quarta-feira, 29 de maio de 2013

Vizinho do Porto

29/05/2013 - O Globo, Ancelmo Gois

A gigante americana Tishman Speyer, proprietária do Rockfeller Center, em NY, acaba de incorporar um quarteirão inteiro de prédios e sobrados em São Cristóvão, perto do projeto Porto Maravilha.

Tijuca dá a volta por cima

29/05/2013 - O Globo, Fernanda Pontes

Quando se viu com o travesseiro nas mãos, no meio da madrugada, procurando um lugar seguro para dormir no corredor de sua própria casa, a arquiteta Sonia Fragozo tomou uma decisão até então impensável: se mudar da Tijuca, bairro onde nasceu, para a Zona Sul. Era o ano 2000, quando, da janela de seu apartamento na esquina da Rua Barão de Itapagipe com Professor Gabizo, acompanhava com apreensão as rajadas de metralhadoras nas comunidades vizinhas. Em 2010, quando as favelas da região começaram a ser pacificadas, Sonia resolveu voltar.

Ao trocar a Tijuca por Laranjeiras, a arquiteta sentiu logo a diferença. Seu novo apartamento ficava longe do metrô, não havia oferta de transporte público e, como a família e amigos ainda moravam na Tijuca, ela continuou frequentando o bairro:

- Sou tijucana de carteirinha, estudei no Colégio Santa Teresa, frequentei os cinemas da Praça Saens Peña. Hoje eu encontro as pessoas na rua e ainda paro para tomar um expresso no Café Palheta.

De volta ao passado

Sonia retrata um movimento que o mercado imobiliário e o comércio já perceberam: às vésperas de completar 254 anos, a Tijuca está voltando aos bons e velhos tempos, com a entrada de novos lançamentos imobiliários, lojas de grifes estrangeiras e até seu primeiro hotel internacional - o que fez subir o valor do metro quadrado de R$ 5.022, em 2010, para R$ 8.642, em 2012, o equivalente a 72%

Para João Paulo Matos, presidente da Ademi, o bairro passou 20 anos "adormecido", devido ao processo de favelização, que acabou sendo maior que no restante da cidade por questões geográficas.

- Após a entrada das UPPs, seus ex-moradores estão voltando. São pessoas conservadoras, que saíram com medo da violência e querem voltar para perto da família - analisa ele, que contabilizou o lançamento de 1.077 unidades residenciais e comerciais na região em 2012, contra 523 em 2010.

De olho nesse mercado, Rogério Zylbersztajn, vice-presidente da RJZ Cyrela, voltou a investir na região após 11 anos. Ele aposta que o bairro vive o resultado de um "mercado reprimido pela violência":

- Nós começamos na Tijuca, mas os imóveis deixaram de ter liquidez. Agora vivemos o movimento oposto. Vendemos 200 escritórios num prédio comercial em apenas uma tarde. Hoje o metro quadrado vale um pouco menos que o de Botafogo, que custa R$ 10 mil.

Barra, só para o fim de semana

A engenheira Julieta Santos, por exemplo, comprou uma cobertura na Tijuca por mais de R$ 1 milhão. Ela diz que poderia morar na Zona Sul ou na Barra, mas gosta da Tijuca porque tem tudo "pertinho".

Já a professora aposentada Lúcia Viola, de 66 anos, está no bairro há quatro décadas. Mesmo depois de ter comprado um apartamento na Barra, apenas para passar o fim de semana e emprestar aos amigos, ela não se mudou da Tijuca, onde vive numa espaçosa cobertura. O farto comércio, a facilidade de transporte, hospitais, restaurantes e igrejas são alguns dos motivos apontados para permanecer no lugar.

- Faço tudo na Tijuca. Costumo brincar dizendo que, se sair daqui, vou precisar de passaporte. O tijucano é muito bairrista. Eu me orgulho de morar aqui - diz Lúcia, que também é síndica do prédio onde mora.

Esse tijucano com poder aquisitivo, e que não está disposto a cruzar o túnel toda vez que quiser fazer compras em lojas de marcas, é um dos focos do Shopping Tijuca, que acaba de passar por uma "remodelação". Calvin Klein, Lacoste e Adidas e o café Starbucks são algumas de suas aquisições estrangeiras, além das grifes nacionais Le Lis Blanc e Reserva.

A mudança também já pode ser sentida nas ruas do bairro, que ganhará seu primeiro hotel de bandeira internacional. O Best Western, voltado para negócios, está presente em 83 países. Ficará na Rua Ibituruna, em frente à Universidade Veiga de Almeida. E, em 2014, abrirá na Rua Uruguai uma nova estação do metrô, por onde passarão 30 mil pessoas por dia.

A Granado, um dos ícones dos áureos tempos, reabriu mês passado, após dez anos de exílio, no mesmo prédio histórico onde funcionou a primeira filial da Granado, a partir de 1917.

A história da Tijuca começa com a venda de chácaras em leilão para descendentes de nobres portugueses e grandes comerciantes. Não à toa, algumas das instituições mais emblemáticas do Rio foram construídas ali, como o Instituto de Educação e o Colégio Militar.

- Seu auge foi nos anos 50 e 60, quando foi consagrada como região que oferecia qualidade de vida e vizinhança nobre. Daí o 'orgulho tijucano' - explica o historiador Nireu Cavalcanti.

O colecionador Fernando França, que trabalha num antiquário na Praça Saens Peña, conta que vendeu sua casa na Tijuca por causa da violência. Hoje, reconhece que o bairro melhorou.

- Infelizmente, vendi minha casa antes da UPP e acabei perdendo dinheiro. Hoje não sei se teria dinheiro para comprá-la de volta.

Era na Praça Saens Peña, coração da Tijuca, que ficava o maior número de cinemas da cidade (11), incluindo a maior sala de todas, a do Olinda. Com o passar dos anos, muitos cinemas foram transformados em igrejas evangélicas. Mas o lugar continua sendo um ponto de referência.
Padaria de bambas

Os idosos aproveitam a tranquilidade da praça para fazer ginástica nos aparelhos ou para jogar cartas. O clima, porém, nem sempre foi assim.

- Antes da UPP, já tive que sair correndo num domingo por causa de um tiroteio no morro. Hoje, meus amigos de outros bairros ficam aqui conversando sem medo - conta o aposentado Alcides da Costa, de 83 anos.

Se no asfalto a vida melhorou, quem mora na favela sentiu ainda mais a diferença. Marcelo da Paz, nascido e criado no Salgueiro, transformou a antiga birosca do pai em bar, mercearia e padaria. O lugar, inaugurado em janeiro, virou também um ponto de encontro entre o morro e o asfalto. Turistas da China, do Japão e dos Estados Unidos já estiveram ali. De lá, partem para trilhas em comunidades pacificadas.

- Nada disso seria possível se não fosse a pacificação. Não temos mais a ostentação de armas - explica Marcelo, que faz uma constatação: - Hoje o Salgueiro é um pré-sal inexplorado.

Leblon, no Rio, tem o metro quadrado mais caro do Brasil, R$ 21 mil

29/05/2013 - Valor Econômico

Principal cartão-postal do Brasil e sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro ganhou, em abril, outro título: a da primeira cidade brasileira a ultrapassar a marca de R$ 9 mil no preço médio do metro quadrado. O índice FipeZap, feito em parceria pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) e a Zap Imóveis mostra que a capital fluminense teve preço médio de R$ 9.052 no período, um crescimento de 1,2% em relação ao mês anterior. É no Rio, também, que se encontra o bairro com o metro quadrado mais caro do país, o Leblon, com preço médio de R$ 21,41 mil. Ipanema, com R$ 18,05 mil, e os bairros da Gávea e Lagoa, com R$ 15 mil aparecem em seguida.

O índice revela o preço médio de apartamentos prontos anunciados na Internet. "A explicação para o preço médio do metro quadrado no Leblon está relacionada com o tamanho reduzido de sua área. De qualquer forma, não é indicativo da cidade. Seria como pegar a 5ª Avenida em Nova York como termômetro para o mercado imobiliário dos Estados Unidos", compara o coordenador da pesquisa, Eduardo Zylberstajn.

A pesquisa, que abrange um total de 16 cidades, coloca Brasília como o segundo mercado mais caro para se adquirir um imóvel. Na média, era preciso desembolsar, em março, R$ 8.332 por metro quadrado. A mais populosa das metrópoles, São Paulo, é a terceira da lista, com um preço médio de metro quadrado de R$ 7.118. Em alguns bairros da capital paulistana, entretanto, os valores estão bem acima da média, caso da Vila Nova Conceição, com R$ 12.546 o m2 e do Jardim Paulistano, R$ 6.682 o m2.

"Esses bairros são pontos fora da curva. Se compararmos São Paulo com as 10 maiores cidades do mundo, veremos que o preço médio da capital paulista está abaixo de muitas localidades. Os preços de São Paulo e Lisboa, por exemplo, são semelhantes. Mas Portugal passa por uma crise imobiliária muito grande e, dentro dessa lógica, a tendência é que os preços fossem muito inferiores a São Paulo. Não são e isso é uma maneira de mostrar que os preços em São Paulo não estão fora do contexto mundial", compara o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Flávio Prando.

Na média nacional, o preço do metro quadrado ficou em R$ 6.682, de acordo com o índice FipeZap. Em termos de preços médios os imóveis brasileiros ainda estão atrás de muitos países, como França, Japão e Alemanha. Quando o assunto é a valorização de preços, nos últimos anos o Brasil conquista espaço entre os líderes mundiais. Um levantamento de 2012 da consultoria britânica Knight Frank mostra que o país registrou, na comparação do último quadrimestre de 2012 até o mesmo período do ano passado, uma valorização de 13,7%, abaixo apenas de Hong Kong, que teve alta de 23,6%, e dos Emirados Árabes Unidos, com crescimento de 19%, puxado, sobretudo por Dubai.

Em termos de valorização, o Brasil ficou à frente de todas as outras 52 nações da pesquisa "Global House Price Index", que abrange do Reino Unido à Indonésia. Por regiões, a América do Sul é que a verificou a maior alta no preço dos imóveis em 2012, ante o ano anterior: 15%, quase o dobro dos 7,5% do Oriente Médio e os 7,4% do continente africano. Além do Brasil, contribuíram para essa escalada os preços mais altos em casas e apartamentos da Colômbia, a décima no ranking, com valorização de 8,3%. Globalmente, os preços cresceram 4,3% no período, segundo a consultoria.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Concessionária Porto Novo conclui a escavação do Túnel da Saúde

03/05/2013 - 

A Concessionária Porto Novo concluiu, no dia a abertura da terceira galeria do Túnel da Saúde. O prefeito Eduardo Paes conduziu a retirada da última parede do túnel, que tem 80 metros, terá um Veículo Leve sobre Trilhos e 3 galerias.

O presidente da Concessionária Porto Novo José Renato Ponte explica obra ao prefeito

Sob o Morro da Saúde, o túnel com 80 metros terá três galerias: três faixas de rolamento no sentido Praça Mauá, três faixas sentido Viaduto do Gasômetro, Ponte Rio-Niterói e Avenida Brasil e, entre as duas, uma passagem do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Este túnel será o único a compartilhar calçada para pedestres.
A previsão de abertura do túnel ao tráfego será no segundo semestre deste ano, quando as ruas de superfície: Equador, Venezuela e antiga Via Trilhos estarão prontas e liberadas, representando 80% deste novo sistema viário.
“Esse túnel é fundamental, é a alternativa para o Elevado da Perimetral no primeiro momento. Quando a gente tirar a primeira parte do viaduto, essa via funcionará de alternativa para todo fluxo de veículos. Esse túnel tem um charme porque tem o VLT passando no meio”, afirmou Paes.
A construção deste túnel foi iniciada em setembro de 2011. Foram utilizadas duas metodologias de construção diferentes: a escavação e a detonação
Também foi necessário construir uma importante estrutura em concreto armado para sustentar toda a carga do Morro da Saúde que é uma ponta da pedreira que foi muito explorada no aterro do Porto do Rio, no início do século 20. O avanço do túnel foi de, aproximadamente,dois metros por dia”, explica José Renato Ponte, presidente da Concessionária Porto Novo.

Manguinhos terá parque de lazer até o fim do ano

28/05/2013 - Jornal do Commercio

Orçadas em R$ 35 milhões, obras fazem parte da complementação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 1) no conjunto de comunidades

Até o fim do ano o Complexo de Manguinhos, na Zona Norte, terá novas áreas de lazer e esportivas. Serão investidos cerca de R$ 35 milhões nas obras, informou a Empresa de Obras Públicas (Emop), que já demoliu 70% dos 1 mil imóveis das comunidades Uranos, João Goulart e Vila União para fazer a construção. O projeto faz parte da complementação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 1) no conjunto de comunidades.

Segundo o governo fluminense, 472 apartamentos serão construídos no Parque João Goulart, dos quais 367 já foram desocupados. Na Uranos, dos 307 imóveis previstos, 293 já estão vazios e sendo demolidos. Na Vila União, serão criadas 166 moradias, sendo que 37 estão em processo de demolição e 25 desocupadas e prontas para serem demolidas.

De acordo com a Emop, as famílias que estão sendo desalojadas podem optar por indenização ou compra assistida de outro imóvel. O presidente da Emop, Ícaro Moreno Júnior, explicou que as obras de terraplenagem começaram em uma área já liberada de Uranos. "Será construído um parque com duas quadras poliesportivas, um campo de futebol e uma área de recreação", explicou.

Em uma área das comunidades João Goulart e Vila União, que fica próxima à linha férrea, a Emop fará uma pista de rolamento com três faixas, em uma extensão de dois quilômetros, que dará seguimento à Rua Uranos. Após a conclusão, a via terá mão no sentido Benfica, enquanto a Avenida Leopoldo Bulhões, hoje em mão dupla, seguirá apenas no sentido Bonsu- cesso. O sistema de drenagem da pista e duas pontes, uma sobre o Rio Jacaré e outra sobre o Rio Faria Timbó, já foram feitos.

Também está sendo preparado um terreno, dentro da área conhecida como Dsup, na Avenida Dom Hélder Câmara, para a construção de um centro comercial com 20 quiosques destinados aos comerciantes já cadastrados pelo Trabalho Social, além de quadra poliesportiva, ciclovia, pista de patins, área de recreação, sanitários e estacionamento com 80 vagas.

O processo de readequação de espaços no complexo, iniciado com a elevação da via férrea, a construção de uma moderna estação e a criação do parque linear, será completado em uma outra etapa com a construção de mais um centro esportivo e de lazer, dotado de quadras de areia para futebol e vôlei, pista de atletismo, campo de futebol, ginásio poliesportivo coberto, quadras de múltiplo uso, parque infantil, quiosques e churrasqueiras, numa área de 21,6 mil metros que no lugar conhecido por Conab.

"Antes muito degradada e violenta, essa área de Manguinhos está se transformando num verdadeiro complexo es¬portivo e de lazer para a população. São praças de esportes, ciclovias, pistas para caminhada, quiosques, brinquedos, área de passeio e convivência", completou a coordenadora do PAC Social 2 da Emop, Ruth Jurberg.

Cerca de R$ 567,7 milhões já foram investidos na primeira fase do PAC Manguinhos. Já foram entregues, entre outras obras, o Colégio Estadual Compositor Luiz Carlos da Vila, um complexo esportivo, um parque aquático, uma UPA 24h, uma biblioteca-parque, um Centro Vocacional Tecnológico (CVT) e 1.048 unidades habitacionais.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Plantas históricas

26/05/2013 - O Globo 

Execução das plantas assinadas por Joseph Gire foi em 19 de fevereiro de 1921

Uma sala de jantar exclusiva para crianças, um cômodo inteiro destinado a guardar talheres, duas enormes rouparias para funcionários, três cofres ao lado do hall de entrada, e um teatro com 770 lugares coberto por um teto corrediço. Num passeio pelos traços de dez plantas arquitetônicas de 19 de fevereiro de 1921, são revelados esses e muitos outros detalhes do projeto do mais charmoso hotel da cidade. Criação do arquiteto francês Joseph Gire, o Copacabana Palace sofreu inúmeras mudanças em seus quase 90 anos, que fazem dessas plantas um convite a um hotel imaginário. Na fase mais recente de reformas, iniciada na década de 1990, os órgãos de patrimônio contaram basicamente com fotos e reportagens antigas para orientar as intervenções no hotel tombado. Não podiam imaginar que, em Campinas, um depósito da família do engenheiro Hoche Neger Segurado guardava dez grandes plantas do cinco estrelas, um verdadeiro tesouro a que a coluna Design Rio teve acesso.

O achado dos descendentes de Segurado, estagiário de uma construtora no Rio nos anos 20, chegou em 2012 à administração do hotel, que agora planeja exibir os desenhos e outros itens de seu acervo num pequeno museu interno, a ser criado. Como o jovem de Campinas teve acesso às plantas é um mistério para a neta Leda Segurado, que, junto com os irmãos, decidiu dar cópias das plantas ao hotel. Para ela, o mais impressionante foi encontrá-las em tão bom estado:

- Elas estavam no meio de um monte de plantas amontoadas, dobradas como jornal. Jamais podia imaginar que o hotel não tinha esses documentos e meu avô tinha.

Estudar o Copacabana Palace das plantas históricas é como brincar de jogo dos sete erros. Dos itens enumerados no início desta matéria, sobrou apenas o teatro, embora sem o tal teto corrediço. Desfigurado num incêndio em 1953 e depois reformado, ele está de portas fechadas desde 1994. Segundo a gerente geral do Copa, Andrea Natal, sua reabertura é o próximo grande investimento previsto pela rede Orient-Express Hotels, que comprou o cinco estrelas em 1989. Ela conta que ficou maravilhada quando viu as plantas pela primeira vez:

- Fiquei com nosso diretor de engenharia viajando no que cada espaço tinha se tornado. Onde tinha a sala de jantar das crianças, hoje, ficam os salões frontais do hotel. O cabeleireiro abriga agora parte da área executiva. O antigo cassino virou três grandes salões de festa, os salões Copacabana. Cheguei aqui em 1990 e ainda peguei a rouparia dos homens funcionando. Eram mais de mil funcionários para receber os uniformes. Havia caixinhas só para os botões dourados e para as luvas brancas. Cada um tinha que lustrar seu botões e colocar um por um no uniforme.

No jogo de comparações, curiosamente, acham-se diferenças até entre a concepção original de Gire e o hotel apresentado ao Rio em 1º de setembro de 1923 num grande baile. Da prancheta do francês, saíram, por exemplo, três cúpulas que nunca existiram. O número de janelas e o coroamento do prédio também são diferentes. Já os ornamentos clássicos nas fachadas frontal e traseira tiveram uma versão mais simples na prática. Na origem dessas mudanças de rumo, está um pouco da história da própria construção do hotel. Bisneto de Gire, o artista plástico Roberto Cabot pesquisa há cinco anos essa e outras obras do arquiteto, como o Hotel Glória e o Palácio Guanabara. Cabot reúne histórias que vão da família Guinle, primeiros donos do Copa, à lenda de um navio naufragado:

- Tem vários relatos de que a obra parou algumas vezes por falta de dinheiro. O hotel deveria ficar pronto para a comemoração do centenário da Independência, em 1922, mas não foi possível. O presidente Epitácio Pessoa, inclusive, fez um empréstimo de emergência aos Guinle. Nas correspondências do Gire para o meu avô, ele fala da falta de pagamentos dos Guinle. E tem uma história (não comprovada) de que um navio com materiais vindos da Europa afundou e Gire precisou fazer reformulações.

A arquiteta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Isabelle Cury, que integrou a comissão de obras do hotel de 1990 a 2008, também conta que a obra do Copa foi problemática:

- A maior dificuldade teve a ver com o terreno, um grande areal. O edifício era pesado e teve problemas de estrutura. Ressacas também atrapalharam. Já em relação aos ornamentos, era normal, na época, que fizessem desenhos mais rebuscados e, durante a obra, alterassem muitas coisas.

Segundo Isabelle, essa fachada menos rebuscada que virou realidade se tornou ainda mais simples na década de 1940, quando parte dos ornamentos em estilo Luís XVI foi removida para dar ares modernos ao prédio:

- Já era época da arquitetura moderna e os ornatos clássicos do Copa, prédio de estilo eclético, pareciam ultrapassados. O hotel foi muito mexido nessa fase, quando construíram a pérgula e o prédio anexo - conta Isabelle, que defende a volta de alguns dos elementos decorativos da fachada. - Desde que a Orient-Express entrou, muitas obras de modernização foram necessárias. E a recuperação da fachada e do teatro foi deixada para depois. São obras caras. Mas estamos esperando o teatro, toda a sociedade está.

Uma mudança significativa em relação ao projeto de Gire aprovada pelo Iphan aconteceu justamente na fachada. Na maior parte de sua existência, uma das marcas do Copa foi o exterior totalmente branco (uma exceção foi a versão bege dos anos 70). Mas a Orient-Express quis pintar os ornamentos da fachada de cinza e teve o aval do instituto. Isabelle espera que, numa futura obra, o branco volte a imperar.

Um dos pontos altos do projeto de Gire que chegou aos dias atuais é o planejamento da circulação nos diferentes pavimentos. As áreas de serviço e os espaços sociais, por exemplo, são, ao mesmo tempo, independentes e integrados. Segundo Cabot, essa característica rendeu elogios do mestre Oscar Niemeyer:

- O Niemeyer conheceu meu bisavô. Ele elogiou muito o plano de circulação do Copa. Achei um trecho de entrevista do Lucio Costa falando da importância do Gire no uso do concreto armado. O Copa é todo de concreto armado, algo totalmente novo na época. O Gire é uma das figuras que faz a passagem para o modernismo. O Copa de hoje é uma lembrança do hotel desenhado por ele. É normal que seja assim. A cidade e a arquitetura são coisas vivas. Mas a essência de uma arquitetura de qualidade e o glamour do Copa ficaram. São atemporais.

Mercado dá novo nome ao final do Recreio

26/05/2013 - O Globo

Pontal Oceânico é referência ao nome do Jardim Oceânico, que fica na outra ponta da orla. Gabarito, entretanto, é quase o triplo

Depois de Jacarepaguá e Camorim, que em alguns pontos ganharam o status da Barra, o mercado investe numa nova região da cidade. A última, dizem os construtores, antes do Túnel da Grota Funda. Fica no final do Recreio, depois da Praia do Pontal, mede 600 mil metros quadrados (mais ou menos um Leblon) e já tem até nome: Pontal Oceânico, escolhido como contraposição ao Jardim Oceânico, na outra ponta da orla, bem no início da Barra.

Cinco grandes construtoras participam da criação do novo bairro: Calçada, Calper, Even, Gafisa e RJZ Cyrela. Este ano, cada uma lançará ao menos um empreendimento, mas todas têm outros terrenos, onde devem construir em breve. As cinco investirão R$ 50 milhões na infraestrutura, o que inclui pavimentação de ruas, iluminação pública, redes de água e esgoto. Uma grande avenida arborizada, com canal, deve passar no centro do bairro.

- Queremos que seja um bairro planejado com um bom urbanismo - diz Fabio Terepins, diretor da Even, que deve lançar o segundo empreendimento do bairro, o Luar do Pontal, com 560 unidades.

Até agora, o único lançamento foi do Frames Vila de Mídia, da Calper, que chegou ao mercado no início do mês com a chancela da Empresa Olímpica Municipal, já que o empreendimento deve receber parte dos jornalistas que cobrirão os Jogos de 2016. Em três semanas, 90% das unidades foram vendidas.

- Acredito muito no sucesso do bairro, que deve atrair jovens de classe média alta - diz Rogério Zylbersztajn, vice-presidente da RJZ Cyrela, que espera ver ali a mesma valorização ocorrida na Barra.

As unidades já lançadas custaram a partir de R$ 6.200, o metro quadrado, ou seja, R$ 430 mil, um dois-quartos de 69 metros quadrados. Um valor, aliás, próximo ao cobrado na Tijuca. Mas a estrutura dos empreendimentos seguirá a mesma da Barra: condomínios-clube com blocos de apartamentos de dois e três quartos e infraestrutura de lazer. Em alguns casos, haverá lojas no térreo viradas para a rua, com serviços de conveniência, como agências bancárias, lavanderia e locadora para atender à região, ainda pouco habitada.

- Quando se cria um bairro, também é preciso ter opções de serviços e é bom poder ofertar isso, sem interferir na estrutura dos condomínios - afirma João Paulo Matos, presidente da Calçada.

Mas se, no nome, o Jardim Oceânico serviu como inspiração, no estilo arquitetônico, a escolha foi bem diferente. Enquanto o início da Barra é conhecido por seus pequenos prédios de três andares, no novo bairro, os empreendimentos terão oito ou nove andares . Isso será possível porque o PEU das Vargens, que inclui a região, permite que o gabarito inicial de seis pavimentos seja ampliado para oito, com térreo, em troca de contrapartida financeira dada à prefeitura.

É a chamada outorga onerosa que, em outras palavras, permite à construtora comprar do poder público municipal o direito de construir mais. Opção feita pelas cinco empresas.

- Foi uma regra criada para o município poder sanear as necessidades de ter uma população maior na região. E é melhor que seja assim, pois permite uma ocupação regular - destaca o urbanista Augusto Ivan. - Mas o ideal, em vez de expandir a cidade, seria adensar a Zona Norte do Rio, onde já há infraestrutura, especialmente de transporte coletivo.

Até o fim de 2015, o local já deve começar a ter cara de bairro. Mas o desenvolvimento completo pode levar 15 anos.

Trump atraca no Porto

19/12/2012 - O Globo online, Luiz Ernesto Magalhães

O empresário americano Donald Trump Júnior em parceria com a Caixa Econômica Federal (CEF) e sócios do Brasil e do exterior anunciaram na manhã desta terça-feira no Rio o que consideram ser o maior investimento em escritórios corporativos já realizados nos países que integram os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). O plano consiste em construir cinco torres comerciais com 38 andares cada um em um terreno de 32 mil metros quadrados na Avenida Francisco Bicalho. O valor estimado de todos os imóveis da Trump Towers Rio fica entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões.

A previsão é que as duas primeiras torres comecem a ser construídas no segundo semestre de 2013 sendo concluídas antes dos Jogos Olímpicos de 2016. As demais torres serão erguidas conforme a demanda do mercado. O terreno escolhido pertence hoje a Companhia Docas do Rio de Janeiro que o arrenda ao Clube dos Portuários que faz parte do projeto Porto Maravilha. O imóvel está sendo adquirido pela prefeitura por R$ 135,3 milhões que vai repassá-lo pelo mesmo valor ao Fundo Imobiliário da Caixa Econômica Federal (CEF) que controla a emissão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) no Porto. A CEF será sócia do empreendimento.

- Tenho muita fé no projeto. Para nós, investir no Rio de Janeiro e no Brasil será algo fantástico - disse o milionário Donald Trump que comanda o grupo, em uma mensagem gravada apresentada em telão.

A apresentação do projeto ocorreu no Palácio da Cidade, em Botafogo. Donald Trump Júnior revelou que o grupo também está interessado em investir no setor hoteleiro de luxo das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Executivos da empresa estão no Rio sondando o mercado. Ele não revelou se marca Trump de hotéis poderia entrar no país com a compra de algum empreendimento já existente ou com a construção de um imóvel pronto.

_ A marca Trump demonstra uma confiança fantástica dos empresários no Rio de Janeiro. Com o Porto Maravilha a cidade reverteu a lógica de abandonar áreas degradadas e continuar a se expandir territorialmente - disse o prefeito Eduardo Paes.

Os sócios, além do Grupo Trump e do Fundo Imobiliário da CEF são a MRP Internaationa, o Grupo Salamanca com investimentos principalmente no exterior . Eles se associaram a Even Construtora e Incorporadora, uma das líderes do mercado mobiliário paulista.

O local escolhido para o projeto é vizinho ao terreno onde está sendo construída a futura Vila de Árbitros e de Mídia dos Jogos Olímpicos de 2016. Após as Olimpíadas, esses imóveis serão ocupados por servidores públicos que devem começar a adquirir unidadees a partir do ano que vem pelo programa de carta de créditos da prefeitura. O terreno é um dos que tem o gabarito mais elevado do Porto maravilha : 50 andares ou 150 metros de altura. Apesar do projeto prever apenas 32 andares, os imóveis chegaaão aos 150 metros. Ao todo, as cinco torres deverão ter mais de 300 mil metros quadrados de área constrruída.

Impacto de projeto divide opiniões

A proposta de construir no Porto torres de vidro com gabarito elevado - características dos empreendimentos Trump - dividiu opiniões entre arquitetos. Para Alfredo Brito, construções envidraçadas como as Torres Trump são um símbolo da falta de criatividade. A arquiteta Gizzeli Gomes Rocha, no entanto, da equipe brasileira que desenvolve o projeto, lembrou que existem muitos prédios modernistas no Rio que são envidraçados. Segundo ela, assim como os exemplares modernistas, as torres terão "brise-soleils" (dispositivos arquitetônicos que impedem a incidência direta de raios solares, reduzindo o calor).

O arquiteto Augusto Ivan, que participou dos primeiros estudos de revitalização da Zona Portuária, destaca que, na Avenida Francisco Bicalho, não existem marcos arquitetônicos que poderão sofrer interferência visual com as torres. Carlos Fernando de Andrade, ex-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), por sua vez, destacou que a principal questão não é o gabarito elevado, mas qual será a área total edificável do terreno. No caso da Francisco Bicalho, os investidores poderão construir até 322 mil metros quadrados (o equivalente a dez vezes a área total terreno).

- Torres altas não são o problema. Mas acho um absurdo um projeto que pode ocupar uma área tão grande, por causa do adensamento - avaliou.I

Augusto Ivan, por sua vez, observou que a área total edificável no Porto Maravilha é bem menor do que no restante do Centro (onde é permitido construir até 15 vezes a área do lote).

Avaliação técnica: Crea aponta falhas no BRT

09/01/2013 - O Globo

Engenheiro vê problemas na elaboração ou na execução do projeto, além de negligência na fiscalização

Defeitos no BRT. O engenheiro Antônio Eulálio mostra uma manilha num trecho em Guaratiba: segundo ele, há problemas no sistema de drenagem da via Gabriel de Paiva / O Globo

RIO — Os problemas do BRT Transoeste, que vão desde buracos no asfalto à falta de um sistema de drenagem, são consequência de falhas na elaboração ou na execução do projeto, somadas à negligência do poder público, segundo o engenheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) Antônio Eulálio Pedrosa Araújo, especialista em pontes e grandes estruturas. A pedido do GLOBO, ele percorreu na quarta-feira a via para fazer uma avaliação técnica da obra. O engenheiro afirmou que o terreno é ruim, mas garantiu que, se a obra tivesse sido feita corretamente, os buracos não teriam aparecido pouco mais de seis meses após a inauguração.

VEJA TAMBÉM
Prefeitura adverte construtora por problemas na Transoeste
GALERIA Desvios no rumo do Transoeste
Inaugurado há 6 meses, corredor Transoeste sofre com buracos
— A engenharia resolveria — disse o especialista.
Asfalto está afundando

Ele apontou o trecho a partir da Grota Funda, em direção a Santa Cruz, como o pior. Mas basta um olhar atento para perceber que, mesmo no melhor trecho do BRT, entre a Barra e o Recreio, o asfalto já começa a afundar em alguns pontos.
Na avaliação do especialista, somente uma auditoria independente poderia dizer quem tem razão nesse jogo de empurra entre a prefeitura e a Sanerio, responsável por parte da obra, onde surgiram buracos. Ele disse que houve negligência na fiscalização por parte do município e também da empresa, que alega ter sido obrigada a acelerar o serviço, mas não registrou oficialmente os riscos de se fazer esse trabalho às pressas.
— É uma questão de responsabilidade técnica. Um registro em livro dos riscos que isso acarretaria resolveria a polêmica — disse o engenheiro.
Ele afirmou que três estudos são fundamentais, o ponto de partida de qualquer obra do tipo: topográfico (levantamento do comportamento do solo), hidrológico (dados pluviométricos da região) e geológicos (plano de sondagem para avaliar a permeabilidade do solo, entre outros itens). Segundo Antônio Eulálio, "a água é a maior inimiga da engenharia".
— Não fiscalizei a obra e não tenho como dizer se fizeram esses projetos, mas são estudos essenciais, que demoram em média três meses. Muitas vezes, na pressa, deixam de ser feitos. Uma coisa é certa: se tivessem feito tudo corretamente, os buracos não estariam surgindo. Esta é uma área de muita chuva.
Ele também apontou possíveis problemas de drenagem.
— O asfalto não pode ser colocado diretamente no solo. Na minha opinião, houve falha na drenagem, e falta a camada de resistência, que distribui melhor a carga. Percebe-se que os buracos estão abrindo justamente onde passam os pneus dos ônibus — observou o especialista, mostrando o problema em vários trechos.
Na altura da estação Pingo D'Água (Guaratiba), a água é escoada para uma manilha que fica do outro lado da pista do BRT, junto ao meio-fio:
— Aqui, neste ponto, não há drenagem superficial, e não noto drenagem profunda. Mas é preciso ter os dois sistemas. Apenas essa manilha não dá vazão. A água terá que se infiltrar, e isso prejudica o pavimento, enfraquece a resistência do leito e do subleito da estrada. Por isso, a roda do ônibus vai afundando o piso.
Sugestões serão seguidas
Para Antônio Eulálio, o serviço tapa-buraco da prefeitura tem prazo de validade:
— Isso não vai resolver. Quando chover, os buracos vão reabrir. É jogar dinheiro fora. O certo seria tirar tudo e refazer o trecho, compactando a camada.
A Secretaria municipal de Obras informou que vai adotar as recomendações feitas pelo engenheiro do Crea. O órgão esclareceu que elaborou um relatório técnico indicando vícios construtivos nas obras de implantação do corredor Transoeste. O documento foi encaminhado, em setembro passado, às construtoras responsáveis pelos lotes 1, 2 (Odebrecht) e 3 (Sanerio), apontando as imperfeições que deviam ser corrigidas dentro da garantia de obra, conforme previsto em contrato firmado entre as empresas e o município, com base na Lei das Licitações. O trâmite é essencial para que as construtoras recebam o documento de aceitação provisória da obra, atestando que ela foi entregue de acordo com os requisitos da fiscalização da prefeitura.
A Odebrecht, acrescentou a secretaria, executou os reparos no prazo fixado e recebeu a aceitação provisória da prefeitura em 19 de dezembro. Já a Sanerio não fez as intervenções. Anteontem, a Secretaria de Obras publicou um memorando de advertência à empresa, com o prazo de 48 horas para que os reparos sejam iniciados. Segundo nota do órgão, uma vistoria indicou a necessidade "de correções em sarjetas, na pavimentação e na faixa segregada para o BRT ao longo de todo o terceiro lote. Especificamente na estação Pingo D'Água, a fiscalização (...) exige que a empresa execute novamente o serviço de drenagem, para solucionar o ponto de alagamento constatado". Por causa do problema, acrescentou a secretaria, "o pagamento dos 10% da retenção contratual (cerca de R$ 10 milhões) não foi efetuado à empreiteira, que tem 30 dias para executar todos os ajustes, dentro da garantia de obra, sem ônus adicionais para os cofres municipais".

Rio embarca na onda da arquitetura ‘espetaculosa’

12/01/2013 - O Globo

Arquitetos criticam nova moda de construir prédios extravagantes

LUDMILLA DE LIMA

Arcos exagerados. A passarela do metrô sobre o Mangue, na Cidade Nova: exemplo de arquitetura "espetaculosa" Márcia Folleto / O Globo

RIO — Grandiosos, espelhados, quadrados e extravagantes. O boom de novas construções na cidade abre terreno para uma arquitetura cheia de adjetivos, que seria espetacular se não caísse no gosto duvidoso. A Cidade Nova está tomada de exemplos, e a Zona Portuária, rapidamente, cede espaço para projetos que caminham nessa direção. Incomodado com esse tipo de arquitetura, que parece dominar as novas propostas para a cidade, o arquiteto Luiz Fernando Janot, professor e conselheiro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), usa uma única palavra para defini-la: "espetaculosa".

VEJA TAMBÉM
GALERIA A nova arquitetura espetaculosa do Rio
Oásis urbanos, alívio em tempo de calor recorde
Obra de Niemeyer vira um caixote no Sambódromo
Arquitetos criticam impactos das torres de Donald Trump
Arquiteto quer numerar ruas na Zona Sul do Rio

É o espetacular somado ao horroroso, explica o arquiteto. A passarela do metrô na Cidade Nova — com seus arcos exagerados sobre o Canal do Mangue — não tem espelhos, mas é campeã por ser umas das obras mais lembradas por arquitetos e urbanistas. Há, no entanto, outros projetos que seguem coladinhos na disputa pelo primeiro lugar. A última a sair do papel é o Centro Empresarial Senado, nova sede da Petrobras a partir do mês que vem, no Centro. Já as Trump Towers, do magnata Donald Trump, ainda são só um croqui na Avenida Francisco Bicalho, mas já causam polêmica.
Janot vota no novo complexo da Petrobras e nas torres do complexo empresarial previsto para o Santo Cristo, batizado de Porto Atlântico, como expoentes dessa nova arquitetura "espetaculosa" do Rio:
— Ela é espetacular, porque chama a atenção. Mas é insípida, não tem caráter, personalidade própria. A arquitetura espetaculosa tem a ver com brilhos, mármores, espelhos. É como se fosse uma mulher cheia de joias.
IAB: prédios brigam entre si
O Porto Atlântico terá seis edifícios, todos espelhados, a maior deles com 120 metros de altura — o equivalente a 40 andares. Neles funcionarão hotéis, salas comerciais e shopping. Presidente do IAB, Sérgio Magalhães diz que a ideia lançada para as torres do Donald Trump avançam na mesma tendência. O investimento de Donald Trump compreende cinco torres, com 38 andares cada. Elas foram projetadas no estilo envidraçado característico dos prédios do Grupo Trump pelo mundo. A construção das duas primeiras começa no segundo semestre deste ano, conforme fora anunciado.
O presidente do IAB aponta nas obras "espetaculosas" a falta de relação com o seu entorno e a pretensão de serem ícones. É tanta grandiosidade que as construções acabam brigando entre elas e se anulando, diz o arquiteto:
— A abundância anula a grandeza delas — explica o presidente do IAB. — São edifícios que se bastam a si mesmos. Essa premissa talvez seja a que origina as obras espetaculosas, porque não há relação de conhecimento e respeito entre vizinhos.
O artista plástico Alexandre Vogler transformou sua crítica a esse modelo de arquitetura de vidro em arte: ele reproduziu a fachada do Centro Empresarial Senado numa das paredes externas da galeria A Gentil Carioca, que funciona em um prédio do Rio antigo na Rua Gonçalves Ledo, próximo à Praça Tiradentes. A obra ganhou o nome de Retrofit.
O futuro complexo da Petrobras abrange quatro torres — uma de 20 pavimentos, outra de 18 e duas de 16, interligadas por um átrio —, cobertas de vidros espelhados. O conjunto, localizado no quarteirão formado pelas ruas do Senado e dos Inválidos, pela Avenida Henrique Valadares e pela Travessa Dídimo, é cercado por prédios históricos, como o Dops e a Igreja de Santo Antônio dos Pobres.
Elevador na berlinda
Professora de História da Arquitetura na PUC-RJ, Ana Luiza Nobre também faz uma avaliação crítica de obras conduzidas pelo poder público. Ela classifica o elevador do Cantagalo de "grotesco" e "muito violento" em relação ao ambiente e a escala miúda da favela. A moda das pontes estaiadas também entraria no hall das "espetaculosidades" do Rio.
A Cidade Nova, para Ana Luiza, está repleta de empreendimentos corporativos erguidos com base em imagens fáceis de vender, mas que não provocam uma transformação positiva no lugar. O arquiteto Pedro Rivera — ganhador, junto com Pedro Évora, do concurso para o projeto da sede do campo de golfe das Olimpíadas — diz que nenhum edifício da Cidade Nova, nem o novo Centro de Comando e Controle da Secretaria de Segurança, se salva. Ele bate na tecla do concurso público como forma dar mais qualidade à arquitetura carioca.

Prefeitura estuda conceder esgoto da região de Jacarepaguá e Barra à iniciativa privada

10/01/2013 - O Globo

Decreto do prefeito Eduardo Paes criou grupo de trabalho visando a aumentar a cobertura de saneamento do local, que vai receber grande parte dos equipamentos olímpicos

CÉLIA COSTA
SELMA SCHMIDT

Poluição. O reflexo da falta de saneamento no encontro do Rio das Pedras com a Lagoa de Camorim: esgoto e lixo na região que receberá a maioria dos equipamentos olímpicos Custódio Coimbra / O Globo

RIO — O saneamento da Baixada de Jacarepaguá, a chamada AP-4 (Barra, Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá e arredores), que se arrasta há quase 30 anos, ganhou um novo capítulo. Decreto do prefeito Eduardo Paes, publicado no primeiro dia de sua segunda administração, criou um grupo de trabalho para promover estudos e apresentar sugestões visando a aumentar a cobertura de saneamento da região, que vai receber grande parte dos equipamentos olímpicos. Na prática, o trabalho poderá resultar numa proposta de concessão da rede de esgoto da região à iniciativa privada, a exemplo do que acontece na AP-5 (Zona Oeste). Apesar de o programa de saneamento da região, da Cedae, ter implantado na região elevatórias, troncos coletores e uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), a estimativa do secretário municipal da Casa Civil, Pedro Paulo Carvalho, é de que cerca de 50% dos imóveis ainda não contam com rede coletora interligada ao emissário submarino.
— O futuro concessionário poderia implantar a rede e ser reembolsado com parte do valor da tarifa de água e esgoto. A outra parcela ficaria com a Cedae pelo fornecimento de água. Um modelo semelhante ao da Zona Oeste — diz Pedro Paulo, que preside o grupo, integrado ainda por representantes da Secretaria municipal de Obras, da Procuradoria Geral do Município e da Fundação Rio Águas.
O relatório final do estudo será apresentado em 90 dias. O trabalho incluirá um levantamento dos logradouros que estão interligados ou não ao sistema. Segundo Pedro Paulo, a Cedae será procurada, com o objetivo de negociar um acordo com a prefeitura.
Em nota, a Cedae antecipou que "qualquer transferência dessa atividade na região da AP-4 para a iniciativa privada está descartada, diante dos investimentos já realizados e em curso", mas garantiu que dará os esclarecimentos que forem pedidos. Lembrou que tem um contrato voltado para a Zona Oeste, assinado com a prefeitura em 2007. A Cedae assegurou também que mais de 60% da Baixada de Jacarepaguá já contam com rede de esgoto.
Independentemente de quem implante a rede, o que Nilson da Silva Costa, de 84 anos, morador da Taquara, quer é ter saneamento:
— Moro na Rua Salenópolis desde 1966 e nosso esgoto é descarregado, sem tratamento, na galeria de águas pluviais. Mesmo assim pagamos pelo esgoto. O mesmo que se paga de água, paga-se de esgoto.
Cedae: obras prontas até Olimpíadas de 2016
A Cedae diz que investiu R$ 610 milhões no saneamento da AP-4, desde 2007. Segundo o gerente regional Sul da companhia, Claudino do Espírito Santo, 80% dos imóveis da Barra contam com rede coletora na porta, estando de fora o trecho junto aos shoppings Downtown e Città America. No Recreio, garante ele, o percentual é de 70% e em Jacarepaguá (a área maior), de 60%. Em Vargem Grande, Vargem Pequena e Camorim, 50% do esgoto vão para duas estações de tratamento (construídas pela prefeitura e operadas pela Cedae), mas desembocam em rios. A outra metade não recebe tratamento.
Claudino afirma que a Cedae concluirá as obras na AP-4 antes das Olimpíadas de 2016. Mas reclama de proprietários que descumprem a legislação, que determina a interligação dos imóveis à medida que a rede é concluída:
— Quando terminamos a rede coletora numa rua, deixamos um ramal na calçada e notificamos os donos de imóveis para que se conectem. Há casos de pessoas que entraram na Justiça e ganharam ações para não pagar a conta de esgoto. Algumas delas, mesmo com a rede passando na porta, continuam sem querer pagar. Alegam que construíram estações de tratamento particular. A Cedae, então, procura o Inea e a Secretaria municipal de Meio Ambiente, para que façam a fiscalização, e o Ministério Público, para que vá à Justiça.
A Cedae iniciou ontem (quarta-feira) mais uma obra de implantação de esgotamento sanitário na Barra. O projeto, em parceria com a rede hoteleira Hyatt, que está construindo um resort na região, deve ser concluído até agosto e atender uma população de cerca de 20 mil habitantes, no entorno do empreendimento.
O sonho de uma casa confortável no Recreio dos Bandeirantes se tornou um problema para a dona de casa Regina Célia Oliveira, que há sete anos mora num condomínio de seis casas na Rua Omar Bandeira Ramidan Sobrinho, antiga Servidão C. Ao longo dos anos, Regina Célia viu o número de residências na região aumentar, mas sem que nenhuma obra de saneamento básico fosse realizada. Em seu condomínio, foi construída uma fossa, onde é despejado o esgoto das casas que, periodicamente, precisa ser esvaziada por um caminhão limpa-fossa, uma despesa de R$ 500 a cada serviço. As contas de água e esgoto, cerca de R$ 100, são cobradas normalmente pela Cedae.
— É uma vergonha chegar alguém na minha casa e sentir esse mau cheiro — reclama Regina Célia, mãe de três filhos. — Além disso, há a preocupação com a questão da saúde. Quando dá 18h, somos obrigados a trancar as casas por causa da grande quantidade de mosquitos.
Mas nem todas as casas e condomínios têm o mesmo cuidado. Em frente à casa de Regina Célia, o esgoto in natura corre a céu aberto e segue em direção ao canal do Rio Morto. Uma vala, aberta pelo comerciante Alcides da Cruz Sobrinho fez com que pelo menos os dejetos seguissem um caminho e não se espalhasse pela rua. No local, o mato é alto e animais, como cobras e ratos, ameaçam entrar nas casas.
Segundo Alcides, há uma tubulação de água pluvial em apenas um trecho da rua, que termina bem frente ao condomínio onde ele mora. Algumas casas e condomínios ligaram a rede de esgoto nessa tubulação. Quando chove, a situação piora. A rua alaga, e o esgoto se mistura à água da chuva. O medo da dengue acompanha os moradores. Durante o verão, é comum acontecer explosão de casos no local.
Desde maio de 2012, a concessionária Foz Águas 5 — constituída pelas empresas Foz do Brasil e Saneamento Ambiental Águas do Brasil — é responsável pela infraestrutura de esgotamento sanitário de 21 bairros da Zona Oeste. Em junho do ano passado, depois de reformada, foi reinaugurada a Estação de Tratamento de Esgoto de Deodoro. No momento, a concessionária está desenvolvendo o projeto executivo de engenharia, para que possa iniciar, no segundo semestre deste ano, a implantação de 2,1 mil quilômetros de rede.
A obrigação da Foz Águas 5, é chegar a 2016 com 40% do esgoto tratado e, ao fim da concessão, de 30 anos, com 90%. Ela deve investir cerca de R$ 2.6 bilhões.
A Fundação Rio Águas, da prefeitura, passou a atuar como agência reguladora e fiscalizadora dos serviços da concessionária. O abastecimento de água permanece com a Cedae.

Justiça do Rio suspende licenciamento ambiental e obras de construção de autódromo

12/01/2013 - Agência Rio

A juíza Simone Lopes da Costa, da 10ª Vara de Fazenda Pública do rio, determinou, em decisão liminar, que o estado do Rio de Janeiro e o Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea) suspendam o licenciamento ambiental e as obras de construção do Autódromo Internacional do Rio de Janeiro, em Deodoro.

A decisão também atinge as demais intervenções relacionadas ao empreendimento, até que seja apresentado Estudo de Impacto Ambiental (EIA), além das demais normas aplicáveis, abordando os impactos ambientais do projeto. O autódromo será construído em um terreno que pertencia às Forças Armadas e vai substituir o antigo Autódromo de Jacarepaguá.

A juíza acatou pedido do Ministério Público e também proibiu o estado de iniciar qualquer intervenção na área até que seja expedida licença de instalação que observe todos os requisitos legais, sob pena de responsabilização criminal e administrativa dos servidores desobedientes e multa a ser fixada em caso de descumprimento.

No pedido, o MP alega que a licença fornecida tem vícios, afrontando a Constituição e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), que só permite o licenciamento ambiental sem prévio EIA quando houver certeza de que a atividade em questão não for potencialmente causadora de significativa degradação.

C/AGÊNCIA BRASIL

MS

No Porto Maravilha, tudo é novo. Menos a fiação

12/01/2013 - O Globo

Inauguradas há 6 meses, obras de revitalização não incluíram troca de rede aérea por subterrânea

LAURA ANTUNES

Contraste. Emaranhado de fios diante de um sobrado restaurado da Sacadura Cabral: embelezamento do imóvel não foi acompanhado da retirada da tralha Eduardo Naddar / O Globo

RIO — A beleza das ruas incluídas na primeira etapa do projeto de urbanização do Porto Maravilha está, literalmente, por um fio. Ou melhor, por emaranhados de fios, que se estendem ao longo de quarteirões, para o espanto de quem desvia o olhar em direção aos charmosos sobrados do conjunto arquitetônico. Inauguradas pela prefeitura, com alarde e pompa, em 1º de julho passado, as intervenções focaram na urbanização de 24 vias importantes da região, como a Rua Sacadura Cabral e as avenidas Venezuela e Barão de Tefé. Mas, a obra foi entregue sem um detalhe óbvio: a substituição da rede aérea (energia, telefonia, internet, TV a cabo) pela subterrânea, na contramão dos projetos urbanísticos executados em metrópoles mundo afora, como Cidade do Cabo, Barcelona, Buenos Aires...
Dentro da região da Zona Portuária beneficiada pelas obras, que custaram R$ 139 milhões, basta uma curta caminhada no coração do Porto Maravilha para perceber que velhos postes ainda sustentam quilômetros de fios, que continuam poluindo visualmente as fachadas. A urbanização das 24 vias, porém, prometia redimensionamento e troca de redes de esgoto, água pluvial, água potável, telecomunicações e iluminação.
— Foi um serviço porco. Quebraram as calçadas e não tiraram a fiação velha. Não sei se foi incompetência ou esperteza porque, no futuro, será preciso quebrar tudo de novo. E aí, mais dinheiro público sendo gasto no mesmo lugar — protesta Maria do Carmo Pereira, moradora da região.

VEJA TAMBÉM
As mudanças no trânsito da Zona Portuária
Grupo de Donald Trump anuncia investimento bilionário no Rio
Impacto das Trump Towers divide opiniões de especialistas
Especialistas comemoram suspensão de projeto do píer em Y
Prefeitura dá inicio a novas alterações viárias na região portuária

Ela cita como o trecho mais crítico a Rua Sacadura Cabral, dona de esplêndidos sobrados, alguns transformados em bares de sucesso entre cariocas e turistas. Embora as calçadas estejam recuperadas, a quantidade de fios pendurados chama a atenção. Nas ruas Edgar Gordilho, Argemiro Bulcão, Coelho e Castro e Aníbal Falcão também há fios aéreos.
Não apenas pela questão estética, mas também pela segurança, os projetos de urbanização devem incluir a troca da rede aérea pela subterrânea, afirma o engenheiro eletricista Luiz Antonio Cosenza, coordenador da Comissão de Análise e Prevenções de Acidentes (Capa) do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ). Segundo ele, a rede embutida representa segurança em todos os sentidos:
— Ela é mais cara, mas o custo-benefício compensa. Deixam de existir riscos de interrupção de fornecimento de energia porque um galho caiu sobre a fiação ou um carro derrubou um poste. Ou de alguém morrer porque sofreu a descarga de um fio caído. Nas grandes metrópoles, a tendência é se embutir a fiação porque ela limpa a paisagem e libera as calçadas aos pedestres, com a retirada dos postes.
O arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti faz coro. Ele considera incompatível um projeto de urbanização sem rede subterrânea:
— Sem citar a segurança, a rede subterrânea beneficia a arborização, pois as árvores não precisam sofrer podas radicais por conta dos fios.
Governo e Light: divergências
Em nota, a Secretaria municipal de Obras (SMO) disse que as obras no Porto incluíram rede subterrânea, mas que coube à prefeitura apenas a obra civil. E responsabiliza a Light pela presença dos fios, sem citar as operadoras de telefonia e TV a cabo: "Seguindo o projeto da Light, a SMO providenciou, durante as obras, a instalação de caixas e redes de dutos sob os passeios. Câmaras subterrâneas (vaults) foram instaladas para permitir a conversão pela concessionária, sem danos ao pavimento ou retrabalho da prefeitura. É de responsabilidade da Light a execução da conversão de rede aérea para subterrânea. A concessionária esclarece que já está executando o serviço".
A Light dá versão diferente. Segundo ela, a fiação não foi embutida por falta de ramais subterrâneos interligando a rede principal aos clientes (imóveis). Acrescenta que, embora esteja trabalhando na área, ainda não há fiação subterrânea. A SMO não quis comentar a declaração sobre a falta de ramais subterrâneos.
Já a operadora Oi diz que "executa um projeto de remanejamento da rede, para embutir o cabeamento, que está em fase bastante avançada." Segundo a empresa, o trabalho está previsto para o fim de fevereiro, mas não estipula prazo para o remanejamento.
O futuro pode ser quebra-quebra, a julgar pelos últimos meses: poucos dias após a inauguração das obras de revitalização, a Light esburacava as calçadas da Avenida Venezuela, sob o pretexto de consertar um cabo danificado. A SMO, na época, suspendeu as licenças para obras realizadas pela Light na Zona Portuária.
Mas a própria prefeitura, em novembro, quebrou as novas calçadas para "ampliar a capacidade de redes de esgoto, drenagem e telecomunicações".

Banco panorâmico

11/01/2013 - O Globo, Ancelmo Gois

A Secretaria municipal de Conservação vai instalar, no início de fevereiro, na Lagoa Rodrigo de Freitas, este banco panorâmico, veja ao lado.

O projeto é de alunos da Faculdade de Arquitetura e Artes da Universidade Santa Úrsula, e é inspirado na obra do arquiteto catalão Antoni Gaudí. Ficará perto do Corte do Cantagalo.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Washington Fajardo é designado assessor especial do prefeito para assuntos urbanos

22/05/2013 - Ademi RJ

O Presidente do Instituto Patrimônio da Humanidade Washington Fajardo foi nomeado assessor especial do prefeito para assuntos urbanos, pelo decreto nº 37.183/13. O arquiteto irá aconselhar o prefeito em todos os temas envolvendo a requalificação urbana da cidade e o pensamento estratégico nela envolvido, bem como a respeito das intervenções urbanas realizadas em âmbito municipal.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Porto: sete prédios residenciais são lançados

19/05/2013 - O Globo

Complexo, que inclui até torre de 35 andares, será usado nas Olimpíadas

FERNANDA PONTES

RIO Um conjunto de sete torres, sendo uma com 35 andares, será lançado nesta segunda-feira como primeiro empreendimento residencial do Porto Maravilha. O complexo, onde inicialmente ficará a Vila de Árbitros e Mídias nos Jogos de 2016, é a grande aposta da prefeitura para que a região ganhe um perfil diferente daquele do Centro. Dos 121 projetos analisados até agora pela Secretaria de Urbanismo, 61 são residenciais.

Nossa ideia é oferecer um mix de prédios comerciais, residenciais e de serviços diz Alberto Silva, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp).

O empreendimento ficará na Rua General Luis Mendes de Morais, bem em frente a Trump Towers, as cinco torres comerciais com 50 andares do empresário americano Donald Trump. Perto dali, também será erguido o Porto Atlântico, outro empreendimento com arranha-céus comerciais.

A pouca oferta de unidades habitacionais é vista com desconfiança por arquitetos e urbanistas, preocupados com o modelo de ocupação da área.

Nós sempre defendemos a ocupação habitacional do Porto, que garante o uso diferenciado do espaço público. Numa área residencial conseguimos reunir criança, idoso, adolescente e adulto, que têm interesses diferentes, o que não há numa área exclusivamente comercial diz o arquiteto Pedro da Luz, diretor do IAB-RJ.

O Porto Vida terá 1.333 apartamentos de dois e três quartos e vai ocupar uma área de 179 mil metros quadrados. No térreo, haverá espaço para lojas comerciais, que podem ser ocupadas por estabelecimentos como padarias, farmácias e salões de beleza.

domingo, 19 de maio de 2013

2012 – O ano que começou em 2011

28/12/2011 - Blog Porto Maravilha

As leis municipais que criaram a Operação Urbana e a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) são de 2009, mas grandes passos do Porto Maravilha foram dados mesmo em 2011. O Leilão dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), a consolidação da maior Parceria Público-Privada (PPP) do Brasil e o início das obras de infraestrutura e do prédio do Museu do Amanhã são somente alguns exemplos. Nos últimos meses, em especial, a Região Portuária já exibe um novo padrão de serviços. Embora o calendário oficial só previsse o início das obras viárias em 2012, as obras foram adiantadas para o último trimestre de 2011. Na contagem regressiva para a transformação radical desta área da cidade, Jorge Arraes, presidente da Cdurp, aceitou o convite do Blog Porto Maravilha para fazer uma retrospectiva de 2011. E traçar perspectivas para 2012, claro, quando novos projetos avançam: VLT do Rio e a construção dos túneis vão mudar para sempre a configuração do trânsito.

O que você destacaria na operação urbana Porto Maravilha em 2011?

O divisor de águas foi o Leilão dos Cepacs em lote único, porque garantiu o recurso que precisamos para executar obras e serviços pelos próximos 15 anos. Sem dúvida, se tivesse que destacar apenas um ponto seria esse. Trabalhamos na preparação do edital do leilão durante um ano e meio, desde o começo de 2010, mas valeu a pena, deu certo. De qualquer forma, é importante citar também a compra do primeiro terreno pela prefeitura, o Pátio da Marítima. O fundo imobiliário Porto Maravilha, gerido pela Caixa Econômica Federal já negociou com a incorporadora Tishman Speyer o desenvolvimento de um empreendimento no local. É o primeiro projeto a utilizar Cepacs.

Até agora, as metas e o calendário vêm sendo cumpridos?

No caso de obras, estão até adiantados. No segundo semestre, precisávamos apenas ter licenciamento e aprovação de projetos. E já iniciamos várias frentes de obra.

E o que possibilitou esse adiantamento?

Exatamente o fato de o Leilão dos Cepacs ter sido em lote único. Isso deu segurança para a concessionária (Porto Novo) começar as obras. Com todos vendidos em lote único para o fundo imobiliário, ele é a responsável por negociá-los com o mercado, assim como pelo repasse do pagamento à concessionária. Sobre metas cumpridas, além de citar, novamente, o sucesso do Leilão dos Cepacs, fechar a modelagem financeira do Porto Olímpico foi muito importante, pois temos um compromisso olímpico e prazos assumidos com o Comitê Olímpico Internacional para a perfeita realização dos jogos na cidade em 2016. E o início das obras do Museu do Amanhã também marcou bastante, por se tratar de um projeto maravilhoso, símbolo da requalificação.

Quando você circula pela região e pelas obras, costuma ouvir as pessoas, suas queixas e dúvidas? Poderia descrever algumas?

Circulo bastante pela Região Portuária, mas ninguém sabe que sou o presidente da Cdurp. Não me param para reclamar ou elogiar, ando na maior tranquilidade. Uma curiosidade legal, de hoje, é o padrão de acabamento das obras da Fase I do Porto Maravilha. As pessoas estão acostumadas a um determinado padrão de acabamento e começam a ver outro… A melhor definição que ouvi foi a de que o meio-fio da Avenida Venezuela parece serrado a laser. E o melhor é que será assim em toda a região. Independentemente da hierarquização das ruas, o meio-fio será perfeito e igual. Uma coisa pequena, mas que aparece.

Na sua opinião, o que chamará atenção na Região Portuária em 2012?

As obras dos túneis, do Binário , da Via Expressa e da Saúde , vão marcar significativamente o próximo ano. Teremos impacto disso no tráfego. Ao mesmo tempo, temos a complexidade sob o ponto de vista de engenharia, com muita tecnologia envolvida. São várias técnicas no mesmo túnel, em um lugar que tem o lençol freático alto, com influência de maré… Será um desafio. Com isso, obviamente teremos que comunicar bem. Informar às pessoas sobre a sequência de obras para o seu dia-a-dia e aos empresários para eles compatibilizarem seus empreendimentos ao nosso cronograma de obras. Outra coisa muito legal de 2012 é que começamos a preparar as ruas para receber os trilhos do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) .
E na área do desenvolvimento social e econômico de quem hoje já está a região, quais são os planos?

Criamos o programa Porto Maravilha Cidadão, com ações e parcerias exatamente para o desenvolvimento sócio-econômico da Região Portuária. Queremos preparar os moradores para as novas oportunidades de emprego. Criamos o Balcão de Empregos Porto Maravilha, com a Secretaria Municipal de Trabalho e Emprego, com o qual cadastramos empresas e cruzamos a demanda com a oferta de mão de obra. E também vamos lançar programas de qualificação profissional. No começo de dezembro, assinamos um convênio com o Sebrae/RJ para o desenvolvimento dos pequenos negócios na área. Também estão envolvidas a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Solidário e a UPP Social da Providência. Apoiamos ações esportivas, educativas e de lazer, assim como a produção e difusão de conhecimento sobre a Região Portuária.

Você moraria na Região Portuária?

Tranquilamente! Ali, entre a Rodoviária e a Rua Pereira Reis, na Av. Rodrigues Alves ou na rua de dentro. Vai ficar muito legal, próximo ao Porto Olímpico . Ou no Morro da Conceição, que também me agrada bastante.

Como é imaginar a região em 2017?

Olhar essa paisagem e pensar nela sem o viaduto, com os empreendimentos imobiliários prontos, com a frente do mar disponível para as pessoas caminharem perto do Píer Mauá, com o Museu do Amanhã… Fechar os olhos e… andar do Armazém 6 até a Praça XV a pé, sem cruzar com nenhum obstáculo, é muito bom. Imagino muita gente morando por lá, um ambiente muito mais agradável e limpo, com sua história valorizada… É fantástico!

sábado, 18 de maio de 2013

Avenida Radial Oeste fica fechada até a madrugada de segunda-feira para retirada de passarel


18/05/2013 - O Globo

Motoristas enfretam trânsito lento na Rua São Francisco Xavier

Radial Oeste é interditada para retirada de passarela Fernando Quevedo / Agência O Globo

RIO — A Avenida Radial Oeste, na Zona Norte da cidade, foi fechada às 23h desta sexta-feira nos dois sentidos para a retirada da passarela de acesso à estação Maracanã/Derby Club, da SuperVia. A via só será reaberta às 4h de segunda-feira. A obra foi um pedido da Federação Internacional de Futebol (Fifa) para a Copa das Confederações. Na manhã deste sábado, os motoristas enfrentam trânsito lento na Rua São Francisco Xavier, uma das rotas alternativas para quem segue em direção à Praça da Bandeira. O panorama é o mesmo na Rua Professor Manoel de Abreu, altura da Rua Felipe Camarão.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/avenida-radial-oeste-fica-fechada-ate-madrugada-de-segunda-feira-para-retirada-de-passarela-8419153#ixzz2TeKUy3Fy 
© 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Concessionária Porto Novo inicia construção da Via Expressa


19/10/2012 - Concessionária Porto Novo












Projeção de como ficará a Av. Rodrigues Alves com a entrada do túnel da Via Expressa

A Concessionária Porto Novo dará início à construção de um túnel que fará parte da Via Expressa (atual Avenida Rodrigues Alves), fundamental à estrutura do novo sistema viário da Região Portuária. Somente na área da operação urbana Porto Maravilha, a via terá 3.610 metros e seis faixas de rolamento – três no sentido Avenida Brasil e três em direção ao Aeroporto Santos Dumont. O novo acesso começará na Rua Primeiro de Março, em rampa, na altura da Praça Barão de Ladário, seguirá em um túnel de 2.010 metros até o Armazém 8 e continuará na superfície pela Avenida Rodrigues Alves até a Rodoviária Novo Rio. Com a extensão de mais 1.440 metros, na conexão entre a Via Expressa e o Aterro do Flamengo, para absorver o fluxo de tráfego após a demolição integral do Elevado da Perimetral, o túnel atingirá 3.450 metros, tornando-se o maior em área urbana do País. Hoje o maior do Brasil é o Ayrton, Senna, em São Paulo, com 2.178 metros.

A primeira intervenção da Concessionária Porto Novo será a construção de um poço de serviço na Avenida Venezuela que dará acesso a operários e máquinas e servirá de entrada e saída de material. O recurso do poço de serviço – já adotado na obra do Túnel do Binário, na Praça Mauá – permite a construção de túneis com menos interferências sobre o trânsito da cidade, porque as áreas escolhidas para a sua instalação são praças ou imóveis designados exclusivamente para a execução das obras, sem exigir o fechamento de ruas.
Para a escavação do novo poço, localizado sobre solo rochoso, a Porto Novo adotará a  detonação controlada. O procedimento começará no dia 20 de outubro. Para gerar menos transtornos ao trânsito, será às 6h, de segunda-fera a sábado.

BLOQUEIO DE RUAS

Durante as detonações, as ruas na área de influência, como Edgar Gordilho, Coelho e Castro, Sacadura Cabral, Avenida Venezuela e Largo São Francisco da Prainha, serão interditadas momentaneamente à passagem de carros e pedestres. Na operação, a Concessionária destacará 33 operadores e controladores de tráfego para fornecer orientação a motoristas e pedestres, além de oito veículos, entre carros, motos e um guincho.

Os imóveis na área de influência passaram por vistorias cautelares – visitas técnicas para avaliar as condições prévias dos prédios. Equipamentos de monitoramento e instrumentação em 133 edificações no entorno farão análise permanente do comportamento do solo e dos imóveis ao longo do processo.  Durante a detonação, sismógrafos acompanharão vibrações e quaisquer impactos.

DETONAÇÕES NAS OBRAS DO PORTO MARAVILHA – PRAÇA MAUÁ E MORRO DA SAÚDE

Desde junho, a Concessionária Porto Novo já adota o procedimento de detonação controlada nas obras de escavação dos túneis do Binário, na Praça Mauá e no Morro da Saúde. Efetuadas diariamente no período, exceto aos domingos, não geraram impacto sobre o maciço rochoso e construções do entorno, segundo instrumentação e monitoramento técnico.

A legislação considera normais variações de até 50 milímetros (50mm) no solo. Segundo técnicos, a maior verificada nesses cinco meses foi de 0,25mm. O reflexo é que não houve dano a bens do patrimônio, particulares ou públicos. O resultado tem relação direta com o planejamento da Porto Novo, que utilizou cargas em quantidade conservadora a fim de garantir a segurança dos imóveis, em sua maioria, em área de construções antigas e históricas.

Na semana passada, o poço de serviço da Praça Mauá atingiu a profundidade de 40 metros. Desde então, o Túnel do Binário começou a ser escavado lateralmente. Neste canteiro de obras, há duas detonações por dia: às 5h30 e às 22h. No Túnel da Saúde, as escavações já atravessaram as três galerias. Neste ponto, as detonações são às 14h.

MUDANÇAS VIÁRIAS MARCAM REQUALIFICAÇÃO DA REGIÃO PORTUÁRIA

O conjunto Elevado da Perimetral/Avenida Rodrigues Alves será substituído pelas vias Expressa e Binário do Porto. Estudo de Tráfego demonstra que o fluxo em horário de pico terá capacidade aumentada em 38%. Onde hoje passam 7.600 veículos, poderão trafegar 10.500 após a implantação do novo sistema viário.

Via Binário do Porto – Com três pistas em cada sentido e 3,5 km de extensão, a Via Binário do Porto fará a distribuição interna do tráfego nos bairros da Região Portuária, com conexão com o Viaduto do Gasômetro, Avenida Francisco Bicalho e Centro. Terá dois túneis: Saúde (80 metros) e Binário (1.480 metros).

Via Expressa – A Avenida Rodrigues Alves, que hoje recebe o fluxo da Avenida Brasil e da Ponte Rio-Niterói, passará por grande alteração. Transformada em via expressa, sem saídas intermediárias, ganhará mais uma faixa de rolamento em cada sentido. Assim, quem sai do Centro com destino a Avenida Brasil, Região Serrana, Niterói ou Região dos Lagos terá o caminho livre e direto, sem interrupções. A Via Expressa terá o maior túnel urbano do País, com 3.450 metros de extensão, na ligação entre o Armazém 8 do Cais do Porto ao Aterro do Flamengo. Só na área do Porto Maravilha, o túnel terá 2.010 metros (até a Praça Barão de Ladário, próximo ao Santo Bento).

CURIOSIDADE SOBRE OS TÚNEIS DO PORTO MARAVILHA

A substituição de parte da Avenida Rodrigues Alves pelo Túnel da Via Expressa permitirá a abertura de uma grande área arborizada de lazer entre o Armazém 6 e a Praça Mauá, que também servirá à passagem do Veículo Leve sobre Trilhos.

Todos os túneis da Região Portuária serão 100% monitorados por câmeras.

Os túneis da Via Expressa e Binário terão cinco estações de bombeamento de água cada, quantidade superior ao mínimo exigido (duas).

Iniciada a construção da Via Expressa


05/11/2013 - Concessionária Porto Novo

A Concessionária Porto Novo iniciou em outubro a construção da Via Expressa. Junto com a Via Binário do Porto, já em execução, vai absorver o fluxo do Elevado da Perimetral, que já começa a ser desmontado. A Via Expressa terá um túnel com 2010 metros de extensão. Haverá ainda uma extensão de conexão entre a Via Expressa e o Aterro do Flamengo.

Já começou a ser construída a primeira etapa da construção do túnel de 2010 metros de extensão que fará parte da Via Expressa

A Concessionária Porto Novo deu início em outubro a construção do túnel que fará parte da Via Expressa (atual Avenida Rodrigues Alves), fundamental à estrutura do novo sistema viário da Região Portuária. A via terá seis faixas de rolamento – três no sentido Avenida Brasil e três em direção ao Aeroporto Santos Dumont.

A primeira intervenção da Concessionária Porto Novo é a construção de um poço de serviço na Avenida Venezuela, que dará acesso a operários e máquinas e servirá de entrada e saída de material. O recurso do poço de serviço – já adotado na obra do Túnel do Binário, na Praça Mauá – permite a construção de túneis com menos interferências sobre o trânsito da cidade, porque as áreas escolhidas para a sua instalação são praças ou imóveis designados exclusivamente para a execução das obras. Ou seja, não exigem o fechamento de ruas.

Para a escavação do novo poço, localizado em solo rochoso, a Porto Novo adota a detonação controlada. O procedimento, já em andamento, acontece sempre às 6h da manhã, de segunda a sábado, para gerar menos transtornos ao trânsito.

Rio lança projeto que vai transformar Avenida Rio Branco em parque urbano

13/05/2013 - Agência Rio

A Prefeitura do Rio inicia nesta segunda-feira (13) a licitação das obras que vão transformar a Avenida Rio Branco, no Centro, em área de lazer para cariocas e turistas. A proposta do prefeito Eduardo Paes consiste na transformação do trecho da via entre as avenidas Nilo Peçanha e Presidente Wilson em um grande parque urbano, com cerca de 700 metros de extensão e prioridade aos pedestres. O projeto, da Secretaria Municipal de Obras, terá prazo de execução de dois anos, num investimento de R$ 87,8 milhões.

Fazem parte da área projetada para o parque urbano a Avenida Nilo Peçanha (nos trechos entre Rua Debret e Av. Presidente Antônio Carlos e entre Rua Uruguaiana e Av. Rio Branco), Rua Bitencourt da Silva, Rua Manuel de Carvalho, Rua Vieira Fazenda, Rua Araújo Porto Alegre (no trecho entre Rua México e Av. Rio Branco) e Rua do Passeio (no trecho entre Rua Senador Dantas e Av. Rio Branco), Rua Treze de Maio, Av. Luis Vasconcelos, Rua Evaristo da Veiga (no trecho entre Rua Senador Dantas e Av. Rio Branco), Rua da Ajuda e Praça Floriano.

Na nova Avenida Rio Branco a pista de rolamento destinada aos automóveis será elevada para o nível do passeio e liberada aos pedestres. A via de serviço será implantada dentro do alinhamento das pistas atuais, deixando as faixas das calçadas livres para os pedestres. O local também ficará livre de obstáculos de forma a não obstruir as passagens dos blocos durante o Carnaval.

MS

Marechal Hermes, uma pérola da Zona Norte

12/05/2013 - O Globo

Aos 100 anos, bairro é o primeiro do subúrbio a ter status de Patrimônio Cultural

MAIÁ MENEZES

Marechal Hermes faz 100 anos Fábio Seixo / Agência O Globo
RIO - O casario ensina a história de um Rio que ficou ali, em Marechal Hermes. Um Rio que vê de perto o céu, que conhece os vizinhos pelo nome e que agora tem status de patrimônio cultural. O bairro é o primeiro do subúrbio da cidade a alcançar tal distinção: no dia de seu centenário, foi promovido a Área de Proteção Cultural (Apac) por decreto do prefeito Eduardo Paes.

É muita labuta pela frente. O tempo e a insistente ação de vândalos não conseguiram apagar a beleza do camafeu de seus sobrados e da arquitetura modernista que compunha com elegância a primeira vila operária do Brasil. Mas a degradação está lá.

Para o subúrbio, tem um valor muito importante. Assim como o Complexo do Alemão, com o teleférico e a pacificação, e Madureira, com o parque, Marechal Hermes pode também começar a receber turistas. Há um centro histórico importante no bairro diz o subprefeito da Zona Norte, André Santos.

Com a criação da Apac, proprietários antigos, engolidos pela crise de um comércio decadente, ganham fôlego para recuperar seus imóveis. Eles poderão pedir empréstimos para as reformas de suas casas. E que casas.

Em estilo eclético, formam um poético mosaico de cores. Cada uma com um desenho diferente em suas estruturas. Parecem cenário de filme. E foram. Schneider Bittencourt, comerciante e morador desde sempre do bairro, foi também anfitrião, durante um ano, das filmagens de Chuvas de verão, de Cacá Diegues. Era 1976, Schneider tinha 13 anos. Ainda mora na mesma casa, na Rua Engenheiro Assis Ribeiro, que foi a residência do protagonista, interpretado por Jofre Soares. A suprema felicidade (2010), de Arnaldo Jabor, também se passou nas ruas de Marechal, que, mais recentemente, foi cenário de episódios cruciais da novela Avenida Brasil. Por conta do filme de Cacá Diegues, o bairro se tornou o mais filmado dos bairros cariocas, depois apenas de Copacabana.

Nós fomos Divino por uns meses conta a produtora cultural Luiza Ratare.

Sobra céu em Marechal. Não há edifícios altos, por força de um código urbanístico que impede construções com mais de quatro andares. Ventos olímpicos sopram pelas ruas largas, vindos de Deodoro, bairro vizinho, que ganhará um complexo esportivo.

Tudo ali foi milimetricamente planejado. Na planilha de Hermes da Fonseca, presidente que concebeu, inaugurou e batizou o bairro, havia escolas, biblioteca, praça para esportes, hospitais e creche. Mais tarde, foram inaugurados teatro e cinema trocado, nos anos 1990, por uma igreja evangélica.

O papel do design é claro na cidade. Foi feito por um pensamento de tanta qualidade, que chegou até hoje de uma certa maneira íntegro. Os moradores reconhecem e valorizam isso teoriza Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, da prefeitura.

Reconhecem e militam. Marcos Veiga, técnico de enfermagem de 54 anos, se auto-define como um cata-relíquia do bairro em que nasceu. Carrega, orgulhoso, na mala do carro, um livro que narra a história de Marechal, mortes, nascimentos, fatos relevantes, entre 1917 e 1920.

Toda hora aparece alguém dizendo: Vem cá, tenho um documento aqui em casa. Os moradores amam isso aqui compara Marcos, que durante a entrevista acenou uma dúzia de vezes para os vizinhos, que chama pelo nome.

Ali havia gosto, havia bucolismo, aristocracia. O bairro saiu da cabeça de um homem culto e bem formado. Há uma dimensão de simetria, de paralelismos. A cultura e a estética estavam no cerne do projeto. Suas ruas mantêm, como diria (Martin) Heidegger, o vigor de ter sido diz o historiador André Nunes de Azevedo.

Há música nas caixas de som fixadas em postes da Praça Montese, que exibe um garboso Marechal Hermes, em busto, devolvido a seu púlpito ano passado. Além de tocar canções, a rádio local tem a missão de divulgar aos 48 mil moradores a programação do Teatro Armando Gonzaga, propagada também na boca de ferro de carros de som alugados.

Projetado por Affonso Eduardo Reidy (o mesmo arquiteto que fez o MAM), o teatro era adornado por jardins de Burle Marx e por painéis de Paulo Werneck. Nessa fase pulsante do bairro, os jardins, já inexistentes, começaram a ser recompostos, com base no projeto original. Até o ano passado funcionando como uma companhia de dança, o teatro ficou fechado depois do incêndio na boate Kiss, em Porto Alegre. Retomou a programação no último final de semana, na expectativa de recuperar tempos áureos, quando Procópio Ferreira, Tarcísio Meira e Fernanda Montenegro subiram ao palco em Marechal. Entre as próximas atrações, a peça espírita Ave Cristo e uma apresentação do coletivo Estação Suburbana. Enquanto este fechado, amigos de violão e cantoria se reuniram em casas. Um prédio histórico e decrépito do INSS está na mira do grupo, que se apelidou de Clube da Esquina de Marechal e sonha com um centro cultural próprio.

Aos 94 anos, Ruth Rallais Motta cantou Não deixe o samba morrer na festa de cem anos do bairro, no dia 1º. Gravou um CD há dez anos e fez nascer, entre filhos e netos, uma banda, a A Teia. Ruth é a história de Marechal:

Tive uma infância maravilhosa. Andava de burrinho até a estação. Era linda a minha Marechal. Tivemos uma Miss Brasil daqui. A alta sociedade frequentava o (clube) Maran, onde aconteceu o concurso. Foi a época em que o Brasil conheceu nosso bairro.

Com viaduto interditado, Av. Dom Hélder Câmara tem trânsito lento


16/05/2013 - O Globo

Via ficará fechada por tempo indeterminado porque incêndio que destruiu favela danificou colunas

LARISSA FERRARI

RIO — Permanece interditado, nos dois sentidos, o Viaduto Engenheiro Alvarino José da Fonseca, conhecido como Viaduto de Maria da Graça, na Zona Norte da cidade, após o incêndio que atingiu as favelas Bandeira Um e Bandeira Dois, que ficavam sob o viaduto, nesta quarta-feira. Com a interdição, a Avenida Dom Hélder Câmara tem trânsito muito lento do Cachambi ao Jacarezinho, no sentido Centro. Há retenção na altura da Rua Félix Pereira. Para Del Castilho, o tráfego é lento da altura da Estrada Velha da Pavuna ao Cachambi. Segundo o Centro de Operações da prefeitura, agentes da CET-Rio orientam os motoristas.

Para quem segue para Inhaúma, as opções ao Viaduto de Maria da Graça são a Rua Miguel Ângelo e Avenida Dom Hélder Câmara. Já os motoristas que seguem no sentido Maria da Graça são desviados pela Dom Hélder Câmara e pela Rua Chaves Pinheiro. Mesmo assim, o Centro de Operações pede que os motoristas evitem a região.

Fogo causou danos às colunas do viaduto

A Defesa Civil determinou que o viaduto fique fechado por tempo indeterminado. De acordo com o subsecretário municipal de Defesa Civil, Márcio Motta, o fogo que atingiu cerca de 200 barracos das favelas Bandeira Um e Bandeira Dois danificou a caixa de rolamento da estrutura e causou pequenos danos às colunas, que passarão por obras.

O fogo começou no fim da manhã desta quarta-feira. Ninguém ficou ferido. Grande parte dos moradores atribuiu o início do fogo a um curto-circuito em alguma ligação clandestina de energia. Bombeiros dos quartéis do Méier, Benfica, Ramos e São Cristóvão conseguiram controlar o fogo por volta de 13h. Cerca de 800 pessoas ficaram desabrigadas. A Secretaria municipal de Habitação informou que as famílias que perderam suas casas vão receber um aluguel social no valor de R$ 400.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/com-viaduto-interditado-av-dom-helder-camara-tem-transito-lento-8407822#ixzz2TSuv7ABt 
© 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Docas despreza opinião de urbanistas sobre impactos de píer em Y e anuncia início das obras


15/03/201 3 - O Globo

O prefeito Eduardo Paes disse que acha melhor o projeto alternativo, o píer em E, mas alegou que nada pode fazer

Polêmica sobre o desenho começou quando foi constatada a interferência do projeto na região, bloqueando visão do Mosteiro de São Bento, do MAR e do Museu do Amanhã, em construção

CARLA ROCHA

FERNANDA PONTES


O píer em Y (acima) e a opção em E (abaixo)
Foto: Divulgação
O píer em Y (acima) e a opção em E (abaixo) Divulgação

RIO — Sem considerar as críticas de especialistas e de entidades de classe, ações nos ministérios públicos estadual e federal e o próprio interesse de uma área histórica da cidade que passa por revitalização inédita, a Companhia Docas anunciou na terça-feira que terá início no mês que vem a construção do píer em Y no Porto. Com seis vagas para cruzeiros dispostas de forma que causa grande impacto na paisagem, a obra visa a atender a compromissos internacionais assumidos para as Olimpíadas de 2016. Na terça-feira, o prefeito Eduardo Paes lavou as mãos. Ele disse que acha melhor o projeto alternativo, o píer em E, mas alegou que nada pode fazer.

A polêmica sobre o desenho do píer começou quando foi constatada a interferência do projeto na região, onde ficam o Mosteiro de São Bento, tombado; o novo Museu de Arte do Rio (MAR) e, futuramente, o Museu do Amanhã, do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, em fase de construção. Iniciativas para uma mudança radical na área, há muito degradada, que podem ficar arranhadas. Arquitetos e urbanistas já perceberam que uma das pernas do Y ficará a menos de 300 metros do Museu do Amanhã. Um debate acalorado tomou conta de uma apresentação feita, no final do mês passado, pelo arquiteto João Pedro Backheuser, sócio da Blac, responsável pela proposta do píer em E, desenvolvida com o escritório Alonso Balaguer. Simulações de imagens já mostraram que, dependendo da posição, os navios parados na orla prejudicam o ângulo de visão tanto do continente para o mar quanto no sentido contrário. Entre outros marcos característicos da ambiência da Zona Portuária, estão o Morro de São Bento, importante ponto de referência urbanístico desde a época colonial, e o casario no entorno da Praça Mauá.

Na terça-feira, houve novas manifestações contrárias às intervenções propostas por Docas. A arquiteta Cêça Guimaraens, professora da UFRJ, disse que o píer em Y é uma excrescência:

— Eles alegam que o prazo é apertado, mas por causa disso vamos ter que conviver pelos próximos 200 anos com essa estrutura aberrante? O Ministério Público precisa tomar providências. O projeto deve ser alterado. O Museu de Arte do Rio e o Museu do Amanhã serão prejudicados. A sociedade precisa ser mobilizada. Estão derrubando o viaduto da Perimetral para construir esse novo monstro?

Depois de representar no Ministério Público Federal contra a obra, o arquiteto Luiz Flórido — da equipe responsável pelo projeto Rio Cidade de Campo Grande, em 1993 — ainda tem esperança de que seja feita alguma coisa:

— Este projeto é um erro enorme. As Olimpíadas vão durar um mês, e o legado ficará para a cidade.
Ontem, o MP Federal não informou sobre o andamento da ação.

Uma ação civil pública, que discutia o píer em Y na Justiça estadual, passou para a esfera federal. A iniciativa foi da presidente da Comissão de Saneamento Ambiental da Assembleia Legislativa (Alerj), deputada Aspásia Camargo (PV), que espera a indicação de um juiz para decidir sobre o caso. Segundo ela, os custos não podem prevalecer sobre outros fatores mais importantes.

— Não podemos, por questões monetárias, gastar menos com uma dragagem para prejudicar a cidade. A paisagem do Rio não tem preço. Há nesse caso um nítido conflito de interesses entre a União e a cidade do Rio — argumentou ela.

O presidente do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), Sérgio Magalhães, criticou a prática do “fato consumado”:

— Essa prática não pode se tornar uma regra, não é assim que a cidade melhora. Um projeto desses não pode ser produzido por um só setor em função de um cronograma que deveria estar a serviço da cidade, e não o contrário.

Questionado, o prefeito Eduardo Paes, que já foi contra o píer em Y, voltou atrás por não querer comprar briga com o governo federal. Ontem, disse que até considera o píer em E melhor, mas não tem poder de decidir:

— Influência, a gente pode exercer, mas não manda, não define. Quem define é o governo federal. Os nossos apelos têm sido nesse sentido, mas é uma decisão do governo federal. Já pedi 500 vezes, há dois anos, do presidente de Docas do Rio de Janeiro à presidente da República.

Para a historiadora e especialista em política fluminense da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marly Motta, a situação atual lembra o início do século passado, quando o prefeito Pereira Passos fechou o conselho estadual, o equivalente à Câmara de Vereadores, para não ter oposição a seu radical plano urbanístico, que abriu a Avenida Central, atual Rio Branco.

— Na época, foi dada ao prefeito carta branca para ele levar a cabo todas as reformas necessárias para sanear o Rio. Da mesma forma que a gente se prepara hoje para ficar bem aos olhos do mundo, com Olimpíadas e Copa. Por uma coincidência muito grande, o foco também era o porto. Os navios não vinham para a cidade com medo do mosquito da febre amarela, das pestes. Enquanto Buenos Aires tinha fama de cidade europeia, nós tínhamos fama de cidade africana — observou a historiadora. — Mas, cem anos depois, a frase de Paes é lamentável. Mais uma vez, as instituições e o município se rendem à ideia de que não é preciso debater.

A ex-secretária municipal de Urbanismo Andrea Redondo critica a posição de Paes:

— Não importa se o terreno é ou não de Docas. A gestão do solo é municipal. Paes poderia estabelecer restrições urbanísticas.

O arquiteto João Pedro Backheuser estará numa audiência, dia 29, na Câmara, a pedido da vereadora Laura Carneiro, em conjunto com a Alerj. Ela convocou representantes de Docas, da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Porto e de empresas da região.

— Se a conclusão for que o projeto do píer em E é melhor, há tempo para executá-lo — disse Laura.
Backheuser, que também já submeteu o píer em E ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), destaca que o legado que ficará dos Jogos é o mais importante:

— O que se deseja é que tenhamos uma cidade de qualidade, e não apenas para as Olimpíadas.
Na terça-feira, o Iphan, que analisou o projeto do píer em Y, não se manifestou e, mais uma vez, não tornou pública a íntegra do parecer.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/docas-despreza-opiniao-de-urbanistas-sobre-impactos-de-pier-em-e-anuncia-inicio-das-obras-8392208#ixzz2TMy5joel 
© 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.