segunda-feira, 15 de abril de 2013

Centro de convenções

11/04/2013 - O Globo, Ancelmo Gois

Sabe a antiga casa de espetáculos Ribalta, no número 9.650 da Avenida das Américas, na Barra?
A prefeitura deu licença, ontem, para que sejam construídos no local um hotel com 190 quartos e um grande centro de convenções.

domingo, 14 de abril de 2013

Mesmo com dívidas, prefeitura de Niterói pede empréstimo


14/04/2013 - O Globo

Endividamento afasta BRT de Cuiabá

O corredor TransOceânico será iniciado na interseção das Avenidas Francisco da Cruz Nunes e Irene Lopes Sodré, em Itaipu, próximo aos bombeiros

Com uma dívida de aproximadamente R$ 600 milhões, herdada do governo anterior, a prefeitura de Niterói está prestes a pedir um financiamento de R$ 292,3 milhões à Caixa Econômica Federal. A verba, que será adquirida por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), destina-se à construção do BRT Corredor TransOceânico, que inclui o Túnel Charitas-Cafubá, uma via com BRT e uma ciclovia. Em contrapartida, a prefeitura deverá investir mais R$ 15 milhões.

O anúncio do empréstimo pegou muita gente de surpresa e foi objeto de discussão entre os vereadores, que acreditavam que o recurso seria a fundo perdido (que não precisa ser devolvido ao governo federal). Mas o pagamento será feito em 20 anos, com quatro de carência, até 2037, e juros de 6% ao ano. O pedido de financiamento ainda precisará ser aprovado pela Câmara.

O vice-prefeito Axel Grael, responsável pelos financiamentos da prefeitura, explica que qualquer verba acima de R$ 100 milhões só é liberada por meio de financiamento.

— Nunca dissemos que essa obra seria feita com recursos a fundo perdido. Esse tipo de verba só é liberada para obras menores e com orçamento previsto no Orçamento Geral da União, como as obras para a pasta de Educação — afirma ele.

Prefeito reafirma que túnel não terá pedágio

A construção do Corredor TransOceânico foi uma das principais promessas de campanha do prefeito Rodrigo Neves, meta considerada crucial para resolver os problemas de trânsito na cidade. Por isso, a verba para sua implantação é considerada essencial.

O BRT terá 9,3 quilômetros de extensão, seguindo o trajeto da Avenida Francisco da Cruz Nunes, com previsão de quatro pontos de parada, sendo o último em Charitas. Segundo a prefeitura, a construção do BRT reduzirá a distância entre a Região Oceânica e Charitas de 18 quilômetros para 10,5 quilômetros.

De acordo com o prefeito Rodrigo Neves, o empréstimo adquirido junto à Caixa Econômica também tornaria possível a construção do Túnel Charitas-Cafubá sem a cobrança do pedágio. O governo anterior assinou contrato, em novembro passado, entregando a obra e a concessão do túnel por 35 anos à empresa Via Oceânica S/A. Segundo Neves, a prefeitura vai invalidar esse contrato.

— Estamos informando à empresa o destrato desse contrato, porque ele foi feito às vésperas da eleição, sem licenciamento ambiental. O documento foi firmado para um projeto diferente do nosso e tem a discordância do nosso governo — afirma o prefeito.

Outros empréstimos

Além do financiamento para a construção do Corredor TransOceânico, a prefeitura está finalizando um outro empréstimo, desta vez com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a urbanização de comunidades e projetos de mobilidade. De acordo com Axel Grael o empréstimo seria no valor de U$ 44 milhões, sendo U$ 17 milhões de contrapartida da prefeitura.

— Esse contrato ainda não foi assinado, pois estamos discutindo algumas questões. Depois de finalizado, ele deverá passar pelo banco, em Washington, e, posteriormente, pelo Ministério do Planejamento.

O vice-prefeito explica que o município tem muitas necessidade de investimentos e infraestrutura, e o governo não tem recursos orçamentários para fazer todas as obras. Por isso, outros empréstimos deverão ser feitos. No entanto, ele não acredita que isso não afetará o orçamento de Niterói

— Uma coisa é o município se planejar para um empréstimo com prazo de carência de 20 anos. Outra é contrair uma dívida não planejada. Já estamos resolvendo essa questão da dívida anterior, e ela não atrapalhará em nada os novos financiamentos — revela Grael.

Ao lado da linha férrea, caminhos de um subúrbio abandonado


14/04/2013 - O Globo

Passarela sobre o metrô na Pavuna tem pichações e ferrugens Carlos Ivan / Agência O Globo

RIO - Se o desenvolvimento da Zona Norte seguiu o caminho dos trilhos, hoje, às margens das linhas de trem e do metrô, algumas das ruas, avenidas e estradas mais degradadas e perigosas do Rio revelam um subúrbio abandonado. Sim, há oásis de prosperidade, como o comércio de Madureira ou a euforia do mercado imobiliário em bairros como Irajá. Mas, ao atravessar os mais de cem quilômetros de vias que ladeiam as linhas férreas da região, logo se nota que a realidade é outra na maior parte do trajeto.

Numa das pontas desse percurso, o exemplo extremo: beirando a linha do trem em Costa Barros, ruas como a Mogiqui e as avenidas José Arantes de Melo e Professor Bernardino Rocha ficam no meio do fogo cruzado de favelas dominadas por facções rivais do tráfico. E foram apelidadas por moradores e até policiais como a nova Faixa de Gaza da cidade. Além da violência, nessas ruas problemas encontrados em outras vias ao lado da linha férrea surgem de forma dramática. Na maior parte do trecho, as calçadas não têm pavimento. E o lixo se acumula. Na José Arantes de Melo, a própria Comlurb admite que é difícil realizar a limpeza e a coleta domiciliar com eficiência e regularidade, por falta de segurança.

— Se tivesse dinheiro, já tinha ido embora — afirmou uma moradora da favela do Chapadão, sem se identificar.

Comércio começa a se recuperar em Ramos

Vizinha a Costa Barros, a Pavuna também assiste a uma escalada do crime. No bairro, assaltos em vias como a Avenida Martin Luther King Junior, à beira da Linha 2 do metrô, amedrontam os moradores. Só no mês passado, foram 76 roubos de veículos na região, segundo dados da 39ª DP (Pavuna). Enquanto isso, na outra ponta da avenida, próxima à Linha Amarela, Inhaúma registra diminuição da violência.

— Mas esse trecho ainda demanda atenção especial — diz o delegado Fábio Asty. — Roubos de carros, por exemplo, são cometidos em alguns trechos por bandidos das comunidades do Engenho da Rainha e do Juramento e, às vezes, por remanescentes do Alemão.

Contrastes parecidos no ramal Saracuruna do trem, cortando o subúrbio da Leopoldina. Em Ramos, na Rua Uranos, que já sofreu com a violência do Alemão, comerciantes voltaram a manter o comércio aberto até tarde. Assim como na Penha. Mas perto dali, em Cordovil, o colégio Alcântara extinguiu o turno da noite, temendo a violência.

— Tudo nesta área decaiu. Existia uma vida aqui, que foi diminuindo até sumir — lamenta o diretor da escola, Paulo Cesar Alcantara.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Duplicação do Elevado do Joá começa este ano

11/04/2013 - O Globo, Maria Elisa Alves

Projeto, orçado em R$ 489 milhões, prevê mais dois túneis e ciclovia ao longo da via

Depois de receber um estudo da Geo-Rio, o prefeito Eduardo Paes bateu o martelo e decidiu que vai duplicar o Elevado do Joá. Serão construídos na encosta mais dois túneis e um novo elevado. O já existente vai ganhar uma ciclovia, voltada para o mar, e que também se estenderá pelos túneis. A obra custará R$ 489 milhões e, segundo o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto, será executada
em dois anos. O edital de licitação, diz o prefeito, será publicado em maio. Explosões para a abertura dos túneis, que passarão por baixo de mansões da região, vão ser feitas duas vezes ao dia. Moradores da região dizem que são favoráveis ao projeto, mas temem que as detonações causem impacto em cerca de 300 casas localizadas na Joatinga.
O secretário de Obras, no entanto, diz que não há perigo para a população:
- Foram feitos estudos geológicos e o trabalho de detonação será monitorado. Não haverá riscos para as construções existentes na encosta - garante Pinto.
Presidente da Sociedade de Amigos da Joatinga, Roberto Fernández está receoso:
- Acho que o projeto é bom para a região, porque tem um impacto positivo no trânsito. Para nós moradores, os transtornos podem ser grandes durante as obras, como o barulho e os explosivos. Não acho que seria interessante utilizar esse tipo de material, pode causar danos nas 300 casas da encosta, onde vivem cerca de 1,2 mil pessoas. Acho que uma alternativa seria o usar o Tatuzão, que vem sendo usado nas obras do metrô de Ipanema. É um equipamento que perfura a rocha sem necessidade de explosões.
Capacidade viária vai duplicar
Com as duas novas vias e os dois novos túneis, paralelos aos já existentes, a capacidade viária de tráfego será duplicada, facilitando a ligação entre a Zona Sul da cidade e a Barra da Tijuca. As novas pistas terão extensão de cinco quilômetros, cada. O destaque do projeto é a construção de uma ciclovia contígua às faixas do elevado, com tamanho correspondente, ao lado do mar, privilegiando a vista e valorizando ainda mais o trajeto entre os bairros para os ciclistas, com potencial para se transformar em atraente ponto turístico e contribuindo para a ampliação da malha cicloviária da cidade.
Segundo Alexandre Pinto, não vai demorar para o projeto sair do papel. As obras começam ainda em 2013 e não vão atrapalhar o trânsito da região, já que não haverá necessidade de interditar as faixas já existentes.
O estudo para implantação das novas vias e túneis no Elevado do Joá foi apresentado pela Secretaria de Obras ao Comitê Olímpico Internacional (COI) como uma das soluções viárias durante as Olimpíadas de 2016, em agosto do ano passado.
Desde dezembro de 2012, o Elevado do Joá passa por intervenções para garantir sua estabilidade estrutural. Um relatório da Coppe, da UFRJ, mostrou que o viaduto apresentava corrosão em diversos pontos e que alguns dentes de Gerber, que têm função estrutural, estavam comprometidos. Para dar segurança maior aos usuários, a carga dos dentes de Gerber vai ser retirada com a instalação de vigas metálicas, que reforçarão pórticos já reformados. Além disso, a CET-Rio vetou totalmente a circulação de caminhões na via, todos os dias da semana, com previsão de duração de 12 meses. Outra alteração foi a redução da velocidade máxima permitida na via, que passou de 80 km/h para 60 km/h. Toda reforma do elevado do Joá está orçada em R$ 70 milhões.
Moradores aprovam projeto, mas fazem ressalvas
Presidente da Associação de Moradores de São Conrado, José Britz acredita que o projeto vai melhorar o fluxo de veículos no sentido Barra. Mas, segundo ele, a prefeitura precisa discutir medidas para atenuar o impacto em São Conrado, que passará a receber mais veículos.
- É um passo importante. Somos favoráveis. É claro que haverá transtornos por conta das obras, mas não podemos fazer um omelete sem quebrar os ovos. Acho que vai melhorar o trânsito no sentido Zona Sul/Barra. No sentido contrário, teremos um gargalo em São Conrado. Portanto, a prefeitura precisa também pensar em projetos para resolver essa questão. Por exemplo, criar o mergulhão da Praça Sibélius, na Gávea, e pensar ainda numa solução para o Túnel Zuzu Angel - diz Britz.
Para Roberto Fernández, seria necessário, ainda, duplicar a ponte que liga a Avenida Armando Lombardi e a Avenida das Américas, ao lado do Shopping Downtown, para evitar impacto no trânsito da região.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Centro - Plano de Circulação (2013)


Extraído do portal http://portomaravilha.com.br/conteudo/mobilidade-rodrigues.aspx em 10/04/2013

Plano - Avenida Rio Branco


Extraído do portal http://www.portomaravilha.com.br/upload/mobilidade.pdf em 10/04/2013.

Via Expressa - Zona Portuária



AVENIDA RODRIGUES ALVES SERÁ VIA EXPRESSA

2012 - Portal Porto Maravilha

A operação urbana Porto Maravilha anunciou uma grande modificação no sistema viário da Região Portuária: a demolição do Elevado da Perimetral, a transformação da Avenida Rodrigues Alves em Via Expressa e a construção de uma nova rota, a Via Binário do Porto. A explicação ultrapassa razões estéticas: segue moderna concepção de mobilidade. Quando foi construído, no início dos anos 50, o viaduto que liga o Caju ao Aeroporto Santos Dumont tinha como objetivo servir de alternativa às vias de então - congestionadas e sem condições de ampliação. Também foi a solução de ligação entre as zonas Sul e Norte sem que os veículos passassem pelo centro da cidade. À época, viadutos surgiram como estratégia nas grandes cidades no mundo.

A Avenida Rodrigues Alves será transformada em Via Expressa, parte em túnel, parte na superfície. Ela servirá a quem cruza a área, como rota de passagem. Com a função de ligar o Aterro do Flamengo à Avenida Brasil e Ponte Rio-Niterói, terá 5.050 metros de extensão, com três faixas por sentido. O Túnel da Via Expressa terá 2.570 metros, do atual Mergulhão da Praça XV ao Armazém 7 do Cais do Porto. A parte subterrânea permitirá a transformação do trecho da Praça Mauá ao Armazém 8 em passeio público para circulação de pedestres, ciclistas e Veículo Leves sobre Trilhos (VLT).

Prefeitura do Rio pretende construir ciclovia e novo túnel no Joá

10/04/2013 - G1

Projeto, já finalizado, prevê também a ampliação do elevado atual. Objetivo é acabar com o gargalo no trânsito entre Barra e Zona Sul.

Simulação divulgada pela prefeitura mostra como deve ficar a via (Foto: Prefeitura do Rio/Divulgação)

A Prefeitura do Rio tem um projeto finalizado para a construção de um novo túnel do Joá, ligando São Conrado, na Zona Sul, à Barra da Tijuca, na Zona Oeste. O projeto prevê também a ampliação do elevado atual e a construção de ciclovia, permitindo o deslocamento de cariocas entre os dois bairros também com bicicletas.

O objetivo da medida é acabar com o gargalo do trânsito na região.

Antes de iniciar a obra, a Prefeitura do Rio prometeu reformar a estrutura do elevado atual.

Copacabana terá mais 12 hotéis até as Olimpíadas

09/04/2013 - O Globo, Jacqueline Costa

Associação de moradores está preocupada com queda na qualidade de vida por causa de empreendimentos

Até as Olimpíadas de 2016, Copacabana ganhará nada menos que 12 novos hotéis. Seis estão em construção e quatro já foram licenciados pela prefeitura. Mais dois projetos estão sendo analisados pela Secretaria municipal de Urbanismo. Em número de quartos, são mais 1.914. A Rio Negócios, agência responsável por atrair e facilitar novos investimentos, não revelou a localização dos empreendimentos. Como noticiou a coluna Gente Boa, do GLOBO, o presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães, está preocupado com o boom hoteleiro:
- É preciso deixar claro que não temos nada contra a realização das Olimpíadas, mas nunca tivemos tantos licenciamentos. Até hoje pagamos um preço muito alto pelos hotéis que já existem. São negócios que atraem táxis, vans e enormes ônibus de turismo, gerando muito tráfego. As duas últimas casas da Avenida Atlântica vão virar hotéis. Um sobrado de dois andares, com apenas seis metros de frente, na Rua Tonelero, também foi demolido para dar lugar a um hotel. Nesse local, a prefeitura autorizou um prédio com 18 pavimentos. Assim, Copacabana passará a ser um bairro hoteleiro.
Magalhães diz que os moradores estão procurando estabelecer um diálogo com a prefeitura, pensando nos impactos viário e ambiental no bairro. Caso isso não ocorra, ele não descarta a possibilidade de entrar com uma representação no Ministério Público:
- Em nome das Olimpíadas, não podemos passar por cima da qualidade de vida dos moradores da cidade e do seu direito de ir e vir. Essa quantidade de hotéis vai gerar muitos problemas.
Além das 12 construções novas, há três retrofits em andamento e mais um licenciado. Há ainda um projeto de ampliação em análise. O investimento total nos 17 empreendimentos soma R$ 500 milhões e 1.800 empregos. Ibis, Best Western, Emiliano, Golden Tulip e Windsor estão entre as bandeiras. Hoje, Copacabana já conta com 63 hotéis e 7.366 quartos.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, não vê motivos para preocupação.
- Não conheço nenhum lugar do mundo em que um hotel não enobreça o entorno. Os imóveis residenciais promovem uma circulação de carros muito maior. Além disso, empreendimentos hoteleiros melhoram a segurança, já que trazem mais iluminação e mais pessoas circulando. Ninguém vai sair perdendo em Copacabana - diz Lopes.
Segundo o Comitê de Acomodações da prefeitura para os Jogos de 2016, se os 101 projetos de construção de hotéis, pousadas e albergues já aprovados ou em análise na Secretaria de Urbanismo saírem do papel, a cidade ganhará pelo menos 14.671 quartos nos próximos anos.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Zonas Norte e Oeste na frente

31/03/2013 - O Globo

Bairros das regiões estão entre os que mais se valorizam

A Zona Sul continua tendo os bairros mais caros do país. Mas com preços de metro quadrado já nas alturas, sobrou para as regiões Norte e Oeste a maior valorização. A conclusão está no Panorama do Mercado Imobiliário 2012, publicação lançada na semana passada pelo Secovi-Rio que faz um retrato do mercado carioca.
- A construção de espaços como o Parque de Madureira, os investimentos em mobilidade urbana e a instalação de UPPs fizeram renascer o orgulho dos moradores - diz Maria Teresa Mendonça, vice-
presidente Financeira e de Desenvolvimento do sindicato.
RENTABILIDADE TAMBÉM EM ALTA
O Méier registrou o maior índice de valorização do ano passado: 48,1% no metro quadrado dos imóveis de quatro quartos. Para Maria Teresa, reflexo do aumento no policiamento.
Já quando o assunto é rentabilidade, o destaque fica com Vila Isabel, que teve a maior taxa de rentabilidade no ano passado: 0,47%. O bairro foi seguido por Jacarepaguá (0,45%), Tijuca (0,44%) e Méier (0,43%): todos com índices superiores à poupança (0,42%).

Edifício A Noite, no centro do Rio, é tombado pelo Iphan

04/04/2013 - O Estado de São Paulo

Com 22 andares e 102 metros de altura, o prédio foi inaugurado em 1929

FELIPE WERNECK - Agência Estado

Primeiro arranha-céu do País, o Edifício A Noite, na Praça Mauá, centro do Rio, inaugurado em 1929, foi tombado nesta quarta-feira pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Marco arquitetônico simbólico por ter abrigado o jornal A Noite e a Rádio Nacional, o prédio era preservado apenas por decreto municipal, de 2000.

Divulgação
Edifício simbolizou o início do processo de verticalização do Rio de Janeiro
"Os conselheiros consideram tanto o valor histórico quanto o que chamamos de belas artes. São dois livros de tombo, e a opinião foi pelas duas inscrições", disse a presidente do Iphan, Jurema Machado. Ela destacou o papel inaugural do edifício, que demarcou um momento de grande transformação da cidade, com técnicas de construção e estilo inovadores para o início do século 20. "É um marco na construção em concreto armado no Brasil. Essa associação entre arte e técnica é a principal característica desse início da arquitetura moderna, que podia-se chamar de proto - moderno, entre o ecletismo e o modernismo", acrescentou a arquiteta.

Com 22 andares e 102 metros de altura, o prédio foi erguido numa época em que predominavam sobrados. As construções da então Avenida Central, atual Rio Branco, chegavam a no máximo oito pavimentos. Simbolizou, portanto, o início do processo de verticalização da cidade.

O Edifício A Noite ocupou o espaço do antigo Liceu Literário Português. Tanto as fachadas como áreas internas revelam influências do estilo art déco. No terraço, parcialmente sombreado por pérgulas, havia restaurantes e um mirante com vista privilegiada da cidade. Na época era possível apreciar toda a paisagem da então despoluída Baía da Guanabara.

O projeto é do mesmo autor do Copacabana Palace e do Palácio Laranjeiras, o francês Joseph Gire, em parceria com o arquiteto brasileiro Elisário da Cunha Bahiana. Na reunião do conselho, foi muito destacado o papel do engenheiro Emilio Baumgart, nascido em Santa Catarina e filho de alemães, responsável pelo cálculo estrutural da obra.

Urbanistas ressaltam a importância da construção para se chegar a soluções técnicas até então inéditas na cidade, como por exemplo levar água até os últimos andares. Foi tão determinante que influenciou o Código de Obras. O edifício resistiu à especulação imobiliária que mudou a feição da Rio Branco ao longo do século, mas não escapou da deterioração. Esse processo foi influenciado pela decadência da região portuária, a partir dos anos 1970.

O prédio está coberto há quase um ano por andaimes e telas de proteção, para evitar que rebocos da fachada caiam nos pedestres. A reforma, porém, ainda não começou. No interior, a situação também é precária. Antes de deixarem o prédio, no fim do ano passado, funcionários da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) haviam denunciado ao Sindicato dos Jornalistas que trabalhavam em "condições insalubres", com falta d''água constante, gotejamento de esgoto no banheiro, infiltrações e com a escada de emergência interditada por falta de segurança. A maior parte do prédio era ocupada pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), que coordena a reforma, ainda sem data para ocorrer.

A presidente do Iphan disse que o tombamento poderá facilitar o acesso a recursos para as obras por meio de leis de incentivo. "Estamos em um momento de mudanças na região da Praça Mauá, com a construção do Museu do Amanhã e a recente inauguração do Museu de Arte do Rio. O espaço da Rádio Nacional poderia voltar a funcionar como auditório", disse Jurema. A reforma será supervisionada pelo Iphan. "O tombamento aumenta a responsabilidade do poder público."