quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Complexo multiuso

30/01/2013 - IstoÉ Dinheiro, Guilherme Barros

O crescimento da Baixada Fluminense estimulou a Portfolio Asset a adquirir uma área onde serão investidos R$ 500 milhões na construção de um complexo com shopping center de 40 mil m², torres de escritório e apart hotel. O empreendimento ficará na Via Dutra, em Nova Iguaçu. Alguns dos principais varejistas do País já mostraram interesse no negócio.

Rio Branco para pedestres

27/01/2013 - O Globo, Fábio Vasconcellos e Selma Schmidt

Prefeitura pretende fechar ao tráfego trecho da avenida entre a Nilo Peçanha e a Santa Luzia

Em 2016, completam-se 111 anos da inauguração da Avenida Central (atual Rio Branco), marco da administração do prefeito Pereira Passos. Construído nos moldes parisienses, o boulevard era surpreendentemente largo para os padrões da época. Mas, se o projeto do passado permitiu ampliar a circulação viária, em 2016 será a vez de a prefeitura acabar com o tráfego de veículos em pelo menos parte da via, com a criação do chamado Boulevard Rio Branco, entre a Avenida Nilo Peçanha e a Rua Santa Luzia.
Essa é apenas uma das inúmeras intervenções previstas no Centro e na Zona Portuária para os próximos três anos, que incluem fechamento de trechos de mais vias, inversão de tráfego, seis VLTs (os chamados bondes modernos) e uma rua exclusiva para o BRT Transbrasil, que terá um mergulhão sob as pistas do Aterro até a futura estação, vizinha ao Aeroporto Santos Dumont. Quem frequenta a já congestionada região vai precisar de muito mais paciência. O aviso é do próprio prefeito, Eduardo Paes:
- Viveremos um período de muito tumulto, a partir do próximo semestre. Vamos buscar gerenciar a execução dessas obras da melhor maneira possível, para que causem o menor transtorno ao tráfego, mas elas são muito complexas. O que se pede é a compreensão da população nesse período de mudanças. Podem xingar, mas com suavidade. Estamos criando condições para implantar um transporte público de altíssima qualidade. Essa é a única maneira de podermos pedir às pessoas para deixarem de usar o carro.
O Boulevard Rio Branco, que antes chegou a ser anunciado para toda a avenida, ganhou uma versão reduzida. No trecho entre a Nilo Peçanha e Santa Luzia, há uma espécie de corredor cultural da cidade. É lá que ficam os teatros Municipal e Glauce Rocha, o Museu de Belas Artes, a Biblioteca Nacional, e restaurantes e livrarias que são referência no Rio. Os comerciantes acham a nova versão do boulevard mais interessante.
- Pode deixar a avenida mais bonita, incentivando as pessoas a usarem mais o transporte público - diz João Alberto Lima da Costa, sócio, com José Augusto, da Leiteria Mineira, um dos tradicionais restaurantes do Centro, e que está localizado no trecho que será fechado.
Já Milena Dochiade, gerente da Livraria Leonardo da Vinci, no Edifício Marquês do Herval, tem uma preocupação:
- Gosto da criação do boulevard. Mas é preciso pensar como os idosos, por exemplo, poderão chegar de táxi até os prédios.
O arquiteto e urbanista Sérgio Magalhães, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e professor da UFRJ, ressalta que a medida precisa ser bem discutida. Na avaliação dele, a importância da Rio Branco é nacional, porque a sua criação teve um impacto muito maior do que permitir uma melhor circulação no Centro:
- Não sou contra intervenções. As cidades são dinâmicas. Mas qualquer intervenção numa via, como a Rio Branco, precisa ser muito discutida com a sociedade. Não pode ser uma decisão autocrática. Essa avenida tem uma importância simbólica para o Rio e para o Brasil.
Pelo projeto, pedestres dividirão o boulevard com uma das linhas de VLT que será criada. O piso do calçadão será de granito, nas cores cinza (claro e escuro) e vermelho. Paes decidiu que o espaço não terá cadeiras e bancos. Mas poderá ter esculturas. O prefeito quer montar uma comissão para escolher peças a serem feitas por artistas brasileiros. Trechos da Rua Evaristo da Veiga (até a Rua Senador Dantas) e da Avenida Nilo Peçanha (até o Largo da Carioca) não terão tráfego e serão incorporados ao boulevard. O grande calçadão só será cortado pela avenida Almirante Barroso.
Boulevard terá via de serviço
Mas o subsecretário executivo de Transportes, Alexandre Sansão, informa que, no trecho do boulevard, será criada uma via de serviço, para permitir acesso a garagens e operações de carga e descarga.
-Ninguém ficará impedido de entrar em sua garagem nem de receber mercadorias - garante Sansão.
O projeto para a Rio Branco prevê ainda que o trecho entre a Rua Visconde de Inhaúma e a Avenida Nilo Peçanha terá mão dupla (hoje o sentido é único). Nas laterais, passará o VLT e, no centro, circularão os demais veículos. O fechamento de um trecho da Rio Branco provocará mudança de tráfego em vias paralelas. A Avenida Graça Aranha e a Rua México mudarão de mão. E a Nilo Peçanha terá mão dupla entre a México e a Rio Branco.
A chegada do BRT ao Centro também será recheada de mudanças viárias. Mais que isso: Sansão estima que 70% dos ônibus atuais deixarão de circular na região. Hoje, pelo local, passam 462 linhas, sendo 290 municipais. Isso porque os que trafegam pela Avenida Brasil virarão veículos articulados de alta capacidade, e os intermunicipais vão parar num terminal fora do Centro.
Em mão dupla, o BRT Transbrasil passará pelas avenidas Francisco Bicalho e Presidente Vargas. Para que os ônibus articulados possam seguir o seu caminho, a prefeitura decidiu transformar a Rua Primeiro de Março em corredor exclusivo de BRT. Ao chegar à Avenida Presidente Antônio Carlos, uma das pistas será reservada aos articulados. As outras ficarão para os demais veículos.
- Ainda estamos estudando, mas provavelmente o BRT passará pela pista ao lado do Tribunal de Justiça - explica Sansão.
Segundo o secretário de Obras, Alexandre Pinto, para que o BRT possa cruzar o Aterro, a solução será construir um mergulhão de 400 metros de extensão. Como o Parque do Flamengo é tombado, semana passada Paes começou a se reunir com o Iphan para tratar do projeto.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Maracanã - 1962

RJ 03.09.1962. Logradouros. Avenida Radial Oeste. Neg.: 28698 - Arquivo / Agência O Globo.

Penha - 1963

RJ 13.11.1963. Logradouros. Viadutos. Construção do Viaduto Lobo Júnior na Penha. Neg.: 2452 - Arquivo / Agência O Globo.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Praça XV - 1970

20.04.1970 - Foto de Arquivo - Trânsito RJ - Praça XV.

Centro - 1959

13.01.1959 - Foto de Arquivo - Rio de Janeiro, Morro de Santo Antônio, abrigo de bondes de Santa Tereza

Centro - 1958

13.08.1958 - Foto de Arquivo - Rio de Janeiro, Tabuleiro da Baiana, abrigo de bondes da Zona Sul.

Centro - 1959

19.08.1959 - Foto de Arquivo - Rio de Janeiro, Avenida República do Chile.

Centro - 1976

14.09.1976 - Jorge Peter - Praça Cinelândia no Centro da Cidade - Antiga iluminação da praça. Ao fundo o Edifício do Teatro Municipal

Zona Portuária - 1970

23.10.1970 - Osmar Gallo - Rio de Janeiro. - Vista aéria dos Armazens do Cais do Porto e da Avenida Rodrigues Alves

Leme - 1956

06.05.1956 - Arquivo O Globo - Ressaca na praia do Leme.

Centro - 1968

22.11.1968 - Arquivo O Globo - Transportes Rodoviários - Trânsito na Avenida Presidente Vargas.

Centro em 1962

RJ 10.04.1962. Logradouros. Rua México no Centro.
Pedestres caminham pela calçada. Neg.: 27738 - Arquivo / Agência O Globo.

Os lotações da zona sul são extintos no dia 01/03/1964.

Praça da Bandeira - -1979

Rio de Janeiro 08/06/1979 Construção do metrô. Praça da Bandeira. Foto Luiz Pinto / Agência O Globo. Neg: 79-8773

Barra da Tijuca - 1984

25.06.1984 - Jorge Peter - Especial Barra - Barra Tijuca

Cidade Nova - 1976

06.02.1976 - Luis Alberto - Especial Economia - Movimento na Cidade Nova.

Centro - 1957

RJ Agosto de 1957. Logradouros. Rua Primeiro de Março no Centro do Rio de Janeiro - Neg.: 8228 - Arquivo / Agência O Globo

Centro - 1957

RJ Agosto de 1957. Logradouros. Rua Primeiro de Março no Centro do Rio de Janeiro - Neg.: 8228 - Arquivo / Agência O Globo

Centro - 1956

RJ 26.10.1956. Logradouros. Rua Marquês de Pombal no Centro do Rio de Janeiro - Neg.: 8079 - Arquivo / Agência O Globo

Rua General Severiano - 1961

RJ Dezembro de 1961. Logradouros. Rua General Severiano em Botafogo. Neg.: 26877 - Arquivo / Agência O Globo

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Aterro do Flamengo - 1960

RJ 30.11.1960. Logradouros. Avenida Infante Don Henrique (Aterro do Flamengo). Construção. Neg.: 22011 - Arquivo / Agência O Globo.

Barra da Tijuca - 1961

RJ 21.10.1961. Logradouros. Estrada Sernambetiba (Barra da Tijuca). Neg.: 26700 - Arquivo / Agência O Globo

Praia do Flamengo em 1961

RJ 12.06.1961 - Logradouros Avenida Infante Don Henrique (Aterro do Flamengo) - Construção / Arquivo Agência O Globo / Negativo 22011.

Praia do Flamengo - 1956

RJ 03.10.1956 / Logradouros / Flamengo / Bairro do Flamengo / Arquivo O Globo / Negativo 2646.

Congestionamentos já eram constantes na Praia, como solução a pista reversível no horário de pico da manhã.

Aterro do Flamengo em 1963

RJ 12.07.1963 - Logradouros / Aterro do Flamengo / Jardim do Aterro / Arquivo O Globo / Neg. 30541

Praia de Botafogo em 1963

RJ 16.09.1963 - Logradouros / Aterro do Flamengo /
Pista que liga a Praia de Botafogo ao Aterro do Flamengo / Arquivo O Globo / Neg.: 31109

Praia de Botafogo em 1963

RJ 14.11.1963 - Logradouros / Aterro do Flamengo / Arquivo O Globo / Neg.: 31109.

Praia de Botafogo em 1963

RJ 14.11.1963 - Logradouros / Aterro do Flamengo / Arquivo O Globo / Neg.: 31109.

Aterro do Flamengo - 1960

RJ 07.07.1960 Logradouros Avenida Infante Don Henrique (Aterro do Flamengo) Construção / Neg.: 19987 / Arquivo / Agência O Globo (Obs: Negativo digitalizado parcialmente, tamanho original 5 x 11cm).

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O descompasso da Barra da Tijuca

19/01/2013 - O Globo

Para especialistas, investimentos em infraestrutura não acompanham crescimento do bairro

Laura Antunes

O Canal da Joatinga leva esgoto em direção à Praia da Barra, poluindo o trecho junto ao Quebra-Mar Custódio Coimbra / Agência O Globo

RIO - A corrida que já era acelerada ganhou ritmo ainda mais veloz com a certeza de que na linha de chegada estarão a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A Barra da Tijuca e arredores, que nas últimas décadas nortearam a direção do crescimento da cidade, são protagonistas, neste momento especial para o Rio, de uma busca frenética por áreas ainda vazias para ocupá-las com empreendimentos residenciais e hoteleiros. Somente em 2012, foram licenciadas pela Secretaria municipal de Urbanismo 18.090 unidades residenciais nas regiões administrativas da Barra e de Jacarepaguá. Mais do que o dobro das licenças concedidas em 2011 (8.862). Já a rede hoteleira é responsável pela construção de pelo menos 14 hotéis até o fim de 2015, o que representa 3.720 novos quartos.

Enquanto o poder público garante que vai recuperar o tempo perdido e dotar a área de infraestrutura suficiente, urbanistas, especialistas em transporte e moradores se preocupam. Eles temem que essa meta ousada não seja alcançada e que a população local, estimada pela prefeitura para 2016 em 990.288 habitantes, sofra com a deficiência dos sistemas de saneamento básico, abastecimento de água e transporte, hoje em situação crítica.

O receio se justifica. Enquanto a expectativa de crescimento populacional da cidade, segundo o Instituto Pereira Passos (IPP), até 2016 é de 3,73%, na Barra será de 21,4%, e em Jacarepaguá, de 9,15%.

Morador da Barra há 20 anos, o engenheiro agrônomo David Silva acompanha esse crescimento veloz. Ao lado da casa onde vive, na Ilha Primeira (uma das 11 ocupadas na Lagoa da Tijuca), uma saída clandestina de esgoto despeja, há cerca de três meses, grande volume de dejetos no Canal de Marapendi.

É preciso investigar para saber o que está acontecendo. Quando não chove, a água que sai da tubulação é muito preta, e o cheiro é insuportável. Quando chove, o esgoto se mistura com a chuva, e a situação melhora um pouco. Estou indignado com essa situação. A Barra cresce, e as condições ambientais pioram. O saneamento que estão fazendo é capenga protesta ele.

Há quase 30 anos a Baixada de Jacarepaguá espera por saneamento. Há sete, o programa começou a decolar. Segundo a Cedae, foram investidos até agora R$ 610 milhões em obras. E o presidente da companhia, Wagner Victer, promete um cenário bem melhor. Segundo ele, a Barra já tem 400 quilômetros de rede coletora. Até 2016, afirma, 100% dos domicílios do bairro estarão interligados ao emissário. Hoje, diz Victer, 85% estão.

Água do Quebra-Mar não melhora desde 2007

Mas a poluição de praias e lagoas ainda é um fantasma. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) continua classificando a qualidade da água das lagoas de Jacarepaguá, Tijuca e Camorim como péssima. A da Lagoa de Marapendi é ruim. O trecho da praia junto ao Quebra-Mar também continua com a água avaliada como má para banho, como ocorre desde 2007.

O Quebra-Mar sofre e influência da Lagoa da Tijuca, que desemboca nesse trecho da praia. As lagoas ainda estão muito assoreadas, e uma das razões é a ocupação desordenada das faixas marginais de rios e canais. De qualquer forma, na Lagoa de Marapendi, percebemos melhorias em alguns índices, como a redução dos coliformes e o aumento do oxigênio diz Marilene Ramos, presidente do Inea.

O avanço imobiliário também não passa despercebido pelo editor de vídeo Daniel Garcia, que há seis anos vive na Ilha do Ipê, na Lagoa da Tijuca, onde há uma multiplicação dos imóveis:

Sem fiscalização, as pessoas constroem nos espaços vazios dos seus terrenos nas ilhas. Dá para perceber isso pela chegada de materiais de construção e pelo vaivém de barcos. Na Ilha de São Jorge, por exemplo, fizeram um prédio de três andares recentemente. Com a futura chegada do metrô à Barra, a especulação cresceu. Estão construindo quitinetes e apartamentos de quarto e sala para alugar.

Urbanista sugere ocupação de outros bairros

Especialistas lançam um olhar crítico sobre esse crescimento da região. O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Sydnei Menezes diz que a Barra sempre foi tratada como área de expansão da cidade e que o Plano Lúcio Costa, da década de 60, acabou desvirtuado devido à especulação imobiliária.

Os terrenos foram supervalorizados, e a especulação imobiliária forçou a produção de imóveis. Mas até hoje a infraestrutura não chegou a essas áreas. Não se resolveram, por exemplo, as questões do abastecimento de água, da rede de esgoto, das lagoas e do sistema viário. Precisa-se é de um Plano de Estruturação Urbana (PEU) para repensar a região e prepará-la para o futuro.

O urbanista Pedro da Luz Moreira, da direção do Instituto dos Arquitetos do Brasil e professor da UFF, afirma que o crescimento da região da Barra e Jacarepaguá ocorre de forma inversa à ideal. O natural seria a chegada da infraestrutura à área antes de sua ocupação.

Isso é um tiro no pé. A Barra sequer é dotada de transporte público. Ou seja, a infraestrutura não consegue acompanhar o crescimento da região observa ele, criticando ainda o poder público por estimular o crescimento da área urbana, em vez de ocupar os espaços vazios de bairros já dotados de infraestrutura. Estão transformando áreas naturais em urbanas, como é caso da Barra da Tijuca. Por que não uma cidade mais compacta, ocupando áreas ociosas, como São Cristóvão?

Na corrida contra o tempo, a Light começou este mês a construção da subestação Gardênia. Segundo a concessionária, o investimento será de R$ 50 milhões, e a obra deve durar 14 meses. Na região, será a quarta subestação, que vai fornecer energia a instalações olímpicas e cerca de cem mil pessoas em condomínios e estabelecimentos comerciais que estão sendo construídos na Avenida Abelardo Bueno.

Já a Fundação Rio Águas, da prefeitura, iniciou em 2011 a macrodrenagem dos 14 rios da Baixada de Jacarepaguá. Um programa R$ 340 milhões, que está pela metade: nove quilômetros de sete rios foram canalizados. A previsão é que os outros sete rios fiquem prontos no primeiro semestre de 2014. A maratona de projetos de infraestrutura tem razão de ser. Afinal, estimativas do IPP mostram que a população da Região Administrativa da Barra (inclui Recreio, Vargem Grande e bairros próximos) passará de 300.823 (Censo 2010) para 365.241 em 2016. Na RA de Jacarepaguá, o número de habitantes pulará de 572.617 para 625.047.

O território predileto da indústria de hotéis no Rio

20/01/2013 - O Globo, Laura Antunes e Selma Schmidt

A Barra não é só uma concentração de condomínios e shoppings. As redes hoteleiras nacional e internacional apostam no potencial da região, que ainda tem grandes terrenos livres, algo raro na Zona Sul e no Centro. Mas o foco é diferente: o turismo de negócios. É na área que está, por exemplo, o maior centro de convenções da América Latina, o Riocentro, e onde estão se instalando grandes empresas.
Levantamento do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil e da consultoria HotelInvest revela que a Barra concentra a maioria dos novos hotéis do Rio: 14 (56%) dos 25 que serão inaugurados até dezembro de 2015 ou ficaram prontos em 2012. Em número de quartos, serão mais 5.686 unidades na cidade, sendo 3.720 (65,4%) na Barra - 678 econômicos, 2.294 de médio padrão e 748 de alto padrão.
Os endereços de quase todos os novos hotéis são nas avenidas Sernambetiba, Ayrton Senna, Abelardo Bueno e na Praia do Pepê. Segundo o estudo, o Rio passará de 18.957 para 24.643 quartos de hotel. Na Barra, o salto será de 2.200 para 5.920 até 2015. Apesar da euforia, Cristiano Vasques, sócio da HotelInvest, é cauteloso ao analisar o quadro:
- No caso dos hotéis de médio porte da Barra, a recomendação é de cautela. Não se pode construir mais unidades hoteleiras do que o mercado pode absorver.
Mas o número de novos hotéis na Barra até 2016 ultrapassará os 14. Há um da rede Hyatt que está sendo construído. A rede Windsor, que já tem um hotel no bairro (com 338 quartos), está erguendo outros dois - um para a Copa e outro para as Olimpíadas -, com um total de mil quartos.
- O Rio precisa de mais centros de convenções. O do Windsor, na Barra, para cinco mil pessoas, está sempre cheio. Quando ocorrem os eventos, lotamos nosso hotel e a concorrência. Por isso, vamos construir mais dois - conta o gerente de Marketing da rede Windsor, Paulo Marques Ribeiro.
A Secretaria municipal de Urbanismo diz que há 2.705 quartos em construção e 3.076 licenciados. Estão em análise projetos com mais 2.180. Outros empreendimentos, com 1.656 unidades, estão em fase de consulta.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, está otimista em relação à melhoria da infraestrutura na Barra:
- Neste momento em que o Rio ressurge das cinzas, a chegada de tantos empreendimentos faz com que as autoridades se esforcem para dotar a região de infraestrutura.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Cem anos depois, a nova cara do Porto

16/12/2012 - Extra, Bruno

Obras viárias começam a mudar o trânsito da região do Porto com intervenções que incluem a construção de túneis e derrubada da Perimetral

Trilhos e bondes faziam parte do cenário do Rio, quando as obras de modernização do Porto terminaram, em 1910. Mais de cem anos depois, um "primo" desse meio de transporte, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), desponta como uma das alternativas para melhorar a mobilidade na Zona Portuária. Até 2016, a região passará por transformações significativas. O EXTRA foi conferir o andamento das obras viárias e o impacto delas no futuro.
Em janeiro, as empresas interessadas em implantar o VLT deverão entregar suas propostas para a prefeitura. Ao todo, o sistema terá 42 estações, que serão interligadas ao Metrô, aos trens da Central do Brasil, às Barcas, ao Aeroporto Santos Dumont e à Rodoviária.
No entanto, a mais visível das mudanças é a eliminação do Elevado da Perimetral. As intervenções no viaduto já começaram, mas a demolição da área utilizada pelos motoristas será iniciada em abril de 2013.
A Avenida Rodrigues Alves será transformada numa via expressa, sem sinais. Parte do percurso dos carros será feito por debaixo da terra. Por isso, na esquina das ruas Primeiro de Março e Visconde de Inhaúma, está sendo cavado um poço que servirá para construir um túnel subterrâneo. Entre a Avenida Venezuela e a Rua Sacadura Cabral há outro poço para a construção do mesmo túnel.
A técnica dos engenheiros consiste em perfurar a terra e depois começar a escavação para os lados. Dessa maneira, os operários abrem mais frentes de trabalho e agilizam a obra.
Paralela à via expressa, haverá o Binário do Porto. A via ligará a região da Rodoviária à Rua Primeiro de Março. O percurso também terá um trecho subterrâneo. O poço de escavação para a construção do túnel desta via está na Praça Mauá. O Binário contará ainda com um segundo túnel, que vai atravessar o Morro da Saúde. Essa estrutura deve ficar pronta no primeiro semestre de 2013.
Especialista: falta metrô

As obras viárias da região são parte do projeto Porto Maravilha. Uma Pareceria Público-Privada designou a concessionária Porto Novo para investir R$7,6 bilhões na modernização da área.
Mas, o professor do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ Paulo César Martins Ribeiro não é otimista quanto ao futuro do trânsito na região. Para ele, uma medida importante que não está em discussão é a ampliação do metrô:
- Não temos um sistema de transporte público eficiente. Ainda temos de criar a cultura de que o transporte de massa genuíno é o metrô. Precisamos dar alternativa às pessoas, porque cada vez mais gente compra carro.
Diretor Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (CDURP), Rogério Riscado aposta no potencial do VLT:
- Uma das nossa intenções é melhorar a mobilidade da região. A vantagem do VLT é que ele integra os vários meios de transporte.

Vila Autódromo: remoção só em 2014

18/01/2013 - O Globo, Luiz Ernesto Magalhães

Condomínio para reassentar famílias começa a ser erguido na próxima semana

O Parque Carioca, condomínio que será construído na Estrada dos Bandeirantes, em Jacarepaguá, para reassentar as famílias que vivem hoje na favela de Vila Autódromo começa a ser construído na semana que vem. A informação é do Secretário municipal de Habitação, Pierre Alex Domiciano Batista. Segundo ele, os moradores da Vila Autódromo serão removidos para o conjunto que está sendo construído pelo projeto Minha Casa Minha Vida, no primeiro semestre de 2014.
A favela de Vila Autódromo fica ao lado do futuro Parque Olímpico, principal complexo esportivo a ser construído para 2016, que ocupará parte do terreno do antigo autódromo Nelson Piquet, fechado em outubro do ano passado. A Vila Autódromo será removida porque boa parte das casas foi construída em terrenos não edificáveis. Além disso, parte da área está no traçado do futuro BRT Transolímpico, que ligará a Barra à Penha.
Área terá 900 apartamentos
Um sobrevoo feito ontem na região mostra uma situação curiosa. De um lado da Lagoa de Jacarepaguá, é possível observar que o autódromo já teve praticamente toda a sua infraestrutura demolida. No segundo semestre deste ano, começam as obras das arenas olímpicas. Do outro, a Vila Autódromo ainda está de pé. Em 2011, um cadastro prévio para remoção feito pela Secretaria de Habitação encontrou 537 famílias de baixa renda no local. Na comunidade ainda existem casas de classe média à beira da lagoa cujos moradores serão retirados sem ganhar novas casas.
O Parque Carioca contará com cerca de 900 apartamentos de dois quartos (40 metros quadrados) e três quartos (55 metros quadrados), além de área de lazer e escolas. Para o condomínio, além dos moradores da Vila Autódromo, irão outras famílias beneficiadas pelo programa Minha Casa Minha Vida. O custo total do projeto chega a R$ 105 milhões, sendo R$ 38 milhões da prefeitura e o restante da Caixa Econômica Federal.
A remoção da Vila Autódromo vem sendo cercada de polêmica. A prefeitura defende que ela é indispensável para o projeto olímpico. Mas ONGs ligadas a movimentos sociais afirmam que a remoção teria interesse apenas econômico, já que terrenos no entorno se valorização ainda mais com as Olimpíadas. Moradores mais antigos lembram que em 1995 as famílias chegaram a receber do governo do estado títulos de posse válidos por 99 anos.
Apesar de tudo, o prefeito Eduardo Paes acredita que o desfecho será tranquilo:
- Temos tempo. Quando as obras estiverem mais adiantadas, montaremos um show room no terreno, mostrando detalhes do projeto. O novo condomínio terá uma estrutura melhor do que o local onde (as famílias) vivem - disse Paes.

Hospedagem carioca

17/01/2013 - Folha de São Paulo

A maior parte dos hotéis que serão construídos no Rio até 2015 ficará localizada na Barra da Tijuca, segundo pesquisa do Fohb (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil). Em três anos, a cidade terá 24.643 quartos, cerca de 30% a mais do que o existente atualmente.

A maior oferta adicional está no segmento de médio padrão (3.111), seguido pelo alto padrão (1.455) e pelo econômico (1.120).

Hoje, a demanda por hospedagem na cidade do Rio de Janeiro é de 14.823 unidades. A previsão para 2015 é de que este número aumente para 17.762 -alta de 19,8%-, de acordo com o Fohb.

A taxa de ocupação tende a diminuir de 78% para 72% nos próximos três anos, ainda segundo a entidade.

Capital da energia

18/01/2013 - Jornal do Commercio, Marcia Peltier

Um novo polo industrial aliado a um parque tecnológico, nos moldes do que foi feito com sucesso na Ilha do Fundão, mas em escala ampliada, será construído na Zona Oeste. Com área superior a 500 mil m², o empreendimento pretende ser o novo destino de empresas do setor de energia. A meta é firmar o Rio de Janeiro como referência nacional em pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor, em especial no que se refere a óleo e gás e energias renováveis.

A volta do Rivoli

12/12/2012 - O Globo, Ancelmo Gois

Ficou bonito o Edifício Rivoli, prédio em estilo art déco, erguido em 1939, onde por muito tempo funcionou o saudoso Cinema Vitória, numa época em que estava na Cinelândia a maior concentração brasileira de salas de exibição. O bonitão, de 3.300m², ficou muito tempo abandonado, ao deus-dará. Agora, que bom, todo reformado, volta segunda em grande escala para receber uma filial da Livraria Cultura, de São Paulo. Oue seja feliz.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Nova sede

11/12/2012 - O Globo

A Stone Age, de soluções em gestão de grandes volumes de dados, terá nova sede na Barra. Investiu R$ 2 milhões no prédio de 1.200 m², que fica pronto em fevereiro. A empresa fecha 2012 com crescimento de 33% no faturamento. Itaú e Embratel estão entre os clientes.

Lançado edital para o Complexo de Deodoro

17/12/2012 - Jornal do Commercio

O governo fluminense divulgou o edital para empresas interessadas em participar da concorrência internacional de remodelação do Complexo Esportivo de Deodoro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016. Para execução das intervenções, foi assinado um convênio entre os governos federal e estadual no valor de R$ 39,33 milhões.
De acordo com as exigências técnicas do edital, o vencedor terá que elaborar projetos básico e executivo para o Parque Radical, que receberá competições de canoagem slalom, mountain bike e BMX, bem como a construção de uma arena para esgrima, com capacidade para 5 mil pessoas.
Também está prevista a reforma dos centros de tiro, de hóquei sobre grama e de hipismo, que já foram usados nos Jogos Pan-Americanos de 2007. O contrato ainda estabelece que a empresa vencedora renove a infraestrutura de acesso ao complexo, como vias, iluminação, drenagem e paisagismo.
O prazo para a entrega de todos os projetos é de 11 meses, a partir da data da contratação. A licitação será realizada no dia 4 de fevereiro de 2013, no Palácio Guanabara.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Concessionária promete iniciar obras da defensa divisória da Via Lagos na segunda-feira

17/01/2013 - O Globo

CCR garante que as obras não vão atrapalhar o fluxo no verão

Paulo Roberto Araújo

Via Lagos terá defensas metálicas CCR / Divulgação

RIO Reclamadas há anos pelos usuários, as obras da defensa divisória das pistas da Via Lagos, principal acesso a Região dos Lagos, vão começar segunda-feira. O anúncio foi feito pelo presidente da CCR Ponte e CCR Via Lagos, Márcio Roberto de Moraes e Silva, logo depois que a Agência Reguladora de Transportes do Rio (Agentransp) aprovou o projeto executivo da obra. No sábado passado, seis pessoas de uma mesma família morreram num acidente na Via Lagos.

A mobilização dos equipamentos e a montagem do canteiro de obras começam hoje para que as obras comecem na segunda-feira. A Agentransp autorizou a obra em novembro do ano passado, mas a aprovação do projeto executivo, necessário para que possamos iniciar as obras, saiu hoje (quinta-feira). Está tudo previsto para que as obras não atrapalhem o fluxo de trafego no verão e especialmente no período do carnaval garantiu Mário Roberto, acrescentando que estudos técnicos comprovam que as defensas metálicas absorvem o impacto e impedem que os veículos passem para a outra pista.

Segundo o presidente da CCR, o projeto de construção da defensa metálica é complexo porque envolve o alargamento das pistas nos dois lados e construção de retornos. A instalação das defensas metálicas em si é a última etapa de execução do projeto. Inicialmente, será feito o alargamento da plataforma das pistas, que vão avançar no acostamento, que também terá que ser ampliado. Todo o projeto ao longo dos 57 quilômetros da Via Lagos ficará pronto em maio de 2014 ao custo de R$ 120 milhões.

O prefeito de Cabo Frio, Alair Corrêa (PP), disse que cobra a construção da mureta desde 1995, quando era deputado estadual. Ele esperava uma mureta de concreto.

A segurança na estrada é fundamental para sustentar o crescimento do turismo na Região dos Lagos. Não conheço detalhes do projeto, mas todos esperavam que a mureta fosse de concreto, igual a da Ponte Rio-Niterói e da BR-101 disse o prefeito.

O presidente da Associação dos Motociclistas do Estado do Rio (AMO-RJ), Aloísio Braz, disse que há três anos negociou com a Nova Dutra, que também é de Grupo CCR, para retirada das defensas metálicas em alguns trechos da rodovia:

As defensas metálicas são verdadeiras lâminas quando envolvem acidentes com motociclistas. Eles se arrebentam e em geral sofrem amputações quando batem nestas defensas, na lateral ou no meio das pistas. Seria mais seguro e mais barato para a concessionária fazer muretas de concreto sugeriu Braz.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Projeto sanitário da Barra será concluído até agosto

10/01/2013 - Jornal do Commercio

Parceria da Cedae com a rede hoteleira Hyatt, obra prevê a construção de uma estação elevatória, além de coletores de esgoto, troncos e linhas de recalque

Deve ser concluído até agosto o novo projeto de esgotamento sanitário executado pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) na Barra da Ti- juca. A obra, feita em parceria com o grupo hoteleiro Hyatt, abrange uma área da Avenida Lúcio Costa onde a rede de hotéis pretende construir um resort. A previsão é que cerca de 20 mil habitantes sejam favorecidos com as intervenções na região.
Segundo a Cedae, os projetos técnicos foram todos feitos pela empresa, que também ficará responsável pela fiscalização e execução das obras, além de operar o sistema de esgotamento sanitário. Componentes como troncos, equipamentos, edificações e linha de recalque serão incorporados ao patrimônio da companhia.
Já a Hyatt terá sob sua responsabilidade a colocação de mais de 1 mil metros de coletores de esgoto, sendo 60 metros por método não destrutivo sob a Avenida Ayrton Senna. A rede hoteleira também arcará com a construção de uma estação elevatória com capacidade de bombeamento de 90 litros por segundo.
O presidente da Cedae, Wagner Victer, disse que obras como esta seguem a linha de trabalho estabelecida para preparar a cidade para os Jogos Olímpicos de 2016. "A previsão é de que 100% dos clientes da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes estejam conectados à rede formal de esgotamento sanitário até 2015", comentou Victer, que participou da cerimônia que marcou o início da construção do sistema.
Além dele, a Cedae também começou ontem a construção de uma linha de recalque com 400 metros de extensão, que atravessará o Canal de Marapendi para direcionar os dejetos coletados para a Estação de Tratamento da Barra, via Tronco Coletor Marapendi Norte cujo destino final será o Emissário Submarino do bairro.
Hotelaria
Além de Victer, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (Abih-RJ), Alfredo Lopes, o presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrovsky, o diretor de Engenharia, Construção e Empreendimentos da Cedae, Jair Otero, e representantes da diretoria da rede Hyatt participaram da cerimônia.
Lopes elogiou o projeto, que as Parcerias-Público-Privadas são iniciativas que devem ser estimuladas. "Além de impulsionar o turismo de forma sustentável, beneficia o meio ambiente e estimula o desenvolvimento econômico da região", afirmou.
Desde 2007, uma série de intervenções foram feitas na região da Barra, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá para tratar o esgotamento sanitário da população. Atualmente, 85% dos esgotos produzidos na Barra já são tratados, além de 70% do Recreio e 60% de Jacarepaguá.

Saneamento em disputa

10/01/2013 - O Globo, Célia Costa e Selma Schmidt

Prefeitura estuda conceder esgoto da região de Jacarepaguá e Barra à iniciativa privada

O saneamento da Baixada de Jacarepaguá, a chamada AP-4 (Barra, Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá e arredores), que se arrasta há quase 30 anos, ganhou um novo capítulo. Decreto do prefeito Eduardo Paes, publicado no primeiro dia de sua segunda administração, criou um grupo de trabalho para promover estudos e apresentar sugestões visando a aumentar a cobertura de saneamento da região, que vai receber grande parte dos equipamentos olímpicos. Na prática, o trabalho poderá resultar numa proposta de concessão da rede de esgoto da região à iniciativa privada, a exemplo do que acontece na AP-5 (Zona Oeste). Apesar de o programa de saneamento da região, da Cedae, ter implantado na região elevatórias, troncos coletores e uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), a estimativa do secretário municipal da Casa Civil, Pedro Paulo Carvalho, é de que cerca de 50% dos imóveis ainda não contam com rede coletora interligada ao emissário submarino.
- O futuro concessionário poderia implantar a rede e ser reembolsado com parte do valor da tarifa de água e esgoto. A outra parcela ficaria com a Cedae pelo fornecimento de água. Um modelo semelhante ao da Zona Oeste - diz Pedro Paulo, que preside o grupo, integrado ainda por representantes da Secretaria municipal de Obras, da Procuradoria Geral do Município e da Fundação Rio Águas.
O relatório final do estudo será apresentado em 90 dias. O trabalho incluirá um levantamento dos logradouros que estão interligados ou não ao sistema. Segundo Pedro Paulo, a Cedae será procurada, com o objetivo de negociar um acordo com a prefeitura.
Em nota, a Cedae antecipou que "qualquer transferência dessa atividade na região da AP-4 para a iniciativa privada está descartada, diante dos investimentos já realizados e em curso", mas garantiu que dará os esclarecimentos que forem pedidos. Lembrou que tem um contrato voltado para a Zona Oeste, assinado com a prefeitura em 2007. A Cedae assegurou também que mais de 60% da Baixada de Jacarepaguá já contam com rede de esgoto.
Independentemente de quem implante a rede, o que Nilson da Silva Costa, de 84 anos, morador da Taquara, quer é ter saneamento:
- Moro na Rua Salenópolis desde 1966 e nosso esgoto é descarregado, sem tratamento, na galeria de águas pluviais. Mesmo assim pagamos pelo esgoto. O mesmo que se paga de água, paga-se de esgoto.
Cedae: obras prontas até Olimpíadas de 2016
A Cedae diz que investiu R$ 610 milhões no saneamento da AP-4, desde 2007. Segundo o gerente regional Sul da companhia, Claudino do Espírito Santo, 80% dos imóveis da Barra contam com rede coletora na porta, estando de fora o trecho junto aos shoppings Downtown e Città America. No Recreio, garante ele, o percentual é de 70% e em Jacarepaguá (a área maior), de 60%. Em Vargem Grande, Vargem Pequena e Camorim, 50% do esgoto vão para duas estações de tratamento (construídas pela prefeitura e operadas pela Cedae), mas desembocam em rios. A outra metade não recebe tratamento.
Claudino afirma que a Cedae concluirá as obras na AP-4 antes das Olimpíadas de 2016. Mas reclama de proprietários que descumprem a legislação, que determina a interligação dos imóveis à medida que a rede é concluída:
- Quando terminamos a rede coletora numa rua, deixamos um ramal na calçada e notificamos os donos de imóveis para que se conectem. Há casos de pessoas que entraram na Justiça e ganharam ações para não pagar a conta de esgoto. Algumas delas, mesmo com a rede passando na porta, continuam sem querer pagar. Alegam que construíram estações de tratamento particular. A Cedae, então, procura o Inea e a Secretaria municipal de Meio Ambiente, para que façam a fiscalização, e o Ministério Público, para que vá à Justiça.
A Cedae iniciou ontem (quarta-feira) mais uma obra de implantação de esgotamento sanitário na Barra. O projeto, em parceria com a rede hoteleira Hyatt, que está construindo um resort na região, deve ser concluído até agosto e atender uma população de cerca de 20 mil habitantes, no entorno do empreendimento.
O sonho de uma casa confortável no Recreio dos Bandeirantes se tornou um problema para a dona de casa Regina Célia Oliveira, que há sete anos mora num condomínio de seis casas na Rua Omar Bandeira Ramidan Sobrinho, antiga Servidão C. Ao longo dos anos, Regina Célia viu o número de residências na região aumentar, mas sem que nenhuma obra de saneamento básico fosse realizada. Em seu condomínio, foi construída uma fossa, onde é despejado o esgoto das casas que, periodicamente, precisa ser esvaziada por um caminhão limpa-fossa, uma despesa de R$ 500 a cada serviço. As contas de água e esgoto, cerca de R$ 100, são cobradas normalmente pela Cedae.
- É uma vergonha chegar alguém na minha casa e sentir esse mau cheiro - reclama Regina Célia, mãe de três filhos. - Além disso, há a preocupação com a questão da saúde. Quando dá 18h, somos obrigados a trancar as casas por causa da grande quantidade de mosquitos.
Mas nem todas as casas e condomínios têm o mesmo cuidado. Em frente à casa de Regina Célia, o esgoto in natura corre a céu aberto e segue em direção ao canal do Rio Morto. Uma vala, aberta pelo comerciante Alcides da Cruz Sobrinho fez com que pelo menos os dejetos seguissem um caminho e não se espalhasse pela rua. No local, o mato é alto e animais, como cobras e ratos, ameaçam entrar nas casas.
Segundo Alcides, há uma tubulação de água pluvial em apenas um trecho da rua, que termina bem frente ao condomínio onde ele mora. Algumas casas e condomínios ligaram a rede de esgoto nessa tubulação. Quando chove, a situação piora. A rua alaga, e o esgoto se mistura à água da chuva. O medo da dengue acompanha os moradores. Durante o verão, é comum acontecer explosão de casos no local.
Desde maio de 2012, a concessionária Foz Águas 5 - constituída pelas empresas Foz do Brasil e Saneamento Ambiental Águas do Brasil - é responsável pela infraestrutura de esgotamento sanitário de 21 bairros da Zona Oeste. Em junho do ano passado, depois de reformada, foi reinaugurada a Estação de Tratamento de Esgoto de Deodoro. No momento, a concessionária está desenvolvendo o projeto executivo de engenharia, para que possa iniciar, no segundo semestre deste ano, a implantação de 2,1 mil quilômetros de rede.
A obrigação da Foz Águas 5, é chegar a 2016 com 40% do esgoto tratado e, ao fim da concessão, de 30 anos, com 90%. Ela deve investir cerca de R$ 2.6 bilhões.
A Fundação Rio Águas, da prefeitura, passou a atuar como agência reguladora e fiscalizadora dos serviços da concessionária. O abastecimento de água permanece com a Cedae.

Praça da Bandeira, a mesma Praça da Banheira

17/01/2013 - O Globo

Prefeitura só entregará primeiro piscinão contra enchentes depois do verão

Isabela Bastos

Piscinão de barro. O local onde estão sendo o piscinão da Praça da Bandeira, para combater enchentes na região: Pablo Jacob / O Globo

RIO Na manhã que se seguiu à noite de transtornos causados pela chuva que castigou a Zona Norte do Rio, o prefeito Eduardo Paes afirmou na quarta-feira que só entregará depois do verão o reservatório subterrâneo da Praça da Bandeira, a primeira das cinco cisternas que, segundo a prefeitura, vão livrar a região das inundações tão conhecidas dos cariocas. Na noite de terça-feira, a praça, o canteiro de obras e todas as ruas do entorno ficaram inundados depois de um temporal que, segundo o Centro de Operações da prefeitura, acumulou em três horas 30% do volume de chuva esperado para janeiro em bairros como Tijuca e São Cristóvão. Paes informou que esse primeiro reservatório, prometido inicialmente para dezembro passado e depois para fevereiro próximo, só será entregue em abril. E admitiu que os cariocas terão de conviver com os alagamentos na região pelo menos até meados de 2014, quando ficar pronto todo o sistema de contenção de enchentes, que prevê ainda o desvio dos rios Joana e Maracanã.

O projeto da Praça da Bandeira é o de cinco piscinões que está em execução. A gente esperou 447 anos para acontecer essa obra, e ela está acontecendo. É natural que uma obra atrase. Quando adianta, é por causa de eleição. E quando atrasa, é por causa de quê? Uma obra tem atraso, tem problema. É uma obra de uma complexidade enorme. Ontem (anteontem), tivemos problemas numa área conhecida da cidade que está em obras. É só olhar ali a Praça da Bandeira. Vamos iniciar outros mergulhões agora. Quando terminar esse piscinão da Praça da Bandeira, que é o menor, será resolvida a microdrenagem ali. Mas o problema da Praça da Bandeira se resolve com os rios lá atrás e com um conjunto de obras disse o prefeito.

Enquanto isso, moradores e comerciantes dos arredores da Praça da Bandeira passaram a manhã contabilizando o prejuízo e limpando a lama que invadiu ruas, lojas e residências. Numa relojoaria na Rua do Matoso, por exemplo, o muro de 60 centímetros construído há dois anos não evitou que a água invadisse o estabelecimento. O prejuízo, segundo Giovanni Morais, um dos donos do estabelecimento, foi de mais de R$ 3 mil.

O muro não serviu para nada. A lama e a água passaram por cima. Estamos tendo que jogar fora caixas e caixas de peças lamentou.

Marcela de Souza, que trabalha há seis meses em uma loja de venda de uniformes na Rua do Matoso, teve uma prova do que a espera enquanto durarem os alagamentos na região. Ela passou a manhã retirando água e lama da loja.

Hoje é a primeira vez que faço isso, mas já sei que essa faxina matinal vai acontecer durante todo o verão disse Marcela.

Outro funcionário, Horoson Freitas, contou que parte dos uniformes ficou enlameada e que o prejuízo só não foi maior porque há dois anos foi construído um balcão blindado, para impedir a entrada de água nos fundos da loja.

Antes da construção, sempre que chovia forte, a água cobria toda a loja disse.

Josiane Rodrigues, gerente de uma loja de presentes e artigos de papelaria na Praça da Bandeira, já está acostumada com a faxina matinal nesta época do ano. Ela adota uma estratégia para reduzir o prejuízo:

Todas as noites, antes de fechar a loja, suspendemos as mercadorias para evitar estragos, já que sempre que chove alaga tudo.

A Defesa Civil do município registrou, entre 17h31m de terça-feira e 5h30m de ontem, 49 ocorrências, a maioria na Zona Norte. De acordo com o sistema Alerta Rio, da prefeitura, em três horas choveu o esperado para dez dias. Na estação São Cristóvão, das 19h15m às 22h de anteontem, foram registrados 36,5% da média mensal de chuvas para janeiro, que é de 143,4mm. Já na Tijuca foram contabilizados 30,7% da média histórica de janeiro no bairro, que é de 188,8mm.

No fim do dia, o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto, afirmou que o atraso na construção do reservatório da Praça da Bandeira ocorreu devido a uma mudança no projeto. Ele explicou que a cisterna precisará ter o fundo reforçado, por estar sendo construída numa área de mangue. Segundo o secretário, depois do início da obra, técnicos concluíram que o fundo de concreto reforçado com tirantes projetado inicialmente não seria suficiente para garantir a segurança da operação do reservatório, que terá 20 metros de profundidade.

Praças serão fechadas para obras

Como O GLOBO noticiou na quarta-feira, a prefeitura decidiu mudar o local de dois dos cinco piscinões que serão construídos para conter enchentes na região. O município anunciou que desistiu de fazer as obras no estacionamento do supermercado Extra, em Vila Isabel, para não atrasar ainda mais o projeto, uma vez que o processo de desapropriação estava empacado. Alexandre Pinto disse que as praças Niterói e Varnhagen, novos locais escolhidos para a construção dos piscinões, fecharão depois do carnaval e só serão reabertas, já reurbanizadas, no primeiro semestre de 2014. Ele afirmou que a prefeitura não descarta a necessidade de fazer bloqueios de trânsito no entorno dessas praças, para a montar canteiros de obras.

Rio terá R$ 300 milhões a mais para as Olimpíadas

27/12/2012 - O Globo

Paes diz que quantia virá de economia no pagamento da dívida junto à União

BRASÍLIA - O prefeito Eduardo Paes disse na quarta-feira que o Rio contará com mais R$ 300 milhões por ano para realizar investimentos voltados para as Olimpíadas. Segundo ele, o adicional virá da economia que o município poderá fazer a partir da mudança no índice que corrige a dívida dos estados e municípios com a União. A alteração, anunciada este mês pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, será publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias. De acordo com o prefeito, o Rio tem hoje uma dívida de R$ 6,1 bilhões com o governo federal, corrigida pelo IGP-DI em mais 6% ao ano. A partir do ano que vem, ela deverá ser corrigida pela taxa básica de juros (Selic) ou pelo IPCA, o que for menor, em mais 4% ao ano.

Nas contas do prefeito, na prática, a taxa cairá de 11% para 7% ao ano. Paes informou que, a partir de janeiro, a Secretaria municipal de Fazenda iniciará as negociações com o Tesouro Nacional para a ampliação do limite de endividamento do município. Ainda segundo ele, a cidade tem dívidas que equivalem a 40% de sua receita corrente líquida, bem abaixo dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. A folga seria de até R$ 8 bilhões para a contratação de financiamentos.

O Rio pode ser o primeiro exemplo, pelo dever de casa já feito. A nossa situação fiscal é absolutamente confortável. Se a União me permitir captar, eu consigo fazer Olimpíadas sem pegar um tostão em Brasília afirmou Paes, depois de se reunir com Mantega.

O prefeito observou ainda que os investimentos do governo local correspondem a 20% de suas despesas:

O segundo melhor é o Ceará, que investe 12%. Repetimos isso nos últimos três. Em valores absolutos, a gente só perde para São Paulo.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

APA é criada contra ocupação irregular na Baixada Fluminense

16/01/2013 - O Globo

Com 22 mil hectares, unidade ocupa área de quatro Barras da Tijuca

15/01/2013 - 23h00 | Emanuel Alencar

RIO O governador Sérgio Cabral assinou na terça-feira decreto que cria a Área de Proteção Ambiental (APA) do Alto Iguaçu, na Baixada Fluminense. A unidade de conservação, que permite edificações em áreas restritas, abrange três municípios Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Belford Roxo e tem 22.109 hectares, o equivalente a quatro vezes o território da Barra da Tijuca. O objetivo da APA é evitar a ocupação desordenada da serra onde desceu a cabeça dágua que destruiu parte do distrito de Xerém, em Caxias, na madrugada do dia último dia 3. A Alto Iguaçu será a quarta maior APA administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), ficando atrás de Guandu, Macaé de Cima e Mangaratiba.

Fiscalização é gargalo

De acordo com o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a área protegida vai ter a função de impedir a impermeabilização do solo, diminuindo os riscos de enchentes na Baixada. A área sofre expansão urbana, que tende a se intensificar com o início de operação do Arco Metropolitano, previsto para o ano que vem.

A APA será uma bacia de contenção natural. É claro que ajuda na preservação de espécies, mas tem o caráter preventivo como o principal objetivo disse Minc.

Se a criação de uma unidade de conservação depende de uma simples assinatura do governador, a sua gestão e funcionamento são questões mais complexas. A falta de fiscalização é um gargalo do Inea. De acordo com o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do órgão, André Ilha, o estado terá, com a Alto Iguaçu, 242 mil hectares de Áreas de Proteção Ambiental (APA), e conta com cerca de 300 guardas e agentes para combater crimes ambientais. É um fiscal para vigiar 800 campos de futebol oficiais. Isso sem contar com outras unidades de proteção, como reservas e parques.

Se parece pouco, até o ano passado a situação era mais dramática: havia apenas 80 fiscais, sendo 60 cedidos pelo Corpo de Bombeiros.

Daremos ênfase à fiscalização no novo concurso do Inea, cujo edital sai em março afirmou Ilha.

A APA do Alto Iguaçu abrange um trecho no entorno da Reserva Biológica do Tinguá, uma unidade mais restritiva que impede construções e ocupações. O Inea agora corre contra o tempo para formalizar o plano de manejo da APA, o mapeamento que estabelece o zoneamento que disciplina as atividades dentro da unidade. O órgão não informou quantas construções existem dentro da APA.

A elaboração do plano de manejo da APA é condicionante do licenciamento ambiental do Arco Metropolitano. Portanto, os recursos, cerca de R$ 400 mil, já estão garantidos. Até o final do mês teremos o termo de referência pronto explicou André Ilha.

Ontem o subsecretário estadual do Ambiente, Luiz Firmino, informou que as ações emergenciais de recuperação do entorno dos rios João Pinto e Capivari, em Xerém, devem durar mais um mês. O Inea e a prefeitura de Duque de Caxias condenaram 80 casas nas margens desses rios 40 já foram demolidas.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Grande hotel

15/01/2013 - O Globo, Ancelmo Gois

Eduardo Paes concedeu licença para a criação de um hotel na Avenida Rui Barbosa 170, no Flamengo. Terá 464 quartos. A autorização foi em nome da Rex Hotel Ltda.

O céu é o limite

15/01/2013 - Veja Rio, Caio Barreto Briso

Nenhum outro trecho da cidade passa por tantas transformações quanto a Zona Portuária, faixa à margem da Baía de Guanabara que se estende do Caju até a Praça Mauá. Em meio a ruas interditadas e quebra-quebra geral, começam a se tornar visíveis os primeiros efeitos das obras. São praças reformadas, ruas reurbanizadas e lançamentos imobiliários que prometem revitalizar uma área corroída pelo abandono. No final do processo, às vésperas da Olimpíada de 2016, a expectativa é que a decadência seja varrida do mapa definitivamente. Em vez da profusão de terrenos baldios, galpões inativos e prédios decrépitos, a esperança é que possa emergir uma região pulsante, repleta de museus, condomínios, hotéis e arranha-céus comerciais. Está a caminho uma série de espigões de grife, como mostra a ilustração ao lado. Um dos projetos mais aguardados é o conjunto de duas torres na Avenida Rodrigues Alves concebido pelo arquiteto inglês Norman Foster. Profissional reconhecido mundialmente, ele colocou também sua assinatura no Aerop orto Internacional de Pequim, no estádio de Wembley e no estranho prédio Swiss Re, em formato de pepino, dois cartões-postais londrinos. "Com esses novos empreendimentos, o Rio ingressa no cenário internacional da arquitetura contemporânea", afirma Vicente Giffoni, presidente regional da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura. "Não há outra cidade que esteja vivendo um momento tão repleto de inovações."

A metamorfose em curso só é comparável à reforma implementada pelo prefeito Pereira Passos no início do século passado, quando o Centro carioca deixou seu aspecto colonial para ganhar grandes vias e imóveis imponentes. Para se ter uma ideia da dimensão das mudanças atuais, há mais de setenta projetos imobiliários para a Zona Portuária aprovados na prefeitura ou à espera do aval do poder público. Próximo à rodoviária Novo Rio ficará o complexo de cinco torres erigido pelo magnata americano Donald Trump. Naquele mesmo trecho da Avenida Francisco Bicalho subirão as Torres Cariocas, cada uma delas com 120 metros. Toda essa movimentação encontra paralelo no que ocorreu com o Puerto Madero, região portuária de Buenos Aires completamente reurbanizada nos anos 90. Nela foram construídos mais de cinquenta edifícios residenciais e comerciais, entre os quais um empreendimento com design de Norman Foster, o condomínio de luxo El Aleph. Dessa maneira, o bairro portenho passou a acolher novas empresas e moradores, ganhou um comércio requintado de restaurantes e lojas e se transformou em um concorrido ponto turístico. Espera-se que, terminado o perrengue das obras no Rio, o carioca possa se vangloriar da cidade.

Construção de mureta na Via Lagos já deveria ter sido autorizada

15/01/2013 - O Globo

Marco Navega, representante de 13 municípios, diz que vai acompanhar de perto andamento das obras

Paulo Roberto Araújo

Em um dos trechos da principal rodovia de ligação entre a Região Metropolitana e a Região dos Lagos, um radar fora de operação ainda está envolto em plástico Pablo Jacob / O Globo

RIO - O presidente do Conselho de Desenvolvimento do Turismo (Condetur), Marco Navega, que representa 13 municípios, de Maricá a Quissamã, disse na manhã desta terça-feira que chega com muito atraso a decisão da Agência Reguladora de Transportes do Rio (Agetransp) de autorizar a construção da mureta divisória das pistas da Via Lagos, principal acesso à Região dos Lagos.

A mureta era para ser construída desde a época que o governo do estado entregou a rodovia para a iniciativa privada. Ninguém aceitava mais este retardamento. Vamos acompanhar de perto o andamento das obras para que não ocorram novos atrasos. É importante que a rodovia esteja segura antes dos grandes eventos que vão acontecer no Rio e com certeza terão reflexos na principal região turísticas do estado disse o presidente do Condetur.

O prefeito de Cabo Frio, Alair Corrêa (PP), disse que a construção da mureta divisória da Via Lagos é uma promessa da concessionária desde 1995. Ele considera a mureta indispensável para a segurança na rodovia:

Quando eu era deputado estadual, em 1995, convocamos a concessionária para uma audiência pública para cobrar a construção na mureta. Na época alegaram que não era possível fazer a obra porque a mureta impediria uma eventual pista reversível em dias de grande movimento no sentido Rio. Esta reversível, contudo, nunca foi necessária. A segurança na estrada é fundamental para sustentar o crescimento do turismo na Região dos Lagos disse o prefeito.

Nesta segunda-feira, quatro dias após o acidente que matou seis pessoas na Via Lagos, a Agência Reguladora de Transportes do Rio (Agetransp) informou que deve autorizar a concessionária CCR a construir muretas separando as pistas em, no máximo, uma semana. As intervenções, de R$ 120 milhões, só ficam prontas em maio de 2014, quase 18 anos depois da assinatura do contrato de concessão da rodovia. Os radares que deveriam fiscalizar a velocidade dos veículos que circulam na via tampouco funcionam. Esbarraram nos entraves burocráticos e, embora estejam instalados, ainda estão envoltos em plástico.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Arquitetos criticam impactos das torres de Donald Trump

19/12/2012 - O Globo

Vice-presidente do IAB diz que projeto repete fórmula medíocre

Imagem da nova Trump Tower, que será construída no Rio Divulgação

RIO - Os projetos dos cinco espigões comerciais do bilionário americano Donald Trump, na Avenida Francisco Bicalho, ainda nem saíram do papel e já causam enorme alvoroço entre arquitetos e urbanistas. Para o vice-presidente da seccional do Rio do Insituto de Aquitetos do Brasil (IAB-RJ), Pedro da Luz Moreira, as torres de 50 andares repetem um modelo medíocre, que não faz jus à cultura arquitetônica do país. Professora Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e especialista em conforto ambiental, Cláudia Barroso-Krause vê com ressalvas a instalação de vidros espelhados nas torres e alerta para o enorme impacto viário que o empreendimento tará à Zona Portuária. Conforme O GLOBO noticiou ontem, as duas primeiras torres devem ser erguidas no segundo semestre de 2013.

Pedro da Luz afirma que o projeto deve ser discutido com a sociedade. Ele criticou o que chamou de ações feitas com base no voluntarismo:

Não temos uma estrutura de planejamento no Rio. Devia ser fruto de debate mais aprofundado na cidade. As torres repetem formas medíocres já consagradas no mundo e não fazem jus à cultura arquitetônica do Brasil. Que cidade a gente quer construir? Há uma urgência que impede o debate.

As fachadas das torres, cobertas por brise-soleils espelhados, foram pensadas para refletir a luz do sol, diminuindo a incidência de calor no interior dos edifícios. Estudiosa em construções sustentáveis, Cláudia Barroso-Krause diz que a tecnologia pode ser boa apenas por um lado o de dentro dos edifícios:

É interessante do ponto de vista do consumo energético. Há menor necessidade de uso de ar-condicionado. O problema é que este reflexo vai incidir num lugar. Melhora muito para quem está dentro, mas vai rebater em quem está do lado de fora.

Segundo Felipe Aflalo, sócio do escritório paulista de arquitetura Aflalo & Gasperini, que vem desenvolvendo o projeto há cerca de quatro meses, a fachada é o maior desafio.

Esse terreno tem a pior incidência solar: nascente de um lado e poente do outro. Por isso, a primeira coisa em que pensamos foi no uso das brises. Sem elas, o prédio absorveria muito calor. Os vidros das brises evitam essa absorção justifica Aflalo.

Cláudia questiona ainda os impactos viários do empreendimento. Ela lembra que um arranha-céu de uma instituição financeira, inaugurado há três atro anos em São Paulo, teve que escalonar o horário de entrada de saída de funcionários para não causar transtornos ainda maiores ao trânsito da Marginal Pinheiros.

É importante lembrar que não teremos mais a Perimetral. A região não comporta, não tem arruamento capaz de absorver o impacto das torres.

Presidente da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (Asbea-RJ), Vicente Giffoni, defendeu as torres de Trump:

Certamente será um projeto sustentável. A legislação permite a edificação proposta. Não dá para criticar sem ter o projeto final na mão.

Porto Maravilha recebe R$ 3,5 bilhões em investimentos

26/12/2012 - Extra

Aplicação dos recursos do FGTS foi viabilizada por meio de acordo firmado entre a Prefeitura do Rio e a Caixa

Os recursos do FGTS estão também contribuindo para o maior projeto de revitalização urbana em curso no mundo: o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Do orçamento total de R$ 8 bilhões para o projeto que está modificando e revitalizando toda a infraestrutura da Região Portuária da cidade, R$ 3,5 bilhões serão de investimentos do FGTS. Esta aplicação foi viabilizada por acordo assinado, em 2010, entre a Prefeitura do Rio e a Caixa, Agente Operador do Fundo.
O projeto não inclui apenas grandes obras nesta região de 5 milhões de metros quadrados, que há um século não recebia investimentos. Junto com os trabalhos de engenharia e de infraestrutura, que melhoram a qualidade de vida dos moradores, a revitalização leva desenvolvimento socioeconómico, beneficiando milhares de pessoas, com atração de empresas e novos empreendimentos imobiliários.
As estimativas de mercado apontam para um volume de negócios imobiliários na ordem de R$ 50 bilhões, principalmente em incorporações comerciais, como edifícios corporativos de alto padrão, shopping centers, hotéis, centros de convenção e, também, edifícios residenciais.
É a primeira vez que o FGTS investe em uma operação deste tipo. Com a injeção de recursos, um Fundo de investimentos do FGTS passou a administrar a emissão dos Cepacs (Certificados de Potencial Adicional Construtivo), títulos que serão negociados no mercado. Com o convênio firmado, o FGTS, através da Caixa, também tem prioridade na compra dos terrenos da União que existem na região.
Até agora, cerca de um terço do total de R$ 3,5 bilhões, já foi investido. O projeto tem atualmente 27 frentes de obras ou de instalação de serviços na Região Portuária, que contam com o acompanhamento sistemático da Caixa.
Todos os novos prédios localizados na área terão de se adequar à série de regras ambientais previstas na lei que criou a Operação Urbana Porto Maravilha. As normas impulsionam um novo padrão de construção que prevê aproveitamento de luz solar, água de chuva, ventilação e iluminação natural, uso de material com certificação ambiental e estímulo ao uso de bicicletas.
A primeira fase de intervenções do Porto Maravilha já entregou ruas e avenidas reurbanizadas nos bairros da Saúde e da Gamboa e no Morro da Conceição. As calçadas, em granito e concreto estampado, deram novo perfil a essas vias, além de conforto aos pedestres. Além das novas calçadas, a região está ganhando redes de abas cimento de água, gás, coletora de esgoto e instalação das rede elétricas e de telecomunicações subterrâneas.
As mudanças garantem mais conforto e segurança aos moradores e comerciantes. As obras da segunda etapa do Porto Maravilha estão sob a responsabilidade do Consórcio Porto Novo, vencedor da licitação da maior parceria público-privada do Brasil, que também vai administrar os serviços na região pelo prazo de 15 anos. Entre os serviços que ficarão sob a alçada do consórcio estão os de conservação e manutenção de vias públicas e monumentos históricos, iluminação pública, limpeza urbana e coleta de lixo domiciliar.
As principais obras desta etapa incluem a construção do Binário do Porto (via de mão dupla paralela à avenida Rodrigues Alves), a demolição do elevado da Perimetral, no trecho entre a Praça Mauá e a avenida Francisco Bicalho, e a criação do túnel que vai da Praça Mauá ao Armazém 5 da Rodrigues Alves. Além disso, será feita a ampliação do túnel ferroviário sob o Morro da Providência para receber o tráfego de automóveis.

Uma nova catedral para Niterói

22/12.2013 - O Globo

O projeto da catedral desenhada por Oscar Niemeyer para Niterói há mais de 15 anos foi desengavetado. O prefeito Jorge Roberto Silveira e o arcebispo da cidade, dom José Francisco Rezende Dias, assinaram anteontem a cessão de uma área no Caminho Niemeyer para a obra, prevista no projeto original do complexo. Ela receberá o nome de São João Batista e ficará no lugar em que seria construída uma torre panorâmica.

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Donald Trump terá centro empresarial na região do Porto do Rio

18/12/2012 - Valor Econômico, Rafael Rosas

Rio -
Planejado para ser a grande vitrine da revitalização do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016, a região portuária da cidade ganhará um centro empresarial que promete ser um dos maiores do país.

O empreendimento será anunciado nesta terça-feira, às 11h, pelo vice-presidente-executivo da Organização Trump, Donald Trump Jr., que participará de coletiva com o prefeito do Rio, Eduardo Paes; o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro, Alberto Silva; o vice-presidente de ativos de terceiros da Caixa Econômica Federal, Marcos Vasconcelos; do CEO da MRP Internacional, Stefan Ivanov; e do presidente da Even, Carlos Terepins.

O evento ocorrerá no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura do Rio.

Na carona do trem

17/12/2012 - O Dia

Presidente da Associação de Dirigentes do Mercado Imobiliário, José Conde Caldas atribui os novos lançamentos de prédios e condomínios na Zona Norte ao BRT e à compra de trens para a SuperVia. Para ele, a facilidade de transporte "faz toda a diferença".

Banco panorâmico

11/01/2013 - O Globo, Ancelmo Gois

A Secretaria municipal de Conservação vai instalar, no início de fevereiro, na Lagoa Rodrigo de Freitas, este banco panorâmico, veja ao lado.
O projeto é de alunos da Faculdade de Arquitetura e Artes da Universidade Santa Úrsula, e é inspirado na obra do arquiteto catalão Antoni Gaudí. Ficará perto do Corte do Cantagalo.

Eike Batista reapresenta projeto de revitalização para a Marina da Glória

13/01/2013 - O Globo

No lugar dos 45 mil metros quadrados de área construída, ele agora sugere ocupar 20 mil metros quadrados Assim como o anterior, o projeto já cria polêmica

Emanuel Alencar

Controverso. A Marina da Glória poderá ter sua área ampliada caso o novo projeto para o local seja aprovado pelo Iphan. Mesmo em versão simplificada, ele causa polêmica: moradores e arquitetos temem descaracterização do espaço Custódio Coimbra / O Globo

RIO Um ano depois de desistir de um projeto de reestruturação da Marina da Glória, o empresário Eike Batista tenta aprovar um novo plano com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A proposta é uma versão simplificada da anterior: no lugar dos 45 mil metros quadrados de área construída, ele agora sugere ocupar 20 mil metros quadrados.

Assim como o anterior, o projeto já cria polêmica. De um lado estão moradores da região e arquitetos, que temem a descaracterização do parque; do outro, a prefeitura e a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), que defendem o projeto por acreditar que ajudará a desenvolver o turismo na cidade.

Construção de prédio é mantida

A decisão de liberar ou não o projeto será da direção nacional do Iphan em Brasília (o órgão precisa ser consultado porque a Marina da Glória integra o Parque do Flamengo, que é tombado). Em 2011, a proposta original havia sido aprovada pela superintendência do instituto no Rio em meio a críticas de urbanistas. Eles julgavam que o plano descaracterizaria o Parque do Flamengo, podendo inclusive interferir na observação do Morro Cara de Cão. Na época, também houve questionamentos sobre a liberação do projeto sem autorização do conselho consultivo do Iphan. Em meio à polêmica, Eike acabou desistindo de levá-lo adiante, em dezembro daquele ano.

Só vou fazer ali o que a sociedade permitir. Jamais faria algo diferente declarou Eike Batista, na ocasião.

A exemplo da versão anterior, o projeto remodelado foi desenvolvido pelo escritório do arquiteto Luiz Eduardo Índio da Costa. Pelo cronograma original, a ideia era que a obra fosse concluída até a Copa do Mundo de 2014. Índio não sabe se haverá tempo para cumprir esse prazo, mas ressalta que é importante que fique pronta até os Jogos Olímpicos de 2016, quando a Marina da Glória receberá as provas da vela.

O que apresentamos agora é uma versão simplificada. Nós reduzimos as vagas de estacionamento, e o enrocamento não será feito. Mas foi mantida a construção de um prédio que chegará a 15 metros de altura, assim como os espaços destinados a lojas e ao turismo náutico explicou Índio da Costa.

O secretário do Conselho Comunitário da Glória, Jorge Mendes, diz que os moradores da região são contrários a qualquer iniciativa que amplie a área edificada da Marina da Glória. Ele observou que a área de 20 mil metros quadrados prevista para as construções no atual projeto ainda é cinco vezes maior do que a prevista no plano original do Parque do Flamengo, assinado em 1965 pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy.

Qualquer ampliação da Marina descaracterizará o Parque do Flamengo. Se, no tamanho atual, eventos realizados no local causam transtornos, imagine com a ampliação. Esperamos que o Iphan atenda os desejos dos moradores disse Mendes.

Prefeito apoia projeto

O fato de o atual projeto ter sido enviado ao Iphan sem uma apresentação prévia, em audiência pública, também é questionado. Vice-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-Rio), Pedro da Luz ressalta que a consulta é fundamental porque a Marina da Glória é uma concessão pública da prefeitura.

Um projeto dessa envergadura tem interesse público e deveria ter a maior publicidade possível, para suscitar um debate em que a população possa opinar afirmou Luz.

O presidente da ABIH, Alfredo Lopes, enfatiza que a proposta para a Marina da Glória já foi apresentada por Eike, e o que se discute é uma versão mais simplificada, com menor impacto.

O projeto prevê a construção de um novo centro de convenções, o que é importante para a cidade. Hoje, 68% dos hotéis estão na Zona Sul, enquanto o Riocentro fica na Barra da Tijuca. O deslocamento de um lugar para o outro pode levar uma hora e meia. Existe uma demanda pelos congressos na cidade, que deve crescer com a reinauguração do Hotel Glória, em reforma pelo grupo EBX aposta Lopes.

O prefeito Eduardo Paes disse que conhece e apoia a nova proposta da Marina da Glória:

A prefeitura já aprovou o projeto, que é uma versão simplificada do anterior. Agora, estamos esperando o Iphan se manifestar.

O Iphan ainda não se pronunciou.

A ausência de informações públicas chamou a atenção do Ministério Público Federal (MPF), que há 18 anos acompanha a discussão de projetos que alteram a Marina da Glória. O monitoramento começou em 1995, quando a prefeitura do Rio transferiu a administração da área à iniciativa privada. A procuradora da República Gisele Porto, responsável pela área de patrimônio e meio ambiente do MPF, pretende marcar audiências para discutir o projeto assim que voltar de férias, em fevereiro. Proprietários de embarcações que pagam mensalidades à Marina da Glória reclamam da falta de informações. A preocupação é que as mudanças acabem com as 250 vagas secas de embarcações aquelas reservadas em áreas terrestres e até mesmo prejudique a realização dos esportes olímpicos.

O que ouvimos foi que o projeto não prevê vagas para embarcações de pequeno e médio portes no pátio seco. A rampa de acesso à água, hoje existente, também seria extinta disse o dono de um dos barcos, que pediu para não ser identificado.

Andréa Redondo, presidente do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural de 2001 a 2006, ressalta que o Parque do Flamengo tem características especiais que devem ser preservadas. Ela lembrou que, antes dos Jogos Pan-Americanos de 2007, um projeto para a Marina da Glória foi rejeitado por descaracterizar o espaço.

Durante quase dez anos, o Iphan e os administradores da Marina da Glória se envolveram numa queda de braço para tentar viabilizar projetos para o lugar. Um deles previa, entre outras intervenções, a construção de um píer para atracação de embarcações na Baía de Guanabara, que, na avaliação dos técnicos do Iphan, causaria impactos urbanísticos e ambientais ao prejudicar a observação do Pão de Açúcar. A Justiça Federal acabou proibindo a execução do projeto numa ação movida pelo Iphan. Na época, o Grupo EBX não controlava a Marina.

Temos que ficar de olho para ver se desta vez a proposta também desvirtua o uso da área, cuja característica principal é ser pública ponderou Andréa.

Obras na rede de esgoto

Em meio à polêmica, a Cedae e o Grupo EBX anunciam oficialmente nas próximas semanas o início das obras para a construção de uma galeria para eliminar o despejo de esgoto na Marina. Ao todo, serão implantados oito quilômetros de tubulações, que vão recolher os detritos provenientes de ligações clandestinas nas redes de águas pluviais. O material será desviado para o emissário submarino de Ipanema. Segundo o presidente da Cedae, Wagner Victer, o Grupo EBX dividirá com a estatal os custos da obra.

A rede terá oito quilômetros e inclui a construção de uma nova elevatória na Rua do Russel. Devemos concluir a obra em 60 dias adiantou Victer.

Justiça suspende licença ambiental

O projeto que prevê a construção de um novo autódromo internacional em Deodoro, com inauguração marcada para 2015, sofreu na última sexta-feira uma derrota na Justiça. A juíza Simone Lopes da Costa, da 10ª Vara de Fazenda Pública, concedeu liminar, a pedido da promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público, suspendendo o licenciamento ambiental do empreendimento. A magistrada aceitou a tese do MP de que, uma vez que o empreendimento está projetado numa área de preservação ambiental, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) jamais poderia ter autorizado o projeto sem a apresentação prévia de um Estudo de Impacto Ambiental (Eia-Rima).

O novo autódromo está projetado para um terreno de dois milhões de metros quadrados, vizinho ao futuro Parque Radical dos Jogos Olímpicos, onde serão disputadas as provas de canoagem slalom, mountain bike e ciclismo BMX. A ideia é que a instalação fique como legado do evento.

A área escolhida para substituir o Autódromo de Jacarepaguá, demolido para dar lugar ao futuro parque olímpico, enfrenta ainda outros problemas. Como o terreno foi ocupado por paióis que explodiram num acidente em meados do século passado, o local passa, há meses, por varreduras que tentam localizar explosivos que eventualmente não tenham sido detonados. O Exército não tem prazo para liberar a área. Mas o Ministério do Esporte, que financiará o projeto, garante que as obras começam no segundo semestre deste ano.

Consumo em série

14/01/2013 - Jornal do Commercio, Marcia Peltier

Dez shoppings estão em construção no Estado do Rio e cinco deles serão abertos ao longo de 2013. Cabo Frio, na Região dos Lagos, receberá, de uma só vez, os dois primeiros empreendimentos do gênero. No total, a região fluminense tem 95 unidades, atrás de São Paulo, com 242 unidades. Diretor da Alshop, que reúne os lojistas de shoppings, Luís Augusto Ildefonso explica que, por aqui, a sustentabilidade, com aproveitamento de luz natural e reuso de água, é a marca dos projetos.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Trecho de Túnel da Grota Funda terá que passar por reforços estruturais

12/01/2013 - O Globo

Vistoria da prefeitura encontrou fissura na rocha, que terá que ser contida com malhas de aço Reabertura está prevista para segunda-feira, mas depende de conclusão de reparos Túnel foi inaugurado em junho de 2012

Isabela Bastos

Túnel da Grota Funda está interditado desde a manhã de quinta-feira no sentido Guaratiba Pablo Jacob / O Globo
RIO - Inaugurado há apenas sete meses e interditado desde as 7h de quinta-feira, o moderno Túnel da Grota Funda, construído com padrões europeus, terá que passar por reforço estrutural num trecho da galeria sentido Recreio-Guaratiba, para garantir a estabilidade das rochas que compõem a sua abóbada. Depois de a prefeitura alegar, por 35 horas, problemas elétricos para justificar a interdição, o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto, admitiu na tarde desta sexta-feira que foi encontrada uma fissura no bloco rochoso, que precisa ser contida com uma malha de tirantes (cabos de aço) e concreto, cuja instalação começou nesta sexta. O trabalho se estenderá pelo fim de semana, e a reabertura está prevista para segunda-feira de manhã, dependendo da evolução da obra. Segundo a prefeitura, a fissura foi causada por problemas geológicos, e não por um eventual erro de execução por parte da Odebrecht. A empreiteira foi responsável pelo lote 2 do BRT Transoeste, orçado em R$ 678 milhões, sendo que só a construção do túnel consumiu R$ 500 milhões.

Para o prefeito Eduardo Paes, o problema é pontual e não compromete a segurança:

Não existe preocupação quanto à estabilidade geral do túnel. Foi a primeira pergunta que fiz quando estive no local às 5h (desta sexta-feira). Trata-se de situação pontual, mas que, de qualquer maneira, não é aceitável e tem que ser consertada imediatamente.

O trecho com problemas tem sete metros de comprimento por dois e meio de largura. Mas técnicos da Geo-Rio não descartam a necessidade de reforço em outros seis pontos Os trechos serão vistoriados novamente neste fim de semana.

Mineral raro pode ser causa

Um mineral chamado argilo, classificado por técnicos da GEO-Rio como raro, pode ter sido a causa da fissura. Segundo Marcus Bergman, engenheiro geotécnico do órgão, o mineral se expande quando em contato com umidade, provocando deslocamento de rochas. Ainda segundo Bergman, pela raridade, as sondagens de solo para obras da prefeitura não incluem a averiguação desse tipo de material. Ele negou a possibilidade de toda a galeria estar exposta ao argilomineral, gerando riscos maiores. Já a galeria sentido Recreio passou por uma vistoria preliminar, que descartou problemas. Mas será novamente inspecionada.

A prefeitura negou que o problema tenha sido detectado após um desabamento de pedras, que teriam atingido a rede elétrica do túnel, exigindo a interdição. Segundo Pinto, a fissura deslocou a rocha que, por sua vez, teria movimentado as calhas da rede elétrica, mas sem soltar fragmentos. Ele admitiu, porém, que, se não tivesse sido detectada com rapidez, a fissura poderia representar riscos:

Quando os técnicos chegaram ao local, a fissura foi identificada, e eles imediatamente acionaram a Geo-Rio e a secretaria. A Geo-Rio passou o dia inteiro avaliando a situação.

Especialista sugere monitoramento

Professor de engenharia civil da Coppe/UFRJ e especializado em geotecnia, Maurício Ehrlich disse que o argilomineral, por sua característica expansiva, pode provocar pressões capazes de resultar em desmoronamentos. Ele explicou que o mineral é formado pela decomposição natural da rocha.

Isso já aconteceu em outros túneis, mas também outros tantos foram construídos sem que o material se formasse. Em certas regiões, onde já se tem um histórico de formação desse tipo de material, os profissionais ficam em alerta, como no interior da Bahia e em Pernambuco.

Ehrlich ressaltou que seria mais fácil detectar esse tipo de argila antes da concretagem do túnel. Mas, embora o trabalho já tenha sido feito na Grota Funda, ainda é possível monitorar a galeria:

Esse processo não é súbito. Ao longo do tempo, será necessário observar estalos e trincas no revestimento para saber se o túnel precisará de reforço em outros pontos.

Já foram gastos R$ 900 milhões na obra do Transoeste, que ainda tem dois lotes a serem feitos na Barra e em Santa Cruz. Os gastos com reparos na galeria interditada serão pagos pela Odebrecht: a obra está na garantia.

O túnel surgiu com a promessa de agregar inovação e alta tecnologia. Há um ano, a prefeitura divulgava como uma das novidades o uso de uma malha especial para evitar que pedras caíssem devido à erosão por infiltrações. As galerias receberam iluminação em LED, semelhante à de teatro, e 56 câmeras. Os acessos ganharam painéis para regular a entrada da luz, e as encostas receberam manta especial contra deslizamentos.

Paes disse nesta sexta-feira que a Odebrecht foi convocada para os reparos e, desde as primeiras horas, enviou equipes ao local. Ao comentar o caso, o prefeito criticou indiretamente a Sanerio, responsável pelo lote 3 do Transoeste, em Guaratiba, onde o asfalto começou a ceder em diversos pontos, como O GLOBO noticiou domingo. A empresa foi intimada, terça-feira, a iniciar os reparos em 48 horas.

Eles (Odebrecht) agiram adequadamente. Mas têm que deixar tudo em perfeitas condições. Uma obra pode apresentar problemas. O que não pode é não haver ação imediata. Em Guaratiba, parece que agora começaram disse Paes.

Segundo a Secretaria de Obras, a Sanerio tem 30 dias para concluir os reparos em Guaratiba, a contar de anteontem, quando a empresa iniciou o trabalho pelas redes de drenagem. O asfalto ainda não foi refeito devido às chuvas. Os R$ 30 mil gastos pela prefeitura com a operação tapa-buraco emergencial no local serão descontados dos R$ 11 milhões que a Sanerio tem a receber. A empresa confirmou o início dos reparos. A Odebrecht não se pronunciou..

O Túnel da Grota Funda foi construído dentro das obras do BRT Transoeste, que vem apresentando problemas estruturais no asfalto, como O GLOBO mostrou domingo. Nesta terça-feira, a prefeitura intimou a empresa Sanerio Engenharia, responsável pela construção do trecho do BRT em Guaratiba, a sanear as falhas em 48 horas. A Sanerio chegou a informar que as obras foram entregues antes do prazo devido às eleições.

O Túnel da Grota Funda, contudo, foi construído pela empreiteira Odebrecht, responsável pelo lote 2 das obras do Transoeste, orçado em R$ 653 milhões. O túnel foi inaugurado em junho do ano passado e já no dia de sua abertura ao tráfego apresentava um buraco. Durante a construção, a prefeitura anunciou que o Túnel da Grota Funda estava sendo feito com as técnicas mais modernas do mundo, seguindo padrões europeus para evitar acidentes. A prefeitura ainda não se manifestou oficialmente sobre o motivo da queda do reboco.