sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Teleférico pronto aguarda gôndolas para funcionar

30/08/2013 - G1 RJ

Obras do teleférico da Providência, no Rio, começaram em março de 2012 e custaram R$ 75 milhões. Sistema vai ligar Central do Brasil, comunidade e Cidade do Samba
 
Com gôndolas, só no período de testes
Com gôndolas, só no período de testes
créditos: Reprodução / Jornal do Brasil
 
Moradores do Morro da Providência, na zona portuária do Rio de Janeiro, estão a espera de uma promessa feita há mais de um ano: a instalação de um teleférico na comunidade, que é ocupada pela Polícia Militar. 
 
Um ano e meio depois do início das obras, o equipamento, que visa beneficiar mais de 4,8 mil habitantes, até esta sexta-feira (30) não operava  - por falta de gôndolas, como mostrou o telejornal da TV Globo (RJTV).
 
As obras, que começaram em março de 2012, fazem parte do programa Morar Carioca, que destinou R$ 163 milhões em investimentos para a região. Desses, R$ 75 milhões são apenas para a construção do teleférico.
 
Ao longo de 721 m e três estações, 16 gôndolas com capacidade para 10 passageiros, cada, vão ligar a Central do Brasil ao Morro da Providência e à Cidade do Samba. A previsão é que mil pessoas sejam transportadas por hora em cada sentido.
 
Só testes
O primeiro teste mecânico na estrutura foi realizado em dezembro do ano passado. O sistema conta com 17 postes, sendo nove metálicos e oito de concreto. O sistema funcionou por três meses sem tripulação até receber o teste com pessoas em abril, para verificar os sistemas elétrico, mecânico e hidráulico, além de freios e sensores.
 
A previsão era de que os testes fossem feitos durante todo o mês de maio para ser, finalmente, aberto. As gôndolas, porém, foram retiradas e os moradores ficaram sem saber quando o sistema volta a funcionar.
 
A Prefeitura do Rio admitiu o atraso e informou que cinco moradores entraram na Justiça, o que fez a obra ficar embargada. O órgão recorreu, reiniciou as obras e aguarda a realização de uma licitação para escolher a empresa que vai administrar o transporte.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Justiça determina que prefeitura apresente estudos sobre demolição da Perimetral

04/04/2013 - O Globo

Pedido foi feito pelo Ministério Público em fevereiro

Novo cenário. Operários trabalham na demolição de rampa da Perimetral. Foto de 10/12/2012 Pablo Jacob / O Globo

RIO - A Justiça determinou que a Prefeitura do Rio e a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP) apresentem num prazo de 60 dias ao Ministério Público documentos consolidados e atualizados dos estudos de impacto de vizinhança e viários das intervenções do Projeto "Porto Maravilha", especialmente em relação às obras de demolição do elevado da Perimetral, no Centro da cidade.

Nos documentos deverão constar as avaliações do fluxo viário, contemplando as áreas direta e indiretamente afetadas, durante e após as obras. Dentre os esclarecimentos prestados ao MPRJ, a Prefeitura afirmou que a futura Avenida Binário será inaugurada antes da eventual demolição do elevado da Perimetral. Segundo o MP, as mudanças iriam piorar o trânsito da cidade.

Em fevereiro a demolição da Perimetral entrou na mira do Ministério Público estadual. O MP considera que as informações disponíveis sobre o impacto viário do projeto e alternativas para minimizá-lo estão incompletos. O órgão entrou com uma ação civil pública, com pedido de liminar, solicitando à Justiça que suspenda imediatamente qualquer atividade vinculada à demolição do elevado, obrigue a prefeitura à realização de estudos complementares num prazo de 90 dias e determine a revisão das licenças de obras. Em caso de desobediência, o MP pede que a Justiça estabeleça uma multa diária de R$ 200 mil para o poder público. A audiência especial aconteceu no dia 27 de março.

Os promotores da equipe de Meio Ambiente do MP argumentam ainda na ação que o estudo partiu do princípio de que a Rodoviária Novo Rio será transferida, reduzindo o volume de tráfego existente, o que pode não acontecer. Segundo o MP, faltou ainda uma análise mais ampla da demolição da Perimetral em relação à Região Metropolitana.

Legado olímpico

26/05/2013 - O Globo

Da arena para a escola: prefeitura investe na arquitetura nômade, que garantirá uso de equipamentos após os jogos

O Parque Olímpico será construído onde antes ficava o Autódromo de Jacarepaguá, na Zona Oeste. As obras estão em andamento há quase um ano. A área, de 1,18 milhão de metros quadrados, está sendo preparada para receber um público de mais de 100 mil pessoas por dia e abrigar 12 instalações: o Centro de Esportes Aquáticos Maria Lenk, o Velódromo, o Ginásio de Ginástica, três arenas do Centro de Treinamento Olímpico, a Arena de Handebol, o Centro de Esportes Aquáticos, o Centro de Tênis, o Centro Internacional de Transmissão (IBC), o Centro Principal de Mídia (MPC) e o Hotel de Imprensa. No parque serão disputados basquete, judô, tênis, ciclismo, polo aquático, natação, nado sincronizado e três modalidades de ginástica, além de nove dos Jogos Paralímpicos, que serão realizados em seguida.
O princípio que definiu os parâmetros do complexo esportivo foi o de garantir à cidade e aos cariocas um legado. As obras de infraestrutura e a manutenção do espaço, durante 15 anos, são de responsabilidade do consórcio Rio Mais. Vencedor da licitação em sistema de Parceria Público-Privada, o Rio Mais vai construir três ginásios, o centro de imprensa e o hotel dos jornalistas encarregados de cobrir a competição. A maior parte das instalações esportivas - como a Pista de Atletismo, o Velódromo e o Complexo de Tênis, além do Centro de Esportes Aquáticos e da Arena de Handebol - está sob responsabilidade do município, com financiamento da União.
Instalações temporárias, como a Arena de Handebol e o Centro de Esportes Aquáticos, foram concebidas com o conceito de arquitetura nômade, que prevê o seu reaproveitamento em outro local depois dos jogos.
Já as estruturas permanentes estão sendo desenvolvidas para abrigar competições do circuito internacional de tênis e terão a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), que assegura a sustentabilidade de edificações.
A arena principal do Centro de Tênis, que ocupará 12 mil m² e terá capacidade para 10 mil pessoas e sete quadras permanentes farão parte, no futuro, do Centro Olímpico de Treinamento (COT), voltado para atletas de alto rendimento, consolidando importante legado esportivo para a cidade.
No Parque Olímpico já funcionam o Centro de Esportes Aquáticos Maria Lenk, que receberá as competições de polo aquático, o Velódromo da Barra e a Arena Multiuso dos Jogos Pan-Americanos de 2007.
No Centro de Esportes Aquáticos serão realizadas as provas de natação, em uma instalação temporária de 14 mil m² de estruturas metálicas unidas por parafusos com capacidade para 18 mil lugares. A piscina, projetada em chapas metálicas modulares, poderá ser desmontada e instalada em outro lugar ao fim da competição.
A Arena de Handebol, com capacidade para 12 mil espectadores, começará a ser construída no segundo semestre deste ano e ocupará área de cerca de 35 mil m². Depois, o equipamento será desmontado e transformado em quatro escolas municipais. O que permitirá o reaproveitamento é a concepção inovadora da arquitetura nômade.

Manguinhos terá parque de lazer até o fim do ano

28/05/2013 - Jornal do Commercio

Orçadas em R$ 35 milhões, obras fazem parte da complementação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 1) no conjunto de comunidades

Até o fim do ano o Complexo de Manguinhos, na Zona Norte, terá novas áreas de lazer e esportivas. Serão investidos cerca de R$ 35 milhões nas obras, informou a Empresa de Obras Públicas (Emop), que já demoliu 70% dos 1 mil imóveis das comunidades Uranos, João Goulart e Vila União para fazer a construção. O projeto faz parte da complementação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 1) no conjunto de comunidades.
Segundo o governo fluminense, 472 apartamentos serão construídos no Parque João Goulart, dos quais 367 já foram desocupados. Na Uranos, dos 307 imóveis previstos, 293 já estão vazios e sendo demolidos. Na Vila União, serão criadas 166 moradias, sendo que 37 estão em processo de demolição e 25 desocupadas e prontas para serem demolidas.
De acordo com a Emop, as famílias que estão sendo desalojadas podem optar por indenização ou compra assistida de outro imóvel. O presidente da Emop, Ícaro Moreno Júnior, explicou que as obras de terraplenagem começaram em uma área já liberada de Uranos. "Será construído um parque com duas quadras poliesportivas, um campo de futebol e uma área de recreação", explicou.
Em uma área das comunidades João Goulart e Vila União, que fica próxima à linha férrea, a Emop fará uma pista de rolamento com três faixas, em uma extensão de dois quilômetros, que dará seguimento à Rua Uranos. Após a conclusão, a via terá mão no sentido Benfica, enquanto a Avenida Leopoldo Bulhões, hoje em mão dupla, seguirá apenas no sentido Bonsu- cesso. O sistema de drenagem da pista e duas pontes, uma sobre o Rio Jacaré e outra sobre o Rio Faria Timbó, já foram feitos.
Também está sendo preparado um terreno, dentro da área conhecida como Dsup, na Avenida Dom Hélder Câmara, para a construção de um centro comercial com 20 quiosques destinados aos comerciantes já cadastrados pelo Trabalho Social, além de quadra poliesportiva, ciclovia, pista de patins, área de recreação, sanitários e estacionamento com 80 vagas.
O processo de readequação de espaços no complexo, iniciado com a elevação da via férrea, a construção de uma moderna estação e a criação do parque linear, será completado em uma outra etapa com a construção de mais um centro esportivo e de lazer, dotado de quadras de areia para futebol e vôlei, pista de atletismo, campo de futebol, ginásio poliesportivo coberto, quadras de múltiplo uso, parque infantil, quiosques e churrasqueiras, numa área de 21,6 mil metros que no lugar conhecido por Conab.
"Antes muito degradada e violenta, essa área de Manguinhos está se transformando num verdadeiro complexo es¬portivo e de lazer para a população. São praças de esportes, ciclovias, pistas para caminhada, quiosques, brinquedos, área de passeio e convivência", completou a coordenadora do PAC Social 2 da Emop, Ruth Jurberg.
Cerca de R$ 567,7 milhões já foram investidos na primeira fase do PAC Manguinhos. Já foram entregues, entre outras obras, o Colégio Estadual Compositor Luiz Carlos da Vila, um complexo esportivo, um parque aquático, uma UPA 24h, uma biblioteca-parque, um Centro Vocacional Tecnológico (CVT) e 1.048 unidades habitacionais.

Hotel

14/08/2013 - O Globo

É de R$ 23 milhões o contrato da Lafem Engenharia com os espanhóis para construir o Arena Leme, na Zona Sul do Rio. O hotel deve ser entregue em fins de 2014.

Fábrica

A empresa também cuida da expansão da fábrica de soro do laboratório alemão B. Braun, em São Gonçalo. A unidade produzirá 70 milhões de unidades ao ano, podendo chegar a cem milhões. A primeira fase fica pronta em outubro.

Estado cria parque para proteger as florestas do Mendanha

28/08/2013 - O Globo, Emanuel Alencar

Com uma área de 4.398 hectares, abrigando florestas exuberantes, cachoeiras e uma grande variedade de pássaros e mamíferos, o Parque Estadual do Mendanha foi criado, na última sexta-feira, pelo governo do estado. Além da capital, a unidade de conservação abrange os municípios de Nova Iguaçu e Mesquita. O Mendanha tem remanescentes florestais com alto índice de biodiversidade.
Duas audiências públicas precederam a criação do novo parque. A região já era protegida por uma Área de Proteção Ambiental (APA), categoria mais flexível do ponto de vista ambiental.

De acordo com o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, o maciço do Gericinó-Mendanha vem sofrendo com mineração clandestina, extração ilegal de recursos naturais e atividades desordenadas de lazer e turismo.

- Não sei se dará tempo de fazer isso até dezembro, mas vamos colocar na previsão de 2014 a instalação de uma Unidade de Policiamento Ambiental (Upam) no local. Um parque é uma unidade mais restritiva, que garante a conservação dessa joia da floresta atlântica do Rio. E podemos aplicar mais recursos diretos na unidade. A biodiversidade ali é maior inclusive que a da Floresta da Tijuca e a da Pedra Branca - diz o secretário.

A fauna do Mendanha conta com a presença de jaguarundi (Puma yagouaroundi), paca (Agouti paca) e uma população reduzida de macacos-prego (Cebus apela). Na flora, destaque para o jequitibá-rosa (Cariniana legalis) e o cedro-rosa (Cedrela fissilis).

O Mendanha é o 19º parque estadual do Rio. O gestor da unidade será o geógrafo Dario Moreira, formado pela UFRJ. Os recursos para a instalação da unidade e do posto policial virão do Fundo da Mata Atlântica, abastecido por compensações ambientais de empreendimentos licenciados. A cachoeira onde seis jovens foram torturados e mortos por traficantes, em setembro do ano passado, está dentro dos limites do novo parque.

Galeão: 3ª pista exige aterro na baía

12/05/2013 - O Globo

Empresa vencedora do leilão deve levar em conta impactos ambientais e sociais
GERALDA DOCA
geralda@bsb.oglobo.com.br

PABLO JACOB/27-12-2012
Galeão. Anac promete
menos filas e mais conforto
para os passageiros

-BRASÍLIA- O modelo de concessão aprovado para o Galeão vai permitir ao consórcio vencedor do leilão escolher o desenho da terceira pista de pouso e decolagem, prevista na ampliação do aeroporto, que será equipado para atender a uma demanda de 60 milhões de passageiros até 2038. A construção da pista implicará o aterro da baía e a desapropriação de áreas do entorno. Quanto será aterrado e desapropriado é uma decisão a cargo da empresa, que terá que levar em conta os impactos ambientais e sociais da obra. O plano de investimentos prevê a construção de mais um terminal de passageiros, informou ao GLOBO o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marcelo Guaranys.

A previsão é que o edital seja colocado em consulta pública até o dia 24. Guaranys explicou que o edital exigirá distância mínima entre as pistas para que possam operar simultaneamente. A terceira pista não é um investimento imediato, mas necessário para atender a demanda esperada para os próximos 25 anos.

— O desenho (da pista) proposto não será mandatório. As possibilidades que a gente tem são as pistas dentro da área do aeroporto, que podem exigir mais aterro e menor desapropriação, ou uma pista com menos aterro, mas com maior desapropriação — disse Guaranys.

Ele destacou que um dos objetivos é fazer com que o Galeão funcione melhor para passageiros e empresas. A intenção é instalar padrão de operação similar ao dos maiores aeroportos do mundo. A exigência de experiência mínima com terminais de 35 milhões de passageiros, destacou, atrairá um grande operador:

— Queremos uma operação mais voltada para o passageiro e para o uso da infraestrutura. Isso significa mais qualidade, conforto, espaço, processamento rápido, opções de alimentação, menos filas, menos problemas com bagagem. Para as empresas, é preciso garantir segurança e agilidade das operações.●

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Cidade ganha mais um parque ecológico

06/06/2013 - O Globo

Com uma das maiores extensões de cobertura vegetal nativa do país, a cidade tem desde quarta-feira mais uma área ecológica: o Parque Natural Municipal Paisagem Carioca, com 160 hectares, inaugurado ontem, Dia Mundial do Meio Ambiente. É o 14º parque temático criado no município. Ele está localizado nos morros do Leme, Babilônia e São João, áreas de proteção ambiental (APA) e foi criado atendendo a um pedido dos moradores do Leme e do conselho gestor da APA dos três morros.

A área passa a se tornar uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, inviabilizando o antigo projeto de expansão do teleférico do Pão de Açúcar para os morros da Babilônia e do Leme.

"No Dia Mundial do Meio Ambiente não poderíamos celebrar a data de forma melhor, oferecendo aos cariocas e turistas um novo parque natural. Mais uma opção de integração com a natureza e parte da história da cidade. Garantindo mais uma área de preservação", afirmou o secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, por meio de nota.

A área do novo parque recebeu ações de reflorestamento em 1987, numa iniciativa dos moradores da região e do Exército. Em julho de 1995, de acordo com a prefeitura, foram plantadas 60 mil mudas de espécies nativas.

O novo parque oferecerá aos frequentadores uma vista privilegiada da Praia de Copacabana, do Corcovado, do Pão de Açúcar, da Praia de Botafogo, entre outros recantos da cidade. A Trilha Transcarioca, que terá um percurso de 180 quilômetros de extensão desde Barra da Guaratiba, passará pelo Parque Natural Paisagem Carioca.

Galeão: 3ª pista exige aterro na baía

12/05/2013 - O Globo

Empresa vencedora do leilão deve levar em conta impactos ambientais e sociais
GERALDA DOCA
geralda@bsb.oglobo.com.br

PABLO JACOB/27-12-2012
Galeão. Anac promete
menos filas e mais conforto
para os passageiros

-BRASÍLIA- O modelo de concessão aprovado para o Galeão vai permitir ao consórcio vencedor do leilão escolher o desenho da terceira pista de pouso e decolagem, prevista na ampliação do aeroporto, que será equipado para atender a uma demanda de 60 milhões de passageiros até 2038. A construção da pista implicará o aterro da baía e a desapropriação de áreas do entorno. Quanto será aterrado e desapropriado é uma decisão a cargo da empresa, que terá que levar em conta os impactos ambientais e sociais da obra. O plano de investimentos prevê a construção de mais um terminal de passageiros, informou ao GLOBO o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marcelo Guaranys.

A previsão é que o edital seja colocado em consulta pública até o dia 24. Guaranys explicou que o edital exigirá distância mínima entre as pistas para que possam operar simultaneamente. A terceira pista não é um investimento imediato, mas necessário para atender a demanda esperada para os próximos 25 anos.

— O desenho (da pista) proposto não será mandatório. As possibilidades que a gente tem são as pistas dentro da área do aeroporto, que podem exigir mais aterro e menor desapropriação, ou uma pista com menos aterro, mas com maior desapropriação — disse Guaranys.

Ele destacou que um dos objetivos é fazer com que o Galeão funcione melhor para passageiros e empresas. A intenção é instalar padrão de operação similar ao dos maiores aeroportos do mundo. A exigência de experiência mínima com terminais de 35 milhões de passageiros, destacou, atrairá um grande operador:

— Queremos uma operação mais voltada para o passageiro e para o uso da infraestrutura. Isso significa mais qualidade, conforto, espaço, processamento rápido, opções de alimentação, menos filas, menos problemas com bagagem. Para as empresas, é preciso garantir segurança e agilidade das operações.●

Cidade ganha mais um parque ecológico

06/06/2013 - O Globo

Com uma das maiores extensões de cobertura vegetal nativa do país, a cidade tem desde quarta-feira mais uma área ecológica: o Parque Natural Municipal Paisagem Carioca, com 160 hectares, inaugurado ontem, Dia Mundial do Meio Ambiente. É o 14º parque temático criado no município. Ele está localizado nos morros do Leme, Babilônia e São João, áreas de proteção ambiental (APA) e foi criado atendendo a um pedido dos moradores do Leme e do conselho gestor da APA dos três morros.

A área passa a se tornar uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, inviabilizando o antigo projeto de expansão do teleférico do Pão de Açúcar para os morros da Babilônia e do Leme.

"No Dia Mundial do Meio Ambiente não poderíamos celebrar a data de forma melhor, oferecendo aos cariocas e turistas um novo parque natural. Mais uma opção de integração com a natureza e parte da história da cidade. Garantindo mais uma área de preservação", afirmou o secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, por meio de nota.

A área do novo parque recebeu ações de reflorestamento em 1987, numa iniciativa dos moradores da região e do Exército. Em julho de 1995, de acordo com a prefeitura, foram plantadas 60 mil mudas de espécies nativas.

O novo parque oferecerá aos frequentadores uma vista privilegiada da Praia de Copacabana, do Corcovado, do Pão de Açúcar, da Praia de Botafogo, entre outros recantos da cidade. A Trilha Transcarioca, que terá um percurso de 180 quilômetros de extensão desde Barra da Guaratiba, passará pelo Parque Natural Paisagem Carioca.

Legado olímpico

26/05/2013 - O Globo

Da arena para a escola: prefeitura investe na arquitetura nômade, que garantirá uso de equipamentos após os jogos

O Parque Olímpico será construído onde antes ficava o Autódromo de Jacarepaguá, na Zona Oeste. As obras estão em andamento há quase um ano. A área, de 1,18 milhão de metros quadrados, está sendo preparada para receber um público de mais de 100 mil pessoas por dia e abrigar 12 instalações: o Centro de Esportes Aquáticos Maria Lenk, o Velódromo, o Ginásio de Ginástica, três arenas do Centro de Treinamento Olímpico, a Arena de Handebol, o Centro de Esportes Aquáticos, o Centro de Tênis, o Centro Internacional de Transmissão (IBC), o Centro Principal de Mídia (MPC) e o Hotel de Imprensa. No parque serão disputados basquete, judô, tênis, ciclismo, polo aquático, natação, nado sincronizado e três modalidades de ginástica, além de nove dos Jogos Paralímpicos, que serão realizados em seguida.
O princípio que definiu os parâmetros do complexo esportivo foi o de garantir à cidade e aos cariocas um legado. As obras de infraestrutura e a manutenção do espaço, durante 15 anos, são de responsabilidade do consórcio Rio Mais. Vencedor da licitação em sistema de Parceria Público-Privada, o Rio Mais vai construir três ginásios, o centro de imprensa e o hotel dos jornalistas encarregados de cobrir a competição. A maior parte das instalações esportivas - como a Pista de Atletismo, o Velódromo e o Complexo de Tênis, além do Centro de Esportes Aquáticos e da Arena de Handebol - está sob responsabilidade do município, com financiamento da União.
Instalações temporárias, como a Arena de Handebol e o Centro de Esportes Aquáticos, foram concebidas com o conceito de arquitetura nômade, que prevê o seu reaproveitamento em outro local depois dos jogos.
Já as estruturas permanentes estão sendo desenvolvidas para abrigar competições do circuito internacional de tênis e terão a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), que assegura a sustentabilidade de edificações.
A arena principal do Centro de Tênis, que ocupará 12 mil m² e terá capacidade para 10 mil pessoas e sete quadras permanentes farão parte, no futuro, do Centro Olímpico de Treinamento (COT), voltado para atletas de alto rendimento, consolidando importante legado esportivo para a cidade.
No Parque Olímpico já funcionam o Centro de Esportes Aquáticos Maria Lenk, que receberá as competições de polo aquático, o Velódromo da Barra e a Arena Multiuso dos Jogos Pan-Americanos de 2007.
No Centro de Esportes Aquáticos serão realizadas as provas de natação, em uma instalação temporária de 14 mil m² de estruturas metálicas unidas por parafusos com capacidade para 18 mil lugares. A piscina, projetada em chapas metálicas modulares, poderá ser desmontada e instalada em outro lugar ao fim da competição.
A Arena de Handebol, com capacidade para 12 mil espectadores, começará a ser construída no segundo semestre deste ano e ocupará área de cerca de 35 mil m². Depois, o equipamento será desmontado e transformado em quatro escolas municipais. O que permitirá o reaproveitamento é a concepção inovadora da arquitetura nômade.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Torres da Petrobras trazem novos ares à Lapa

24/08/2013 - O Globo, Ramona Ordoñez

A mudança lenta e gradual de dez mil funcionários da Petrobras, que estavam espalhados em vários prédios da cidade, para os dois novos prédios do Centro Empresarial Senado, no bairro da Lapa, vai provocar uma importante revitalização na área antes degradada. A expectativa é que novos restaurantes e lojas comerciais comecem a surgir no entorno, levando mais segurança e melhor iluminação à região. Para se ter uma ideia do que significa esse número de pessoas que vão circular na região, no edifício sede da Petrobras, na Avenida Chile, trabalham cerca de oito mil funcionários e circulam em torno de 13 mil pessoas todos os dias.

A mudança de várias áreas da Petrobras para as duas torres do Centro Empresarial Senado começou em maio último, e a previsão da estatal é que a transferência dos dez mil empregados seja concluída até o fim deste ano. Até agora, já foram transferidos cerca de 1,3 mil pessoas.

O empreendimento é da WTorre Engenharia e Construção, e a Petrobras está alugando duas das quatro torres construídas no quarteirão formado pelas ruas do Senado e dos Inválidos, pela Avenida Henrique Valadares e pela Travessa Dídimo.

Segundo a Petrobras, vão trabalhar nos novos prédios cerca de dez mil pessoas, de diferentes áreas da empresa. Atualmente já foram para as novas instalações equipes das áreas Internacional e Gás e Energia. Futuramente, as áreas de Engenharia, Tecnologia e Materiais e Abastecimento também ocuparão o Centro Empresarial Senado. Muitos dessas áreas estavam espalhadas em vários prédios do centro da cidade do Rio, e agora se concentrarão no Centro Empresarial Senado. 

As novas instalações eram cada vez mais necessárias considerando o forte crescimento nas atividades da Petrobras nos últimos anos. A empresa atualmente produz cerca de 2 milhões de barris por dia de petróleo e pretende duplicar esse volume até 2020.

Segundo dados da W Torre Engenharia, o Centro Empresarial Senado tem quatro torres com um total de 70 pavimentos, sendo considerado um dos maiores edifícios empresariais Brasil. O complexo segue os critérios de sustentabilidade de acordo com os pré- requisitos da certificação LEED, com o uso de tecnologias sustentáveis como sistema de ar condicionado com insuflação pelo piso, o que permite economia de energia e aproveitamento de água, programas de eficiência energética e elevadores capazes de gerar energia durante a sua descida.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Revitalização da Lapa atrai cada vez mais lucros

23/08/2013 - O Dia, Aurélio Gimenez e Stephanie Tondo

Em constante processo de revitalização, o Rio Antigo atrai cada vez mais empreendedores. A região, que engloba Lapa, Cinelândia, Rua do Lavradio, Praça Tiradentes, Largo de São Francisco e Rua da Carioca, já era famosa pelos antiquários, casas noturnas e gastronomia, e atualmente tem recebido também novos empreendimentos imobiliários, além de serviços, como academias de ginástica e lavanderias.

Presidente do Polo Novo Rio Antigo, Isnard Manso explica que a associação é multissetorial. "O polo começou liderado pelo antiquariato, mas hoje tem também restaurantes, lavanderias, escritório de design e hotéis, entre outros", diz.

Segundo ele, a revitalização começou a partir de uma iniciativa das casas noturnas, bares e restaurantes da Rua do Lavradio. "Os empresários buscaram revitalizar essa região, que estava degradada, inicialmente sem apoio do poder público", conta.

Atualmente, a prefeitura tem voltado suas atenções para o Centro: não apenas o Rio Antigo, mas também a Região Portuária. Para Isnard, porém, ainda falta estrutura, como iluminação, segurança e limpeza das ruas.

Secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Solidário, Vinícius Assumpção reconhece que ainda há muito a fazer, mas afirma que já houve melhorias: "A prefeitura tem apostado em infraestrutura no Centro".

Comerciantes da Lapa pedem redução de ISS

Proprietário do bar Rio Rock & Blues Club, Marcelo Reis aposta na região, mas diz que legislação está desatualizada para novos empreendimentos

Autor do livro 'Até que enfim é segunda-feira', o empresário e proprietário do bar Rio Rock&Blues Club, há cinco anos na Rua do Riachuelo, Marcelo Reis, assegura que a experiência é condição indispensável para empreender na Lapa. Segundo ele, a região tem um público eclético e o investidor deve definir bem o perfil do seu negócio para obter sucesso e saber tirar proveito da diversidade da região.

"Os maiores problemas são os imóveis com ocupação irregular e sem escritura. Esses prédios não podem se tornar negócios legalizados e viram informais de baixa qualidade, comprometendo o desenvolvimento da região, pois ninguém está disposto a investir num imóvel com problemas", ressalta.

Ele lembra ainda que a região merecia uma legislação específica para permitir mais casas de shows, boates e restaurantes com música ao vivo. "Apesar da boa vontade do poder público, a legislação vigente acaba impedindo que imóveis históricos abriguem mais negócios dessa natureza em função da estrutura antiga", explica Marcelo Reis.

Hoje, o Polo Novo Rio Antigo tem 62 empreendimentos associados. Um dos fundadores da associação e sócio do grupo Rio Scenarium - que tem ainda os restaurantes Mangue Seco e Santo Scenarium - Plínio Fróes diz que a relação com a prefeitura melhorou nos últimos anos.

"Boa parte das nossas reivindicações tem sido atendida, como a reabertura da Lapa nos fins de semana, que foi positiva para os empresários. Agora pleiteamos a redução do ISS (Imposto sobre Serviços) de 5% para 2%, uma isonomia com os empreendimentos do Porto Maravilha", aponta o diretor de comunicação da associação.

Para Fróes, a região ainda tem muito a crescer, pois existem vários imóveis abandonados, fechados ou subocupados. O animador cultural destaca que melhorar o centro histórico de um município é o melhor investimento que o poder público e o empresário podem promover em prol desta mesma cidade.

Movimento cresce na Feira do Lavradio

A Feira do Rio Antigo acontece sempre no primeiro sábado do mês, na Rua do Lavradio. Com cerca de 350 expositores, a feira recebe 20 mil visitantes por edição. Além das barracas, que oferecem os mais variados produtos, há ainda a presença de artistas de rua e exposições.

Artesã e integrante da feira há cerca de um ano, Angela Macedo Vallejos oferece, com o marido Alfredo, sacolas de pano feitas a mão. Ela conta que consegue vender até R$ 2 mil por dia. "O faturamento é bom, mas esse dinheiro precisa ser reinvestido na compra de material para produzir as bolsas", explica. Os modelos custam de R$ 10 a R$ 45.

Para Angela, a revitalização do Rio Antigo foi fundamental para o crescimento da feira e o desenvolvimento do comércio nas proximidades da Lapa. "O movimento aumenta a cada mês, a feira está crescendo muito. E não tem apenas turistas, tem muito morador do Rio também, que vem passear. O carioca está redescobrindo a cidade", afirma.

Academias de ginástica são o novo boom

Além das inúmeras casas noturnas, empreendedores investem agora em serviços na Lapa. São hotéis, lavanderias e academias de ginástica, entre outros.

Inaugurada em abril na Rua do Riachuelo, a Gift Club apresenta proposta inovadora de academia. Com investimento de R$ 1,5 milhão e em dois mil metros quadrados, o empreendimento oferece ao morador ou trabalhador da Lapa uma série de atividades no segmento de saúde e fitness. A previsão é alcançar, até o fim do ano, 2.750 alunos inscritos.

Estabelecimentos de gastronomia e arte ajudam a aquecer o polo

Localizado no número 34 da Rua do Lavradio, em um casarão construído no século XVIII, o Ateliê Belmonte está completando 15 anos. A data será comemorada com um coquetel nesta quinta-feira, dia 22, a partir das 18h, quando o ateliê também receberá a exposição Retratos Imperiais.

Inaugurado em 2007 na Rua do Riachuelo, o Lapa 40 Graus investiu recentemente R$ 800 mil em reformas. "Temos a preocupação de fortalecer a cultura, a música e a dança na região", diz Carlinhos de Jesus, sócio-diretor do estabelecimento.

Um dos pontos mais tradicionais do Rio de Janeiro, a Confeitaria Colombo, fundada em 1894, na Rua Gonçalves Dias, também faz parte do polo.

Para quem quer apreciar diferentes tipos de cachaça, o bar e restaurante Mangue Seco, na Rua do Lavradio, é a pedida, com mais de cem tipos de cachaça diferentes.

Recentemente, o polo recebeu cinco novos associados: Só Kana, Botequim Belmonte, Boteco da Garrafa, Antonio's Bar, na Avenida Mem de Sá, e Botequim Docari, na Lavradio.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O presente de Lota ao Rio, 48 anos depois

16/08/2013 - O Globo, Flávio Tabak

Peladeiros, moradores de rua, pais e filhos, assaltantes, turistas, vizinhos, prostitutas e qualquer tipo de visitante diurno ou noturno do Parque do Flamengo devem a Lota de Macedo Soares a existência do único espaço público do Rio que oferece área verde entre uma praia inteira e a cidade. Os carros, ali, são coadjuvantes. Pedestres e ciclistas circulam do Centro à Zona Sul longe da fumaça dos carburadores.

Arquiteta autodidata, Lota convenceu o então governador da Guanabara e seu amigo Carlos Lacerda a fazer daquele aterrado um enorme parque urbano. Nestes seus quase 48 anos, passou por cíclicos altos e baixos, e certas áreas de seu 1,2 milhão de metros quadrados de terras provenientes do desmonte do Morro de Santo Antônio, na Lapa, nem sempre funcionaram ou foram preservadas como o previsto.

A um dia da estreia do longa "Flores raras", de Bruno Barreto - sobre a história de amor entre Lota (Glória Pires) e a poetisa americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto) e sobre suas trajetórias pessoais -, o Parque do Flamengo sobrevive como nosso autêntico, e carioquíssimo, Central Park. E um de seus grandes problemas é a descaracterização do projeto de Roberto Burle Marx, como atestou o arquiteto e paisagista Haruyoshi Ono, de 69 anos. Ele foi estagiário de Burle Marx durante a construção do parque e, décadas depois, herdou seu escritório. Esta semana, Ono visitou o parque a convite do "Globo a Mais".

No fim de 1960, Lota recebeu carta branca do governador. Assim, convocou e coordenou uma equipe notável, que incluía, além do paisagista Burle Marx, os arquitetos Affonso Eduardo Reidy, Sergio Bernardes e Jorge Moreira; e o botânico Luiz Emygdio de Mello Filho. Reuniões eram feitas num barracão desconfortável instalado no meio do campo deserto. Foram muitas brigas antes, durante e depois da construção, mas o ímpeto de Lota e o apoio de Lacerda garantiram que o projeto caminhasse. Uma das principais disputas vencidas por Lota foi a de manter somente duas pistas de automóveis, já que havia pressão por quatro.

A cidade de hoje tem no Parque do Flamengo um ambiente também elaborado por seus habitantes ao longo destas quase cinco décadas. Os campos de futebol, revestidos por grama sintética, são um sucesso e não passam uma noite vazios. Antes do parque, a cidade não tinha campos de futebol públicos desse porte. Por outro lado, vários jardins de Burle Marx sofrem com a falta de conservação e são usados como banheiro. O mesmo ocorre com a área que seria destinada ao nautimodelismo, passatempo cuja atração são os barcos de miniatura usados por colecionadores. Sobrou apenas um tanque seco.

Áreas mais desertas, como a do gramado perto da Marina da Glória, são perigosas e registram assaltos. Já o longo banco de madeira sobre o deque do Rio Carioca, novidade dos anos 2000, é um animado, e bem conservado, ponto de encontro de moradores. Na madrugada, os trechos perto do MAM, do anfiteatro e do Monumento Estácio de Sá são pontos de prostituição masculina e feminina e até de orgias promovidas por grupos adeptos do sexo ao ar livre.

Arquiteta e professora do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da FAU/UFRJ, Lucia Costa fez sua tese de doutorado sobre o parque, que, diz ela, sempre foi usado como espaço político. As brigas vão desde as decisões iniciais do projeto até a recente polêmica sobre a ampliação da Marina da Glória, ainda sem desfecho, segundo o Iphan. Lucia ressalta que o parque de hoje reflete não apenas as intenções de quem o projetou, porque, como todo espaço público, existe uma construção social:

- O projeto final do parque, a cara que ele tem hoje, é uma mescla de três agentes: quem projetou, quem administra e a população que usa. Não existe área pública sem conflitos, e cada sociedade os resolve com uma negociação silenciosa. Quando está lotado de mendigos, a classe média se afasta. O poder público entra, resolve, e a classe média volta. Tem sido assim nestes quase 50 anos. Há uma capacidade de regeneração fantástica, e isso faz dele um projeto muito especial.

Discípulo de Burle Marx critica abandono do parque

Os gramados do Parque do Flamengo são bem aparados e há mudas plantadas em vários pontos. Mas muitas das ideias de Burle Marx para o paisagismo dali estão borradas pela falta de manutenção. No gramado que simula as ondas do calçadão de Copacabana, há ervas daninhas que descaracterizam o desenho original. As gramas claras e escuras não estão separadas como deveriam. As plantas avermelhadas aos pés das árvores pau-mulato, num retângulo instalado entre as ondas, não existem mais. O mesmo ocorre em frente ao Monumento aos Pracinhas, onde há pequenas estruturas de concreto com mato onde deveria haver plantas.

Essas constatações são do arquiteto e paisagista Haruyoshi Ono, que diz não gostar de frequentar o parque porque fica "triste e revoltado". O discípulo de Burle Marx, que herdou seu escritório, estima que ainda restam 70% do paisagismo original.

- Quando passo por aqui, sempre penso no Burle Marx. É praticamente um estado de abandono. Sabemos que é quase impossível manter um jardim 100% cuidado, mas ervas-de-passarinho (pragas que matam árvores) são fáceis de se erradicar. As árvores estão quase todas infestadas por doenças e parasitas, e isso é falta de manutenção - diz Ono.

A prefeitura respondeu, em nota, sobre os problemas. A Secretaria de Desenvolvimento Social diz fazer ações periódicas para acolher pessoas em situação de rua. Sobre os problemas de conservação, a Comlurb informa que atua com 120 garis, que fazem a limpeza, manutenção do mobiliário e poda. Engenheiros florestais e agrônomos avaliam as condições da vegetação e programam serviços. A prefeitura afirma não ser a responsável pelo banheiro perto da Marina da Glória. A Rioluz, por sua vez, informa ter um projeto para refazer a iluminação dos jardins perto do MAM. A Guarda Municipal explica manter atuação permanente no parque, com 22 guardas, além de equipes motorizadas.

Para o antropólogo Felipe Berocan Veiga, pesquisador do Laboratório de Etnografia Metropolitana (LeMetro/IFCS/UFRJ), o parque é um dos espaços de lazer mais democráticos do Rio:

- O Aterro é uma espécie de miniatura da cidade, um lugar capaz tanto de traduzir os encantos da natureza quanto os eventuais problemas de segurança.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Via Binário será aberta ao tráfego no dia 30 de setembro

17/08/2013 - O Globo, Fernanda Fontes

Após dois anos de obras, a primeira grande avenida do projeto Porto Maravilha será aberta ao tráfego no dia 30 de setembro: com 3.500 metros de extensão, a Via Binário é paralela à Avenida Rodrigues Alves. E será inaugurada sem o Túnel Oscar Niemeyer, que só ficará pronto em junho de 2014. Até lá, a pista em direção ao Viaduto do Gasômetro funcionará a partir da Rua Silvino Montenegro e, no sentido oposto, rumo à Avenida Rio Branco, será utilizada plenamente. Segundo a prefeitura, a abertura e o bom funcionamento da Binário do Porto são fundamentais para a demolição da Perimetral, prevista para o fim do ano.

O atraso na entrega das obras ocorreu por determinação da prefeitura - a demolição da Perimetral estava prevista para começar este mês -, que optou por não fazer grandes intervenções no trânsito durante a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

- Sem a Binário, fica impossível derrubar a Perimetral. Ela vai servir como alternativa para quem passa pelo viaduto, que vai ser demolido até o final do ano. Antes disso, precisamos fazer testes e simulações no trânsito - diz o prefeito Eduardo Paes.

Avenida revelará patrimônio da região

O movimento de operários e tratores é intenso. No trecho mais adiantado, onde fica o Túnel da Saúde, já dá para ter uma ideia de como vai ficar. As duas galerias, com 80 metros cada, estão prontas. Quem passar ali verá, de um lado, a estrutura do futuro prédio do Banco Central e, do outro, as obras do AquaRio, que está sendo construído no antigo frigorífico Cibrazem.

- Estamos fazendo testes de carga, afinal teremos ali um tanque de quatro milhões de litros de água, o maior da América Latina. Vamos cumprir o cronograma, inaugurando em novembro de 2014 - garante Sávio Neves, um dos diretores do AquaRio. - Na fachada, manteremos o símbolo do frigorífico, que é um urso polar.

Com a abertura da Binário, uma nova paisagem se descortina diante dos olhos de motoristas e pedestres. A começar pelo Morro da Saúde, hoje visto à distância. Lá estão alguns resquícios de uma antiga fábrica e a Igreja de Nossa Senhora da Saúde, erguida em 1742 por Manoel da Costa Negreiros, um traficante de escravos.

- É uma igreja barroca linda e tinha um conjunto de azulejos portugueses belíssimo. O Morro da Saúde faz parte da história da Zona Portuária. O lugar inicialmente era ocupado por chácaras, e, logo abaixo, tinha o mar. Depois a região foi transformada numa área industrial e ali foi construída uma fábrica - diz o historiador Nireu Cavalcanti.

Mais adiante, em direção ao Centro, fica a sede do Moinho Fluminense, um conjunto de cinco prédios que funciona ali desde 1887. Os carros vão passar sob um de seus pórticos. Nesse cenário cultural da Binário do Porto, ainda estão a Cidade do Samba e a bucólica Praça da Harmonia.

Pela pistas da nova avenida, deverão circular até 4.500 veículos por hora em cada sentido. A previsão é que, no início, esse número seja bem menor, já que a Rodrigues Alves e a Perimetral continuam funcionando. Com a abertura do Túnel Oscar Niemeyer, que tem 1.480 metros de extensão, o motorista acessará a via pela Primeiro de Março (no sentido Gasômetro) .

A Binário será acompanhada em toda a sua extensão pelo VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que deverá ser inaugurado em 2015. Já em 2016, entrará em cena a Via Expressa, maior avenida do Porto, com 5 quilômetros.

Outra obra que vai de vento em popa é a do Museu do Amanhã, projeto do arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Mais de 500 operários trabalham inclusive à noite. As paredes curvas do museu, que será dedicado às ciências, já ganham forma.

- A obra do Calatrava é muito complexa, como um lego mais elaborado, porque as peças são curvas e de grandes dimensões. É praticamente um trabalho manufaturado - diz Luiz Carlos de Souza Lobo, diretor de operações da Concessionária Porto Maravilha

Plano Lucio Costa: os descaminhos da ocupação da Barra

28/05/2013 - O Globo

Primeira reportagem da Coluna DesignRio, do jornal O Globo, mostra que área de abrangência do projeto é quase seis vezes o tamanho da Zona Sul

O canteiro de obras do Centro Metropolitano Guilherme Leporace / Agência O Globo
RIO - Durante muito tempo ainda, deixe-se a várzea tal como está, com o gado solto pastando. E só quando a urbanização da parte restante, da Barra à Sernambetiba, se adensar; quando a infraestrutura, organizada nas bases civilizadas e generosas que se impõem, existir, e a força viva da expansão o impuser, aí então, sim, terá chegado o momento de implantar o novo centro que, parceladamente embora, já deverá nascer na sua escala definitiva. O momento vislumbrado pelo arquiteto e urbanista Lucio Costa em 1969, época da criação do Plano Piloto para a Baixada de Jacarepaguá, começa a tomar forma. A área de quase cinco quilômetros quadrados cerca de 10% da Barra , destinada pelo autor para receber o Centro Metropolitano da Guanabara, virou um enorme canteiro de obras, onde sobem atualmente um shopping, um hotel e prédios comerciais. Passados 44 anos da aprovação da proposta do modernista para urbanizar a região, o lugar que ele queria ver como o novo Centro da cidade começa a entrar no mapa carioca com uma concepção diferente da que saiu da prancheta do urbanista, assim como ocorreu em grande parte da ocupação da Barra e arredores. E agora, embalado pela multiplicação de obras para os Jogos Olímpicos de 2016, esse Centro Metropolitano (res)suscita uma reflexão sobre o que foi desvirtuado do Plano Piloto.

Centro geográfico da Região Metropolitana do Rio, o terreno do Centro Metropolitano está nas mãos de grupos privados, que realizam projetos isolados. Mas, na cabeça de Lucio Costa, a área seria inteiramente desapropriada pela prefeitura e ocupada com edificações feitas num modelo similar ao de parcerias público-privadas.

Ali, segundo Lucio Costa, seria o centro da cidade capaz de complementar o centro atual, que está, na verdade, numa ponta do Rio. Ele achava que a prefeitura colocaria ali sua sede ou um complemento de sua sede. Se você tivesse um novo downtown ali, não precisaria ir até o Centro trabalhar. Essa era uma base do plano relembra o arquiteto e urbanista Hugo Hamann, que integrou o grupo de trabalho da Baixada de Jacarepaguá, responsável pela aplicação do plano, posteriormente transformado na Superintendência de Desenvolvimento da Barra da Tijuca (Sudebar).

Abrangendo uma área de 120 quilômetros quadrados seis vezes maior que a Zona Sul , o Plano Piloto partiu da existência de um grande eixo que cruzava a região e não poderia ser alterado: a rodovia BR-101, que virou a Avenida das Américas. A concepção de Lucio é que ela se mantivesse como uma via expressa, sem sinais de trânsito e cruzamentos. Para viabilizar os retornos de carros e a travessia de pedestres, ele previu passagens de nível, dispostas a cada quilômetro, que nunca saíram do papel. O intervalo seria o mesmo entre os conjuntos de torres residenciais, criando uma alternância de volumes arquitetônicos com as áreas ocupadas por casas.

Esse balanço se manteve razoavelmente ao longo do desenvolvimento da região, já que os gabaritos foram com frequência esticados pela pressão imobiliária. Um dos exemplos claros é a orla, que deveria ter apenas prédios de cinco andares para não bloquear a visão do mar a exceção seriam hotéis nas extremidades da praia , mas, com o tempo, ganhou vários edifícios altos.

Para Hamann, um dos maiores ataques ao plano veio com a instalação da Cidade da Música (hoje Cidade das Artes), no cruzamento entre a Avenida das Américas e a Avenida Ayrton Senna, onde Lucio Costa previa um trevo rodoviário para conectar e distribuir o fluxo que viria da Linha Amarela quando ela ficasse pronta. Medidas como a construção de um mergulhão (já pronto) no local são vistas por ele como paliativas.

Não há dúvida de que tanto o conceito quanto parte do desenho originalmente traçados por Lucio Costa para a região foram se perdendo ao longo dessas quatro décadas. Uma mudança de rumos que levou o próprio autor do projeto a abandonar a Sudebar em 1981 e a declarar em entrevistas frases como: Nem tenho lembrança de ter sido criador desse projeto. Seguiu-se uma polêmica que levou a Câmara Municipal do Rio a constituir, em 1984, uma comissão especial de inquérito que concluiu ter havido deformações no plano.

O conceito do Centro Metropolitano da Guanabara, que era para ser sede do governo, já se perdeu. E as terras são privadas (parte da Carvalho Hosken, parte da Teruskin e parte da CEF, em litígio). A Barra vem sendo ocupada em camadas, a partir da praia. Essa região foi ficando para depois porque é baixada, tem solo mais complicado. Mas chegou o momento dela, que pode ter aproveitamento misto diz o arquiteto Edmundo Musa, que participou com o irmão, Edson, da equipe que projetou o Nova Ipanema e o Novo Leblon, entre os primeiros condomínios do bairro, e hoje trabalha em projetos como o do Hotel Hyatt, também na Barra.

Para Musa, no entanto, muito do plano foi respeitado:

A Barra era um pouco idealizada por Lucio Costa. Mas noto que muita coisa deu certo. O plano inicial era muito sem detalhamento. Em uma folha de papel estava projetado todo o sistema viário do bairro. Depois, o professor Lucio Costa passou a publicar resoluções em folhas de mimeógrafo. O primeiro compêndio delas é o decreto 324. Só que o tempo solicitou, por exemplo, as ligações transversais. A Barra é carente delas. O progresso trouxe as estações de BRT na Avenida das Américas. Quem ia imaginar isso?

Ironicamente, de tempos em tempos, empreendimento imobiliários são lançados com o apelo de marketing do purismo evocado pelo Plano Lucio Costa.

O que se observa é que empreendimentos retomam a bandeira do Plano Piloto, pelo que ele vende como valor. Como uma chancela de qualidade. Eu creio que não é mais possível falar em Plano Piloto, porque tamanhas foram as alterações, e elas acontecem há tanto tempo, que na realidade é muito difícil dizer que algo hoje corresponde rigorosamente às diretrizes do plano opina o arquiteto Gerônimo Leitão, autor do livro A construção do eldorado urbano: o Plano Piloto da Barra da Tijuca e da Baixada de Jacarepaguá, 1970/1988.

O crescimento do bairro, segundo a prefeitura, levou a administração municipal a fazer o que considerava serem adequações. Entre os novos projetos, a Secretaria municipal de Obras cita a implantação do sistema BRT. Ainda segundo o órgão, um outro mergulhão será construído pela iniciativa privada em frente ao BarraShopping. Já na altura da Avenida Salvador Allende, foi construído um viaduto para melhorar a circulação. A prefeitura lembra, ainda, que algumas passagens de pedestres foram construídas na Avenida das Américas.

A Barra, que hoje é considerada a Miami do Rio, chegou a ser chamada de Sertão carioca pelo Correio da Manhã, em 1932. Lá, em 1959, avistou-se pela última vez uma onça-pintada em liberdade na cidade. Dezenove anos antes, a então fazenda de restinga de uma estrada de ferro inglesa não tinha mais do que cem moradores, além de jacarés e cobras. Só a partir dos anos 70, a região se tornou alternativa de moradia. O boom do bairro veio na década de 80. Segundo dados preliminares do Censo de 1980, entre 1970 e 1980, quando a população da cidade do Rio cresceu 21%, a da Barra aumentou 65% (de 31.057 para 51.299). Em 2000, de acordo com os mais recentes dados do IBGE disponíveis, o número de habitantes da Região Administrativa da Barra (que abrange, além da Barra da Tijuca, Camorim, Grumari, Itanhangá, Joá, Recreio dos Bandeirantes,Vargem Grande e Vargem Pequena) chegava a 174.353. Com isso, enquanto em meados dos anos 70 o número de carros que cruzavam diariamente a Avenida das Américas era de cerca de 19 mil (40 mil aos domingos), hoje passa de 135 mil.

A expectativa da Copa do Mundo, das Olimpíadas, as obras viárias... Tudo isso fez a Barra voltar ao palco da expansão e da atração imobiliária, muito ligadas ao progresso. O bairro é grande, ainda tem muita coisa para acontecer lá. Até pouco tempo atrás, a Barra ia até o Carrefour. O resto era Recreio. A Benvindo de Novaes era Recreio. O autódromo, que era na Baixada de Jacarepaguá, agora é na Barra da Tijuca avalia Rubem Vasconcellos, presidente da Patrimóvel. É um bairro de coração grande. Ainda vai morar muita gente lá. Você compra um apartamento de cem metros quadrados na Zona Sul pelo preço que compraria um de 350 metros quadrados na Barra.

Centro Metropolitano

A área de quase 5 km² foi delimitada por Lucio Costa na forma de um octógono, cortado por dois grandes eixos viários e vias menores de circulação. Tanto esse desenho quanto os gabaritos estabelecidos por ele estão sendo respeitados, mas outros pontos devem se perder, como a criação de plataformas interligadas por passarelas, para uso exclusivo dos pedestres, com terraços de estar e cafés. Ele também vislumbrou que o Centro estaria integrado ao metrô e teria uma ligação por monotrilho com a Cidade Universitária e o Aeroporto Internacional.

Vias secundárias

De pelo menos 11 vias previstas, quatro não saíram do papel e duas foram parcialmente feitas (as vias 2 e 4, chamadas pelo arquiteto, de vias parque). Elas seriam contínuas e permitiriam o acesso aos conjuntos residenciais evitando a Avenida das Américas. A parte existente da via 2 é a Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, que deveria seguir até a Avenida Salvador Allende. O projeto do novo campo de golfe, no entanto, fica bem no caminho.

Plano paralelo

Para a área entre a Estrada dos Bandeirantes e o Canal do Urubu foram idealizadas residências para famílias com rendimento de três a sete salários mínimos. Segundo o arquiteto Gerônimo Leitão, dizia-se que o modelo criado para a Barra era excludente, e a ideia era que os empreendimentos populares fossem construídos com linhas de crédito do Banco Nacional de Habitação (BNH). O projeto do próprio Lucio Costa, que nunca foi adiante, era uma versão simplificada das superquadras de Brasília.

Gabarito

No plano piloto, o gabarito na Praia da Barra era de cinco andares. Apenas as extremidades da orla poderiam ser ocupadas por hoteis de gabarito maior. Os prédios em geral se tornariam mais altos em direção ao interior da região para não bloquear a visão do mar. Já fora da praia, foi idealizado e, em grande parte, concretizado o intervalo de um quilômetro entre núcleos de torres, alternados com áreas de casas, no eixo da Avenida das Américas. Algumas áreas, como a praia, no entanto, tiveram seus gabaritos deturpados com o tempo. Um dos fatores foi a pressão das construtoras. Em 1981, um decreto municipal alterou o gabarito e criou novas regras de parcelamento.

Avenida Ayrton Senna

Na Via 11, a atual Ayrton Senna, o plano previa uma arborização especial, a ser criada por Burle Marx. Entre a Avenida das Américas e o futuro Centro Metropolitano, seriam plantadas fileiras de palmeiras imperiais. Hoje, não há palmeiras e, no cruzamento com a Américas, foi erguida a polêmica Cidade da Artes. A construção inviabilizou o trevo rodoviário que Lucio Costa pretendia ter ali para conectar e distribuir o fluxo vindo da Linha Amarela, quando ela ficasse pronta.

Golfe

O plano previa reservar lugar para a localização futura de um novo estádio, de novo prado, de nova hípica, de novos campos de golfe, e para instalação dos clubes que fatalmente surgirão. O ponto escolhido para o campo de golfe fica num terreno da empresa Carvalho Hosken, até hoje desocupado, mas destinado a um empreendimento imobiliário já aprovado pela prefeitura, segundo a construtora. Se o campo de golfe tivesse sido criado ali, provavelmente o Rio não estaria às voltas com a polêmica em torno do campo para os Jogos Olímpicos. Pela proposta da prefeitura, o empresário Pasquale Mauro cederá lotes para a construção do campo na Avenida das Américas, próximo à clínica Riomar, e, em troca, o município autorizará parâmetros urbanísticos mais liberais para outros terrenos do empresário na região.

Feira permanente dos estados

Também nunca foi adiante a criação de uma Feira Permanente dos Estados, que Lúcio Costa previa que ficasse na parte então desocupada da península do Autódromo de Jacarepaguá, onde agora será construído o Parque Olímpico dos Jogos de 2016. Segundo o plano, a região seria composta por uma sequência de hemiciclos murados de diâmetro e altura variáveis, caiados de branco e dispostos de acordo com a posição relativa que os estados ocupam no país.

Península

A Península e a área de cerca de 1km2 que se estende dos fundos do shopping Via Parque em direção à Lagoa da Tijuca ganhariam projetos específicos orientados pela Sudebar. A primeira proposta para a Península, segundo o arquiteto Hugo Hamann, foi de autoria do arquiteto Sergio Bernardes: seriam 14 prédios circulares, com seis ou oito andares. O dono dos dois terrenos, Carlos Carvalho, conta que buscou na Justiça o direito de elevar o gabarito da Península invocando o princípio da isonomia, já que áreas próximas teriam direito a prédios mais altos. Depois de quase duas décadas de briga judicial, Carvalho conseguiu alterar os gabaritos: a Península tem hoje 109 prédios, de até 15 andares. Já o outro terreno, onde, segundo Carvalho, Lucio Costa previu o gabarito de cinco andares, começa a ser preparado para receber 80 edifícios de 12 pavimentos.

Ondas

O desenho de vias onduladas, cortadas por ruas oblíquas, deveria seguir até o Recreio, mas parou na Avenida Salvador Allende.

sábado, 17 de agosto de 2013

Via Binário será aberta ao tráfego no dia 30 de setembro

17/08/2013 - O Globo

Primeira grande obra o Porto Maravilha, avenida levou dois anos para ser construída

FERNANDA PONTES

[FOTO]
Túnel Oscar Niemeyer só ficará pronto em junho de 2014
Foto: Paula Giolito

RIO - Após dois anos de obras, a primeira grande avenida do projeto Porto Maravilha será aberta ao tráfego no dia 30 de setembro: com 3.500 metros de extensão, a Via Binário é paralela à Avenida Rodrigues Alves. E será inaugurada sem o Túnel Oscar Niemeyer, que só ficará pronto em junho de 2014. Até lá, a pista em direção ao Viaduto do Gasômetro funcionará a partir da Rua Silvino Montenegro e, no sentido oposto, rumo à Avenida Rio Branco, será utilizada plenamente. Segundo a prefeitura, a abertura e o bom funcionamento da Binário do Porto são fundamentais para a demolição da Perimetral, prevista para o fim do ano.
O atraso na entrega das obras ocorreu por determinação da prefeitura — a demolição da Perimetral estava prevista para começar este mês —, que optou por não fazer grandes intervenções no trânsito durante a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
— Sem a Binário, fica impossível derrubar a Perimetral. Ela vai servir como alternativa para quem passa pelo viaduto, que vai ser demolido até o final do ano. Antes disso, precisamos fazer testes e simulações no trânsito — diz o prefeito Eduardo Paes.
Avenida revelará patrimônio da região
O movimento de operários e tratores é intenso. No trecho mais adiantado, onde fica o Túnel da Saúde, já dá para ter uma ideia de como vai ficar. As duas galerias, com 80 metros cada, estão prontas. Quem passar ali verá, de um lado, a estrutura do futuro prédio do Banco Central e, do outro, as obras do AquaRio, que está sendo construído no antigo frigorífico Cibrazem.
— Estamos fazendo testes de carga, afinal teremos ali um tanque de quatro milhões de litros de água, o maior da América Latina. Vamos cumprir o cronograma, inaugurando em novembro de 2014 — garante Sávio Neves, um dos diretores do AquaRio. — Na fachada, manteremos o símbolo do frigorífico, que é um urso polar.
Com a abertura da Binário, uma nova paisagem se descortina diante dos olhos de motoristas e pedestres. A começar pelo Morro da Saúde, hoje visto à distância. Lá estão alguns resquícios de uma antiga fábrica e a Igreja de Nossa Senhora da Saúde, erguida em 1742 por Manoel da Costa Negreiros, um traficante de escravos.
— É uma igreja barroca linda e tinha um conjunto de azulejos portugueses belíssimo. O Morro da Saúde faz parte da história da Zona Portuária. O lugar inicialmente era ocupado por chácaras, e, logo abaixo, tinha o mar. Depois a região foi transformada numa área industrial e ali foi construída uma fábrica — diz o historiador Nireu Cavalcanti.
Mais adiante, em direção ao Centro, fica a sede do Moinho Fluminense, um conjunto de cinco prédios que funciona ali desde 1887. Os carros vão passar sob um de seus pórticos. Nesse cenário cultural da Binário do Porto, ainda estão a Cidade do Samba e a bucólica Praça da Harmonia.
Pela pistas da nova avenida, deverão circular até 4.500 veículos por hora em cada sentido. A previsão é que, no início, esse número seja bem menor, já que a Rodrigues Alves e a Perimetral continuam funcionando. Com a abertura do Túnel Oscar Niemeyer, que tem 1.480 metros de extensão, o motorista acessará a via pela Primeiro de Março (no sentido Gasômetro) .
A Binário será acompanhada em toda a sua extensão pelo VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que deverá ser inaugurado em 2015. Já em 2016, entrará em cena a Via Expressa, maior avenida do Porto, com 5 quilômetros.
Outra obra que vai de vento em popa é a do Museu do Amanhã, projeto do arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Mais de 500 operários trabalham inclusive à noite. As paredes curvas do museu, que será dedicado às ciências, já ganham forma.
— A obra do Calatrava é muito complexa, como um lego mais elaborado, porque as peças são curvas e de grandes dimensões. É praticamente um trabalho manufaturado — diz Luiz Carlos de Souza Lobo, diretor de operações da Concessionária Porto Maravilha.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/via-binario-sera-aberta-ao-trafego-no-dia-30-de-setembro-9592853#ixzz2cEPPv2XK 
© 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Mais três projetos residenciais para o Porto

13/07/2013 - O Globo

Caixa Econômica está perto de aprovar empreendimentos

A Caixa Econômica Federal está prestes a aprovar três novos projetos residenciais na Zona Portuária. Administrador do fundo imobiliário que detém os Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), o banco pretende fechar o negócio nas próximas "semanas ou meses", afirma o superintendente nacional de Fundos de Investimentos Especiais da Caixa, Cassio Viana de Jesus.

Até agora, apenas um projeto foi confirmado, o Porto Vida, na Rua General Luiz Mendes de Moraes, perto da Avenida Francisco Bicalho. Serão 1.330 unidades. As negociações com interessados nos três outros projetos estão em fase avançada. O maior deles deve reunir uma ou duas torres residenciais, prédios comerciais, shopping e provavelmente um hotel ou flat.

A novidade vem no momento em que se discute o risco de esvaziamento residencial na região em decorrência do acúmulo de projetos comerciais, uma preocupação do prefeito Eduardo Paes e de arquitetos e urbanistas. Segundo a Caixa, há a preocupação de evitar o esvaziamento moradores e o inchaço de trabalhadores no Porto.

- Avaliamos algumas modelagens (para o maior projeto), e talvez seja uma única torre residencial, só que mais alta. Mas, hoje, os desenhos apontam para duas torres. Será um conceito multiuso. Temos a preocupação de não fazer do Porto Maravilha um lugar exclusivo de um fim, seja residencial, industrial ou comercial. São necessárias residências, sem elas a região fica sem vida depois das 18h, degradada - ressalta o superintendente.

Mais 3.100 apartamentos

Os dois outros complexos devem oferecer apartamentos de dois e três quartos, com cerca de 70 a 90 metros quadrados. Somados, os novos prédios residenciais ofereceriam 3.100 apartamentos. O superintendente ressalta que há uma "curva de absorção" dos projetos e que nem todos podem ser lançados em um curto espaço de tempo. De todas os Cepacs - que permitem construir no novo gabarito e financiam operações urbanas na região -, cerca de 30% já estão comprometidos com empreendimentos diversos. A Caixa decide, caso a caso, se os vende ou se faz permutas e participa do investimento. O modelo ainda não foi decidido.

- Com as 1.300 do Porto Vida, chegaríamos, neste momento, a 4.400 unidades, ou seja, uma população oscilante de quase 15 mil pessoas na região - afirma Viana de Jesus.

Segundo o superintendente de Fundos de Investimentos Especiais da Caixa, não estão descartados sequer projetos no padrão do Minha Casa Minha Vida, do governo federal, programa voltado para pessoas de menor renda:

- Até o momento não formos procurados por interessados em projetos desse tipo, mas não temos restrição. Da nossa parte, não há questão relativa a padrões, e sim à viabilidade econômica do empreendimento.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Ruína aos pés do Cristo

23/07/2013 - O Globo

Em estilo neocolonial, o casario do Largo do Boticário, do século XIX, está abandonado e as promessas de revitalização ainda não se concretizaram -Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo

RIO - Aos pés de um dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e de um ícone nacional, o Cristo Redentor, um bairro que clama por socorro há anos. No Cosme Velho, principal acesso ao Corcovado e que já foi um dos endereços mais nobres da cidade, a desordem urbana e o abandono de parte do patrimônio histórico têm se sobressaído em meio ao clima bucólico que, apesar de tudo, resiste. As propostas de soluções já foram muitas, algumas cercadas de polêmica. Mas ainda estão longe de resolver problemas que se arrastam, como as calçadas estreitas e esburacadas, a degradação do Largo do Boticário, o trânsito pesado e as dificuldades de turistas se acharem em meio a toda a confusão. Entre os moradores, a chegada da JMJ aumenta as dúvidas se a infraestrutura do lugar suportará os milhares de visitantes que estão na cidade para o evento. E é comum ouvir que a região, com 7.178 habitantes segundo o Censo 2010 do IBGE, precisa de um "choque de investimentos".

Os motivos da cobrança são logo percebidos. Na Praça São Judas Tadeu, ao lado do ponto de partida do trenzinho do Corcovado, jardins malcuidados e estacionamento irregular são o cartão de visita para os turistas. Muitos ficam perdidos, sem saber que ônibus pegar para outras áreas da cidade. O que levou moradores a fazerem o papel da prefeitura, espalhando pelo bairro avisos com os itinerários das linhas. O empresário Rodrigo Pieruccetti cuidou do ponto em frente à sua loja.

— Como na parada não há informações sobre as linhas que circulam por aqui, a todo momento vinha um turista me pedir ajuda. Decidi, então, pôr a placa, em inglês e português. Os garis da Comlurb ainda tentaram levá-la, por não se tratar de um mobiliário urbano oficial — conta Rodrigo, que indicou até que baldeação fazer para quem quiser sair dali rumo ao Pão de Açúcar.

Uma preciosidade do Rio, o Largo do Boticário, com seu casario em estilo neocolonial do fim do século XIX, é outro retrato do descaso. Os turistas vão visitá-lo para fazer fotos e saem com indisfarçada frustração.

— Com certeza é um recanto lindo. Mas achei que estivesse mais bem cuidado. Talvez mais gente viesse aqui se o lugar estivesse preservado — disse Maristela Gomes, turista de Pernambuco.

Os próprios moradores resistem a frequentar o largo, como o aposentado João Batista, de 80 anos, 55 deles no Cosme Velho. Além da degradação do casario, ele assistiu às consequências do abandono do Rio Carioca, que passa ao lado e deu nome ao povo da cidade, tendo sido fundamental no abastecimento do Rio — amostras de suas águas chegaram a ser vendidas em farmácias por se acreditar que tinham propriedades especiais.

— É uma pena. Antigamente, o Carioca tinha cheiro de flores, era límpido. Mas hoje restou a sujeira e o cheiro de esgoto — dizia João Batista, enquanto pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz colhiam água do rio para um estudo sobre bactérias resistentes a antibióticos.

Embora algumas casas (as de número 20, 26, 28 e 30) tenham sido desapropriadas pela prefeitura em março, elas ainda respiram decadência. Num processo de degradação que já dura décadas — até com episódios de invasões — algumas construções parecem ruínas, com as belas fachadas coloridas descascadas e telhados caindo aos pedaços.

Quando saiu o decreto de desapropriação, o prefeito Eduardo Paes havia dito que os imóveis seriam alvo de uma licitação para a escolha de uma rede hoteleira disposta a criar hotéis de charme. Presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Washington Fajardo explica que, no momento, o casario está sendo avaliado pela Procuradoria do município, enquanto está na Câmara dos Vereadores um projeto para flexibilizar a utilização de imóveis preservados e tombados do Largo do Boticário e o Solar dos Abacaxis, também no Cosme Velho. Pela proposta, eles poderiam ter uso diferente do permitido atualmente, restrito à moradia, e abrigar atividades de comércio e serviços.

Há duas semanas, o proprietário do terreno vizinho ao largo, Henrique de Brion, fazia uma avaliação do imóvel. Nos anos 1970, ele teve a casa da família e o antigo Hotel das Águas Férreas desapropriados para dar origem ao atual terminal de ônibus do Cosme Velho. Ele agora apresentará ao município um projeto de uso hoteleiro do restante de seu terreno:

— A ideia é criar casas integradas às árvores. O Largo do Boticário ganharia quatro bistrôs.

Santa Cruz

31/07/2013 - O Globo

A CCR fará o estudo técnico para construção do anel viário de Santa Cruz, na Zona Oeste. Venceu disputa com EcoRodovias e consórcio Carioca-Queiroz Galvão, diz Jorge Arraes, subsecretário de Projetos Estratégicos. A proposta foi de R$ 4,5 milhões, num teto de RS 6 milhões estabelecido pela Prefeitura do Rio.