quarta-feira, 30 de junho de 2010

Elevador que liga o Morro do Cantagalo à estação de metrô de Ipanema é inaugurado nesta quarta no Rio



30/06/2010
Será inaugurado nesta quarta-feira o Complexo Rubem Braga, que tem como estrutura principal os elevadores que ligarão o Morro do Cantagalo à Estação General Osório do metrô. Com duas torres, uma de 64 metros e outra de 31 metros, a construção já é considerada um marco para a arquitetura da cidade e uma revolução para os parâmetros de integração social e mobilidade, com uma comunidade carente sendo beneficiada com acesso direto ao metrô.
A inauguração terá a presença do governador Sérgio Cabral, do Ministro das Cidades Márcio Fortes, do prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes e do secretário de Transportes Sebastião Rodrigues. Os dois elevadores, com capacidade para transportar até 100 pessoas ao mesmo tempo, facilitarão a locomoção de mais de 10 mil moradores do Cantagalo e Pavão/Pavãozinho que, antes, tinham que enfrentar uma longa e íngreme escada para chegar às suas casas. A ligação com o metrô se dará através do acesso da Rua Teixeira de Melo, que mesmo concluído desde o final do ano passado permanecia fechado devido às obras do complexo.
O topo da torre mais alta abriga um novo ponto turístico para o Rio: o “Mirante da Paz”, que leva este nome a pedido dos próprios moradores. Lá de cima, é possível avistar grande parte da Zona Sul do Rio e o acesso é feito num elevador panorâmico. O Complexo Rubem Braga - que leva esse nome em homenagem ao escritor que viveu parte da vida no prédio vizinho à construção – inclui, além dos elevadores, diversos outros benefícios e melhorias para a comunidade e entorno.
As encostas do morro, que antes ofereciam risco em dias de chuva, receberam obras de contenção. Também foram construídas quatro pracinhas com mesas para jogos e brinquedos para as crianças, e uma nova escadaria de acesso ao alto do morro.
Uma cabine de polícia blindada, instalada na entrada do complexo pela Teixeira de Melo, funcionará como extensão da Unidade de Polícia Pacificadora presente nas comunidades Cantagalo/Pavão-Pavãozinho desde o ano passado. E, em breve, o complexo receberá ainda uma unidade do Rio Poupa Tempo, onde serão oferecidos diversos serviços públicos.
O Complexo Rubem Braga também trouxe outras melhorias significantes para Ipanema. Antes da obra, o cruzamento das ruas Teixeira de Melo e Barão da Torre era um dos lugares mais perigosos e desorganizados da Zona Sul do Rio. No local, havia um grande lixão e servia como depósito carroças e material de ambulantes. Com a obra, a região foi revitalizada. Um amplo painel em homenagem à Bossa Nova instalado na entrada do metrô devolve ao lugar todo o charme peculiar ao bairro, berço do ritmo que nasceu no bairro e projetou a música brasileira e o Rio para o mundo.
Fonte: Agência Rio

Imóvel vazio no centro pagará mais IPTU


O Estado de São Paulo, Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli, 30/jun
Após nove anos de discussões, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou, por 45 votos - e nenhum contra -, em segunda discussão, uma lei que estabelece o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) progressivo para imóveis ociosos. Pela proposta, o proprietário terá de comprovar o uso de seu apartamento ou casa na região central. Caso contrário, vai pagar um aumento sucessivo de até 15% do IPTU e ainda poderá ser desapropriado.
Apontado como um grande avanço para minorar o déficit habitacional de São Paulo e frear a especulação imobiliária, o projeto vale para todos os imóveis e terrenos localizados em zonas centrais voltadas para habitação social. Essas áreas, chamadas de Zona Especial de Interesse Social (Zeis 2 e 3) pelo Plano Diretor de 2002, estão espalhadas pela Sé, República, Santa Cecília, Barra Funda, Cambuci e Mooca. Segundo estudo da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), 420.327 casas e apartamentos do centro estão atualmente ociosos.
Líder do governo na Câmara e autor da proposta, o vereador José Police Neto (PSDB) considera que a progressão do imposto sobre terrenos ociosos é um instrumento que pode ajudar a frear a explosão dos preços dos imóveis na capital, aumentar a oferta de residenciais no centro e melhorar a mobilidade - uma vez que os imóveis ociosos no centro estão em uma área com grande infraestrutura, servida por quatro estações do Metrô e quatro terminais de ônibus. "Com maior oferta de terrenos, a tendência daqui a dois ou três anos é o preço dos apartamentos diminuírem", diz o vereador.
A partir do momento em que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) sancionar a lei, o que deve ocorrer nos próximos 15 dias, os proprietários dos imóveis atingidos serão notificados pela Prefeitura para promover o adequado aproveitamento dos imóveis. Esses proprietários então terão um ano para comprovar o uso do terreno ou protocolar um alvará de aprovação de um novo imóvel - obras de parcelamento do solo ou de novas edificações podem durar no máximo cinco anos.
Em caso de descumprimento das condições e dos prazos impostos pela nova lei, será aplicado o IPTU progressivo, mediante o aumento anual e consecutivo da alíquota pelo prazo de 5 anos, até o limite máximo de 15%. Por fim, a Prefeitura poderá desapropriar o imóvel com o pagamento em títulos da dívida pública, que serão resgatados no prazo de até dez anos.
Na prática, o IPTU progressivo pressiona aquele proprietário que aguardava, por exemplo, uma mudança de zoneamento. "O tributo faz acelerar aquelas parcerias entre empreiteiras e construtoras que estavam em stand by, esperando um melhor momento de determinada região", afirmou o vereador Milton Leite (DEM).
PERGUNTAS & RESPOSTAS
Imposto progressivo
1. Quais imóveis poderão pagar mais IPTU?
Serão atingidos os imóveis e terrenos localizados em áreas da região central destinadas à moradia popular ou social. Essas regiões, chamadas de Zeis 2 e 3, estão previstas no Plano Diretor de 2002. Todos os proprietários serão notificados por carta ou por edital.
2. Como o proprietário vai provar o uso do imóvel?
Ele poderá apresentar contrato de aluguel, contas de serviço público, como água ou luz, ou dar entrada com um projeto de aprovação e execução de nova edificação.
3. Em caso de espólio, o IPTU progressivo vale?
A lei também prevê a aplicação do novo imposto sobre imóveis que estão na Justiça por brigas. Esses imóveis podem ser alugados para evitar a ociosidade.
4. Em que caso o imóvel será desapropriado?
Se o proprietário não cumprir as determinações da nova lei, ele passará a ter aumentos progressivos do IPTU em um prazo de cinco anos, até o máximo de 15%. Se o terreno ou imóvel continuar ocioso, a Prefeitura poderá desapropriar o imóvel com pagamento em títulos da dívida pública. Esses títulos serão resgatados no prazo de até dez anos. 

terça-feira, 29 de junho de 2010

Plano Diretor do Rio: especialistas criticam flexibilização de ocupações proposta por Paes

POLÊMICA


Publicada em 28/06/2010 às 23h42m
Luiz Ernesto Magalhães - O Globo - 28/06/2010
    DOIS PONTOS em que ocorreram deslizamento na Rocinha, atingindo o Alto Gávea, em abril passado / Foto de arquivo de Carlos Ivan - O Globo
    RIO - A emenda proposta pelo prefeito Eduardo Paes ao novo Plano Diretor da cidade, permitindo a abertura de ruas e a construção de condomínios em encostas, voltou a criar polêmica entre especialistas. Desta vez, as críticas partem do Laboratório de Geo-Hidroecologia do Departamento de Geografia da UFRJ (GeoHeco). A coordenadora do GeoHeco, Ana Luiza Coelho Netto, disse ontem que os deslizamentos provocados pelos temporais de abril mostram o quanto estão frágeis as encostas do Rio.
    (Você acha que o novo Plano Diretor deve flexibilizar a ocupação de encostas?)
    A proposta da prefeitura permite que novas ruas sejam abertas a partir da chamada cota 60 (calculada a partir do nível do mar), exceto em alguns bairros da Zona Oeste, onde a restrição se dá a partir da cota cem (acima da qual nenhuma construção é permitida). Na prática, as restrições fazem com que apenas casas sejam construídas em encostas.
    Ana Luiza mapeou os 71 pontos de deslizamentos de encostas em abril no Maciço da Tijuca. Na metade deles, constatou a existência de estradas próximas cujo sistema de drenagem não conseguiu dar conta da enxurrada. Com isso, o processo de erosão do solo se intensificou, causando deslizamentos que atingiram não apenas comunidades carentes (como o Morro do Escondidinho, em Santa Teresa, e o Laboriaux, na Rocinha), como áreas nobres no Alto Gávea.
    Estudo: temporais de abril não foram os piores
    Os dados do levantamento foram apresentados num congresso internacional de geologia com países de língua portuguesa, realizado na semana passada no campus do Fundão. No estudo, Ana Luiza contesta, com base em informações pluviométricas, a tese de que os temporais de abril foram os piores da cidade.
    Segundo ela, a enchente que arrasou a Baixada de Jacarepaguá em 1996 foi pior, embora a deste ano tenha causado estragos mais generalizados. Naquele ano, choveu cerca de 400 milímetros em 24 horas. No temporal de abril, foram registradas precipitações semelhantes em pluviômetros instalados no Sumaré (473 milímetros), na Rocinha (407 milímetros) e no Jardim Botânico (387 milímetros), mas num intervalo de 72 horas.
    - A drenagem de estradas localizadas nas encostas foi projetada apenas com a preocupação de que a água escoe da pista. Não foram implantadas redes de tubulações para que a água que desce das montanhas escoe diretamente para um rio. A drenagem superficial faz com que a água desça pela encosta, facilitando a erosão. Mesmo se as novas construções forem feitas respeitando essas (novas) regras, temos um passivo que pode criar problemas - disse a professora.
    O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur) da UFRJ também critica a proposta da prefeitura. Em março, o ex-diretor do Ippur Adaulto Lúcio Cardoso e dois colegas divulgaram um documento criticando o processo de tramitação do Plano Diretor. O motivo foi a falta de audiências públicas para discutir novas emendas apresentadas pelo governo municipal.
    A sociedade não sabe o que está sendo discutido
    - A sociedade não sabe o que está sendo discutido. Cabe prever a ocupação de encostas no Plano Diretor? Claro que sim. Mas era preciso que o governo apresentasse um mapa de risco atualizado, identificando desde já os pontos que podem ser liberados ou não para construção. Isso não foi apresentado - diz Adauto.
    Vereador: objetivo é mudar ocupação do Alto
    Na semana passada, o secretário municipal de Urbanismo, Sérgio Dias, alegou que a mudança teria como objetivo apenas padronizar a legislação. Disse ainda que nenhum projeto seria liberado sem análise de impacto ambiental e urbanístico. Apesar da emenda aparentemente ter o apoio da maioria dos integrantes da comissão de revisão do plano na Câmara dos Vereadores, o líder do governo, Adilson Pires (PT), admitiu que o texto é genérico demais. Segundo ele, o interesse do governo seria flexibilizar a legislação para mudar o perfil de ocupação do Alto da Boa Vista, onde predominam grandes mansões, por ser proibido abrir ruas acima da cota 60.
    - Pessoalmente, defendo que as áreas onde se deseja de fato a redução de cota sejam identificadas no Plano Diretor. Isso evita especulações, como a de que a prefeitura está interessada em construir casas nas encostas do Cosme Velho. Mas ainda vou conversar com o prefeito - disse Adilson.
    Regras para novos hotéis fora do projeto final
    A redação final do novo Plano Diretor que vai a votação em plenário em agostonão incluirá qualquer capítulo sobre incentivos para a construção de novos hotéis para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. As regras serão tratadas em projeto específico que ainda será encaminhado pela prefeitura, segundo decisão tomada pelos integrantes da comissão de revisão do Plano Diretor. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, pediu agilidade para que a legislação seja revista.
    - Vou procurar os vereadores. Se não querem discutir no Plano Diretor, quando isso acontecerá? Precisamos de uma garantia. O tempo está passando. Até a Copa do Mundo precisamos ter 31 mil quartos. Para isso, precisamos construir mais três mil unidades em quatro anos. Para as Olimpíadas, são necessários oito mil - disse Lopes.
    O prefeito Eduardo Paes, por sua vez, informou através de sua assessoria que concorda com a decisão dos vereadores. E se disse disposto a apresentar um projeto ao Legislativo para tratar dos incentivos à rede hoteleira caso fique demonstrado que serão necessários.
    No início do mês, uma série de emendas sem a identificação dos autores, propondo mudanças profundas na legislação urbanística da cidade, foi apresentada na comissão de revisão. A tramitação das propostas de maneira anônima era irregular e acabou sendo cancelada pela Mesa Diretora após uma série de reportagens do GLOBO. No caso dos hotéis, o projeto abria brechas para a construção de novos prédios sem respeitar os limites dos gabarito dos bairros. A proposta era bastante semelhante à antiga legislação dos apart-hotéis, aprovada na década de 90 e julgada inconstitucional.
    Leia mais:
    Vereadores insistem em rever Apacs de Leblon e Ipanema
    Proposta ressuscita Lei dos Apart-Clubs
    Emenda permite construções sem infraestrutura na Barra da Tijuca
    Emenda pode fazer a Barra ter ocupação parecida com a de Copacabana

    segunda-feira, 28 de junho de 2010

    Edifício 'retrofitado' é vendido por R$ 94 milhões


    Jornal do Commercio, 28/jun
    A incorporadora BNCorp vendeu seu empreendimento de estreia na cidade do Rio de Janeiro, o Rio Branco 115, por R$ 94,1 milhões, após uma deforma (retrofit) que modernizou suas instalações e fachadas. O edifício foi comprado pela BR Properties, sociedade de controle privado dedicada principalmente à aquisição, administração, desenvolvimento e locação de imóveis comerciais no Brasil.
    A previsão era de que o edifício fosse para locação de escritórios comerciais, mas o cenário extremamente aquecido do mercado do Centro do Rio fez com que a venda do prédio ocorresse cinco meses antes do término das obras. A venda antecipada confirmou as expectativas da BNCorp no Rio.
    "O Centro do Rio foi escolhido para a nossa entrada no mercado carioca por estar no meio de um processo intenso de revalorização. Em um período tão curto, recebemos uma proposta irrecusável e optamos pela venda do prédio", destacou o chief financial officer (CFO) da BNCorp, César Worms, que considerou positivo o resultado obtido pelo primeiro empreendimento. A empresa informou que pretende realizar outras aquisições no Rio de Janeiro e já está avaliando novas oportunidades de negócio na cidade.
    Adquirido pela incorporadora em outubro de 2008, o Rio Branco 115 passou por um processo de retrofit que transformou seu interior e fachadas em padrão AAA, preservando as referências arquitetônicas originais. Um dos principais atributos do empreendimento é a tecnologia para os sistemas de infraestrutura e de segurança, e a decoração, assinada pelo escritório índio da Costa. A previsão de entrega é para outubro deste ano.
    A BR Properties adquiriu do 3o ao 22° andares do Rio Branco 115, o que representa 85,1% da área total do edifício ou 11.344 metros quadrados de área bruta locável (ABL). O Edifício está localizado na avenida Rio Branco, no Centro da cidade do Rio de Janeiro, onde a empresa possui outros seis imóveis. Com a nova aquisição a BR Properties passa a ter 880.151 m2 de ABL em seu portfólio.
    A BNCorp foi criada em 2008, como uma sociedade entre a incorporadora e construtora Bueno Netto e o Bank of America Merrill Lynch e MaxCap. É a única incorporadora no mercado especializada no planejamento e desenvolvimento de escritórios comerciais e corporativos de uso misto.

    Orla da Lagoa ainda tem 26 casas: as últimas


    O Globo, Selma Schmidt, 27/jun
    Num sobrado amarelo de janelas brancas, bem cuidado, na esquina da Avenida Epitácio Pessoa com a Rua Conselheiro Macedo Soares, o advogado João Nicolau Mader Gonçalves, um viúvo de 96 anos, mora há 55. Ele se mudou para lá quando tinha 11 anos de casado e não saiu mais. Bem de frente para um cartão-postal da cidade, a casa do advogado é uma das 26 que se misturam a edifícios e pequenos prédios de classe média alta e alta, na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, o terceiro metro quadrado mais caro do Rio. Quase dois terços viraram imóveis comerciais, culturais ou esportivos. Só nove delas ainda são residências - e, mesmo assim, seis estão ocupadas efetivamente pelos donos e as demais, tombadas pelo patrimônio e malconservadas, vigiadas por caseiros ou seguranças.
    João Nicolau trata como assunto íntimo e não fala sobre o motivo que o mantém morando, apenas com uma empregada, no casarão da Epitácio. Mas, quando o tema passa a ser outro, o advogado não pouca críticas ao tombamento. Com a isenção devida, já que sua casa não é tombada.
    - O tombamento é um negócio de inveja, de perseguição. Não favorece nada. A cidade não fica mais bonita com as edificações sendo tombadas. O que é tombado acaba abandonado. As pessoas não conservam - opina.
    Menos de 1% de casas em volta da Lagoa
    As 26 casas representam um percentual muito pequeno do total de imóveis da Lagoa - menos de 1%: são 3.104 na orla da Epitácio (sendo 135 comerciais e um terreno) e 429 na Borges de Medeiros (38 comerciais), de acordo com o cadastro de IPTU da Secretaria municipal de Fazenda. Um retrato das mudanças urbanísticas que ocorreram na cidade. Mesmo levando-se em conta que o espelho d'água da Lagoa é tombado, o que restringe as construções em volta dela. Segundo a Secretaria de Urbanismo, à exceção do trecho entre a Rua General Garzon e o Canal do Jardim de Alah, o gabarito do entorno da Lagoa é de 12 metros (quatro andares), e de 25 metros (oito pavimentos), para prédios colados.
    Entre as três residências tombadas no local, a localizada no número 4.120 da Epitácio, na esquina com a Rua Tabatinguera (via sem saída, que se cruza duas vezes com a Epitácio), está com o muro e a fachada pichados. Além de um casal de caseiros, pelo menos três cachorros fazem a segurança do imóvel.
    Ainda na Epitácio, no número 2.500, em mais uma casa tombada, próxima ao Corte de Cantagalo, o caseiro João José da Silva vive há três anos e meio com a família:
    - Os donos moram em Botafogo. Têm mantido a casa, mas não conseguem vender, porque ela é tombada. Não dá para derrubar e construir um prédio - afirma João.
    "A gente não sabe quem é dono daqui"
    Do lado de Ipanema, na Epitácio Pessoa 1.540, uma outra uma casa tombada parece abandonada, com janelas fechadas e plantas encobrindo parte da fachada. Um vigilante, no entanto, revela que não é bem assim:
    - Os proprietários contrataram uma empresa de segurança para que a casa não seja invadida. Sempre tem um vigilante tomando conta. Mas a gente não sabe quem é dono daqui.
    Como João Nicolau, Astreia Campos da Silva, de 93 anos, vive com empregados numa enorme casa, no número 2.274 da Epitácio Pessoa, próximo ao Corte do Cantagalo. Nos fundos fica a residência do caseiro Daniel Silva da Costa, que vive ali com a família - mulher e dois filhos - há 23 anos.
    - Vez por outra aparecem representantes de construtoras querendo comprar, mas a minha patroa não quer sair daqui. Ela tem três filhos, mas diz que não vai morar com eles em apartamento, mesmo sendo aqui mesmo, na Zona Sul. Vive nesta casa há uns 50 anos. O terreno é muito grande, vale uns R$20 milhões - diz Daniel.
    As casas de números 2.321 da Avenida Borges de Medeiros, 944 da Avenida Epitácio Pessoa e 6 da Rua Tabatinguera (esquina com a Epitácio) também são ocupadas pelos próprietários. Caso ainda da pequena casa branca, de muro baixo, na esquina da Epitácio com a Rua Maria Quitéria, apesar de as janelas permanecerem fechadas durante o dia.
    - A casa parece fechada, mas não está. Um casal mora aí, mas os dois trabalham - conta um dos seguranças da Epitácio Pessoa.
    Metro quadrado no lado de Ipanema chega a R$13 mil
    É nesse trecho da orla da Lagoa que se concentra a maior quantidade de casas. São quatro juntas: do lado da residência branca estão os imóveis onde funcionam a construtora Wrobel, a Bassim Empreendimentos Imobiliários e a boate Nuth.
    - Essas casas estão na parte considerada o filé da Lagoa. No lado de Ipanema e do Leblon fica a parte nobre da Lagoa, cujo metro quadrado está custando R$13 mil, R$2 mil a mais do que há dois anos - afirma Rubem Vasconcelos, vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Rio (Ademi/RJ). - É o terceiro metro quadrado mais caro do Rio. Só perde para a orla de Ipanema e do Leblon (R$16 mil o metro quadrado) e a primeira quadra da praia desses bairros (R$11 mil).
    Duas das casas com atividades comerciais, esportivas e culturais na orla da Lagoa são tombadas: a Clínica Ronaldo Pontes, de cirurgia plástica (Epitácio Pessoa 846); e a sede náutica do Vasco (Rua General Tasso Fragoso 65).
    Embora não esteja instalada num bem tombado, a Casa do Saber (Epitácio Pessoa 1.164) tem uma frente estreita, o que restringe o aproveitamento do terreno: ali só pode ter casa. Motivo de tranquilidade para os inquilinos. O imóvel onde funcionaram dois restaurantes (Centro China e Pátio Portenho) foi reformado, com projeto do arquiteto Miguel Pinto Guimarães, para virar a Casa do Saber, onde são ministrados cursos de filosofia, artes e atualidades. Diretor de conteúdo da Casa do Saber, Rodrigo Almeida nem percebe que o imóvel está espremido entre dois prédios:
    - É espremida, mas, internamente, a casa é aconchegante, com aproveitamento muito bom e uma vista linda. O ambiente interno é integrado à Lagoa.
    Casa comercial é alugada por R$20 mil
    O casal Valéria e Roberto Aguirre resolveram unir o útil ao agradável. Transformaram a casa de três andares que compraram há dez anos, na Avenida Borges de Medeiros, num misto de residência e comércio. É lá que moram e administram o Model Cabeleireiro e Curso de Modelo e Manequim:
    - Vários representantes de um construtor batem à nossa porta, mas não temos interesse em vender a casa. É nossa residência e nosso negócio. O lugar é bom para morar e trabalhar - garante Valéria.
    Os restaurantes Mr Lam, La Forneria e Pomodorino e a casa noturna Epitácio Club também funcionam em imóveis voltados para a Lagoa. Caso ainda do Hillel Rio (centro cultural judaico), da Fundação Eva Klabin, da loja de tapetes Isfahan, da Clínica da Lagoa (cirurgia plástica) e da Dicorp (clínica de estética). Já a casa de muro vermelho alto no número 5.030 da Epitácio, na esquina da Cícero Góis Monteiro, está para alugar para alguma atividade comercial. Lá funcionou a casa noturna Queen's Legs. São R$20 mil de aluguel mais R$800 por mês de IPTU, por 400 metros quadrados.
    Patinhos feios entre cisnes
    A orla da Lagoa Rodrigo de Freitas também tem seus patinhos feios, ambos na Avenida Epitácio Pessoa: o esqueleto de um prédio, com térreo e seis andares, no número 3.714; e o terreno cercado e cheio de mato onde funcionou o Chico's Bar, no 1.560. Pelo menos o edifício, seu dono, o cirurgião plástico Carlos Fernando Gomes de Almeida, promete transformar em cisne: garante que, em um ano, o prédio estará pronto. O imóvel tem duas entradas: a principal voltada para a Epitácio e a outra, para a Tabatinguera 81, uma ladeira. O lado da Tabatinguera foi concluído (térreo e dois andares) - é lá que funciona a clínica de Carlos Fernando. No lugar, ele chegou a morar, mas se mudou:
    - Quando ganhei o prédio de meu pai, há 25 anos, ele estava inacabado. Meu pai tinha comprado o edifício de uma construtora. Sou médico, cirurgião. Tinha planos de morar e ter consultório e clínica ali. Os anos foram passando. Aprontei a parte de cima (da Rua Tabatinguera). Estava mais preocupado com a minha vida profissional. Fui deixando para lá o lado da Epitácio Pessoa. Mas, agora, estou numa outra fase da vida e decidi que vou concluir a obra. O prédio não vai continuar como está. Vou reformar e ceder os apartamentos para a minha família - assegura o médico.
    A despeito de críticas de vizinhos e de multas da prefeitura por manter um esqueleto de frente para um cartão postal da cidade, Carlos Fernando alega que não tem obrigação de concluir o edifício. E mais: que tem impedido o lugar de ser invadido:
    - Pelo menos o local não foi ocupado nestes anos todos. Tem um vigia morando. Ninguém bota o pé e ninguém ocupa. Também pago o meu IPTU normalmente.
    No terreno onde funcionou o Chico's Bar até o início do anos 2000, não há qualquer placa informando sobre um empreendimento futuro. Em 2006, a Secretaria municipal de Urbanismo analisava um projeto de construção de um prédio de nove pavimentos no terreno, mas a ideia não foi levada adiante.

    domingo, 27 de junho de 2010

    Cabral inaugura passarela na Rocinha, e moradores fazem protesto

    PRONTA


    Publicada em 27/06/2010 às 14h04m
    Ediane Merola
      Passarela em frente à Rocinha lembra o Arco da Apoteose, no sambódromo. Foto: Márcia Foletto
      RIO - O governador Sérgio Cabral inaugurou, na manhã deste domingo, a passarela que liga o Complexo Esportivo da Rocinha à favela. Ele chegou com duas horas de atraso, acompanhado de vários políticos, e foi recebido pelos moradores em clima de campanha.
      Mais cedo, uma moradora que usa cadeira de rodas reclamou da falta de acesso para a passarela. De acordo com a Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop), há dois acessos para cadeirantes, mas um está obstruído por um degrau. A passagem deve ser liberada nesta segunda-feira.
      Enquanto aguardavam Cabral, moradores da Comunidade do Laboriaux, na Rocinha, protestaram contra a remoção de 840 famílias que moram na região e pela reabertura da Escola Municipal Abelardo Chacrinha Barbosa, fechada desde as chuvas de abril.
      A estrutura, assinada por Oscar Niemeyer, tem 60 metros de extensão e curvas que lembram as do Arco da Apoteose , no Sambódromo. Ela faz parte do processo de remodelação da entrada da comunidade, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujo investimento total na Rocinha foi de R$ 231,2 milhões.

      Calendário eleitoral abre temporada de inaugurações de obras em favelas

      ROCINHA E CANTAGALO


      Publicada em 25/06/2010 às 23h02m
      Ludmilla de Lima e Simone Candida - 25/06/2010
        as casas coloridas na Rocinha, junto à passarela projetada por Oscar Niemeyer / Foto de Marcelo Piu - O Globo
        RIO - O calendário eleitoral, que limita a entrega de obras públicas a 30 de junho, esquentou a temporada de inaugurações no Rio nos próximos dias. Na próxima quarta-feira - quando a estátua do Cristo Redentor também será entregue -, serão inauguradas asduas torres de acesso aos elevadoresque ligarão o Morro do Cantagalo, em Ipanema, à Estação General Osório do metrô. Neste domingo será a vez da passarela da Rocinha, projetada por Oscar Niemeyer.
        Os operários da obra em Ipanema dedicarão o fim de semana aos últimos retoques. Nos próximos dias serão feitos o asfaltamento e a sinalização da Rua Barão da Torre, onde fica a entrada principal do conjunto de quatro elevadores panorâmicos - dois em cada torre. Eles já têm licença para funcionar, faltando apenas a inspeção final da Gerência de Equipamento Mecânico, vinculada à RioLuz, agendada para segunda-feira.
        Nesta sexta-feira foi concluído o mirante, localizado no topo da primeira torre, que tem 64 metros de altura - o equivalente a um prédio de 23 andares. Com vista deslumbrante, o espaço promete fazer sucesso entre turistas. Mas o objetivo principal do projeto, que custou R$ 89 milhões e será entregue pelo governo do estado e pela concessionária Metrô Rio, é beneficiar os dez mil moradores da comunidade. Pelos cálculos do engenheiro responsável pela obra, Juliano Penteado, quem usar os equipamentos - que, juntos, têm capacidade para transportar até cem pessoas - levará apenas 45 segundos até a favela.
        A passarela da Rocinha, de 60 metros de extensão e curvas que lembram as do Arco da Apoteose, no Sambódromo, também faz parte do processo de remodelação da entrada da comunidade. O processo inclui fiação subterrânea, a reforma das marquises e a pintura das fachadas das casas próximas, entre outras intervenções. Tudo dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujo investimento total na Rocinha foi de R$ 231,2 milhões.

        Favelas avançam sobre o verde no Rio

        DESORDEM


        Publicada em 26/06/2010 às 20h34m
        O Globo - 26/06/2010
          Vista aérea do avanço das favelas em encostas e áreas verdes da Zona Sul do Rio. Na foto, a favela Parque Dois Irmãos. Foto: Genilson AraújoRIO - Das janelas dos apartamentos da Rua Roberto Dias Lopes, no Leme, moradores acompanharam ao longo dos anos o crescimento horizontal e vertical da Favela do Chapéu Mangueira, em plena Área de Proteção Ambiental (APA) dos morros da Babilônia e São João. Mas o que se tornou rotina no bairro está longe de ser exceção. O Rio já tem pelo menos 65 favelas que têm trechos ou estão totalmente dentro de áreas de preservação demarcadas pela União, pelo estado ou pelo município, contra 17 identificadas até 2003, ou seja, houve crescimento de 282,3% em cinco anos, como revela estudo do Tribunal de Contas do Município, objeto de reportagem de Luiz Ernesto Magalhães publicada na edição deste domingo de O GLOBO. O órgão, que usa informações da própria prefeitura, levantou também a distância das comunidades em relação a áreas de preservação. Em 2003, 118 favelas estavam a uma distância máxima de 400 metros ou dentro de APAs. Cinco anos depois, já eram 182 comunidades (54,2% a mais).
          No período pesquisado, o número de favelas na Zona Sul que ocupavam áreas de preservação passou de apenas duas - Vila Parque da Cidade, na Gávea, e Emílio Berta, em Copacabana - para nove. Entre as comunidades que no período avançaram sobre APAs, estão Rocinha, Cabritos e Tabajaras (entre Copacabana e Lagoa) e Dona Marta (Botafogo).
          Apenas a Rocinha, no período levantado pelo TCM, cresceu 4,34%. Em 2009, porém, a favela continuou a se expandir, como mostrou um monitoramento via satélite realizado pelo Laboratório de Geoprocessamento do Núcleo Disciplinar de Meio Ambiente da PUC. A pesquisa tenta identificar desmatamentos no lado leste do Maciço da Tijuca.
          - Em um ano, registramos 4,18 hectares de desmatamento, independentemente de ser ou não provocado por favelização. Mas, a pedido da prefeitura, monitoramos algumas favelas em especial. Foi possível observar o aumento das áreas ocupadas por Rocinha, Vidigal e comunidades da Tijuca - contou o geógrafo Rafael da Silva Nunes.
          Mais 50 casas nos últimos meses
          Uma política de não remoção foi confundida com uma postura de falta de controle, de permissividade para o surgimento de novas ocupações
          Segundo estimativas de técnicos da prefeitura, apenas na Rocinha existem pelo menos 850 residências nas regiões de Vila Verde (que, após um temporal em março, começou a ser reassentada) e da Macega (perto do Túnel Zuzu Angel). Essas casas precisam ser removidas por estarem na Área de Interesse Ecológico de São Conrado. Na Macega, segundo fontes do município, pelo menos 50 casas foram construídas nos últimos meses. Apesar disso, o presidente da União Pró-Melhoramentos da Rocinha, Leonardo Rodrigues Lima, negou conhecer as invasões:
          - Claro que na Rocinha existem pessoas em área de risco, que sobrevivem em condições miseráveis. Mas não tem essa de barracos em área ambiental. Em área ambiental, só há mansões.
          Postura contrária tem José Mário Hilário dos Santos, presidente da Associação de Moradores do Dona Marta, comunidade incluída pelo TCM, em 2004, na lista das que estavam em APAs. Ele diz que os muros construídos pelo governo do estado para demarcar a comunidade não eliminaram o problema ambiental. O líder comunitário estima que cerca de 300 pessoas vivam em 70 casas na localidade do Pico, uma área de risco.
          - Nossa expectativa é de que essas pessoas possam ser transferidas para um local melhor, com recursos futuros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - disse.
          Técnicos da TCM afirmam que o problema foi provocado pela falta de providências dos governos para cumprir a legislação em vigor. O Plano Diretor da cidade proíbe construções nas faixas marginais de rios e lagoas ou em áreas de preservação ambiental. "Uma política de não remoção foi confundida com uma postura de falta de controle, de permissividade para o surgimento de novas ocupações, que não solucionaram o déficit habitacional da população de baixa renda", diz o estudo.
          Leia a íntegra desta notícia no Globo Digital, só para assinantes

          Emenda de Eduardo Paes ao Plano Diretor do Rio flexibiliza ocupação de encostas


          O Globo online, Luiz Ernesto Magalhães, 25/jun
          A prefeitura quer mudar as regras de ocupação de encostas com uma emenda ao novo Plano Diretor e abrir caminho para a construção de condomínios residenciais. A emenda do prefeito Eduardo Paes autoriza a abertura de novas ruas em trechos de encostas. A proposta criou polêmica na comissão que discute o plano. O relator Roberto Monteiro (PCdoB) é favorável às mudanças, mas a presidente Aspásia Camargo (PV) defende a manutenção da regras atuais, em vigor há quase 40 anos.
          As alterações se dariam a partir da chamada cota de 60 metros (medição a partir do nível do mar). A legislação atual impede que particulares abram novas ruas para criar loteamentos, exceto em alguns bairros da Zona Oeste. Isso faz com que, na maioria dos terrenos, só possam ser construídas casas. A emenda prevê que a restrição só ocorra a partir da cota de 100 metros, na qual hoje é proibida qualquer construção.
          - A gente tem que olhar a realidade da cidade no Plano Diretor. Hoje, muitas encostas, inclusive na Zona Sul, já estão ocupadas. Chegamos a um ponto em que, se o poder público reprime novas construções, é acusado de favorecer quem já ocupou. Se libera, é criticado de favorecer a especulação imobiliária - disse Monteiro.
          O relator antecipou que dará parecer favorável à emenda e rejeitará a proposta de Aspásia Camargo de manter as regras atuais. A presidente da comissão lamenta:
          - Liberar construções acima da cota 60 implica mais desmatamento, deixando o solo de uma cidade como o Rio ainda mais exposto. A destruição causada pelos temporais do último verão mostrou como as nossas encostas estão frágeis - disse Aspásia. 

          Alemão começa a receber os imóveis do PAC


          O Globo, Simone Candida, 25/jun
          Cerca de 700 famílias do Complexo do Alemão - entre Ramos, Penha, Olaria, Inhaúma e Bonsucesso - começaram a receber nesta quinta-feira imóveis construídos na região pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e pelo projeto Minha Casa Minha Vida. A maioria das unidades fica na área da antiga fábrica da Poesi, na Estrada do Itararé, implodida pelo estado para dar lugar ao condomínio, a um centro esportivo e ao Colégio Estadual Jornalista Tim Lopes, que foi inaugurado. As melhorias foram erguidas , com recursos que somam R$ 833 milhões do PAC
          Durante o evento - que começou com duas horas de atraso e reuniu o governador Sergio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e entre outras autoridades -, foi anunciado que outras comunidades do Rio, especialmente em bairros das zonas Norte e Oeste, passarão por obras semelhantes, beneficiando 1,3 milhão de pessoas. Segundo o governador, serão 11 grandes intervenções, que seguirão o mesmo padrão da realizada no Alemão:
          - Vão me apresentar na próxima semana. Estão terminando os projetos que vão beneficiar várias comunidades, como Batan, Cidade de Deus, Rio das Pedras, Complexo do Lins, Complexo da Penha. Serão obras de habitação, saneamento, água, acessibilidade.. Aí depende de cada comunidade.
          Ao todo, nesta quinta-feira foram inaugurados no Complexo do Alemão 675 moradias. Na área da antiga fábrica da Poesi, na Estrada do Itararé, já foi construído um condomínio com 22 blocos de 16 apartamentos de 42 metros quadrados (com dois quartos, sala, cozinha, área de serviço e varanda), totalizando 352 unidades. Outros 32 apartamentos de 40 metros quadrados foram erguidos no acesso à estação de teleférico do Morro do Adeus. Os dois empreendimentos fazem parte do PAC e, segundo o governo do estado, custaram R$ 33,7 milhões. Já dentro do Programa Minha Casa, Minha Vida, da prefeitura do Rio, foram inaugurados 291 unidades no conjunto Jardim das Acácias, em que foram investidos R$ 13,9 milhões. O condomínio foi instalado onde funcionava uma antiga Fábrica da Coca-cola. 

          quinta-feira, 24 de junho de 2010

          Escritórios


          O Globo, Maria Fernanda Delmas, 22/jun
          O shopping Via Parque, da Aliansce, na Barra da Tijuca, ganhará oito mil metros quadrados de área útil de escirtórios no segundo semestre de 2011. Como o foco do grupo é shopping, a PDG Realty tocará a expansão. 

          Novo marco do Rio no Píer Mauá


          O Dia, Christina Nascimento, 22/jun
          Um dos mais ambiciosos projetos na área de cultura do Rio foi apresentado ontem pela prefeitura. Orçado em R$ 130 milhões, o Museu do Amanhã - esperado para ser um novo marco, como o Maracanã e o Pão de Açúcar - vai ser estrategicamente construído no Píer Mauá, dentro da proposta de revitalizar a região, onde hoje moram 20 mil pessoas. A previsão é de que as obras, que se começarão no início do ano que vem, sejam concluídas no segundo semestre de 2012.
          O museu de ciência e tecnologia terá área de 12,5 mil metros quadrados, divididos em dois andares, interligados por rampas. No térreo, ficará uma loja, auditório, restaurante e salas de exposições temporárias, de pesquisas e de ações educativas. No andar de baixo, serão construídos um café, salas de exposições permanentes e um belvedere para contemplação da vista. Haverá ainda espaço de gestão de conhecimento, por meio do Observatório do Amanhã - um fórum permanente para a disseminação de informações atualizadas sobre os temas tratados no Museu.
          "É um projeto absolutamente estratégico para o futuro da cidade. Resgatar a região portuária é resgatar o Centro do Rio", declarou o presidente do preside do Instituto Pereira Passos (IPP), Felipe Góes.
          Espelho d'água será criado ao redor do prédio e terá função educativa: mostrar a água do mar sendo bombeada e filtrada, criando um clima mais fresco em volta do museu.
          "É um desafio enorme intervir em uma cidade que já conta com patrimônio natural incrível. Este é, sem dúvida, o projeto de museu mais importante de toda a minha carreira", afirmou o arquiteto Santiago Calatrava, que assina o Museu de Arte de Milwaukee, nos Estados Unidos; a Estação do Oriente, em Lisboa, Portugal; o Complexo Olímpico de Atenas, na Grécia; e a Estação Ferroviária do Aeroporto de Lyon, na França.

          terça-feira, 15 de junho de 2010

          Rio de Janeiro é a cidade mais cara da América, diz estudo




          France Presse
          Publicação: 14/06/2010 13:57 - Correio Braziliense

          Tóquio é a cidade mais cara do mundo para os estrangeiros que vivem lá e o Rio de Janeiro, a mais cara do continente americano, enquanto Londres deixou de figurar entre as primeiras cinquenta, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira em Paris pela consultoria britânica ECA.

          O estudo, feito antes da queda do euro, mede os preços de bens de consumo e serviços (moradia, alimentação, transporte, vestimenta, lazer, etc) de 400 cidades do mundo.

          Depois de Tóquio, o segundo lugar é ocupado por Oslo e o terceiro por Luanda. No continente americano, Rio de Janeiro aparece em primeira posição.

          "Contrastando com o ano anterior, o aumento da demanda por matérias-primas reforçou o valor do real e permitiu às cidades brasileiras subir na classificação", afirma o relatório.

          Madri e Barcelona estão, respectivamente, na 34ª e 35ª colocação entre as cidades europeias, e em 68º e 71º lugares no ranking mundial.

          A grande surpresa do estudo foi Londres, que ficou em 78º lugar e já não faz parte das primeiras 50 cidades.

          Durante muito tempo, Londres ficou entre as capitais onde o custo de vida era um dos mais elevados.

          Luanda, antigo líder da classificação, caiu ao terceiro lugar, e Paris ao décimo sexto.

          Nenhuma cidade americana está entre as 25 primeiras cidades. Nova York ficou no 48º lugar.

          "A queda do dólar acarretou uma leve alta do custo de vida na maioria das cidades da América do Norte", explica a ECA.

          "A fragilidade da libra esterlina (...) provocou uma diminuição dos preços para aqueles que visitam o Reino Unido", afirma o relatório. Como consequência, "Londres está mais barata que outras cidades europeias como Munique, Amsterdã ou Bruxelas", afirma.

          Cinco cidades africanas estão entre as 25 primeiras: além de Luanda, Libreville está no 13º posto, Abidjan no 17º, Abuja no 18º e Kinshasa em 23º. Com a exceção de Abidjan, as outras quatro cidades estão em regiões produtoras e exportadoras de petróleo.

          O ranking das primeiras 50 é encerrado por Atenas.

          "A flutuação das moedas continua sendo o fato mais influente na evolução do custo de vida", conclui a investigação realizada entre março de 2009 e março de 2010.

          Veja a seguir a classificação das primeiras 20 cidades mais caras segundo a ECA:

          1) Tóquio

          2) Oslo

          3) Luanda

          4) Nagóia

          5) Yokohama

          6) Stavanger

          7) Kobe

          8) Copenhague

          9) Genebra

          10) Zurique

          11) Berna

          12) Basiléia

          13) Libreville

          14) Helsinki

          15) Moscou

          16) Paris

          17) Abidjan

          18) Abuja

          19) Tel Aviv

          20) Seul