quinta-feira, 31 de julho de 2014

Rio: Consórcio não comparece a reunião sobre problemas na Linha 4 do metrô

30/07/2014 - Jornal do Brasil
 
Engenheiros, representantes do Ministério Público e moradores de Ipanema participaram, na última terça-feira (29), de uma reunião na sede da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro (Seaerj) sobre os problemas nas obras do metrô da Linha 4. De acordo com a Seaerj, o consórcio - formado pelas construtoras Odebrecht Infraestrutura, Carioca Engenharia e Queiroz Galvão - foi convidado para o evento através de um ofício, contudo, não compareceu.

A assessoria da Linha 4 informou, através de nota, que "todos os esclarecimentos sobre o evento de 11 de maio, ocorrido na Rua Barão da Torre, em Ipanema, foram prestados à comunidade". "Além de duas coletivas à imprensa, o Consórcio Linha 4 Sul, responsável pela implantação da Linha 4 entre Ipanema e Gávea, recebeu moradores, síndicos e representantes de associações de moradores em reuniões no canteiro administrativo. Também distribuiu folhetos com perguntas e respostas e divulgou os esclarecimentos nas redes sociais da Linha 4, inclusive com vídeos explicativos, e no Informe bimestral da Linha 4. O Consórcio Linha 4 Sul não participa de debates, mas colocou-se à disposição da presidente da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (Seaerj), para recebê-la no canteiro de obras", informou a assessoria. 

Em maio deste ano, um afundamento no solo provocou o surgimento de duas crateras na obra, entre as ruas Teixeira de Melo e Farme de Amoedo. Os moradores queriam explicações do consórcio sobre o que está sendo feito na obra e quais foram as causas do acidente. O Rio Trilhos e o Ministério Público do Estado foram chamados, mas só o  MP compareceu.

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"Nem se queria discutir mais o que causou o problema. O que os moradores queriam era transparência no caso. Queríamos ver qual a nova metodologia adotada, tudo foi feito para isso. Mas no momento em que o consórcio não aparece nem a Rio Trilhos, que também foi chamada, os moradores, muitas vezes leigos, começam a pensar o que quiser, que há riscos, enquanto o consórcio deveria ir lá e simplesmente explicar sua posição", comenta o conselheiro da Seaerj, Nilo Ovídio, responsável pela parte de eventos.

O engenheiro Fernando Azevedo é morador do bairro e parte do grupo Projeto de Segurança de Ipanema (PSI). Ele estava presente no debate, o qual classificou como "péssimo". "Estávamos ali esperando esclarecimentos por parte do consórcio e eles não apareceram", comenta.

O Ministério Público, por sua vez, esteve presente na reunião. Durante o debate, ideias como uma auditoria e termos de ajustamento de conduta foram colocados como possíveis providências a serem tomadas com o apoio do MP.

"Fizemos um debate entre a gente, e solicitamos que o MP peça uma auditoria no gerenciamento de risco. O consórcio está controlando tudo. Vamos tentar exigir junto ao Ministério Público, que se continue com a obra com um plano de gerenciamento de risco, fiscalizado por uma empresa estrangeira. E também fazer um monitoramento em tempo real". Segundo o morador, eles também foram informados sobre novas técnicas que seriam utilizadas na obra "mas como eles não compareceram, nem Metrô, nem Rio Trilhos, não sabemos que método novo é esse", completa.

Sobre o tema, a assessoria da Linha 4 diz que "os estudos de sondagens, investigações geológicas e ensaios de caracterização do subsolo que precederam a obra mostraram que o Tunnel Boring Machine (TBM), o 'Tatuzão', é o equipamento mais adequado e seguro para executar este tipo de obra na Zona Sul do Rio de Janeiro. Por este motivo, foi o método adotado e será mantido".

O promotor de Justiça, do Ministério Público do Rio de Janeiro do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), José Alexandre Mota, explicou que foi feito um pedido para que a obra permaneça parada até a análise dos documentos. O MP foi procurado mas não respondeu até o fechamento desta matéria. 

De acordo com a assessoria da Linha 4, esta informação não procede. "A decisão de interromper a escavação do túnel sob a Barão da Torre foi tomada pelo Consórcio Linha 4 Sul, responsável pela implantação da Linha 4 entre Ipanema e Gávea. Isso ocorreu assim que foi constatado o primeiro desnível na superfície da Rua Barão da Torre, em maio. A área foi isolada imediatamente, a escavação, suspensa, e o plano de contingência, acionado. Simultaneamente, através da análise das leituras do monitoramento, verificou-se que não havia nenhum risco para as fundações dos edifícios do entorno, pois se tratava de um evento localizado. Com a área isolada, as cavidades foram preenchidas com concreto e foi iniciado o processo de compactação do solo", diz. 

Ainda segundo a assessoria, as obras da Linha 4 do Metrô (Barra da Tijuca – Ipanema) seguem normalmente. Apenas as escavações do túnel sob a Rua Barão da Torre, em Ipanema, estão interrompidas temporariamente, até que seja concluído o tratamento de solo para devolver a compressão ao subsolo da Rua Barão da Torre próximo à esquina com a Rua Farme de Amoedo.

Obra de implantação do VLT pode fazer rodízio de carros ser adotado no Centro do Rio

Prefeitura quer primeiro testar opções, como trabalho noturno e desvios

POR ISABELA BASTOS

31/07/2014 - O Globo


Área por onde passará o VLT, perto do Morro da Providência - Custódio Coimbra / Agência O Globo

RIO — As obras de implantação do veículo leve sobre trilhos (VLT) no Centro e na Zona Portuária poderão levar à adoção de um rodízio de carros durante as intervenções. O prefeito Eduardo Paes começou a discutir o assunto nesta quarta-feira, numa reunião com técnicos das áreas de transportes e obras, como adiantou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. A prefeitura está preocupada com a mobilidade na região, já prejudicada pelas obras do Porto Maravilha e pela demolição do Elevado da Perimetral. A ideia é primeiro esgotar alternativas, como a adoção de desvios, interdições parciais de ruas e trabalho noturno. O rodízio seria o último recurso e só seria adotado, se necessário, a partir de janeiro.

Segundo o secretário municipal de Concessões e Parcerias Público-Privadas, Jorge Arraes, dois terços das ruas a serem usadas pelo VLT ficam na Zona Portuária. No Centro, as vias que vão integrar o trajeto do bonde são a Praça da República, as ruas da Constituição e Sete de Setembro e a Avenida Rio Branco. A preocupação maior recai sobre essas vias.

— O rodízio seria uma medida extrema. Teremos várias frentes de obras sendo instaladas até dezembro. O pico do trabalho será em abril. Vamos estudar alternativas — explica Arraes.

PROJETO REATIVA TÚNEL ABERTO NO TEMPO DO IMPÉRIO

Divididas em nove etapas, as obras do VLT já começaram por um antigo túnel sob o Morro da Providência. Aberto no tempo do Império, para fazer a ligação ferroviária do Porto com a Central, ele estava desativado há décadas. Durante as obras de revitalização da Zona Portuária, o túnel foi limpo e teve a galeria recuperada. Agora, operários do consórcio do VLT abrem a calha onde serão instalados os trilhos.

O canteiro do VLT no túnel ferroviário ocupa hoje a área da Vila Olímpica da Gamboa. Os equipamentos esportivos estão sendo remanejados dentro do próprio terreno, para permitir também a construção do futuro centro de operações do bonde moderno.

As obras deverão ganhar as ruas em setembro. A Avenida Binário e as ruas General Luiz Mendes de Morais e Santo Cristo, próximas à Rodoviária Novo Rio, serão as primeiras a receber os trilhos.

Segundo o secretário de Concessões e Parcerias Público-Privadas, Jorge Arraes, nessas avenidas — que se tornaram opção de circulação para o Centro, com a derrubada da Perimetral — o trabalho mais pesado será noturno, para não atrapalhar o trânsito.

LINHA ATÉ O AEROPORTO SANTOS DUMONT

Até dezembro, a prefeitura pretende abrir gradativamente frentes de obras nas avenidas Rio Branco, Beira-Mar e Rodrigues Alves, nas ruas Sete de Setembro e da Constituição, nas praças da República e Mauá, entre outras vias.

Os trilhos do VLT começam a chegar em agosto. Eles estão sendo fabricados na França pela Alstom, mesma fornecedora dos bondes. O VLT terá seis linhas. A previsão é que a primeira esteja pronta para testes em dezembro de 2015. Ela ligará a rodoviária ao Aeroporto Santos Dumont, passando pela Zona Portuária e pelo túnel ferroviário. A partir desse ponto, a linha atravessa a Presidente Vargas e segue por Praça da República, ruas da Constituição, Sete de Setembro, avenidas Rio Branco e Beira-Mar, até chegar ao Santos Dumont.

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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Obras para construção de megatúnel de 4.640 metros na Rio-Petrópolis avançam a todo vapor

Prevista para ficar pronta em junho de 2016, nova subida da serra ampliará escoamento da BR-040

POR CELIA COSTA

30/07/2014 - O Globo


Na localidade de Duarte da Silveira foram escavados 260 metros, de um total de 4.640 metros, que transformarão o novo túnel no maior túnel rodoviário contínuo do Brasil - Adriana Lorete / Agência O Globo

RIO — A luz no fim do megatúnel da Rio-Petrópolis só deve surgir no final de 2015, quando terminarem as explosões na rocha, mas as obras que fazem parte da construção da nova subida da Serra de Petrópolis já estão a todo vapor. Na localidade de Duarte da Silveira foram escavados 260 metros, de um total de 4.640 metros. Isso representa o dobro da galeria do Túnel Rebouças no trecho entre o Cosme Velho e a Lagoa, com 2.040 metros, o que o tornará o maior túnel rodoviário contínuo do Brasil. O segundo mais extenso tem 3.146 metros e fica na Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo, inaugurada em 2002. Parte da BR-040, a nova subida encurtará em cinco quilômetros a ida até a cidade serrana. Sua conclusão está prevista para junho de 2016.

As obras estão orçadas em cerca R$ 1 bilhão, sendo que R$ 290 milhões serão pagos pela Concer, empresa que administra o trecho da BR-040 entre Rio de Janeiro e Juiz de Fora, e o restante, pelo governo federal. Só o megatúnel custará R$ 400 milhões.


Trabalhadores conversam na parte já escavada da rocha - Adriana Lorete / Agência O Globo
O projeto inclui a duplicação de 15 quilômetros da atual pista de descida desde Xerém até a entrada do túnel, onde será construída uma bifurcação. A atual subida, aberta em 1928, será transformada numa estrada-parque, voltada para turismo ecológico, educação ambiental e lazer. A construção da nova pista de subida é uma obrigação contratual estabelecida pelo Programa de Exploração da Rodovia (PER). O prazo de concessão da rodovia é de 25 anos e expira em 2021.

PROJETO PRESERVA MATA

A nova estrada provocou uma intervenção profunda na área de Mata Atlântica, mas a obra obteve todas as licenças ambientais necessárias, inclusive do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Segundo o presidente da Concer, Pedro Jonsson, a construção do megatúnel surgiu como a opção de menor impacto ambiental entre os estudos realizados, porque ao se fazer a escavação na rocha a vegetação da cobertura é preservada.

Jonsson afirma que toda a tecnologia usada para a construção do túnel é a mesma empregada atualmente em países europeus. Técnicos da Concer viajaram para alguns países, como a Itália, com o objetivo de pesquisar e trazer para esta obra os mais modernos equipamentos. Segundo o engenheiro Leonardo Kumata, um dos responsáveis pelos trabalhos, apesar de seu comprimento, o túnel não causará uma sensação claustrofóbica.

— O túnel terá exaustores em toda a extensão, controlados por computador. O concreto usado no revestimento é especial, com fibras antichamas. E serão construídas galerias subterrâneas, que poderão escoar as pessoas em caso de acidentes — disse o engenheiro.

O monitoramento do túnel será feito por câmeras e a sala de controle ficará localizada ou nas proximidades do megatúnel ou na sede da Concer, na Rodovia Washington Luís.

As explosões na rocha são diárias. Uma capelinha encravada na entrada do túnel com a imagem de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros e de todos que trabalham com fogo e explosões, protege os trabalhadores, conhecidos como tuneleiros. Outras duas estátuas da santa serão instaladas na via durante a obras.

CAPACIDADE ESGOTADA

Construída em 1928, a atual subida da serra está com sua capacidade de tráfego esgotada desde 2010, segundo estudo feito pelo poder concedente.

O trecho de 180,4 quilômetros administrado pela Concer liga os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, e o volume de tráfego cresce a cada ano: em 2012, atingiu a marca de 31,2 milhões de veículos. O trecho de subida da rodovia recebe em média 20 mil veículos diariamente, segundo a Concer. Muitos deles são caminhões e carretas que dificultam o fluxo de tráfego por causa do traçado sinuoso e da falta de acostamento da via.

Frequentemente, a Concer vem realizando operações especiais de reversão de pista na descida, para que carretas de grandes dimensões possam trafegar durante as madrugadas, período de menor movimento. A rodovia é uma importante rota de escoamento da produção, segundo aponta a Confederação Nacional de Transporte. E a previsão é que o volume de tráfego continue crescendo em função de grandes eventos, como as Olimpíadas de 2016.

A atual pista de subida também ficará sob a administração da concessionária, com foco no atendimento à comunidade que vive às suas margens. Está prevista a implantação de mão dupla, mas ainda está em estudo se será construído algum bloqueio para impedir o uso da rodovia por quem seguir para Petrópolis. Segundo a Concer, se a passagem for permitida, haverá cobrança de pedágio no alto da serra

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terça-feira, 29 de julho de 2014

Projeto dos novos quiosques de Ipanema e do Leblon é aprovado

29/07/2014 - O Globo

FERNANDA PONTES

Praia nossa de cada dia: novos quiosques de Ipanema e Leblon

O projeto dos novos 28 quiosques da orla de Ipanema e do Leblon acaba de ser aprovado pela prefeitura (veja na imagem acima como eles ficarão). O modelo precisou sofrer algumas alterações em relação ao de Copacabana, já que a Avenida Atlântica tem o calçadão bem mais largo.

Além de mais estreitos, os quiosques entre a Avenida Bartolomeu Mitre e a Praça do Zózimo, não terão banheiros no subsolo por causa da proximidade com o mar — em dia de ressaca, as ondas chegam pertinho das pistas da Delfim Moreira. Os ombrellones também terão design diferente. Por ser tombado, o único que vai continuar exatamente como está é o do Baixo Bebê. O projeto é do escritório Índio da Costa e as obras começam em 2015.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, terá novo espaço livre de tapumes

25/07/2014 - O Globo



RIO — Após um ano e nove meses cercada por tapumes e polêmica, a Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, começa a ser devolvida à população no domingo. O espaço foi parcialmente interditado por conta das obras da Linha 4 do metrô (Barra-Zona Sul) e reabre com nova urbanização. Cerca de 30% de área interditada serão reabertos, com direito a festa para as crianças. O trecho, próximo às ruas Joana Angélica e Barão da Torre, somado ao cantinho da praça que não foi interditado, terá agora um total de 46% de área livre de obras. A outra metade deverá ser liberada no fim do projeto, no primeiro semestre de 2016, quando a estação Nossa Senhora da Paz estará pronta, com capacidade para o embarque e desembarque de 47 mil passageiros por dia.

No espaço que será reaberto estão o coreto, dois monumentos, o laguinho e uma das figueiras mais antigas da praça. O lago recebeu novo sistema de oxigenação da água, o que ajudou a aumentar a população de peixes: cerca de mil carpas e 800 tilápias, segundo o consórcio responsável pelas obras do metrô. O funcionário encarregado geral do canteiro de obras ficou com a tarefa de cuidar da figueira quase centenária e alimentar os peixes durante a interdição da área.

PROJETO INCLUI ILUMINAÇÃO E CALÇADAS RECUPERADAS

O coreto e os monumentos foram restaurados de acordo com as características originais da praça, conforme orientação do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, garante o consórcio. A área devolvida terá ainda nova iluminação, calçada recomposta, bancos reformados e projeto de paisagismo.

Além disso, serão replantados sete palmeiras e um coqueiro, que haviam sido retirados da praça. E dentro da compensação ambiental, outros 96 exemplares, como oiti, flamboyant-mirim e manacás, também serão replantados. O consórcio garante que, ao fim das obras, serão feitos novos replantios de árvores retiradas.

O secretário estadual da Casa Civil, Leonardo Espíndola, comemora a reinauguração do trecho da praça aos moradores:

— A revitalização do espaço é sinal do compromisso do estado com a qualidade de vida dos moradores. Esta é uma demonstração clara de que os impactos temporários provocados pela obra são substituídos por melhorias permanentes na vida da população.

CANTEIRO POLÊMICO

A interdição parcial da praça para obras do metrô não agradou aos moradores, que chegaram a recorrer à justiça. Em outubro de 2012, o estado conseguiu na Justiça suspender a liminar que determinava a paralisação da obra. A ação cautelar fora movida por moradores do bairro, que protestaram contra o projeto que obstruía a área de lazer. Eles reivindicavam uma outra alternativa para a construção da estação.

O grupo promoveu manifestações e conseguiu um abaixo-assinado com mais de 16 mil adesões contra a interdição parcial do espaço e a retirada de árvores centenárias. A praça, então, mesmo durante as obras, teve um pedaço aberto ao público. Ignêz Barreto, coordenadora da ONG Projeto Segurança de Ipanema, reclama que a praça não será devolvida respeitando o paisagismo original:

— Embora tenham alardeado que as árvores seriam replantadas, só tem palmeirinhas. Não estão devolvendo de acordo como era. Houve crime ambiental, derrubaram árvores centenárias.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Projetos residenciais terão isenção de impostos na Zona Portuária do Rio

24/07/2014 - Globo

RIO — Empreendedores interessados em construir unidades residenciais na Zona Portuária receberão incentivos fiscais da prefeitura, como perdão de dívidas do IPTU e da Taxa de Coleta de Lixo (inscritas ou não na Dívida Ativa), além de isenção desses impostos durante as obras, por um prazo de dois ou quatro anos, dependendo do local. O prefeito Eduardo Paes sancionou, nesta quarta-feira, um projeto de lei que prevê ainda a dispensa do pagamento dos impostos Sobre Serviços (ISS) e de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). A intenção é estimular a construção de até 28 mil unidades habitacionais no Porto Maravilha e em imóveis antigos da Área de Preservação do Ambiente Cultural (Apac) Sagas, que inclui os bairros de Saúde, Gamboa e Santo Cristo.

Nos próximos dias, Paes deverá sancionar ainda um segundo projeto de lei, dando incentivos construtivos a projetos residenciais na região. Entre as medidas, está uma que flexibiliza a exigência de garagens nos projetos, obrigação antes prevista na legislação urbanística do Porto, aprovada em 2009.

Segundo o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp), Alberto Silva, o perdão das dívidas de IPTU e taxa de lixo será regulamentado por decreto. Ele vale para todos os imóveis em débito. Mas a forma como será essa remissão está sendo estudada.

Já para usufruir das isenções fiscais futuras, os interessados terão um prazo de cinco anos para dar entrada no licenciamento de obras. Uma vez aprovados, os empreendimentos terão que ficar prontos em até dois anos, no caso de aproveitamento de imóveis da Apac Sagas. Já para os imóveis do Porto Maravilha, o prazo de entrega das obras será de quatro anos. A Secretaria municipal de Fazenda informou, nesta quarta-feira, que não foi feito um estudo de quanto a prefeitura deixará de receber em impostos com as medidas.

O pacote de incentivos chega para acelerar a produção de habitações numa área onde já foram licenciados 49 projetos residenciais desde 2009, segundo a Cdurp. Desse lote, somente um deles é de grande porte. Com 1.333 unidades, o Porto Vida Residencial, nas imediações da Rodoviária Novo Rio, chegou a ser alvo de um impasse entre a prefeitura e o Comitê Olímpico Internacional, sobre a transferência, da Zona Portuária para Jacarepaguá, dos quartos que serviriam às vilas de Árbitro e de Mídia. As obras foram paralisadas em junho e ainda não foram retomadas.

EM CINCO ANOS, 26 PROJETOS COMERCIAIS LICENCIADOS

Os demais projetos residenciais no Porto são de menor envergadura. A Cdurp não divulgou o número total de unidades residenciais previstas em todos os projetos. Nos últimos cinco anos, foram licenciados ainda 26 empreendimentos comerciais na área, oito culturais e seis hotéis.

— Um estudo feito pela Secretaria municipal de Habitação, em 2010, mostrou que há cerca de 1.500 imóveis na Apac que estão degradados, desocupados ou subutilizados. Com essa lei, esperamos que a maior parte desses imóveis venha a ser restaurada. Muitos têm grandes pendências de impostos, o que inviabilizava qualquer iniciativa — explica Alberto Silva.

Na região da Apac, os imóveis preservados terão que manter fachadas, telhados e gabaritos sem modificações. Mas poderão ser feitas alterações internas, até mesmo aumentando o número de pavimentos, aproveitando-se o espaço disponível. Como a Zona Portuária é de uso misto, podendo num mesmo projeto haver unidades residenciais e comerciais, os benefícios fiscais só valerão para empreendimentos que derem prioridade a residências em pelo menos 50% da área construída (no caso da Sagas) e em 70% (nos terrenos do Porto Maravilha).

— Essa medida é coerente com o conceito de ocupação que queremos para a região. Os prédios poderão ter lojas embaixo e residências em cima, estimulando a convivência e a circulação na rua — complementa o presidente da Cdurp.

Entre as medidas que serão sancionadas nos próximos dias, está o fim da obrigação da construção de garagens nos projetos residenciais. Além disso, áreas comuns de condomínios, como corredores e portarias, não entrarão no cálculo para a compra dos chamados Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). A compra desses títulos imobiliários é obrigatória nos projetos do Porto Maravilha. A exclusão das áreas comuns baratearia o custo final das obras.

— A legislação aprovada para o Porto em 2009 obrigava a ter garagem, medida que seria bem difícil na Apac. Mas o construtor não está proibido de fazer, se achar necessário — diz Alberto Silva.

Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, Sérgio Magalhães afirmou ser a favor do pacote de incentivos, que darão velocidade aos empreendimentos na região. Segundo ele, a obrigatoriedade de uma ou mais vagas de garagem por unidade habitacional é um conceito ultrapassado de legislação. Ele defende regras mais flexíveis, que permitam, por exemplo, garagens coletivas.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Cinco meses após mudanças, Rio Branco vira avenida por onde a desordem transita

23/07/2014 - 0 O Globo

RIO — Cinco meses após a implementação de mão dupla na Avenida Rio Branco e a restrição de circulação de carros de passeio, motoristas ainda tentam circular pela via mesmo correndo o risco de serem multados e dão muito trabalho aos agentes de trânsito. Os pedestres também não respeitam e atravessam a movimentada avenida fora das faixas. Para aumentar o tom de desordem, em vários pontos da avenida os ambulantes tomaram conta das calçadas. Na altura da Rua Miguel Couto e esquina com a Rua do Ouvidor, por exemplo, o trecho foi tomado por camelôs. Vende-se de tudo. Café da manhã, doces, tapioca, bijuteria, entre outras coisas. Na manhã de segunda-feira, eram mais de dez ambulantes no local.

AMBULANTES NA MIRA

No entanto, alguns camelôs têm autorizações. A Secretaria de Ordem Pública (Seop) informou que na Rio Branco são 13 permissões para comércio ambulante, todos itinerantes. Na Rua Miguel Couto, são 71 autorizações, sendo seis itinerantes

— Já é difícil transitar pela calçada com tanta gente. Com a presença dos camelôs, ficamos sem espaço para circular. Esse tumulto facilita ainda mais a ocorrência de furtos — reclama a secretária Márcia Ferreira.

A Guarda Municipal (GM) informou que a região conta com fiscalização constante de agentes que atuam para garantir o ordenamento do trânsito e urbano, incluindo a coerção ao comércio ambulante irregular.

De abril a junho, guardas municipais apreenderam 2.641 itens com ambulantes em vias como a Avenida Rio Branco e ruas Sete de Setembro e do Ouvidor. A GM disse que intensificará a fiscalização, com base em denúncias, para desobstruir a área pública.

O ponto mais crítico é justamente o cruzamento com a Avenida Presidente Vargas, onde, além dos motoristas, motociclistas ignoram a restrição. Um guarda municipal fica a postos para multar os infratores. A Rio Branco tem ainda cinco radares para flagrar quem entra na via no horário proibido. Carros de passeio estão proibidos de circular entre 5h e 21h, nos dias úteis, e das 5h às 15h, aos sábados. Táxis só podem trafegar no sentido Candelária. Embarque e desembarque de passageiros são feitos nas ruas transversais.

Na segunda-feira, vários motoristas tentavam entrar na Rio Branco e eram orientados pelos agentes. Alguns se queixam de que a sinalização é ineficiente. O aviso sobre a última saída, na altura da Candelária, foi instalado dentro da agulha. Com o fechamento do mergulhão da Praça Quinze, ainda há motoristas que não sabem o caminho.

— Precisamos orientar o sobre o caminho a fazer. Muita gente ainda não sabe das mudanças mesmo depois de cinco meses — disse um agente de trânsito.

A CET-Rio informou, por nota, que na época da implantação das mudanças na Rio Branco foram instaladas placas aéreas, na própria via e em todas as transversais e no Aterro. Foram implantadas 39 placas.

sábado, 19 de julho de 2014

Demolição marca início da revitalização de área no RJ

03/11/2013 - Agência Estado

WELLINGTON BAHNEMANN

A concessionária Porto Novo iniciou na noite deste sábado, 2, os preparativos para a demolição do Elevado da Perimetral (ligação entre a zona norte, a ponte Rio-Niterói e o centro), ação que integra o projeto de revitalização da região portuária para os Jogos Olímpicos de 2016. O trecho da pista acima da Rua Silvino Montenegro, no cruzamento com a Avenida Rodrigues Alves, já foi derrubado pela concessionária, que continua os trabalhos neste domingo, 3.

A interdição da Perimetral começou definitivamente neste sábado à noite, às 19h, com o fechamento do primeiro trecho da via, entre o Viaduto do Gasômetro e a Praça Mauá. Também neste sábado, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), inaugurou a Via Binário, opção de escoamento o trânsito para os motoristas que trafegam entre São Cristóvão (zona norte), o centro e os acessos à zona sul. A demolição definitiva do elevado está marcada para o dia 17 deste mês.

Antes da cerimônia de inauguração da nova via, que tem 3,5 quilômetros de extensão, Paes admitiu que o fechamento da Perimetral causará grande impacto no trânsito carioca nos primeiros dias. Por isso, sugeriu à população que use o transporte público e pratique a carona solidária.

A Prefeitura do Rio e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) também instalaram sinalizações para mostrar as melhores opções de acesso do centro à Avenida Brasil e vice-versa; da Linha Vermelha (via expressa entre a Baixada Fluminense e o centro) à Tijuca (zona norte); da Avenida Brasil (zonas norte e oeste) ao Túnel Rebouças (zona norte-zona sul) e do centro à Linha Vermelha.

Bairro imperial, São Cristóvão espera novos tempos de glória

10//11/2013 - O Globo

Bairro que já foi frequentado pela aristocracia e sofreu com a decadência e a favelização, hoje passa por revitalização

CÉLIA COSTA

Quinta da Boa Vista é vizinha de novos empreendimentos imobiliários Domingos Peixoto / Agência O Globo

RIO — Dos tempos de pompa, quando era frequentado por nobres durante o Império, pouco restou. São Cristóvão se viu transformado num polo industrial e, depois, sofreu com a decadência e a favelização. Iniciou uma recuperação e passou a ser cobiçado por empreendedores imobiliários após a aprovação do Plano de Estruturação Urbana (PEU), em 2004. Agora, porém, enquanto seus vizinhos (Zona Portuária e Maracanã) passam por uma grande revitalização, São Cristóvão fica apenas com os ônus desse processo. Um deles é o engarrafamento diário: suas ruas foram transformadas em rotas alternativas com o fechamento do Elevado da Perimetral.
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Com localização privilegiada, o bairro fica próximo ao Centro, tem boa infraestrutura de transportes (trem, metrô e ônibus) e abriga a maior área urbana de lazer da cidade, a Quinta da Boa Vista. De São Cristóvão, chega-se rapidamente a Niterói, à Zona Sul e bairros importantes da Zona Norte, como a Tijuca. E, por ali, passa também a Linha Vermelha, o que facilita o acesso ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, à Via Dutra e à Baixada Fluminense.
— É uma região aprazível. Se não tivéssemos mar, a Quinta seria o nosso Central Park. É uma área que seria supervalorizada em qualquer lugar do mundo — avalia Ruy Rezende, arquiteto responsável por projetos que estão ajudando a dar novo perfil à área do Porto.
Para Rezende, São Cristóvão é subutilizado e merece um amplo projeto de revitalização. Ele, no entanto, acredita que o bairro será beneficiado diretamente pelas transformações do seu entorno:
— O projeto do Porto Maravilha vai avançar para São Cristóvão. É uma expansão urbana natural.
Os moradores alimentam essa esperança. O presidente da Câmara Comunitária de São Cristóvão, Maurício Mendes, diz que o bairro está fazendo um sacrifício em prol da cidade.
— Pagamos o preço das melhorias, como a criação do Porto Maravilha e as obras do piscinão da Praça da Bandeira. Esperamos que, quando tudo estiver pronto, deem mais atenção ao bairro, que tem um patrimônio riquíssimo e precisa ser valorizado. A Quinta da Boa Vista, por exemplo, está abandonada — diz Mendes.
Os grandes empreendimentos imobiliários no bairro só se tornaram viáveis após a aprovação do PEU, que permitiu o aumento do gabarito de três para até 13 andares, dependendo do local. Empresas como a Concal Construtora e a Patrimóvel investiram na região. Rodrigo Conde Caldas, da Concal, afirma que muito já foi feito ao longo dos últimos anos, mas reconhece que o bairro ainda precisa de investimentos:
— Não é por ser um bairro histórico que São Cristóvão precisa ficar no passado. Ele necessita de revitalização viária e de incentivos na área cultural. O Palácio Imperial, por exemplo, poderia voltar a ser um museu. Outro ícone do bairro, a Quinta da Boa Vista, também precisa de investimentos.
Segundo a Subprefeitura do Centro, São Cristóvão receberá em breve o projeto Asfalto Liso. Além disso, será beneficiado pelos investimentos na vizinhança, como o programa Bairro Maravilha em Benfica e a dragagem do Canal do Cunha, que deverá melhorar o sistema de drenagem de São Cristóvão.
Residência da família real durante todo o Império, a Quinta da Boa Vista foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1938. A área de 560 mil metros quadrados foi ajardinada em 1869 pelo paisagista francês Auguste Glaziou. Hoje, é a grande área de lazer de moradores da Zona Norte. A casa da Marquesa de Santos, que abriga o Museu do Primeiro Reinado, é outro imóvel importante da época do Império. No lugar, a Secretaria estadual de Cultura desenvolve o projeto do Museu da Moda em parceria com o Instituto Zuzu Angel e a Fundação Getulio Vargas, com previsão de inauguração em 2016. A ideia é instalá-lo num prédio a ser construído num terreno contíguo ao da Casa da Marquesa de Santos. Enquanto o projeto é desenvolvido, o imóvel passa por uma restauração e estará aberto ao publico no fim de 2014.
A região abriga ainda uma importante instituição de ensino, o Colégio Pedro II, fundado em 1888. Até no futebol o bairro se orgulha do passado, ainda que recente. É lá que fica o São Cristóvão, clube que descobriu Ronaldo, o Fenômeno.
Indústrias fecharam as portas
São Cristóvão passou por uma transformação nos anos 40, com a abertura da Avenida Brasil. Foi quando a região se consolidou como o maior bairro industrial da América Latina. O parque industrial de São Cristóvão viveu sua maior crise na década de 70. Os enormes galpões sem utilização acabaram contribuindo para a ocupação desordenada e a favelização, o que espantou a classe média para longe do bairro. Foi depois disso que o Pavilhão de São Cristóvão, construído para ser palco de grandes eventos e exposições, fechou seus portões. Após um longo período de abandono, o lugar hoje abriga a Feira de Tradições Nordestinas, uma das atrações turísticas da cidade. Sinal de esperança para quem anseia por dias melhores para o bairro.
Endereço da família real
Conta a história da cidade que o nome do bairro tem como origem a Igreja de São Cristóvão, construída no século XVII por padres jesuítas.
Mas a pompa chegou à região quando D. João VI decidiu que o Paço da Quinta da Boa Vista seria sua residência oficial. Com isso, esse pedaço da cidade passou por uma grande valorização. As áreas que ainda eram pantanosas precisaram ser aterradas para abrigar as residências. O bairro ganhou iluminação e outras melhorias. E, assim, a s famílias nobres foram se fixando na região.
Amante de D. Pedro I, a Marquesa de Santos também tinha uma casa em São Cristóvão, que posteriormente foi transformada em museu.
Com a queda do Império, o complexo da Quinta da Boa Vista se transformou no Museu Nacional. E, com os novos tempos, o bairro perdeu prestígio.

Local proposto para nova rodoviária fica a 28 km do Centro

19/11/2013 - O Globo

Prefeito retoma ideia de construir novo terminal em Vigário Geral, na Zona Norte

GUSTAVO GOULART

Passageiros da Rodoviária Novo Rio enfrentam uma fila quilométrica para pegar um táxi, ao lado do terminal, após a volta do feriado prolongado: a espera se estendeu por mais de uma hora, reclamavam eles Gabriel de Paiva

RIO - Em meio à adaptação dos motoristas às recentes e robustas mudanças de trânsito na Zona Portuária, o prefeito Eduardo Paes trouxe de volta, nesta segunda-feira, um projeto que tem tudo para trafegar em polêmica, mas que andava em ponto morto: a construção de uma nova rodoviária, provavelmente em Vigário Geral. Em entrevista ao "Bom Dia, Rio", da TV Globo, Paes afirmou que a Rodoviária Novo Rio já não absorve a demanda da Região Metropolitana. Segundo ele, há um estudo para as novas instalações, que ficaram a cerca de 28 quilômetros do Centro.
— A cidade precisa de uma nova rodoviária, urgente. Essa rodoviária (Novo Rio) não absorve a demanda. Estamos estudando. Teremos vários terminais ao longo do BRT Transbrasil. A gente pensa na área do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes), no início da Dutra — disse o prefeito.
Quem conduz o processo de aquisição do terreno é o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes. Ele informou que, há um mês, a Secretaria Geral do Patrimônio da União deu o primeiro sinal para a transferência de um terreno, de 650 mil metros quadrados, no quilômetro zero da Rodovia Presidente Dutra, próximo ao Trevo das Margaridas.
— É uma área importantíssima. Hoje, há um fluxo de trânsito de pessoas moradoras da Baixada Fluminense muito intenso, em viagens, por exemplo. Não tem cabimento precisarem vir até a Novo Rio para voltarem. Estamos nos trâmites finais do acerto para a transferência — explicou Lopes, acrescentando que serão estudadas as linhas de ônibus a serem remanejadas para o novo terminal, já que a Novo Rio não será desativada.
Especialista sugere audiência pública
O projeto não conta apenas com a construção da rodoviária, segundo ele. Há a ideia de se construir um parque municipal e um centro de referência para a Polícia Rodoviária Federal, além de um centro de distribuição de cargas:
— Haverá um centro de fracionamento e direcionamento de cargas também. Carretas grandes não entrarão mais na cidade. As cargas serão distribuídas em veículos mais leves, para que possam entrar na cidade sem causar tantos transtornos.
O secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osorio, vê com bons olhos o projeto de um novo terminal rodoviário:
— Como ficou comprovado na quinta e sexta-feira, o terminal não tem capacidade de absorver o movimento de pico. Sua localização é muito próxima à chegada ao Centro. No Trevo (das Margaridas), a logística seria melhor. De lá, distribuiríamos melhor os passageiros para as diferentes zonas da cidade. E o BRT Transbrasil alimentaria a rodoviária.
Para o engenheiro de transportes Fenando MacDowell, a ideia é boa, mas é preciso um sério planejamento:
— Não se pode imaginar que haja um estudo sobre o terminal mas não sobre os impactos. Como os passageiros vão chegar (à rodoviária)? A tarifa vai aumentar? Está entre os projetos para os quais se faz necessária uma audiência pública.
A Socicam, concessionária que desde 1990 administra a rodoviária (inaugurada em 1965), disse ver positivamente a construção de um novo terminal. Mas ressaltou que é preciso avaliar o fluxo. A média de embarques e desembarques é de 20 mil por dia, afirmou Beatriz Lima, assessora de imprensa da Socicam. Ela explicou que cerca de 60% do movimento são para Região dos Lagos, Região Serrana e interior:
— Pode haver uma divisão para atender a uma parte da população.
Em nota, a concessionária negou que a capacidade operacional da rodoviária tenha sido ultrapassada na quinta-feira, atribuindo os atrasos aos congestionamentos das principais vias de acesso à rodoviária (Av. Brasil e Linha Vermelha), às interdições de ruas importantes no entorno do terminal e ao excesso de veículos na Ponte.
Passageiros aprovam construção
A preocupação com o trânsito na Zona Portuária levou Paes a autorizar, no sábado, Osorio a fazer bloqueios nos acessos à Novo Rio para evitar a entrada de ônibus além da capacidade do terminal. No fim da noite de quinta e na manhã de sexta-feira, a região em volta da rodoviária registrou longas filas de ônibus esperando para desembarcar ou embarcar passageiros, e o secretário acusou a Novo Rio de overbooking. Com as barreiras, a prefeitura queria evitar que o trânsito da volta do feriadão se somasse ao fluxo normal de veículos.
Paes criticou ainda as "rodoviárias" ilegais que operam ao lado da Novo Rio e levam passageiros em vans para diversas áreas do estado. Ele disse que aumentará a fiscalização para coibir a prática.
Os usuários são favoráveis a uma nova rodoviária.
— Saímos às 4h de Cabo Frio. Para ir para São Paulo, precisamos vir para cá. Ficamos quase o tempo da viagem para conseguir chegar à rodoviária, por causa do engarrafamento. Vai ser muito bom ter uma nova rodoviária num lugar que não cause tanto tumulto — disse a bancária Camila Felícia do Val.
Neta segunda pela manhã, o fluxo de passageiros foi tão intenso que o tempo de espera por um táxi chegou a uma hora e meia. O diretor-presidente da cooperativa da táxi Novo Rio Cop, Marcos Bezerra, disse que os veículos tinham muita dificuldade para chegar à rodoviária:
— Foi um dia atípico. Além do grande número de pessoas retornando do feriado, tivemos também o fechamento de vias importantes. Mas isso serve de alerta para o que pode acontecer nos grandes eventos. Estamos providenciando o reforço da frota.
Uma das pessoas na fila era a residente de farmácia Ingrid Ambrósio, vindo de São Paulo:
— Pensam só nos grandes eventos e esquecem de quem mora aqui.
O desejo de construir um novo terminal não é novo. Em 1987, a Companhia de Desenvolvimento Rodoviário e de Terminais (Coderte) afirmou que a rodoviária precisava ser substituída "com urgência". A ideia era instalá-la no terreno do Dnit. Em 1991, voltou-se a tocar no assunto, mas, mais uma vez, o projeto não saiu do papel. Em 2011, Paes se disse disposto a transferir a Novo Rio para esse mesmo terreno. No ano passado, porém, ele abandonou a ideia de mudança, mostrando-se, em vez disso, favorável à construção de um segundo terminal.

Favelas do Rio entram no mapa oficial da cidade e morador terá endereço com CEP

08/11/2013 - Valor Econômico, Renata Batista

Visíveis de vários pontos da cidade, mas com geografia bastante diferentes dos bairros tradicionais, 12 territórios ocupados por algumas das mais conhecidas comunidades de baixa renda do Rio - as conhecidas favelas cariocas - só agora começar a entrar de fato no mapa da cidade.

Um projeto do Instituto Pereira Passos (IP? ), responsável pelo Programa UPP Social, percorreu 56 comunidades identificando, em cada uma delas, as vias que são usadas para a circulação no interior das comunidades e conferindo nomes e numerações, quando existem.

O resultado desse trabalho são os mapas, que serão usados pela prefeitura para encaminhar, Câmara dos Vereadores e aos Correios, os processos necessários para estabelecer a representação oficial das favelas e atribuir oficialmente nome, numeração e Código de Endereçamento Postal (CEP) para os moradores.

"Parece bobagem, mas endereço é um item básico de cidadania. Em muitas dessas comunidades, o serviço de entrega de correspondência, por exemplo, está nas mão s de associações de moradores, ou de pessoas que assumiram esse papel por boa vontade. O endereço é fundamental até para acessar alguns serviços da prefeitura, como os da Central de Atendimento 1746", diz a presidente do IPP,Eduarda La Roque. Como base cartográfica para o desenvolvimento do projeto foram adotados os mapas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Entre as comunidades incluídas no projeto estão algumas das mais conhecidas da cidade, como Babilônia e Santa Marta, na zona sul, Providência, na região central, e Borel, Andaral e Cidade de Deus, na zona norte.

Para desenvolver a primeira etapa do trabalho, o WP recrutou 57 moradores das próprias comunidades. Todos foram treinadas com o apoio da organização não governamental Redes de Desenvolvimento da Maré, parceira do IPP no projeto, para criar um mapa mais próximo possível da realidade das favelas.

A fase de checagem e identificação de logradouros foi finalizada em 12 territórios, que contemplam 56 comunidades. Outros 4 territórios, que incluem 27 comunidades, estão passando por revisões pontuais. Dois territórios, com sete comunidades, estão em reviião pela Redes de Desenvolvimento da Maré. Em 4 territórios, com 31 comunidades, o levantamento ainda está em andamento. Oresultado do trabalho ex . põe o complexo contexto geográfico dessas localidades. É o caso da travessa conhecida co no São Luiz, na comunidade de Andard, que passa por baixo de uma casa e continua por um es: cada apertada. A nova representação das favelas do Rio de Janeiro já está em mão s da Secretaria Municipal de Urbanismo para ser incorporada à base oficial de endereços da cidade. Além dos mapas, foram identificados e catalogados to: dos os nomes atribuldos a cada um dos logradouros existentes. A próxima etapa é enviar os projetos para Câmara dos Vereadores e para os Correios. A diretora do Instituto Pereira Passos explica que o trabalho enquadra-se na geração de informação qualificada do programa UPP Social, um dos três "eixos" do programa. Os outros dois referem-se à provisão de serviços públicos e o desenvolvimento de alternativas econômicas e sociais. "Sem informações, não conseguimos desenvolver os serviços e a economia", afirma Eduarda, que criou uma diretoria de desenvolvimento de favelas IPP.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Adiada por uma semana a última etapa da demolição do Elevado da Perimetral

Com isso, Rodrigues Alves só fecha no dia 26. Objetivo é dar tempo aos cariocas para conhecer alterações no tráfego

17/07/2014 - O Globo


Avenida Rodrigues Alves será fechada no dia 26 para demolição do último trecho da Perimetral - Márcia Foletto / Agência O Globo (15/11/2013)

RIO - A prefeitura decidiu adiar em uma semana a interdição das duas pistas da Avenida Rodrigues Alves, no Santo Cristo, para a demolição do último trecho do Elevado da Perimetral. Marcado inicialmente para este sábado, a partir das 8h, o fechamento foi transferido para o próximo dia 26, "para que a população tenha mais tempo para conhecer as mudanças no dia a dia", diz uma nota do governo. A interdição da Rua Pedro Ernesto, na Gamboa, no entanto, será mantida.

O fechamento da Rodrigues Alves, no trecho entre o estacionamento da Rodoviária Novo Rio e a Avenida Professor Pereira Reis, viabilizará não só a remoção do elevado, como a implantação de redes de água, saneamento, drenagem, energia, gás natural, telecomunicações e iluminação pública. A previsão é que o trecho seja reaberto no segundo semestre de 2015.

MUDANÇAS PARA IMPLANTAÇÃO DE VLT

Por enquanto, o motorista deve ficar atento às mudanças na Pedro Ernesto, que será totalmente interditada a partir das 8h deste sábado. O objetivo, segundo a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp), é possibilitar a continuidade das obras de infraestrutura e implantação do veículo leve sobre trilhos (VLT). Com o fechamento, a Rua do Propósito passa a operar em mão única entre as ruas Sacadura Cabral e da Gamboa, no sentido Rivadávia Corrêa. A Rua do Livramento terá fluxo no sentido Sacadura Cabral. A Rua Leôncio de Albuquerque, entre as ruas Pedro Ernesto e do Livramento, também mudará de mão.

Por causa da interdição, haverá mudanças nos itinerários das linhas de ônibus, que passarão a circular pela Rua do Livramento. De acordo com a prefeitura, os pontos das linhas municipais na Pedro Ernesto e na Sacadura Cabral serão transferidos para a Rua do Livramento, próximo aos números 57 e 145.

Para tentar aumentar a fluidez do trânsito, o estacionamento será proibido na Rua do Propósito (entre as ruas da Gamboa e Sacadura Cabral) e na Rua Leôncio de Albuquerque (entre as ruas Pedro Ernesto e do Livramento). Do lado esquerdo da Sacadura Cabral (entre as ruas do Livramento e do Propósito), o estacionamento estará liberado.

Agentes de tráfego estarão na região para orientar os motoristas.

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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Para implantar Transolímpico, Rio terá uma das maiores remoções de favelas desde 2009

16/07/2014 - O Globo

RIO - A construção do BRT Transolímpico, que ligará Deodoro à Barra e ao Recreio para os Jogos de 2016, levará a uma das maiores remoções em favelas do Rio desde 2009. A partir de setembro, 876 das cerca de 1.500 famílias da Vila União de Curicica (58% do total), em Jacarepaguá, começam a deixar as suas casas. As desocupações de imóveis nessa favela superam as 794 feitas em comunidades, para implantar os BRTs Transcarioca (150) e Transoeste (644).

As negociações com os moradores ainda não terminaram, mas a tendência é que a maioria seja reassentada num condomínio do programa Minha Casa Minha Vida, que a prefeitura constrói a dois quilômetros dali, num terreno da Colônia Juliano Moreira. Como opções às casas, a Secretaria municipal de Habitação está oferecendo indenizações com base na área construída. Ou ainda a chamada compra assistida: a prefeitura arca com o custo de aquisição de um novo imóvel, com valor semelhante ao que será demolido.

O subprefeito da Barra, Alex Costa, explicou que as remoções serão por etapas. Em setembro, saem as primeiras 337 famílias, que vivem na beira do rio Pavuninha, que será canalizado para eliminar um ponto de Curicica onde as enchentes eram frequentes. A obra também faz parte do pacote de intervenções do Transolímpico. Segundo ele, essas famílias estavam numa área considerada não edificante, devido ao risco de enchentes. As demais famílias terão que sair até março de 2015, para permitir a construção de um dos viadutos da nova via.

O Minha Casa, Minha Vida da Juliano Moreira está em fase final de construção. Ele terá 1.400 apartamentos, em prédios de cinco andares. Além do pessoal da Vila União, o conjunto receberá moradores que vivem em outras áreas de risco de Jacarepaguá.

A favela de Curicica surgiu de uma invasão, em 1986. Quando Marcello Alencar foi prefeito (1989-2002), algumas obras de reurbanização chegaram a ser feitas no local, pelo projeto Mutirão. Em 2010, a prefeitura fez reuniões com os moradores, com o objetivo de urbanizar toda a favela, através do Morar Carioca. Mas o processo foi interrompido, quando o projeto executivo do Transolímpico definiu que havia necessidade de demolir casas da comunidade. As remoções na Vila União só perderão, em número de reassentamentos num mesmo local, para as 1.016 famílias da Vila das Torres, que foi totalmente removida para a construção do Parque Madureira. Naquele caso, boa parte dos moradores foi levada para o Bairro Carioca, em Triagem.

Segundo Costa, as negociações começaram em abril de 2013, com o cadastramento das famílias da favela de Curicica:

— O reassentamento será gradual. Temos realizado várias reuniões com moradores. As famílias têm visitado as obras, e até montamos um estande decorado, para que tenham uma ideia de como ficarão os apartamentos Além dos imóveis, as famílias ganharão um kit-casa, com geladeira, fogão, colchão, beliche e sofá. As negociações prosseguem. Mas, pelo menos em relação às 337 famílias que terão que se mudar em setembro, todas optaram por apartamentos em lugar de indenizações.

A associação de moradores da favela participa das negociações, tirando dúvidas sobre a identificação dos posseiros. Isso porque, na subprefeitura, foram identificados casos de inquilinos que tentaram se passar por donos de imóveis. Na comunidade, os moradores ainda se dividem entre aqueles que querem os apartamentos e os que preferem indenizações. No primeiro caso, estão principalmente famílias que dividem um mesmo lote ou cômodos com parentes ou amigos. É o caso da comerciante Francineide Silva, de 47 anos. No acordo com a prefeitura, a família (inclui duas filhas casadas, entre outros agregados) vai ganhar seis apartamentos.

— Todo mundo ficou satisfeito. Somos vários parentes vivendo em casas distintas no mesmo terreno. Minha única preocupação, agora, é obter uma indenização justa, porque o sacolão que tenho será demolido também.

Na comunidade, há casos de famílias que vivem em casas que chegam a ter mais de cem metros quadrados. Elas querem discutir exaustivamente com a prefeitura o valor da indenização ou o subsídio para a compra assistida. Comerciantes estabelecidos no local também aguardam a prefeitura para negociar ressarcimentos.

— Tenho quatro funcionários com carteira assinada, e meu comércio é legalizado. Claro que me preocupo com a indenização. Quero um valor suficiente para montar um novo negócio perto daqui, pois já formei clientela — disse Carlos Hipólito, de 42 anos, proprietário de um depósito de gás.

Entre os que não querem ir para a Juliano Moreira está uma das fundadoras da comunidade. A aposentada Regina Sônia Gomes Batista, de 62 anos, prefere a compra assistida. Ela ainda vai negociar com a prefeitura, mas afirma que um imóvel do mesmo padrão ao que mora não custa menos do que R$ 160 mil em Curicica:

— Na minha casa, vivem meu marido e três filhos. Minha casa tem dois quartos, sala, cozinha e duas varandas. É um imóvel valorizado.

Em Vila União, também se registra um fenômeno observado na Vila Autódromo — que, desde abril, está sendo parcialmente removida —, nas vizinhanças do Parque Olímpico da Barra. Algumas famílias, cujas casas não estão o traçado do BRT, também querem se mudar. A prefeitura ainda não respondeu se concorda com a reivindicação, como fez na Vila Autódromo. Entre os que querem se mudar está Vânia de Jesus Júlio, presidente associação de moradores:

— Parte da comunidade vai embora. Se for possível, eu também gostaria de me mudar para ter um imóvel legalizado. Mas também acho que a prefeitura deveria assegurar melhorias para quem ficar

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Obras do Transoeste mudam o trânsito na Barra

10/07/2014 - O Globo

Desde esta quarta-feira, a prefeitura interdita diariamente uma das faixas de trânsito da Avenida das Américas entre as imediações do Barra Shopping e o Jardim Oceânico das 10 às 16h, no sentido Zona Sul, durante pelo menos dois meses. As interdições fazem parte das obras de implantação do lote zero do BRT Transoeste que está sendo expandido do Terminal Alvorada até a futura estação do Metrô, no Jardim Oceânico. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) vai monitorar as obras, podendo rever os horários de bloquio se houver grandes transtornos ao trânsito

O coordenador de trânsito da CET-Rio para Barra e Jacarepaguá, João Machado, porém, acredita que as mudanças não irão alterar a rotina da via, já que ocorrerão no horário do rush. A obra, que atinge um trecho de dois quilômetros de um dos trechos mais movimentados da Avenida das Américas, é dividida por fases. Na primeira, duas novas faixas (uma por sentido) serão construídas com a eliminação de parte do canteiro lateral, para ser usadas pelos carros de passeio. Quando essas novas pistas ficarem prontas, as faixas centrais serão interditadas e preparadas para se transformar em corredor exclusivo de BRTs.

— As novas pistas vão compensar a perda das faixas centrais. As obras serão feitas por trechos. As interrupções podem ser na faixa central ou em uma das faixas laterais, conforme o andamento das obras. Mas a interdição não será total. E Não acredito em transtornos no trànsito, porque a estrategia foi semelhante a adotada na Avenida Ayrton Senna para implantar o Transcarioca que também exigiu a implantação de faixas adicionais de trânsito — disse João.

Segundo Machado, no futuro, outras mudanças poderão ser necessárias para a conclusão do projeto. Mas, por enquanto, os cronogramas não foram fechados. A previsão de inauguração do lote zero da Transoeste é o primeiro semestre de 2016, juntamente com as obras da Linha 4 do Metrô.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Anunciada para 2013, duplicação da Rio-Santos ainda não saiu do papel

08/07/2014 - O Globo

RIO — Já se vão três anos e meio desde que a promessa foi feita. Mas a duplicação dos 160 quilômetros da Rodovia Rio-Santos (BR-101), de Itacuruçá, em Mangaratiba, até Paraty, divisa com São Paulo, até hoje não aconteceu e, ao que tudo indica, está longe de se concretizar. Única grande estrada de acesso ao Rio ainda não concedida à iniciativa privada, a via continua sendo, em grande parte, uma colcha de retalhos de asfalto remendado e irregular, que apenas ano passado registrou 1.175 acidentes, com 62 mortos. O projeto de construir novas pistas foi anunciado em dezembro de 2010, quando o então ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, inaugurou a duplicação de outro trecho, de 26 quilômetros, da Avenida Brasil até Itacuruçá. Os recursos viriam do PAC 2, e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) chegou a dar prazo até 2011 para licitar o projeto e, de 2013, para iniciar as obras. Continua tudo no plano das ideias.

Até agora, a única intervenção que saiu do papel é a recuperação de cem quilômetros entre Paraty e Angra dos Reis, a um custo de aproximadamente R$ 60 milhões. O recapeamento está pronto da divisa com São Paulo até o Frade, assim como no perímetro urbano próximo ao Centro de Angra e a Japuíba. Áreas como as proximidades do Bracuí, também em Angra, continuam em obras, que, segundo o Dnit, terminam até dezembro.

BARREIRAS CONTINUAM NA PISTA

No trecho de cerca de 60 quilômetros de Itacuruçá a Angra, no entanto, que está em pior estado, não há sinal nem de duplicação, nem de recapeamento. Há trechos esburacados, desníveis que formam lombadas e remendos mais altos do que a pista original. A sinalização no asfalto muitas vezes está apagada. E, numa região onde o solo é instável e que tem histórico de deslizamentos, se a contenção foi feita em algumas encostas, há barreiras que caíram no acostamento ou em faixas de rolamento e continuam pelo caminho. Até mato cresce nelas.

É o que acontece na altura do km 422, em Mangaratiba, onde uma grande pedra e terra obstruem quase a metade de uma das faixa. Um perigo que, na opinião de Valter Feliciano, morador de Itaguaí, é um dos maiores da Rio-Santos. Ele, que é ciclista de estrada, diz não entender por que as barreiras não são retiradas.

— É preciso ficar atento para desviar delas — afirma Valter, que ressalta ainda o transtorno dos engarrafamentos próximo a Itacuruçá. — Principalmente em épocas de grande movimento, como carnaval, os carros vêm na pista dupla e, de repente, quando chegam ao túnel de Itacuruçá, encontram o funil de uma pista única, sem acostamento.

Valter já sofreu um acidente na rodovia. Foi atingido, de bicicleta, por uma Kombi no acostamento, sofreu uma lesão no ombro e ficou dois anos sem poder treinar. Risco que se reflete nos números de acidentes. Apenas no primeiro semestre deste ano, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), já foram 674 na Rio-Santos (contra 578 no mesmo período de 2013, ou 16,6% a mais), com 27 mortos e 129 feridos em estado grave. Dessas ocorrências, a maior parte (294 ou 43,6%) aconteceu no trecho de Angra, não duplicado, contra 138 em Mangaratiba, 125 em Itaguaí, 66 em Paraty e 51 no Rio.

A maioria é colisão traseira (166). Mas as colisões frontais (53 acidentes), mais comuns em pistas de mão dupla, foram as que deixaram mais mortos — 12 no total. Próximo a Angra, uma placa do Plano de Auxílio Mútuo da Costa Verde alerta, inclusive, para as estatísticas de acidentes.

No Bracuí, em Angra, até existe uma passarela ligando os dois lados do bairro. Mas é pouco usada. Difícil ver alguém atravessando por ela, enquanto pessoas cruzam a pista. O segurança Moacir Ferreira diz que o número de acidentes só diminuiu depois da instalação de quebra-molas:

— Antes, toda semana acontecia atropelamento.

Mas, se os quebra-molas foram uma solução para quem vive às margens da rodovia, a proliferação deles em várias áreas urbanas, além de dezenas de pardais de fiscalização eletrônica com diferentes velocidades, de até 40km/h, é motivo de reclamações de motoristas. O presidente da Associação de Turismo da Costa Verde, Dirceu Borin, chega a dizer que é um dos fatores que, hoje, mais prejudicam o turismo na região.

— Uma viagem do Rio a Paraty (que recebe a Flip a partir do dia 30) pode durar até mais de cinco horas — diz ele. — Com esses obstáculos e a má conservação, se houver um problema na usina nuclear de Angra, tenho certeza de que fica todo mundo preso aqui.

O Dnit informou que a duplicação da Rio-Santos está em fase de estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental, que precede os estudos ambientais e os projetos de engenharia para obras de infraestrutura de transportes de grande vulto. Não há prazo, portanto, para o início das intervenções.

Além do trecho de Itacuruçá a Angra, o estudo compreende outro em São Paulo. Superintendente do Dnit no Rio, Antonio Guanabarino diz que, por enquanto, estão em fase de licitação também serviços de conservação, restauração e manutenção de Angra até Itacuruçá. Segue em elaboração ainda uma licitação para obras de contenção de encostas em cerca de 70 segmentos da rodovia.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sem o Elevado da Perimetral, o visual da Praça Quinze

07/07/2014 - O Globo

RIO - No entorno da Praça Quinze estão a estação das Barcas, o Museu Histórico Nacional (MHN), o Arco do Telles, o Palácio Tiradentes, o Paço Imperial e a Assembleia Legislativa do Rio. Desde fevereiro, com a implosão de grande trecho do Elevado da Perimetral, quem passa por lá é contemplado, ainda, com a vista privilegiada da Baía de Guanabara. Setenta por cento do Elevado da Perimetral já foram demolidos. A marca foi atingida dias atrás, segundo a Concessionária Porto Novo, conforme mostrou a coluna Gente Boa.

As obras na região vão continuar avançando, segundo o Consórcio Porto Novo, responsável pelas intervenções. O próximo passo é derrubar, até o fim do ano, os cinco pilares do Elevado, que cortam o logradouro. O calçamento da praça, feito com pedras portuguesas no século XX, é outra etapa do projeto de reurbanização da área que, aos poucos, está sendo restaurada.

Segundo o pesquisador e historiador Milton Teixeira, o calçamento do logradouro foi feito, originalmente do século XVIII, com grandes blocos de pedra, que foram substituídos, no século XX, por pedras portuguesas. Arborização, de 1878, foi projetada pelo paisagista francês Glaziou.

- Sem o Elevado ficou bem melhor, principalmente pela visualização mais abrangente da praça, que foi durante três séculos o cartão de visita da cidade. Ali ficavam os prédios mais importantes, todos apontados para o mar, e a Perimetral cortava o logradouro, o que impedia a visualização das fachadas desses prédios - diz o especialista.

As obras tiveram início com o fechamento do Mergulhão no início deste ano e a previsão de conclusão, segundo o Consórcio Porto Novo, é até o final de 2015. Com o novo visual, a estátua de Dom João VI, localizada no centro da praça, ganha ainda mais destaque, o que agrada os frequentadores do local.

Há quase três anos trabalhando próximo ao logradouro, Cléria Santos Carvalho, de 56 anos, garante que a região está mais "clean".

— Apesar da poeira, dos entulhos e do barulho, que fazem parte das obras, já melhorou bastante. Antes, quando passava pela região, dava medo. Agora está bonito, mas, mesmo assim, ainda fico receosa com a pouca segurança que existe no local — diz ela, que trabalha com serviços gerais no Fórum.

A mesma opinião tem a funcionária pública Luciana Alves, de 33 anos. Para ela, a praça está com um outro clima e o objetivo de ver a vista da Baía de Guanabara foi alcançado.

— Estamos felizes. É uma melhora para o Centro, uma região importante para a cidade e que tem muita história para contar — diz.

Para a comerciante Marly Cunha, a implosão de parte do Elevado atrapalhou as vendas de sua loja.

— Tiraram os pontos de ônibus da região, o que aglomerava muitas pessoas que acabavam consumindo no comércio local. Minhas vendas caíram em 50% — lamenta a empresária, acrescentando que outro problema, na Praça Quinze, é a falta de segurança.

Na Praça Quinze, prédios históricos já despontam na paisagem. Um exemplo é o Centro Cultural do Ministério da Saúde, que fica no palacete que abrigou o Pavilhão da Estatística nas comemorações do Centenário da Independência, em 1922.

Em meados do século XX, o Mercado Municipal da Praça Quinze - Agência O Globo

HISTÓRIA

Localizada na região conhecida, nos primórdios da ocupação das terras do Rio, como Praia da Piaçaba, a Praça Quinze foi denominada, originalmente, de Largo do Terreiro da Polé, passando por Largo do Carmo, Praça do Carmo, Terreiro do Paço e Largo do Paço. Do século XVI até meados da década de 1770, com a construção do Cais do Valongo, foi o principal ponto de desembarque de escravos africanos na cidade.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Teleférico da Providência será integrado a BRT que ligará Deodoro ao Centro

03/07/2014 - O Globo

RIO — O prefeito Eduardo Paes anunciou, nesta quarta-feira, ao inaugurar o teleférico do Morro da Providência, no Centro, que o sistema será ligado ao BRT Transbrasil (corredor expresso de ônibus a ser construído entre Deodoro e o Centro). Além disso, haverá integração com o veículo leve sobre trilhos (VLT) — projetado para circular na Zona Portuária —, com o metrô e os trens na Central do Brasil (que fica junto à favela). As intervenções estão incluídas no pacote de obras para as Olimpíadas de 2016.

O teleférico tem três estações: Gamboa, Américo Brum e Central do Brasil. A ligação com o futuro BRT acontecerá na Gamboa.

— Vocês não vão ver nenhum atleta russo andando de BRT — brincou Paes, enfatizando que o legado das obras de infraestrutura em andamento no município, por conta de grandes eventos, será da população.

Pedindo desculpas aos moradores da Providência pelo atraso de mais de um ano na entrega do teleférico, Paes reconheceu que a prefeitura não desenvolveu um diálogo da forma como deveria com a população, o que resultou no embargo jurídico das intervenções no morro.

— Foi preciso fazer ajustes, principalmente aqui, um lugar tão simbólico, pois é a primeira favela da cidade e está numa região abandonada durante anos, o Porto. Hoje (quarta-feira), entregamos um equipamento de mobilidade, saúde (há uma clínica numa das estações) e turístico — disse o prefeito.

OBRA DE R$ 75 MILHÕES

Presente à solenidade, o governador Luiz Fernando Pezão também comentou os atrasos na conclusão de obras previstas para a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

— Não queremos entregar esses benefícios apenas em função desses grandes eventos. O legado é da população. O mesmo exemplo pode ser aplicado em relação à paz. Não queremos uma paz momentânea, nós a desejamos para sempre — disse Pezão, numa alusão às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

O teleférico do Morro da Providência recebeu um investimento de R$ 75 milhões. O dinheiro foi aplicado na construção de terminais, na montagem de torres, no remanejamento da rede de energia e na implantação de vias de serviço, entre outros itens. O sistema tem capacidade para transportar mil pessoas por hora — em cada sentido — em suas 16 gôndolas. Cada uma pode acomodar oito passageiros sentados e dois em pé. O trajeto, de 721 metros, é feito em aproximadamente cinco minutos, e a viagem é gratuita.

Nos próximos dois meses, o serviço funcionará em horários e condições especiais de teste e treinamento de pessoal, com distribuição de senha aos usuários.

TESTE SERÁ EM TRÊS FASES

A implantação do sistema se dará em três fases, com previsão de cerca de 15 dias para cada uma. Na primeira, a operação será das 9h às 11h, de segunda a sexta-feira. Depois, o teleférico passará a funcionar das 14h às 16h. Na terceira fase, o meio de transporte funcionará, em dias úteis, das 8h às 12h e das 14h às 20h, e, aos sábados, das 9h às 15h.

Passadas essas três fases, o teleférico vai operar das 6h às 21h (de segunda a sexta-feira), das 7h às 19h (aos sábados) e das 9h às 18h (domingos e feriados).

A estação Américo Brum tem uma Academia da Terceira Idade para moradores da comunidade, além de um mirante com vista panorâmica de pontos da cidade como o Pão de Açúcar e a Baía de Guanabara. Já no terminal da Gamboa, uma Clínica da Família fará o atendimento da população das 8h às 20h, de segunda a sexta-feira, enquanto o espaço comunitário Casa Rio Digital permitirá a capacitação profissional de jovens.

— É um benefício que esperávamos há muito tempo. Vai facilitar meu deslocamento até o ponto do ônibus quando estiver indo para o trabalho — afirmou a diarista Rafaela Silva, enquanto utilizava o teleférico com os dois filhos.

Vilas de Árbitro e de Mídia dos Jogos Olímpicos permanecem sem endereço definido

COI ainda não respondeu se aceita transferir os cerca de 1.300 quartos da Zona Portuária para Jacarepaguá

POR LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

02/07/2014 - O Globo

O Residencial Porto Vida, que seria usado como vilas de Árbitro e de Mídia: prefeitura depende de aprovação do COI para levar projeto para Jacarepaguá
Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
O Residencial Porto Vida, que seria usado como vilas de Árbitro e de Mídia: prefeitura depende de aprovação do COI para levar projeto para Jacarepaguá - Márcia Foletto / Agência O Globo
RIO — A pouco mais de dois anos dos Jogos Olímpicos, uma indefinição ronda a organização do evento. Segundo a prefeitura, o Comitê Olímpico Internacional (COI) ainda não respondeu se aceita transferir da Zona Portuária para Jacarepaguá cerca de 1.300 quartos que deverão servir como vilas de Árbitro e de Mídia. O impasse aumenta porque voltar atrás na decisão seria complicado. Com base na afirmação do prefeito Eduardo Paes de que o terreno localizado na Rua General Luís Mendes de Souza (Santo Cristo) não tinha mais a chancela olímpica, o empreendimento Porto Vida Residencial teve as obras paralisadas em junho, e não há prazo para serem retomadas. Quanto ao plano B proposto pela prefeitura, por enquanto não passa de projetos nas pranchetas.

As vilas faziam parte do chamado Porto Olímpico. A decisão de excluir o Porto foi financeira, para reduzir em até R$ 70 milhões as despesas com a organização do evento, que serão arcadas pelo Comitê Rio 2016 — entidade privada que tem entre as atribuições a logística dos Jogos. Em maio de 2010, a prefeitura conseguiu a aprovação do COI para transferir para a Zona Portuária algumas instalações secundárias dos Jogos, com o objetivo de valorizar o projeto do Porto Maravilha, melhorando o legado do evento. Na época, o município também queria realizar algumas competições no Porto, mas o COI não aceitou. Por enquanto, o único projeto que está em andamento é a construção de um hotel no mesmo terreno do condomínio residencial paralisado. O empreendimento Holiday Inn Porto Maravilha, com 594 quartos e centro de convenções, começou a ser erguido este ano, e a previsão é que as obras terminem em dezembro de 2015.

ALTERNATIVAS COMPLICADAS

A alternativa para as vilas sugerida ao COI mantinha a estratégia inicial de oferecer serviços hoteleiros em novos empreendimentos residenciais que serviriam como moradia apenas após os Jogos Olímpicos. Os quartos seriam oferecidos em apartamentos de novos projetos do Minha Casa Minha Vida programados para Jacarepaguá. Nesse ponto é que surgem mais dificuldades. Hoje, existe apenas um projeto em andamento na região. Os apartamentos, localizados num terreno da Colônia Juliano Moreira, ficam prontos em setembro, e não há como mantê-los desocupados até 2016 sem comprometer outro projeto olímpico. Isso porque o condomínio está sendo erguido para abrigar moradores que precisam ser removidos pelas obras de construção do futuro BRT Transolímpico (Barra-Deodoro).

Existem outras duas áreas disponíveis em Jacarepaguá. O primeiro terreno, no Anil, e que tem a preferência da prefeitura, já foi uma fábrica de cerveja e refrigerantes. A hipótese de usar a área como hospedagem provisória chegou a ser levantada em reuniões de trabalho, há dois anos, com membros do COI no Rio. O segundo terreno fica próximo à Colônia Juliano Moreira. O início das obras, porém, ainda depende da assinatura de contrato com a Caixa Econômica Federal. A Secretaria municipal de Habitação disse que o início das obras depende da conclusão dos trâmites burocráticos. Um processo que, às vezes, pode demorar. O plano para construir casas populares na antiga fábrica tem cinco anos, por exemplo. Mas, teoricamente, há tempo: em média, um projeto do Minha Casa Minha Vida fica pronto em 15 meses.

O impasse criou dificuldades até mesmo para o Tribunal de Contas da União (TCU) fiscalizar o andamento dos projetos. Em relatório que orientou acórdão aprovado na semana passada em plenário, os técnicos observaram que não conseguiram obter junto à Autoridade Pública Olímpica (APO) informações sobre as mudanças no Porto. O Comitê Rio 2016 não quis se manifestar, alegando que a questão das vilas seria do município.

O prefeito Eduardo Paes, por sua vez, prefere não se pronunciar, pelo menos até a questão ser abordada em uma nova visita do COI ao Rio, provavelmente em agosto. Paes, porém, ainda tem ideias para sugerir ao comitê e tentar dar visibilidade ao Porto durante o evento. Uma das propostas seria instalar um dos live sites da cidade — espécie de versão olímpica das arenas do Fifa Fan Fest na Copa do Mundo — às margens da Baía de Guanabara. E ainda se procura um prédio histórico para abrigar o centro de imprensa da chamada mídia não credenciada — jornalistas que buscam outros focos para reportagens fora das arenas olímpicas.

SEM INTERESSE DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

Em 2010, porém, a situação era diferente. Após se reunir com associações de moradores e entidades ligadas a urbanismo e arquitetura, Paes prometeu empenho para levar as Olimpíadas para a Zona Portuária. Chegou a contratar o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) para desenvolver um concurso internacional de projetos. Além disso, a prefeitura firmou um convênio para que funcionários públicos comprassem apartamentos na região, financiados com cartas de crédito do Previ-Rio (fundo de previdência do município). Mas, segundo fontes da prefeitura, apenas cerca de 300 candidatos teriam feito a pré-inscrição no Previ-Rio.

O presidente do IAB-RJ, Pedro da Luz, lamentou a desistência da prefeitura. Para ele, associar um empreendimento residencial no Porto Maravilha às Olimpíadas seria estratégico para a ocupação da área. Ele lembrou que a reduzida oferta de moradias pode repetir o que ocorrenas ruas do Centro: grande movimento durante a semana de trabalhadores e ruas desertas no fim de semana:

— A antecipação de um empreendimento residencial serviria de estímulo para outros investidores. Construir a vila em Jacarepaguá em nada vai fortalecer a vocação residencial da área.

O Porto Vida Residencial é desenvolvido pelas construtoras Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia. Em nota, a assessoria das construtoras informou que 20% do projeto já haviam sido executados quando as obras foram paralisadas. Agora, o cronograma está sendo adequado para um projeto imobiliário convencional.

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terça-feira, 1 de julho de 2014

Teleférico do Morro da Providência reabrirá nesta quarta-feira

Bondinho no Rio de Janeiro, com capacidade para mil passageiros por hora/sentido, não será tarifado. Reabertura está marcada para 4ª feira (2)
01/07/2014 -  Manchete Online 

RJ: teleférico em testes na semana passada
RJ: teleférico em testes na semana passada
créditos: Fabiano Rocha / Agência O Globo
 
O Teleférico do Morro da Providência será reinaugurado nesta quarta-feira (2) pela Prefeitura do Rio de Janeiro. O bondinho com três estações, localizado na região central do Rio de Janeiro, liga a Praça Américo Brum à Central do Brasil e à Gamboa.
 
A viagem, com tarifa gratuita, percorre 721 metros em aproximadamente cinco minutos e tem a capacidade de levar mil passageiros por hora em cada sentido. Serão 16 cabines atendendo usuários e uma gôndola para manutenção.
 
Cada cabine tem capacidade para transportar oito passageiros sentados e dois em pé. Além disso, estações e gôndolas são adaptadas para portadores de necessidades especiais, que recebem o auxílio dos operadores e dos auxiliares.
 
A estação do Morro da Providência é ligada à Praça Américo Brum. A da Central do Brasil é na Praça Cristiano Otoni, ao lado da Estação Central do Brasil, com conexões com os trens da SuperVia, metrô e ônibus. Já a da Gamboa é na esquina da Rua Rivadávia Corrêa, com a Rua da Gamboa.
 
De acordo com a Companhia de Desenvolvimento do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), o funcionamento se dará em quatro fases e terá horário e condições especiais para teste e treinamento de funcionários.
 
Na primeira fase, o funcionamento será das 9h às 11h. Na segunda fase, irá funcionar das 14h às 16h. Já na terceira fase, funcionará de segunda à sexta, das 8h às 12h, e de 14h às 20h, e no sábado, de 9h às 15h.
 
Na quarta fase, o funcionamento será pleno e normal e vai funcionar nos seguintes horários: de segunda à sexta-feira, de 6h às 21h, no sábado de 7h às 19h e domingos e feriados, de 9h às 18h.
 
Durante cerca de dois anos, desde que realizou a primeira e única viagem-teste em dezembro de 2012, o teleférico ficou praticamente abandonado, gerando protestos dos moradores do Morro da Providência, que alegavam ter urgência neste meio de transporte na comunidade. Outra queixa dos moradores era sobre o destino das famílias desapropriadas em função da obra. Segundo a Secretaria Municipal de Habitação, o morro da Providência abriga cerca de 1.400 famílias, sendo que, destas, 118 tiveram que ser reassentadas para a construção do teleférico. Elas serão transferidas para moradias do programa Minha Casa Minha Vida sendo que, dos reassentamentos previstos, 34 já foram entregues e 84 aguardam a conclusão das obras, informa o órgão responsável (Cdurp).    

Arco Metropolitano deve injetar R$ 1,8 bilhão ao PIB do Estado do Rio

Com inauguração nesta terça-feira, via promete ainda reduzir custo de transporte e desafogar vias importantes

RAFAEL GALDO

01/07/2014 5:00

 O trecho de 71,2km do Arco Metropolitano custou R$ 1,9 bilhão e deve tirar da Avenida Brasil e da Via Dutra dez mil carretas e 22 mil veículos leves por dia Foto: Erica Ramalho / Divulgação
O trecho de 71,2km do Arco Metropolitano custou R$ 1,9 bilhão e deve tirar da Avenida Brasil e da Via Dutra dez mil carretas e 22 mil veículos leves por dia
Foto: Erica Ramalho / Divulgação

O trecho de 71,2km do Arco Metropolitano custou R$ 1,9 bilhão e deve tirar da Avenida Brasil e da Via Dutra dez mil carretas e 22 mil veículos leves por dia - Erica Ramalho / Divulgação
RIO — Foram mais de 40 anos desde a ideia original até a sua inauguração, nesta terça-feira. Com o objetivo de ligar os trechos norte e sul da BR-101 e desafogar importantes vias urbanas, como a Avenida Brasil e a Ponte Rio-Niterói, finalmente, a maior e mais importante parte do Arco Metropolitano do Rio será aberta ao tráfego. São 71,2 quilômetros de uma nova via, do entroncamento da BR-040 (Rio-Juiz de Fora), em Duque de Caxias, ao acesso ao Porto de Itaguaí, cortando as rodovias BR-465 (antiga Rio-São Paulo), BR-116 (Via Dutra) e BR-101 (Rio-Santos). E que, segundo cálculos da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), deve possibilitar uma injeção de mais de R$ 1,8 bilhão no PIB do Rio, reduzir em até 20% o custo do transporte de carga no estado e gerar mais de R$ 343 milhões em receita anual com arrecadação de impostos. Um impacto que começará a ser sentido já a curto prazo, mesmo que o arco não esteja completamente concluído, uma vez que cabe ao governo federal a duplicação e melhoria dos 25 quilômetros da BR-493, entre Magé e Manilha, que ainda não teve as obras sequer iniciadas.

Apesar disso, só o trecho que será aberto hoje, numa cerimônia com a presidente Dilma Rousseff e o governador Luiz Fernando Pezão, deve tirar da Avenida Brasil e da Rodovia Presidente Dutra dez mil carretas e 22 mil veículos leves por dia. As obras nesse trecho, sob responsabilidade do estado e com recursos do PAC, custaram aos cofres públicos R$ 1,9 bilhão, quase o dobro do orçado (R$ 965 milhões em 2008).

MAIS DE 40 EMPRESAS INTERESSADAS

Ao cruzar os municípios de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí, a obra pode trazer novas perspectivas para a região, afirma Riley Rodrigues, especialista em Competitividade e Infraestrutura da Firjan. Segundo ele, ao menos 40 empresas já manifestaram interesse em se instalar ao longo do Arco Metropolitano. E, entre os muitos impactos econômicos a serem gerados, um dos mais importantes, ressalta Riley, será a melhoria no acesso ao Porto de Itaguaí e o consequente aumento na movimentação do terminal.

— Atualmente, é um porto subutilizado. Das 52 milhões de toneladas em exportações e 4,5 milhões de toneladas em importações que Itaguaí movimentou ano passado, 80% foram minério. Resolvido o acesso, outros tipos de carga poderão chegar ao porto. Além disso, empresas de setores como alimentício, têxtil, petroquímico e de logística devem se instalar ao longo do arco. E a expectativa é que, até 2020, sejam gerados 10.700 empregos na região. Mas para essa expansão se dar de forma ordenada, os municípios precisam tomar uma série de medidas, como atualização de seus planos diretores e leis de ocupação e uso de solo — ressalva.

Ao todo, quando estiver pronto, o Arco terá 145 quilômetros, de Itaboraí a Itaguaí, com possibilidade de ser estendido até Maricá. Os 71,2 quilômetros serão entregues hoje com quatro anos de atraso. Demora que o governo vem atribuindo a vários fatores, como a necessidade de alterações no trajeto devido à descoberta da perereca Physalaemus soaresi, espécie ameaçada de extinção, na Floresta Nacional Mário Xavier (Flona), em Seropédica, e de dezenas de sítios arqueológicos no caminho.

PERIGO E GARGALOS NA BR-393

Já na BR-493, pela qual o Arco alcança Itaboraí — município onde está sendo construído o Polo Petroquímico do Rio, o Comperj —, a situação da pista continua ruim, com buracos, sinalização precária e um histórico de acidentes e atropelamentos. Ao longo da rodovia, o perigo é tamanho que alguns motoristas e moradores da região a chamam de estrada da morte. O quadro é agravado pelo tráfego pesado na via, com um intenso movimento de caminhões entre o sul do estado e a Região dos Lagos, além de Niterói, São Gonçalo e Norte Fluminense, sobretudo com a proibição da passagem desses veículos pela Ponte Rio-Niterói, das 4h às 22h.

— Três vezes por semana tenho que passar por este tormento. O perigo é ainda maior quando anoitece, já que a estrada não tem iluminação nem sinalização, além de estar cheia de buracos. Todos corremos riscos: motoristas e pedestres que circulam pela via, cercada de áreas urbanas — diz o caminhoneiro Gilberto Amaro Pereira, que transporta material de construção entre São Paulo e Niterói.

Os perigos a que ele se refere ficam claros em toda a estrada. Só num trecho de cerca de um quilômetro em Itambi, em Itaboraí, são oito borracharias, número que o borracheiro Daniel Siqueira Neto atribui ao desgaste dos pneus dos caminhões no asfalto esburacado. Já na altura de Guapimirim, o caminhoneiro Ednaldo de Souza Santos esperava por um reboque ontem, depois de o veículo quebrar ao passar por um desnível. Perto de Santa Guilhermina, em Magé, pedestres se equilibravam entre a mureta destruída de uma ponte e os caminhões, que tiravam fino deles. No bairro Barbuda, na mesma cidade, garantia o aposentado Nelson Martins, é difícil encontrar alguém que não tenha perdido um conhecido atropelado. No entroncamento da rodovia com a BR-101 e a RJ-104, em Manilha, motoristas reclamavam de engarrafamentos diários, que atrapalham quem segue pela Niterói-Manilha em direção à Região dos Lagos, e que tenderão a piorar com a inauguração do acesso ao Comperj pela região de Itambi, prevista para breve.

De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), as obras na rodovia só devem ficar prontas em 2016. Segundo o órgão, as licitações para duplicar e fazer melhorias na BR-493 foram finalizadas no fim do ano passado, e o departamento ainda trabalha para terminar o projeto e dar início às obras, em agosto. Do total de R$ 1,23 bilhão investidos pelo governo no Arco Metropolitano, R$ 405 milhões serão destinados para o trecho.

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