quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O hotel do Donald Trump

29/01/2014 - O Globo

Vai ser de alto luxo o hotel que Donald Trump inaugura em 2016, no Jardim Oceânico. Ele terá 13 andares e 171 quartos - 11 deles com piscina privativa e terraço com ista para o mar. O projeto, de R$ 200 milhões, prevê também a construção de boate, spa e uma piscina com borda infinita, vista panorâmica da praia e toda rodeada por cabanas VIP.

Imóveis na Cruzada se valorizam até 135%

27/10/2013 - O Globo

Os sinais da mudança são anunciados na entrada da Cruzada São Sebastião, no Leblon. Ao chegar a um dos dez blocos do conjunto habitacional, onde moram cerca de cinco mil pessoas, uma das moradoras pergunta se a entrevistada é a nova vizinha que, há pouco mais de 19 meses, vem influenciando o cotidiano do lugar. À porta, Deisi Soleti abre seu apartamento de 24 metros quadrados para contar por que preferiu investir no conjunto que foi inaugurado em 1957, no coração do Leblon. Embora pequeno, o seu apartamento teve valorização de 135% em menos de dois anos.

Ex-comissária de bordo da Varig, Deisi se viu sem condições de manter o apartamento que tinha na Rua Almirante Guilhem, no mesmo bairro. Não titubeou: vendeu o imóvel e comprou o apartamento de quarto e sala que, totalmente remodelado, virou referência de decoração para os vizinhos que, em sua maioria, moram em imóveis com problemas de conservação.

- Perto de minha aposentadoria, vi a Varig e o Aerus (o fundo de pensão da companhia) irem à falência. Na época, morava em um apartamento de 120 metros quadrados a uma quadra daqui, e a primeira coisa que pensei foi: "como vou me manter aqui?".

Pagava um condomínio de R$ 1.200 e só pensava que, à beira dos 50 anos, não arranjaria um emprego que me permitisse ficar. Por isso decidi me mudar. Pensei na Barra, mas vi que não daria para fugir do condomínio. Percebi que a solução seria vir para cá. Moraria no mesmo lugar, a duas quadras da praia, perto da escola da minha filha, e viveria com minha aposentadoria.

Daisi enfatiza que sua visão é de quem está investindo na cidade:

- Quando saí do meu apartamento, senti os olhares de quem diziam: "ih, faliu!". Sei que me viam como uma derrotada. Mas minha visão é outra. É a de empreendedora. Comprei o apartamento há um ano e sete meses por R$ 170 mil. Hoje, a Caixa Econômica avaliou o apartamento em R$ 400 mil.

Deisi não foi a única a enxergar além do estereótipo. Assim como ela, profissionais liberais, jovens estudantes e investidores têm buscado moradia na Cruzada e outras áreas da cidade como as favelas pacificadas da Rocinha e do Vidigal. Com essa migração, os preços dos imóveis subiram.

Janela de oportunidades

O urbanista Jake Cummings, pesquisador da Universidade de Harvard que estudou a gentrificação em áreas de baixa renda da Zona Sul, diz que casos como o da Cruzada concentram três fenômenos que, juntos, criam as condições para a transformação: acessibilidade, uma economia forte e o interesse de compradores com maior poder aquisitivo:

- Especialistas discutem sobre qual dessas três forças é mais importante, mas, recentemente, Rio vem experimentando todas as três. E, enquanto a economia do estado tem crescido nos últimos anos, os custos de habitação têm aumentado muito mais rapidamente que a renda. E os megaeventos que vêm para a cidade trouxeram todos os tipos de reformas urbanas. Somadas a isso, as UPPs efetivamente reconfiguraram a infraestrutura de segurança nesses lugares.

Cummings afirma que, apesar de a gentrificação ser lembrada também pelo choque que produz entre novos e antigos moradores, o fenômeno representa uma oportunidade:

- Esses lugares precisam de investimento, e a iniciativa privada e o poder público estão dispostos a investir. O desafio é canalizar esses investimentos de forma inclusiva.

Na favela do Vidigal, um dos objetos de estudo do pesquisador americano, vive a londrina Alex Gillot, de 27 anos, que chegou ao lugar há três anos vinda de uma viagem à América do Sul e, contrariando o conselho de amigos, estabeleceu-se no lugar antes do início do processo de pacificação. Na época, segundo ela, o número de estrangeiros era menor e eles ficavam encantados pela forma como os moradores se relacionavam entre si e no espaço público.

Alex conta que, após o início da pacificação, percebeu mudança nas manifestações culturais. Por isso, se uniu a três amigas, a gaúcha Vanessa Garrone e a carioca Angélica Grativol, ambas recém-chegadas à favela, e Lin Falcão, uma comunicadora do Vidigal, para criar um movimento cultural. Com o apoio de oito ONGs e de moradores, organizaram o primeiro Vidigal Cria Ativos, ocupando ruas com shows e oficinas gratuitas destinados a moradores locais. Ciente do papel de agente da transformação que ela critica, diz que o mais importante é o esforço para manter e os valores, apesar das transformações:

- É fácil achar que a culpa é do estrangeiro, mas esse é um movimento experimentado por todo o Rio. Favela está na moda. Precisamos mostrar a quem chega que há um código e uma história a serem respeitados.

A favela é, segundo o arquiteto Rogério Goldfeld Cardeman, pesquisador do processo de ocupação do Rio, o maior exemplo de gentrificação na cidade hoje:- Estão fazendo pousadas no topo da favela por causa da vista. Com isso, as pessoas vendem seus terrenos e saem dali.André Gosi, diretor social da Associação de Moradores do Vidigal, afirma que a vinda de pessoas de fora está gerando oportunidade:- Quem está sabendo enxergar a oportunidade está ganhando muito dinheiro. Tem gente que transformou a sua casa em pequeno hostel e não para de receber estrangeiros, principalmente da Europa. Mas a gente fica um pouco assustado porque isso valoriza os terrenos e podem surgir muitas ofertas de compra. Na minha opinião, dentro de 15 anos a comunidade estará completamente mudada. Por outro lado, não podemos condenar as pessoas que vendem o terreno, porque muitos moradores de fato querem voltar para sua terra natal.

Novos e velhos costumes

Na Cruzada São Sebastião, costumes dos novos moradores já entram em conflito com o cotidiano dos mais antigos. Manoel João Camilo foi um dos primeiros a ocupar um apartamento no lugar. Aos 82 anos, é vice-presidente da associação de moradores do conjunto e mora com duas filhas e dois netos em um apartamento de um quarto.Ele diz que os moradores recém-chegados, com exceções, se fecham em suas residências.- Eles trazem a cultura de apartamentos como os da Selva de Pedra (condomínio em frente à Cruzada), onde ninguém sequer se cumprimenta. A maioria é solteira e não tem filhos.A valorização dos imóveis também já é sentida no lugar. Embora não haja números oficiais, os valores subiram mais de 100% no último ano, segundo a associação de moradores local. Sua presidente, Laíde Melo, que nasceu e cresceu no conjunto, conta que, no atual estado em que se encontram, um conjugado está sendo vendido entre R$180 e R$200 mil; um apartamento de um quarto, por R$270 mil; e um de dois quartos por até R$350 mil.

Há informações de que um dos imóveis estaria à venda por R$ 500 mil.Idealizado por Dom Helder Câmara na década de 1950 como um projeto piloto de habitação popular, o conjunto tem 965 apartamentos divididos em dez blocos, onde, na ocasião da inauguração, foram alocados os moradores da Favela Praia do Pinto, que ficava às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. Os três primeiros blocos têm 168 apartamentos conjugados.

Outros quatro, com 84 apartamentos de quarto e sala, e os três blocos restantes, com 42 apartamentos de dois quartos.

Deisi, outra agente da mudança, prefere que seus vizinhos permaneçam:

- Fui muito bem recebida e busquei servir de exemplo para os novos vizinhos, trazer algo que melhorasse a situação de todos. Hoje, as pessoas me convidam para festas, pedem ajuda na reforma de suas casas. E alguns amigos já manifestaram a vontade de vir para cá. Conversei com o síndico do bloco e acho que podemos fazer melhorias. Estamos cobrando uma taxa extra e estudando a possibilidade de alugar um espaço no térreo para um pequeno estabelecimento e reverter o dinheiro para o condomínio.

Presidente da Associação de Moradores da Cruzada São Sebastião (Amorabase), nasceu e cresceu no conjunto idealizado por Dom Helder Câmara. Com 42 anos, é testemunha das mudanças que estão ocorrendo no local. - Os apartamentos foram mudando de donos ao longo dos anos. Inicialmente, quando era todo da Favela do Pinto, todo mundo se conhecia. Com o tempo, veio uma leva de novos moradores, muitos do nordeste, que eram mais reservados. E começaram a mudar esse perfil.

Agora, no entanto, tem vindo muito morador novo para a Cruzada. Eles são diferentes, destoam muito do pessoal mais antigo que mora aqui. É um pessoal com maior poder aquisitivo, que chega com hábitos diferentes. Eles não se entrosam muito. Não participam. Entram em casa e se fecham. Filha de uma das líderes comunitárias mais antigas do conjunto ( a mãe foi presidente da Associação de Moradores e é síndica de um dos dez blocos do conjunto habitacional) comprou um apartamento no local, onde mora com o marido e dois filhos. Falou das mudanças na Cruzada, das dificuldades de gerir a Associação, da discriminação que sempre estigmatizou os moradores do conjunto, e do fantasma da desocupação, que sempre rondou o imaginário de quem chegou aos apartamentos vindo da Favela do Pinto.

- Desde pequeno a gente ouve que vão tirar a Cuzada daqui. Primeiro houve o boato de que o Clube Monte Líbano ia tirar a gente. Depois o vilão era o Scala. Todo mundo dizia que o Scala ia expulsar a gente daqui. Há dez anos, o fantasma passou a ser o Shopping Leblon. E agora é o Metrô. Embora todo mundo tenha escrituras dos apartamentos, esse fantasma (da desocupação) existe há muito tempo e ainda assombra muita gente aqui. Há até quem diga que imobiliárias estão comprando secretamente os apartamentos em nome de um laranja para poder por o conjunto abaixo. Manoel João Camilo

Ex-morador da Favela do Pinto, foi um dos primeiros a ocupar um apartamento na Cruzada São Sebastião. Paraibano de Campina Grande, é, hoje, aos 82 anos, vice-presidente da Associação de Moradores do conjunto. Mora com dois filhas e dois netos em um apartamento de um quarto. É um dos poucos moradores originais da Cruzada e guarda na memória a história do conjunto.

- Morava na Favela do Pinto quando começaram a construir a Cruzada. Na época, houve dois incêndios e, num deles, saí só com a roupa do Corpo. Eu morava com um primo, a mulher e uma filha. Depois do incêndio, eles foram para um alojamento montado no local onde hoje é o Monte Líbano. Como não queria incomodar a rotina deles, pois a filha tinha 14 anos, acabei alugando um apartamentinho em Copacabana e fiquei de fora do cadastro feito pelas freiras, que só consideraram quem estava instalado nos barracões. Meu primo veio para um dos apartamentos e eu fiquei de fora. Mas, veja o destino, fui a uma festa e encontrei a mulher e a filha do meu primo com uma amiga que morava na Cruzada. Chamei-a para a Roda Gigante e acabei vindo pra cá com ela, onde tivemos três filhos e muitos netos.

Ele conta que, ao contrário do que muitos acreditam, os apartamentos não foram dados aos moradores.

- A gente não ganhou os apartamentos, não. A gente comprou. Funcionava da seguinte forma: quem recebia um conjugado, pagava mensalidades equivalentes a 8% do salário mínimo. Quem recebia um quarto e sala, pagava 12% do salário mínimo. Quem recebia um de dois quartos, pagava 15% do salário mínimo. Ele garante que os novos vizinhos são bem-vindos, mas diz que teme pela identidade do local.

- Quando nos mudamos para cá, e só havia pessoas advindas da favela, a vida era outra, muito diferente. Todo mundo se conhecia e nós eramos mais unidos. Com o tempo, os apartamentos começaram a ser vendidos e isso mudou. Num primeiro momento, os novos moradores, a maioria do nordeste, se fechou. Eles chegavam e saíam e ninguém via. Hoje as pessoas que chegam são ainda mais fechadas. Trazem para cá a cultura de apartamentos como o Selva de Pedra, aqui da frente, onde ninguém sequer se cumprimenta. Esse pessoal novo não aparece, não procura saber o que acontece na vizinhança. Vivem trancados em casa ou vivem na rua. A maioria é solteira e não tem filhos.

Ex-comissária de bordo da Varig, ela se viu, a dois anos da aposentadoria, sem condições de manter o apartamento que tinha na Rua Almirante Guilhem. Não titubeou: Vendeu o imóvel e omprou um apartamento de quarto e sala na Cruzada São Sebastião. Embora diga que não quer que o lugar perca a aura de cidade do interior, sua chegada ao conjunto já está influenciando a vizinhança e trazendo mudanças.

- Fui muito bem recebida aqui e eu busquei servir de exemplo para os novos vizinhos, trazer algo que melhorasse a situação de todos. Hpoje, minha presença aqui está influenciando os moradores. Minha casa virou ponto turístico.. As pessoas me chamam para festas, para pedir ajuda na reforma de suas próprias casas. E alguns amigos já manifestaram a vontade de vir para cá também. Tenho conversado com o síndico do bloco e acho que podemos melhorar ainda mais. Já estamos cobrando uma taxa extra para fazer melhorias. No futuro, acho que podíamos aproveitar o espaço no térreo para trazer mais dinheiro para o condomínio, alugando-o para alguns pequeno estabelecimento comercial. Eu mesmo penso que poderia fazer um café. Não quero ser síndica. Acho que é muito cedo. Mas ainda há a questão do respeito. Ele está há mais tempo. Então, por respeito, quero trabalhar junto a ele.Sobre uma possível saída dos moradores antigos, ela lamenta:

- Sei que tenho o direito de morar aqui, que é um espaço tão querido para eles. Mas não gostaria que ninguém vendesse seus apartamentos porque não tem mais condições de morar aqui. Quero fazer parte do mundo deles, mas com ideias novas. Aqui é como uma cidade do interior. Interajo com todo mundo e minha porta fica aberta o dia inteiro. Em que lugar eu ia ter isso no Leblon?

No prédio onde morava, um pequeno edifício de três andares e poucos apartamentos, as pessoas tinham uma dificuldade enorme de interagir. Via que as pessoas saíam e deixavam seus filhos com as babás. Morei mais de 20 anos sem conhecer os vizinhos.O apartamento de Deisi, que foi totalmente reformado, virou modelo de bom gosto e decoração. Na parede, cartazes emoldurados recomendam: "Keep calm and drik wine" e "Home is where the heart is". Janelas de vidro temperado dão a privacidade que a porta aberta deixa à merce da curiosidade dos vizinhos. Do lado de fora, flores e a vista do Cristo.

Moradora do Vidigal desde a década de 1990, Graça aprova a transformação pela qual a favela está passando mas diz que não quer ficar para testemunhar a mudança. Ela diz que quer vender sua casa, que fica na entrada da comunidade, para comprar um imóvel no no subúrbio. É legal ver o Vidigal visitado por pessoas diferentes, mas o custo de vida subiu muito. A cerveja, por exemplo está mais cara que em um botequim do Leblon. Agora você até encontra marcas importadas em qualquer bar, mas o preço subiu muito. Tem ainda a questão da oportunidade. Quero aproveitar que o preço dos imóveis se valorizou para comprar uma casa no Méier, onde sempre quis morar.

As três amigas chegaram no Vidigal nos últimos anos e vem testemunhando, com muitas críticas, as mudanças que estão alterando o perfil dos moradores. Para elas, o processo que pôs a favela em evidência está fazendo com que as manifestações culturais tradicionais desapareçam.

- Antes, as manifestações culturais na comunidade era voltadas para os moradores. Agora, são voltadas para os turistas e para a classe média. Uma festa numa laje chega a custar R$ 150.Pensando nisso, buscaram o apoio de ONGs e de moradores locais para um movimento de resgate da cultura da favela. O esforço resultou no evento Vidigal Cria Ativos, que leva hoje para a Rua Benedito Calixto, antiga Rua Nova, a partir das 12h, um dia inteiro de atividades como oficinas gratuitas e performances de artistas locais.Jake CummingsFormado em Urbanismo pela Universidade de Harvard, o americano Jake Cummings tem estudado o fenômeno da atração dos estrangeiros em favelas cariocas e o impacto no custo de vida nestas comunidades.O que está levando a gentrificação às áreas de de baixa renda da Zona Sul do Rio?

Existem geralmente três fenômenos que, juntos, criam as condições para a gentrificação em um bairro de baixa renda particular. A primeira é o interesse do consumidor: um segmento mais rico da sociedade torna-se interessado em viver naquele bairro. A segunda são as condições econômicas: em uma economia forte, o crescimento da renda pessoal e a migração interna que supera a oferta de habitação na cidade. Isso leva o mercado imobiliário a exercer pressão sobre a habitação. Assim, famílias com maior poder aquisitivo começam a comprar e alugar imóveis em bairros de baixa renda. Os moradores dessas áreas, por sua vez, mesmo que se beneficiem do crescimento econômico, geralmente acabam sobrecarregados pelo aumento dos aluguéis. A terceira é a acessibilidade. Parte do valor de um imóvel é determinada por sua localização, ou seja, pelo nível de acessibilidade a uma variedade de destinos urbanos . Projetos de reestruturação urbana que introduzem nova infraestrutura de transportes, como uma linha de metrô, ou outras instalações, como parques e zonas comerciais de varejo, mudam essa equação. Especialistas discutem sobre qual destas três forças é mais importante, mas, recentemente, o Rio vem experimentando todos os três fenômenos.

No caso das favelas, há um interesse de longa data, especialmente a nível internacional, com o surgimento do fenômeno da "favela chique". Na sua opinião, quais as áreas de baixa renda do Rio são mais suscetíveis ao fenômeno?

Alguns argumentam que a gentrificação só pode acontecer na Zona Sul, mas este é um reducionismo. Se considerarmos esta equação (demanda + economia + acessibilidade), existem favelas em outros lugares que são suscetíveis. Com a introdução de uma UPP , um teleférico e um novo arranjo comercial, o Complexo do Alemão, por exemplo, teve aumentada a acessibilidade a algumas de suas áreas, mesmo que se diga que os agentes de gentrificação ali sejam diferentes dos que agem no Vidigal. A gentrificação das favelas cariocas começou com uma cara internacional e entrou de mãos dadas com a economia do turismo, mas isso não significa que ela não está se ampliando. Quem sofre mais com o fenômeno?

Os mais vulneráveis ​​aos efeitos da gentrificação são justamente os que vivem de aluguel. Favelas como a Rocinha , que têm uma grande proporção de imóveis alugados, são de particular preocupação. Quais os aspectos positivos e negativos da gentrificação nessas comunidades?

Este é um assunto controverso. Um aspecto chave, que é positivo, são as melhorias físicas que normalmente chegam com a mudança. O principal ponto negativo é, naturalmente , o deslocamento dos moradores existentes. Acho que a coisa mais importante a lembrar é que , em geral, o Rio está no caminho para ter uma divisão social mais forte, não apenas em termos econômicos, mas em termos espaciais, ou geográfica. Sem uma robusta política habitacional, os moradores pobres deslocam-se cada vez mais para áreas periféricas, com baixos níveis de acessibilidade. Grandes cidades mundiais, como São Paulo ou Lagos, na Nigéria, já viram isso acontecer, e este é um futuro possível para Rio. Se favelas com boa infraestrutura e bem localizados então se valorizam ou são erradicadas, e seus moradores são empurrados para projetos habitacionais longíquos, em lugares como o Cosmos e Campo Grande, na Zona Oeste, estamos incentivando a continuação de todos os problemas ligados à marginalização: tráfico de drogas, milícias, a extrema desigualdade social e a falta de oportunidade. Décadas de experiência em cidades americanas mostrou-nos que este é um resultado terrível, mesmo que seja em grande parte resultado da lógica do mercado. Como evitar isso?

Outras áreas de interesse incluem o que me refiro como a manutenção da integridade social e cultural. Não se trata de preservar favelas em seu estado atual, opondo-se a todo desenvolvimento ou à mudança na sua composição social. Qualquer bairro pode evoluir ao longo do tempo, de uma geração para a seguinte. As favelas também. Na verdade, uma força das favelas é o seu dinamismo e sua incrível capacidade de adaptação. Mas, em um curto período de tempo, a gentrificação pode ter o efeito de perturbar o tecido social e prejudicar a capacidade de adaptação que os pobres têm desenvolvido a fim de sobreviver. Além disso, a gentrificação é culturalmente homogenização. Favelas são a essência da identidade cultural do Rio de Janeiro. E cada favela é única. Na medida em que as favelas são transformadas em abrigos para a classe média ou retiros turísticos, este bem cultural estará perdido. O que o poder público pode fazer para minimizar os efeitos negativos da gentrificação na vida dos moradores?

O primeiro ítem da lista deve ser a questão do direito à habitação. O governo precisa ampliar e diversificar o seu plano para a expansão da oferta de habitação para os moradores de baixa renda. A partir do início de 2012, quando realizei minha pesquisa, cerca de 80% por cento da construção de novas habitações para os moradores de renda mais baixa (entre 0 e 3 salários mínimos) sob o programa Minha Casa Minha Vida foram planejadas para as bordas externas do Rio, na Zona Oeste. Algumas ações foram tomadas pela Prefeitura para resolver esse desequilíbrio, mas muito mais precisa ser feito. É preciso haver um menu mais amplo de opções: moradores de baixa renda, especialmente trabalhadores, devem ter outras opções além da possibilidade de morar em favelas que ainda não sofreram os efeitos da gentrificação ou em uma unidade remota na periferia. Em um mercado imobiliário ativo como o de hoje, uma das políticas mais eficazes é o chamado zoneamento inclusivo. Incorporadores deveriam ser obrigados a fornecer uma fração das novas unidades habitacionais a moradores de baixa renda. Isso porque o ambiente econômico de hoje é tão favorável aos incorporadores, que muitos estariam dispostos a fazer essa concessão em troca de uma licença de construção.

Os complexos mistos que resultam dessa política podem parecer estranhos para muitos brasileiros, mas essas políticas são comuns em mercados imobiliários nos Estados Unidos e funcionam bem. E nas próprias favelas, o que pode ser feito?

Dentro da própria favela, o governo precisa levar a sério a servir os interesses da comunidade. O projeto de integração social favelas tem muitos componentes: melhor infraestrutura, mais serviços, serviços sociais… Mas os itens que acabam sendo priorizados: regularização fundiária, legalização de energia elétrica e serviços de tv a cabo e infraestrutura, são os itens que incentivam a gentrificação ainda mais. Os grupos comunitários em favelas que estão recebendo esses serviços geralmente preferem ter serviços sociais e melhor saneamento em primeiro lugar, antes que esses outros projetos, mas essas preferências são rotineiramente ignoradas. Em última análise, eu acho que a gentrificação será melhor mitigada por medidas tomadas pelas próprias comunidades. Grupos de base dentro de favelas precisam organizar e desenvolver uma visão para a sua comunidade que inclui tanto o crescimento quanto os novos moradores. Desenvolver esta visão, mais cedo ou mais tarde, irá ajudá-los a responder com propriedade as propostas oferecidas pelo poder público e pela iniciativa privada. Isso já vem acontecendo no Vidigal, na Rocinha, no morro da Babilônia, entre outros. Ativistas no Vidigal têm trabalhado com os empresários para garantir que o desenvolvimentos proposto está estruturado de uma forma que respeite o meio ambiente local e para que uma parte dos postos de trabalho e outros benefícios permanecem na comunidade.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Trem Vitória-Minas vai ganhar novos vagões no 1º semestre deste ano

25/01/2014 - G1

Fabricados na Romênia, eles obedecem a padrões europeus de qualidade. Serão, ao todo, 56 novos carros, sendo dez executivos e 30 econômicos.

Ir de Belo Horizonte até Vitória (ES) vai ficar mais confortável porque o trem de passageiros Vitória-Minas vai ganhar novos vagões. A novidade aguardada ainda para o primeiro semestre deste ano é a chegada de novos vagões. Fabricados na Romênia, eles obedecem a padrões europeus de qualidade. Serão, ao todo, 56 novos carros, sendo dez executivos e 30 econômicos, além de vagões-restaurante, lanchonete, gerador e cadeirante (destinado a pessoas com dificuldade de locomoção).

A composição sai de BH às 7h30 e a viagem dura em torno de 13 horas. Cerca de 1 milhão de pessoas viajam todo ano, nos dois sentidos. A média diária é de 3 mil pessoas porque o transporte passa por várias cidades, e vários passageiros embarcam e desembarcam.

Janeiro é um dos meses mais movimentados, por causa das férias e da grande procura por Vitória pelos mineiros.

Fonte: Do G1 MG

Rio enfrenta 'apagão' de planejamento

26/01/2014 - O Estado de São Paulo

Falta de estratégia governamental faz com que empreiteiras, imobiliárias e empresários de ônibus atuem como querem, dizem especialistas

Wilson Tosta - O Estado de S.Paulo

RIO - Sem volta, a morte do Elevado da Perimetral, oficializada ontem com o fechamento do último trecho operacional da via, mudará o centro do Rio, com a possibilidade de mais engarrafamentos. A mudança se dá em meio ao caos vivido nos últimos anos pelas metrópoles brasileiras, que especialistas em urbanismo e mobilidade ouvidos pelo Estado atribuem à inexistência de planejamento público nas áreas de desenvolvimento urbano e transporte.

Agravada pela explosão de carros particulares que atravancam as ruas, estimulados pelas isenções do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e pela gasolina barata, a aparente falta de estratégia do Estado deixa livres grandes empreiteiras, incorporadoras imobiliárias e empresários de ônibus para fazer o que quiserem, avaliam. A crise se aprofunda com as obras para a Copa e a Olimpíada.

"Planejamento e projeto foram desconstruídos nos níveis federal, estadual e municipal. Os governos ficaram sem estruturas permanentes de estudo, mas ganharam muito dinheiro, e os gestores passaram a tomar atitudes discricionárias. Um dia, o governante resolve fazer metrô em uma direção e faz. Em outro, acha que o automóvel no centro é ruim e o bane", diz o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), Sérgio Magalhães.

O fim da Perimetral, pista elevada sobre a Avenida Rodrigues Alves, que liga as zonas norte e sul, se insere em um cenário em que os planos mudam rapidamente. Foi anunciado há meses, mas só no fim de 2013 a prefeitura avisou que provocaria mais mudanças além das previstas, como a mão dupla para veículos na Avenida Rio Branco, principal via do centro.

De acordo com o município, para viabilizar a novidade serão extintas mil vagas para automóvel na região, que deixará de receber 2,5 mil carros por dia.

Magalhães lembra que o Brasil tem 20 metrópoles, com cerca de 175 milhões de habitantes, e duas megacidades - São Paulo e Rio -, mas a lei brasileira trata da mesma forma um município com 2 mil habitantes e outro com 2 milhões.

"O Brasil aspira ser um país desenvolvido e respeitado, mas é o único em que a empreiteira contratada para a obra faz o projeto", critica. "O RDC (Regime Diferenciado de Contratação) é isso. Começou com Copa do Mundo, passou para a saúde, depois para a educação e agora tem um projeto no Congresso para tudo." O resultado dessa terceirização para empreiteiras, diz, é que "começa a existir um custo exagerado de qualquer obra".

Terceirização. Professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ippur-UFRJ), Carlos Vainer ataca a "abdicação do planejamento" do transporte público pelo Estado e a entrega do setor a empresas privadas, que visam ao "lucro máximo".

"Ainda mais quando há a segmentação por uma infinidade de companhias", diz. Como Magalhães, ele critica a ausência de planejamento do espaço urbano no País, que entrega a empreiteiros e grandes proprietários os destinos das cidades brasileiras. Vainer afirma que as obras para Copa e Olimpíada vão na direção inversa à das metrópoles internacionais.

"Hoje, fala-se em cidades densas, compactas, para reduzir distâncias entre os locais de trabalho e moradia e diminuir a necessidade de transporte, o chamado smart growth", explica. "Mas a Olimpíada e a Copa são distantes. Estão estendendo ainda mais os grandes projetos imobiliários. É o modelo americano da cidade estendida, que cresceu para os subúrbios." Vainer lembra que é comum, em outros países, que empresas privadas controlem empreiteiras e o transporte coletivo. A peculiaridade brasileira é a ausência de controle social ou público.

O engenheiro Fernando MacDowell relata que, no Rio, o setor de transportes ficou sem planejamento de 1977, quando nasceu do Plano Integrado de Transportes (PIT), a 2003, com o primeiro Plano Diretor de Transporte Urbano. Entre os problemas gerados por essa falta de programação, aponta a chamada Linha 1-A do Metrô, ligando a Pavuna, na zona norte, a Botafogo, na zona sul (e já na Linha 1 original).

A mudança, diz MacDowell, "congelou" a Linha 2 (que ia da Pavuna ao Estácio e está planejada para ir até a Praça XV), já que usa trens menores (cinco carros, em vez das composições de seis vagões da 1), o que reduz a sua capacidade de transporte. Ele conta ter sido "radicalmente contra" a mudança, feita no primeiro governo Sérgio Cabral Filho (PMDB) pela concessionária, em troca de maior tempo de concessão. "Congela as extremidades da Linha 1 e a Linha 2 inteira. Hoje, a Linha 1-B tem um terço da capacidade que teria a Linha 2 original."

Insuficiente. Uma das consequências dessa falta de planejamento, aponta, ocorrerá quando chegar ao Rio novos catamarãs para fazer a ligação com Niterói, do outro lado da Baía de Guanabara. No passado, a intenção era que os passageiros que chegassem ou partissem pelo mar usassem o Metrô, que não estará na Praça XV. A solução será ônibus convencional, mas não haverá veículos suficientes, nem espaço para eles.

Para o arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti, "não há plano geral, são questões pontuais nas quais as empresas de ônibus decidem o que deve ser feito na cidade". Ele acha "absurdo" o projeto de levar os BRTs, ônibus articulados que viajam em via segmentada, até o centro histórico do Rio.

"Em dez anos, duplicou a frota de automóveis particulares no País", critica. "A saída da crise foi incentivar a compra de carros. A todos os centros históricos do mundo se chega de metrô. Cometeu-se um crime com a Linha 4, era outro percurso." Segundo Cavalcanti, o BRT deveria ser uma linha auxiliar do metrô. Ele critica as consequências dos grandes eventos para as metrópoles do País. "Estão destruindo o centro histórico de Salvador com a especulação imobiliária", afirma. "A Copa e a Olimpíada estão destruindo o Rio."

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Perimetral terá interdição definitiva no sábado

24/01/2014 - O Globo

Demolição do elevado só deve terminar no segundo semestre

RAFAEL NASCIMENTO 

Perimetral será totalmente fechada ao tráfego no sábado - Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
Perimetral será totalmente fechada ao tráfego no sábado - Pablo Jacob / Agência O Globo

RIO - Começa neste sábado, a partir das 22h, uma nova etapa do processo de revitalização da Zona Portuária da cidade. O Elevado da Perimetral, entre a Avenida General Justo e a Praça Mauá, será definitivamente interditado ao fluxo de veículos. Essa etapa compreende a remoção de 1.689 metros da via expressa, da altura da Rua Visconde de Inhaúma até o Terceiro Comar. A interdição ainda vai implicar em mudanças no trânsito, como mão dupla na Marechal Floriano e inversão de mão em outras ruas. Para o secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osorio, o carioca terá de se adaptar:

— O impacto é inevitável - afirmou.

A opção para quem vai em direção ao Aterro é utilizar a Via Binário e a Rua Camerino, ou as avenidas Presidente Vargas, Passos e República do Paraguai, depois Rua Teixeira de Freitas. No sentido Praça Mauá, é melhor seguir pela Avenida Presidente Antônio Carlos, Primeiro de Março, Visconde de Inhaúma, Rio Branco e Via Binário. Para quem vai da Zona Sul para o Centro, é melhor optar pelos túneis Rebouças e Santa Bárbara.

Por conta de alterações no tráfego, os itinerário dos ônibus intermunicipais também serão alterados. Equipes de fiscalização orientarão os passageiros. De acordo com a CET-Rio, as linhas Passeio - São Gonçalo, Duque de Caxias - Castelo, Magé - Castelo, Guapimirim - Castelo, Petrópolis - Castelo, Petrópolis - Castelo e Passeio - Alcântara, que ainda circulavam pelo trecho aberto da Perimetral, passam a acessar a Via Binário do Porto e fazer ponto final no Terminal Menezes Côrtes. As linhas Duque de Caxias - Passeio, Piabetá - Passeio (Via Imbariê), Santa Cruz da Serra - Passeio , Saracuruna - Passeio, Parque São Vicente - Passeio e Passeio-Piabetá, que tinham o ponto final no Passeio, passarão a seguir pela Via Binário e realizar a parada final na Avenida Luis de Vasconcelos.

Outras linhas como Passeio - Nilópolis, Mesquita - Passeio, também utilizarão a Via Binário e farão a parada final na Avenida Augusto Severo, assim como as linhas Alcântara - Castelo e Passeio - Santa Rosa. Já os ônibus Passeio - São Gonçalo, seguirão pela Avenida Francisco Bicalho e farão ponto final na Avenida Augusto Severo, onde os coletivos Alcântara - Castelo também pararão. A linha Charitas - Ipanema chegará ao Centro pela Avenida Francisco Bicalho, onde acessará o Túnel Santa Bárbara e fará o retorno pela praia de Botafogo, para depois retornar ao Centro.

A operação contará com 800 homens, entre guardas municipais, agentes da CET-Rio e operadores da concessionária Porto Novo, além de 54 quatro painéis luminosos. Mil vagas de estacionamento serão suprimidas.

Desta vez, não haverá implosões. Esse trecho da Perimetral será removido com o uso de rompedores hidráulicos e tesouras mecânicas, que vão demolir o concreto e desconectar as vigas. O material será retirado com guindastes. Segundo o presidente da concessionária Porto Novo, José Renato Ponte, a remoção total será feita em três etapas. Na primeira, cerca de cem operários trabalharão em cinco locais, simultaneamente.

— A previsão é que, a partir da interdição, o processo de remoção dure cerca de quatro meses, em cada etapa — disse Ponte. — Na segunda etapa, será derrubado o trecho da Rua Visconde de Inhaúma até a Praça Mauá. E, previsto para o segundo semestre, o trecho entre a Rua Silvino Montenegro e a Praça Mauá, que só será demolido quando o Túnel Binário estiver em operação.

No mês que vem, mais mudanças. A principal será na Avenida Rio Branco, que entre a Presidente Vargas e a Praça Mauá funcionará apenas no sentido Praça Mauá, e entre a Candelária e a Cinelândia terá mão dupla e será exclusiva para ônibus e táxis. O Mergulhão da Praça Quinze também será fechado no dia 8 de fevereiro.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/perimetral-tera-interdicao-definitiva-no-sabado-11388886#ixzz2rKZp2BxF 
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Tiroteio fecha a Linha Vermelha por uma hora

08/04/2013 - O Globo

Policiais passavam por via expressa quando foram atacados por criminosos

O GLOBO (EMAIL · FACEBOOK · TWITTER)
08/04/2013 - 09h00

Tiroteio deixou a Linha Vermelha interditada por uma hora Pedro Teixeira

RIO - Um intenso tiroteio entre policiais e bandidos na altura do Parque das Missões interditou por cerca de uma hora os dois sentidos da Linha Vermelha na noite deste domingo. Apavorados, alguns motoristas abandonaram seus carros e outros retornaram na contramão para fugir do local. Policiais do Batalhão de Choque passavam pela via expressa quando foram surpreendidos por disparos feitos pelos bandidos. Motoristas que passavam pela via relataram ter visto policiais atirando em direção ao Parque das Missões e correndo atrás dos traficantes entre os carros. Enquanto eram perseguidos, mais de 15 bandidos fortemente armados seguiram pelo acostamento, à direita dos carros, segundo motoristas.

Agentes da CET-Rio foram enviados para organizar o trânsito. Mas o congestionamento, sentido Baixada, chegou à altura da Ponte do Saber, próximo à Ilha do Fundão. A melhor opção para os motoristas era a Avenida Brasil.

De acordo com o Batalhão de Choque, inclusive com um blindado da unidade foi enviado para o local. Ainda segundo o batalhão, bandidos do Parque das Missões teriam induzido moradores da comunidade a fecharem a Linha Vermelha. Policias da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, também foram ao local para dar apoio à ação. Até o fim da noite, ainda não havia informações sobre feridos.

O informe de fechamento da CET-Rio chegou ao Centro de Operações Rio às 20h39m. Só às 22h a CET-Rio informou sobre a liberação.

Pela manhã, o Batalhão de Choque informou que bandidos já tinha atirado contra uma viatura da unidade na Avenida Brasil, na altura da Vila do João, no Complexo da Maré.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Trump Towers deve manter demanda das construtoras

03/01/2013 - Brasil Econômico

Obras do projeto de R$ 5 bi em área portuária do Rio começam já no segundo semestre A Trump Towers Rio, projeto de escritórios orçado em R$ 5 bilhões no centro do Rio de Janeiro, oferecerá trabalho às construtoras brasileiras depois que as obras para os jogos Olímpicos de 2016 no Rio diminuírem.

A Even Construtora Incorporadora SA, que é sócia acionária no projeto, terá direitos de preferência e opção para três das cinco torres, disse Stefan Ivanov, presidente do projeto. A construção das primeiras duas torres começará no segundo semestre deste ano e deve ser concluída em 2017.

As torres fazem pane dos esforços do Rio para converter a área portuária, no centro da cidade, em um polo comercial e residencial uma nova rodoviária e um sistema de ferrovias ligeiras, próximo aos dois aeroportos da cidade.

O governo local prevê investimentos de R$ 8 bilhões, boa parte deste montante antes dos Jogos, para a renovação da área de 5 quilômetros quadrados onde serão construídas as Trump Towers.

O complexo ajudará a satisfazer a crescente demanda por escritórios no Rio. "A escassez de espaços de alta qualidade desencorajou muitas companhias estrangeiras a instalarem suas operações ali", disse Ivanov. O empreendimento é uma joint venture entre a MRP International, sediada em Sofia, Bulgária, - que construiu desenvolvimentos urbanos de Londres à Malásia -, o Salamanca Groupe a Even. Os sócios autorizaram o uso da marca Trump Towers para o projeto, mas Donald Trump não fornecerá financiamento. Entre os possíveis construtores está a Odebrecht SA, disse Ivanov. Cada torre valerá cerca de R$ 1 bilhão depois que o espaço dos prédios for alugado, de acordo com Ivanov, que não quis dar estimativas dos custos de construção. Do outro lado da rua, a Solace, um consórcio de empresas brasileirasdeconstrução e engenharia, está construindo uma torre residencial de 1.330 unidades para abrigar a mídia nos logos e que depois do evento será vendida.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Rio de Janeiro vai incluir 37 ruas no mapa cicloviário de Copacabana

15/01/2014 -

Quem utiliza a bicicleta como meio de transporte na zona sul do Rio de Janeiro vai ter mais um motivo para comemorar. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente deu início às obras para a construção de ciclovias em quase todas as ruas de Copacabana.
Segundo a Globo, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente iniciou, na segunda-feira passada, uma série de intervenções para incluir 37 ruas no mapa cicloviário da região.
Actualmente, Copacabana conta com ciclovias nas ruas Figueiredo Magalhães e Xavier da Silveira, além da ciclovia na orla. No entanto, até o fim deste semestre, serão criados novos espaços destinados à bicicletas nas ruas Tonelero (a partir da Figueiredo Magalhães) e Pompeu Loreiro e em 35 vias secundárias os carros terão de dividir o seu espaço com as bicicletas. Nesta zona, os automóveis não estão autorizados a andar a mais de 30 km/h.
Com esta iniciativa, o Rio de Janeiro passará a contar com cerca de 360 km de ciclovias, ou seja, mais 13,87 km de ciclovias, uma das maiores extensões cicloviárias da América Latina, a seguir a Bogotá.
Mas o objectivo é não ficar por aqui e terminar 2014 com 380 km de ciclovias e chegar aos Jogos Olímpicos com 450 km.
Há cada vez mais pessoas a utilizar a bicicleta no dia-a-dia. A ONG Transporte Activo contabilizou 700 bicicletas a circularem em Copacabana durante um período de 12 horas. Numa outra pesquisa, realizada em 2013, a ONG concluiu que são realizadas 11.500 entregas diariamente através de bicicleta em Copacabana.
"Diariamente são realizadas 33 mil viagens em Copacabana, sendo que 38% destinam-se a entregas de mercadorias", afirmou Zé Lobo, director da ONG Transporte Activo. "Esta mudança nas vias secundárias será muito importante para dar mais segurança aos ciclistas e melhorar a convivência entre ciclistas e automobilistas] no bairro", disse.

Porto do Rio renasce

27/10/2013 - O Dia, Aurélio Gimenez

Enquanto a Prefeitura do Rio busca alternativas para minimizar os impactos da interdição da Perimetral, a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp) já contabiliza 70 projetos corporativos e residenciais que serão implantados no projeto Porto Maravilha. Além disso, novos restaurantes, lojas e empresas já se instalam ao longo da Rua Sacadura Cabral e imediações, confirmando o sucesso da revitalização da região.

"Os recursos das obras de de infraestrutura estão garantidos com o leilão dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). Agora, vem o desenvolvimento imobiliário, indutor econômico para os moradores da região", destaca o diretor financeiro da Cdurp, Sérgio Lopes.

Entre os empreendimentos que integram a carteira da companhia estão empresas como GVT, Subsea7, São Carlos, Concal, além de empreendimentos como Porto Atlântico, da João Fortes Engenharia, e Porto Vida Residencial, do consórcio Porto Novo. O Banco Central também estará na região.
Desde o começo das obras do Porto Maravilha, há dois anos, a valorização imobiliária ultrapassou 150%. "O metro quadrado da região subiu. Hoje, todo o Centro vive momento favorável, com lançamentos de prédios que receberam retrofit", aponta Leonardo Schneider, do Sindicato da Habitação (Secovi-Rio).

Melhor mobilidade atrai universidade

De olho nas oportunidades a serem criadas no Porto do Rio, há dois anos a Universidade Estácio de Sá decidiu se instalar na região. Após 22 meses de obras de revitalização do antigo Edifício Venezuela, que no passado abrigou a sede da TV e das rádios Tupi, e que consumiram R$14 milhões, a instituição instalou ali as estruturas de ensino a distância, educação corporativa, cursos livres e preparatórios para concursos.

"Tivemos que tomar uma decisão estratégica para implantar uma nova estrutura. Já pensando no futuro e aproveitando o benefício fiscal da área, resolvemos nos instalar no Porto do Rio, pois é uma área central e no meio do caminho entre os aeroportos do Galeão e Santos Dumont. Assim, evitamos o problema de mobilidade, caso fôssemos para a Barra da Tijuca", diz Marcos Lemos, diretor de EAD da Estácio de Sá.

Bisneto do criador do Angu do Gomes, Rigo Duarte, 31, assumiu o negócio em 2008. Na época, o aluguel custava R$ 1.300 e, atualmente, o proprietário cobra R$ 3.200. "Mas hoje vendemos o triplo", diz o comerciante.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Rio de Janeiro vai incluir 37 ruas no mapa cicloviário de Copacabana

15/01/2014 -

Quem utiliza a bicicleta como meio de transporte na zona sul do Rio de Janeiro vai ter mais um motivo para comemorar. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente deu início às obras para a construção de ciclovias em quase todas as ruas de Copacabana.
Segundo a Globo, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente iniciou, na segunda-feira passada, uma série de intervenções para incluir 37 ruas no mapa cicloviário da região.
Actualmente, Copacabana conta com ciclovias nas ruas Figueiredo Magalhães e Xavier da Silveira, além da ciclovia na orla. No entanto, até o fim deste semestre, serão criados novos espaços destinados à bicicletas nas ruas Tonelero (a partir da Figueiredo Magalhães) e Pompeu Loreiro e em 35 vias secundárias os carros terão de dividir o seu espaço com as bicicletas. Nesta zona, os automóveis não estão autorizados a andar a mais de 30 km/h.
Com esta iniciativa, o Rio de Janeiro passará a contar com cerca de 360 km de ciclovias, ou seja, mais 13,87 km de ciclovias, uma das maiores extensões cicloviárias da América Latina, a seguir a Bogotá.
Mas o objectivo é não ficar por aqui e terminar 2014 com 380 km de ciclovias e chegar aos Jogos Olímpicos com 450 km.
Há cada vez mais pessoas a utilizar a bicicleta no dia-a-dia. A ONG Transporte Activo contabilizou 700 bicicletas a circularem em Copacabana durante um período de 12 horas. Numa outra pesquisa, realizada em 2013, a ONG concluiu que são realizadas 11.500 entregas diariamente através de bicicleta em Copacabana.
"Diariamente são realizadas 33 mil viagens em Copacabana, sendo que 38% destinam-se a entregas de mercadorias", afirmou Zé Lobo, director da ONG Transporte Activo. "Esta mudança nas vias secundárias será muito importante para dar mais segurança aos ciclistas e melhorar a convivência [ entre ciclistas e automobilistas] no bairro", disse.

Arco Metropolitano abre primeiro dos novos acessos a rodovias federais

Arco Metropolitano abre primeiro dos novos acessos a rodovias federais

15/04/2014 - Agência Rio

Está aberta ao tráfego de veículos a alça de interligação da BR-116 (Rio-Teresópolis) com a BR-040 (Rio-Petrópolis), em Saracuruna e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Disponibilizado aos motoristas na segunda-feira (13), o acesso faz parte do trevo que está sendo construído no local e que vai permitir a ligação das duas rodovias com o Arco Metropolitano. Para os motoristas nada muda, porque eles estavam usando um acesso provisório. A alça definitiva tem aproximadamente 1,2 mil metros.

O trevo de interseção vai atender os novos movimentos de tráfego no local. Para tornar isto possível, a atual interseção sofreu uma reformulação, passando a ter seis viadutos, sendo dois de concreto, já executados, e quatro metálicos (dois prontos, um em andamento e o último para ser executado até março) e 12 alças de acesso. A primeira foi liberada na segunda-feira (13) e as demais estão em realização. A previsão é de que até março as obras da interseção estejam concluídas.

Atualmente a interseção atende principalmente ao tráfego que tem como origem e destino as cidades serranas de Petrópolis e de Teresópolis, o Estado de Minas Gerais e o Norte do país e que se destinam ou tem origem no Rio de Janeiro e São Paulo. A nova interseção muda as características atuais e acrescenta a alternativa de destino ao Porto de Itaguaí e a ligação direta entre a Dutra e a Washington Luiz, através do Arco Metropolitano.

"Esta rearrumação viária vai desafogar as vias expressas que cortam o centro urbano da capital, como a Ponte Rio-Niterói, a Avenida Brasil e a Linha Vermelha, especialmente do tráfego pesado dos caminhões de carga que procedem ou se destinam a Minas e Brasília e ao Norte do Estado, ao Espírito Santo e ao Nordeste brasileiro", afirmou o secretário de Obras, Hudson Braga.

Construído pela Secretaria de Obras, o Arco Metropolitano é uma parceria com o governo federal, incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Do total dos 145 quilômetros da rodovia, coube ao Estado construir o chamado trecho virgem, de 70,9 quilômetros, que liga Duque de Caxias a Itaguaí, atravessando Nova Iguaçu, Japeri e Seropédica.

Este segmento da obra, que já está com 90% do cronograma concluído, vai do entroncamento da BR-040 (Rio-Juiz de Fora), em Caxias, ao acesso ao Porto de Itaguaí, na BR-101 (Rio-Santos), cortando a BR-465 (Rio-São Paulo) e a BR-116 (Via Dutra).

O Arco Metropolitano vai interligar rodovias federais que cortam o território fluminense, integrando vários grandes complexos industriais e transformando a Baixada Fluminense em um corredor logístico.

VF

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Trump Towers deve manter demanda das construtoras

03/01/2014 - Brasil Econômico

Obras do projeto de R$ 5 bi em área portuária do Rio começam já no segundo semestre A Trump Towers Rio, projeto de escritórios orçado em R$ 5 bilhões no centro do Rio de Janeiro, oferecerá trabalho às construtoras brasileiras depois que as obras para os jogos Olímpicos de 2016 no Rio diminuírem.

A Even Construtora Incorporadora SA, que é sócia acionária no projeto, terá direitos de preferência e opção para três das cinco torres, disse Stefan Ivanov, presidente do projeto. A construção das primeiras duas torres começará no segundo semestre deste ano e deve ser concluída em 2017.

As torres fazem pane dos esforços do Rio para converter a área portuária, no centro da cidade, em um polo comercial e residencial uma nova rodoviária e um sistema de ferrovias ligeiras, próximo aos dois aeroportos da cidade.

O governo local prevê investimentos de R$ 8 bilhões, boa parte deste montante antes dos Jogos, para a renovação da área de 5 quilômetros quadrados onde serão construídas as Trump Towers.

O complexo ajudará a satisfazer a crescente demanda por escritórios no Rio. "A escassez de espaços de alta qualidade desencorajou muitas companhias estrangeiras a instalarem suas operações ali", disse Ivanov. O empreendimento é uma joint venture entre a MRP International, sediada em Sofia, Bulgária, - que construiu desenvolvimentos urbanos de Londres à Malásia -, o Salamanca Groupe a Even. Os sócios autorizaram o uso da marca Trump Towers para o projeto, mas Donald Trump não fornecerá financiamento. Entre os possíveis construtores está a Odebrecht SA, disse Ivanov. Cada torre valerá cerca de R$ 1 bilhão depois que o espaço dos prédios for alugado, de acordo com Ivanov, que não quis dar estimativas dos custos de construção. Do outro lado da rua, a Solace, um consórcio de empresas brasileirasdeconstrução e engenharia, está construindo uma torre residencial de 1.330 unidades para abrigar a mídia nos logos e que depois do evento será vendida.