto fascista porque é imposto, sem ouvir a população. Ele vai acabar enchendo isso aqui de camelôs.
Prefeitura pretende reduzir a poluição
Desenvolvido por engenheiros e arquitetos da Secretaria Municipal de Urbanismo, o projeto Rio Verde engloba também a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Segundo o subsecretário da pasta, Altamirando Moraes, o Ambiente atuará em pelo menos três frentes.
- Cerca de 36% dos gases tóxicos que poluem a Avenida Rio Branco vêm da emissão de gases de ônibus e carros - afirma o subscretário. - Haverá ciclovia porque o objetivo é estimular o uso da bicicleta. O Pedala Rio ganhará bicicletários no Centro, Flamengo, Botafogo e Tijuca. A avenida será totalmente arborizada.
O projeto prevê o fechamento do quadrilátero das avenidas Rio Branco - desde a Presidente Vargas -, Passos, Beira Mar, Presidente Antônio Carlos, República do Paraguai e Rua Primeiro de Março.
Especialista critica projeto
Cientista de trânsito e ex-diretor do Departamento de Trânsito do Rio de Janeiro e colunista do JB, Celso Franco contesta o fechamento da Avenida Rio Branco.
- Não vejo outra razão para se eliminar essa importante via de tráfego a não ser a vaidade de um arquiteto inexperiente em tráfego - critica.
Celso Franco condena a obra, que ainda não tem um orçamento definido, nem muito menos foi apresentada à sociedade.
- O custo e benefício não justifica a obra. É preciso eliminar o tráfego de veículos particulares no horário comercial. A via seria exclusiva para ônibus e taxis.
Celso Franco vê outra deficiência a ser combatida.
- É preciso racionalizar ônibus, acabando com as entradas à esquerda na Av. Alte. Barrozo e na Rua Araújo Porto Alegre. Já existe estudo da Rio Ônibus para se criar faixa só para ônibus, no contra fluxo.
O especialista cita outras mazelas a serem eliminadas.
- O que é necessário é se desobstruir as calçadas de camelôs e imensas bancas de jornal, de péssimo gosto, em benfício do pedestre.
Paes garante que projeto não trará desconforto
Desenvolvido por engenheiros e arquitetos da Secretaria Municipal de urbanismo, o projeto engloba também a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Segundo o subsecretário da pasta, Altamirando Moraes, o Ambiente atuará em pelo menos três frentes.
- Cerca de 36% dos gases tóxicos que poluem a Avenida Rio Branco vêm da emissão de gases de ônibus e carros - afirma o subscretário. - Haverá ciclovia porque o objetivo é estimular o uso da bicicleta. O Pedala Rio ganhará bicicletários no Centro, Flamengo, Botafogo e Tijuca. A avenida será totalmente arborizada.
O projeto prevê o fechamento do quadrilátero das avenidas Rio Branco - desde a Presidente Vargas -, Passos, Beira Mar, Presidente Antônio Carlos, República do Paraguai e Rua Primeiro de Março.
Especialista critica projeto Cientista de trânsito e ex-diretor do Departamento de Trânsito do Rio de Janeiro e colunista do JB, Celso Franco contesta o fechamento da Avenida Rio Branco.
- Não vejo outra razão para se eliminar essa importante via de tráfego a não ser a vaidade de um arquiteto inexperiente em tráfego - critica.
Celso Franco condena a obra, que ainda não tem um orçamento definido, nem muito menos foi apresentada à sociedade.
- O custo-benefício não justifica. É preciso eliminar o tráfego de veículos particulares no horário comercial. A via seria exclusiva para ônibus e taxis. É necessário racionalizar os ônibus, acabando com as entradas à esquerda na Avenida Almirante Barroso e na Rua Araújo Porto Alegre.
Rio Branco terá árvores, ciclovias e novos bicicletários nos arredores do Centro

Programa de habitação popular faz nascer um bairro na cidade de Maricá



Brasil Econômico, Mariana Celle, 31/mai
A pouco mais de 60 quilômetros do Rio de Janeiro, a construtora Fator Realty está erguendo praticamente um novo bairro voltado para a população com renda familiar de até 10 salários mínimos. Na cidade de Maricá, na região metropolitana, a empresa edifica os primeiros imóveis do município enquadrados na filosofia do programa Minha Casa, Minha Vida.
Paulo Fabbriani, diretor da Fator Realty, argumenta ter experiência em atender à demanda por imóveis de baixa renda e este empreedimento, Vida Nova Maricá, tem o diferencial de contar com com infraestrutura reclamada pela atual classe média emergente, com playground, salão de festa e quadra esportiva. Com um investimento de aproximadamente R$ 55 milhões, o empreedimento fica em um terrreno de 1,3 milhão de metros quadrados.
O empreendimento Vida Nova Maricá I e II  ocupará uma área de 20 mil metros quadrados, com nove edifícios e 320 apartamentos de 1, 2 e 3 quartos. No plano final, o Vida Nova Maricá alcançará um total de 11 mil apartamentos, e terá quase 50 mil moradores. Há oferta e demanda assegurada neste segmento, segundo observa o diretor da Fator. "Hoje temos dentro de casa um potencial de aproximadas 16 mil unidades para o Minha Casa, Minha Vida, com valor geral de vendas potencial de aproximados R$ 1,6 bilhão" afirma Fabbriani.
Em relação ao crescente nível de exigência do consumidor popular, houve alguma preocupação especial no desenvolvimento do projeto?
 A empresa fez uma pesquisa para descobrir a demanda do segmento. Assim ficou mais precisa a tomada de decisão e o direcionamento da construção, possibilitando agregar valores ao conjunto do empreendimento com foco nas características do consumidor.
Qual o preço médio das unidades?
Com toda a infraestrutura, o valor médio do apartamento está em torno de R$ 108 mil.
A construtora tem planos para outros municípios dentro do Rio e fora do estado?
Nosso plano é fazer lançamentos na Região Serrana e na Região dos Lagos, no Rio, Fora do estado, acabamos de lançar unidades em Salvador, na Bahia. E o plano da construtora é continuar a trajetória de tradição no mercado, cujo foco é o consumidor que tem conseguido sucesso.

domingo, 30 de maio de 2010

Imóveis em favelas com UPP sobem até 400%

INVESTIMENTO


Publicada em 29/05/2010 às 20h28m
O Globo - 29/05/2010
    A fachada do condomínio Nobo Batan: músico comprou terreno e dividiu em lotes / Marcelo Piu
    RIO - Um terreno de 3.700 metros quadrados e a tranquilidade que domina o lugar desde a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) foram o bastante para o músico Renato Ferro da Silva decidir virar empreendedor. Ele comprou a área, na Rua Aboará, no Jardim Batan, em Realengo, parcelou informalmente e está vendendo os lotes, com 50 metros quadrados cada, do condomínio Novo Batan. Como o Batan, as outras 17 comunidades ocupadas vem inchando desde que deixaram de ser dominadas por traficantes ou milicianos, conforme mostra reportagem de Selma Schmidt, publicada na edição deste domingo no jornal O GLOBO. (Veja: No Santa Marta, procura por imóveis já é maior do que a oferta, diz representante dos moradores ).
    A construção de puxadinhos e de mais um andar - para criar novos quitinetes e abrir espaço para mais gente - virou um cenário comum em favelas pacificadas. As associações de moradores dizem que, agora, é difícil achar imóveis para alugar ou vender. E os poucos disponíveis tiveram uma valorização de até 400% - caso de um quarto e sala à venda na Cidade de Deus, que foi de R$ 2 mil para R$ 10 mil - , de acordo com levantamento feito pelo estado. As casas de dois quartos nessa comunidade são negociadas a R$ 60 mil (100% de aumento). O aluguel de uma loja dentro da favela custa R$ 500, 150% a mais do que antes da inauguração da UPP, em fevereiro de 2009.
    - Sempre se espera a valorização de locais que deixam de ser violentos. Mas o aumento de preços na Cidade de Deus me surpreendeu. Isso mostra que o que impedia a valorização do lugar era a violência - diz o secretário-chefe da Casa Civil do estado, Régis Fichtner.
    O camelô Vanderlei da Silva Fonseca está entre os que vislumbram lucro com imóveis. Ele está construindo três quitinetes sobre sua casa, na Providência, última favela a ganhar uma UPP, em abril:
    - Tem interessado na fila para alugar. Vou alugar duas por R$ 200 e uma por R$ 250.
    Para Sérgio Magalhães, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil no Rio (IAB-RJ), é fundamental a presença efetiva da prefeitura nas comunidades ocupadas, a fim de orientar os moradores, fazer cumprir normas de construção e conter a expansão das favelas.
    O garçom Marcelo Miranda pagou R$ 70 mil por uma casa com vista para o mar no Chapéu Mangueira / Marcelo Piu
    Na primeira favela pacificada, o Santa Marta, o levantamento do estado revela um aumento de 200% nos aluguéis de imóveis de quarto sala, que já custam R$ 450 no alto da favela.
    O estado fez a pesquisa com associações e moradores. Os imóveis mais caros à venda foram identificados na parte baixa dos morros Tabajaras e Cabritos: R$ 80 mil, por uma loja; e R$ 70 mil por um dois quartos. No aluguel, os maiores preços foram encontrados na parte baixa do Chapéu Mangueira e da Babilônia: R$ 4 mil por uma loja e R$ 2 mil por um dois quartos. Nesses morros, para comprar um dois quartos é preciso pagar R$ 50 mil (mais 66%). Quem quer mais espaço, contudo, tem que desembolsar mais, como fez o garçom Marcelo Miranda Castro, de 49 anos, que pagou R$ 70 mil por uma casa no miolo do Chapéu Mangueira, com vista privilegiada da praia.
    - Estou fechando o terraço e melhorando a casa, mas não é para alugar - revela Marcelo, que deixou a casa menor, no Chapéu, para um irmão.
    Leia a íntegra da reportagem na edição digital (só para assinantes)
    Leia mais:
    O levantamento completo dos preços de imóveis antes e depois das UPPs

    sábado, 29 de maio de 2010

    Passarela do elevador no Morro do Cantagalo é instalada e muda a paisagem de Ipanema

    NOVO CENÁRIO


    Publicada em 29/05/2010 às 14h05m
    O Globo - 29/05/2010
      Passarela de elevador muda paisagem de Ipanema. Foto de divulgação: Fabio Ferreira
      RIO - Foi instalado neste sábado o trecho final da passarela entre as duas torres do elevador que liga a Estação General Osório do metrô ao Morro do Cantagalo, em Ipanema, na Zona Sul do Rio. Moradores do entorno acordaram cedo para acompanhar a operação da janela ou nos arredores da obra.
      (Veja imagens da construção do elevador)
      A estrutura tem 18 toneladas, 24 metros de comprimento e 3,50 metros de altura e largura. Ela foi instalada a uma altura de 54 metros e mudou a paisagem da Zona Sul do Rio. Um guindaste especial, capaz de sustentar até 220 toneladas, foi usado na operação que envolveu mais de 30 homens e durou cerca de uma hora.
      Segundo Juliano Penteado, gerente de produção da obra, essa foi a etapa mais complexa da obra e o elevador está praticamente pronto. "Fica faltando apenas os acabamentos e a limpeza final das torres e a urbanização do entorno da obra", disse ele, em nota divulgada à imprensa.
      Em nota, o diretor de Engenharia da Secretaria estadual de Transportes, Bento Lima, comemorou: "Se tivéssemos vento acima de 4 metros por segundo não poderíamos erguer a passarela e teríamos que atrasar a obra. Mas deu tudo certo e agora sim podemos dizer que unimos o morro e o asfalto em Ipanema".
      A primeira parte da passarela não foi suspensa, pois os técnicos optaram por construí-la em cima, sobre andaimes na encosta da comunidade, já que a altura era menor. As duas torres, de 64 metros e 31 metros, podem transportar até 100 pessoas ao mesmo tempo e são revestidas por lâminas metálicas coloridas. A mais alta conta com elevador panorâmico e um mirante, de onde será possível avistar as praias de Ipanema e Leblon, a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Corcovado.
      A inauguração da obra está prevista para o final de junho.

      Em cinzas pela segunda vez


      Famílias novamente perdem tudo em incêndio três anos depois de fogo ter destruído casas sob viaduto no Sampaio. Moradores vão receber aluguel social e Prefeitura do Rio vai começar a mapear as favelas sob estruturas viárias

      POR PAULA SARAPU - O Dia - 29/05/2010
      Rio - A doméstica Rosângela Augusto, 42 anos, deixou Minas Gerais para tentar vida melhor no Rio. Instalada na Favela Dois de Maio, sob o viaduto de acesso ao Túnel Noel Rosa, no Sampaio, ela viu tudo o que conquistou virar cinzas em incêndio que atingiu diversas casas há três anos. Ontem, Rosângela acordou com o mesmo pesadelo: cerca de 25 barracos foram destruídos pelo fogo. Ninguém se feriu, mas muitos ficaram apenas com a roupa do corpo. A estrutura de dois pilares do elevado acabou comprometida, e o trânsito no viaduto continua interditado. A prefeitura vai começar a mapear as comunidades sob viadutos.
      Foto: Carlos Eduardo Rodrigues
 / Agência O Dia
      Barracos em chamas sob o viaduto no bairro de Sampaio | Foto: Carlos Eduardo Rodrigues / Agência O Dia
      Segundo os moradores, o Município prometera remover a comunidade no incêndio de 2007. Com três laudos de interdição destruídos ontem, Rosângela estava indignada. “Você só tem tempo de salvar a sua vida, o resto fica. Passei por três recadastramentos e nada aconteceu. Perdi tudo daquela vez, morei na rua à espera da remoção e, como não tinha para onde ir, construí outro barraco de madeira. Até quando vai ser esse descaso?”, questionou a doméstica, que salvou a mãe e os dois cachorros.

      >>FOTOGALERIA: Incêndio sob viaduto no bairro Sampaio

      Sob o viaduto, vivem 250 famílias, segundo o subprefeito da Zona Norte, André Santos. De acordo com ele, a comunidade já estava na lista das favelas que serão removidas este ano. “A Dois de Maio seria a sétima, porque não havia risco iminente. Ela podia esperar mais um pouco”, afirmou.

      As famílias ficarão abrigadas na Vila Olímpica do Sampaio e receberão aluguel social de R$ 400 por tempo indeterminado — com adiantamento de três meses. Todos serão incluídos no programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, e a área sob o viaduto será ocupada pela Comlurb. “Estamos reassentando desde o ano passado. Esse problema não se resolve do dia para a noite”, afirmou o prefeito Eduardo Paes.

      Karina Mariano, 11 anos, segurava o único bem que lhe sobrou: a mochila de princesa. Ela tinha ido para a escola pouco antes. “Minha mãe está trabalhando e vai ficar muito triste”, disse a menina.

      Viaduto atingido deve ser liberado hoje com restrições

      Por causa do incêndio, a Rua Ana Néri e o viaduto que liga Vila Isabel ao Jacaré, foram interditados. O elevado e a alça de acesso pela Rua 24 de Maio permanecerão fechados porque, segundo a Defesa Civil, dois pilares foram afetados. O túnel está liberado pelas agulhas de acesso e saída da Rua Marechal Rondon. Por dia, cerca de 30 mil veículos passam pela área.

      A Defesa Civil informou não haver risco de desabamento, mas é necessário escorar os pilares atingidos e recompor o reboco de cimento, o que vai demorar uma semana. O viaduto deve ser liberado hoje apenas para veículos leves, com sinalização para reduzir a velocidade.

      Comunidade tem até amanhã para deixar as casas

      As 53 famílias vizinhas do pedreiro Marcelo Pereira, que morreu quinta-feira no desabamento de sua casa, no entorno da Colônia Júlio Moreira, em Curicica, têm até amanhã para deixar seus imóveis. Ontem, os moradores começaram a retirar seus pertences. 

      “Todo mundo está ocupado retirando as coisas, não queremos correr o risco de nossa casa desabar. Ainda não tenho para onde ir, vou ficar na casa de vizinhos, mas bola para frente” disse a moradora Tatiana Silva e Souza, 29, moradora de uma das 46 casas que já receberam o aluguel social de R$400 da prefeitura.

      Sobrevivente da tragédia, Micke Pereira, 6 anos, continua internado na UTI do Hospital Lourenço Jorge. Os corpos de Marcelo, 38 anos; a mulher, Silvana da Silva, 28; o filho caçula do casal, Nicolas Pereira, 5, e o primo José Gonçalves, 33, foram enterrados ontem no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju.

      Projeto prevê linha circular no Centro do Rio

      NOVOS RUMOS


      Publicada em 28/05/2010 às 22h54m
      Ludmilla de Lima - O Globo - 28/05/2010
        RIO - O projeto da prefeitura para a Avenida Rio Branco, que será fechada para carros e ônibus a partir do dia 26 de junho, será apresentado oficialmente pelo prefeito Eduardo Paes dentro de dez dias, quando mostrará os detalhes da proposta. Será o primeiro passo para transformar a via em um parque urbano, com dois milhões de metros quadrados, só para pedestres. Ele chamou de artificiais as polêmicas criadas em torno da ideia e garantiu que a medida irá melhorar "brutalmente" o trânsito no Centro da cidade.
        - A grande transformação que o fechamento vai trazer é poder tirar aquela quantidade absurda e escandalosa de ônibus passando pela principal via da cidade - destacou.
        Paes também afirmou que a mudança na Rio Branco não prejudicará a população:
        - O que eu posso garantir é que não há hipótese da população ter qualquer desconforto. Ao contrário. A única linha que vai passar pelo miolo do Centro é uma linha circular que vai se integrar com todas as outras linhas de ônibus que chegam - disse o prefeito.
        A estimativa imediata é de que 115 linhas de ônibus que circulam pela Rio Branco sejam redistribuídas pela prefeitura.

        quarta-feira, 26 de maio de 2010

        Theatro Municipal novinho entra em cena hoje


        Ópera marca a reabertura do espaço, fechado há 19 meses para restauração. Haverá espetáculos em cartaz por R$ 2

        POR LEANDRO SOUTO MAIOR - O Dia - 27/05/2010
        Rio - Um restaurador ajeita atentamente a beirinha da escada da frente, colocando minuciosamente massa de pó de pedra e cuidando para que seja exatamente da mesma cor da original. Esmeros como esse fizeram a rotina dos últimos dias de acabamento para o que será oficialmente a plena reabertura do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na noite de hoje, depois de funcionar desde 1° de maio em esquema de ajustes finais. Foram dois anos e cinco meses de obras, sendo 19 meses com o teatro fechado. A ocasião ganha todas as pompas merecidas, incluindo a presença do presidente Lula, que vem ao Rio conferir uma programação especial de obras eruditas de autores nacionais e internacionais.
        Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
        Águia ganhou um tratamento especial | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
        Mas esta badalação será só para convidados. O espaço novinho em folha só abre para o público no sábado, com a ópera ‘Il Trovatore’ (‘O Trovador’), do compositor italiano Giuseppe Verdi, em montagem dirigida por Bia Lessa. A partir de 2 de junho, o novíssimo Municipal abriga mais uma edição da Rio Folle Journée — maratona de música clássica — que este ano homenageia Chopin em concertos com preços de até R$ 2. 

        “Espero corresponder à honra que me foi dada. A emoção de participar deste momento é incrível”, desmancha-se Bia Lessa, que antecipa uma palhinha da obra no mix preparado para a noite de hoje. “Já visitei o teatro todo por dentro e vi um espaço melhor a cada dia”. 

        Para conferir a maior parte dos incrementos, só invadindo as entranhas do teatro. Toda a infra-estrutura interna foi trocada, incluindo as partes elétrica e hidráulica, não visíveis ao público. Para uso externo, há muito brilho: tudo o que estava lá meio jogado, sujo, opaco... agora reluz intensamente. Cadeiras ganharam encosto mais alto e estofado de veludo. O piso mudou de carpete para madeira. As mudanças melhoraram a acústica. “O público vai encontrar um espaço lindo, como uma caixa de joias”, compara Carla Camurati, presidente da Fundação Theatro Municipal. “Todos vão ver em detalhes as pinturas e a arte que ali estavam escondidas”.

        O que só se descortina agora era para ser liberado ao povo em julho do ano passado. Mas, sabe como é, raspa dali, lixa daqui e um punhado de problemas começa a vir à tona, escondidos por outras restaurações não tão meticulosas, implementadas desde a fundação do teatro, em 1909. Nunca antes, porém, foi feita uma faxina geral como a de 2010 (confira os números grandiloquentes ao lado).

        “É uma forma de homenagear todos os artistas que trabalharam ou trabalharão no teatro. Essa reforma devolve ao espaço seu vigor original”, classifica Adriana Rattes, secretária de Estado de Cultura.
        Foto: EFE
        “O público vai encontrar um espaço lindo, como uma caixa de joias”, compara Carla Camurati, presidente da Fundação Theatro Municipal. | Foto: EFE / Marcelo Sayão
        Portadores de necessidades especiais agora têm um elevador exclusivo e todo o público ganha um conforto fundamental. Alvo de reclamações, principalmente das mulheres, os poucos nove banheiros que mal funcionavam agora estão operando reformados e mais quatro novinhos — mantendo o astral de época, claro — foram construídos, sendo três femininos.

        “Quando cheguei para pilotar a reforma, não imaginei encontrar um estado tão deplorável”, conta o engenheiro Eduardo Jaeger, responsável pelas obras da restauração. “No entanto, vi ali também um enorme potencial para resgatar seu pleno funcionamento”.

        Ingressos já estão à venda na bilheteria
        Já é possível comprar ingressos para ‘Il Trovatore’ (‘O Trovador’), que estreia no Municipal neste sábado e continua em cartaz de segunda a sexta-feira da semana que vem. Os ingressos variam de R$ 25 (galeria) a R$ 84 (plateia e balcão nobre). As bilheterias, na Praça Floriano s/n°, no Centro, funcionam das 10h às 18h.

        Para quem está com pouco dinheiro e não quer perder a chance de desfrutar a beleza do novo teatro e curtir espetáculos de igual qualidade, a boa escolha é a Rio Folle Journée. A edição 2010 do festival de música clássica será totalmente dedicada ao bicentenário de nascimento de Chopin.

        Cinco pianistas estrangeiros juntamente com grandes instrumentistas brasileiros vão apresentar a obra integral para piano solo do compositor polonês. A partir de quarta-feira e até o dia 6, estão agendados concertos em diversos horários, da manhã até a noite, por apenas R$ 2 (galeria) e R$ 20 (plateia, balcão nobre e camarotes), os mais caros. O encerramento, no domingo, dia 6, às 19h, será com o pianista Arthur Moreira Lima acompanhado pela Orquestra Petrobras Sinfônica com regência de Isaac Karabitchevsky. A programação completa pode ser conferida em www.riofollejournee.com.

        Ainda em junho, também estão agendados espetáculos de balé, cujo valor dos ingressos não foi definido. A Companhia Jovem do Rio de Janeiro, dirigida por Dalal Achcar, se apresenta dias 13 e 27, às 11h. O violoncelista norte-americano Yo-Yo Ma desfila seu talento dia 18, com ingressos mais salgados, de R$ 120 a R$ 420.

        Estudo revela que um terço dos detritos produzidos diariamente no estado do Rio é jogado em rios ou lixões

        MEIO AMBIENTE COMO LIXEIRA


        Publicada em 25/05/2010 às 23h53m
        Tulio Brandão 0 O Globo - 25/05/2010
          UM MAR de garrafas plásticas jogadas num canal às margens da Linha Amarela / Foto de Domingos Peixoto - O Globo
          RIO - O Estado do Rio ainda não perdeu o velho hábito de empurrar o lixo para debaixo do tapete. Um estudo realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) revela que 36% dos resíduos sólidos gerados pela população fluminense não têm destinação adequada - vão definitivamente para o fundo de lagoas, rios e baías ou são depositados em lixões clandestinos ou aterros controlados que funcionam em condições precárias. O volume é equivalente, por dia, a 7.189 toneladas, incluindo as 879 toneladas que sequer chegam a ser recolhidas de ruas, favelas e ecossistemas.
          Os números só não são piores porque a entidade deu ao aterro de Gramacho o status de aterro sanitário, apesar dos passivos ambientais às margens da Baía de Guanabara. A alegação foi que o empreendimento possuía licença e vem recebendo intervenções na área, como o aproveitamento do gás metano e o controle de estabilidade do solo. Mas o próprio Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que emitiu a licença, informou que Gramacho não pode ser considerado um aterro sanitário. Isso porque a licença foi concedida apenas para a remediação e o encerramento do aterro.
          O diretor executivo da Abrelpe, Carlos Roberto Vieira da Silva Filho, avalia que a tendência é de melhora para o Rio, mas o quadro atual - apenas um pouco melhor que o de estados mais pobres - está longe de ser satisfatório.
          - O percentual de destinação inadequada de São Paulo, por exemplo, é de 24%. O Rio, sem incluir Gramacho na conta, que muitos não consideram um aterro sanitário, chega a 36%. Com Gramacho, o percentual se inverte: o estado chegaria a 76% de destinação inadequada dos resíduos. Mas a tendência, nos próximos anos, é de melhora - afirma.
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