sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Downtown terá expansão e passarela até o metrô

21/09/2017 - Diário do Rio

QUINTINO GOMES FREIRE

O shopping a céu aberto, Downtown, na Barra, está prestes a passar pela sua primeira grande expansão, é o que informa o site Barra da Tijuca. Incluindo uma passarela até a estação Jardim Oceânico e um novo espaço para restaurantes, o Downtown Gourmet, além de recuperação da iluminação do local. O investimento será de R$ 75 milhões.

O shopping, finalmente, ganhará lojas âncoras. O projeto, que ficará no subsolo em frente ao bloco do Banco Bradesco, terá mais de cinco mil m² de área locada, com cinco lojas âncoras. O arquiteto Eduardo Mondolfo, que já trabalhou com Oscar Niemeyer (1907-2012) e é autor de prédios conhecidos, como o do Shopping Leblon e o do Hotel Fasano, propôs uma cobertura verde, com o pé direito de 13 m, que dará maior visibilidade ao acesso, por escadas rolantes, ao subsolo. A ideia é dar leveza e favorecer luz natural.

Quanto ao Downtown Gourmet, será onde hoje estão o Outback e da casa de carnes Vamo, do Bistrô Brasil e dos restaurantes de comida japonesa Atlântico Sushi e Planeta Sushi.O polo gastronômico reunirá em torno de 12 restaurantes, em uma área aproximada de dois mil m².

Com a chegada do metrô a Barra da Tijuca, o Downtown construirá uma passarela de pedestres que dará acesso direto da estação Jardim Oceânico, do Metrô, ao empreendimento. A ideia é trazer conforto, acessibilidade e segurança, para clientes, ciclistas e portadores de necessidades especiais às duas margens do Canal de Marapendi. O local será entregue urbanizado e iluminado até o fim de 2017.

Mas algumas melhorias já foram entregues, como a reforma das fachadas e dos banheiros da praça de alimentação, instalação de sistema de iluminação em LED, melhoria na acessibilidade e na circulação dos motoristas e nova comunicação visual. Além de melhoria na segurança dos frequentadores.

Atualmente, a transformação está na etapa de retrofit interno dos 23 blocos do Downtown. O bloco 20 já foi entregue e até o fim do ano que vem todos os outros 22 também serão entregues.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Auditoria mostra poder de empresários sobre ônibus no Rio e má gestão da Prefeitura

14/09/2017 - G1 Rio

Consórcios definem alterações em linhas, frotas e pontos de ônibus. Relatório também apontou falta de controle dos custos, baixa qualidade dos ônibus e concentração de passageiros. Ex-prefeito Eduardo Paes diz que acatou sugestões da auditoria durante a sua gestão.

Por Cássio Bruno, G1 Rio

Relatório aponta problemas no sistema de ônibus do Rio (Foto: Reprodução / TV Globo)
Relatório aponta problemas no sistema de ônibus do Rio (Foto: Reprodução / TV Globo)

Uma auditoria contratada durante a gestão de Eduardo Paes (PMDB) fez um raio-X do sistema de transporte no Rio e constatou que os empresários tomam as principais decisões sobre linhas, frotas e pontos de ônibus. Isso porque a Prefeitura não tem equipe qualificada para fazer a gestão. Também foram apontados problemas como altas tarifas, a falta de controle dos custos, a baixa qualidade dos ônibus e o desrespeito a regras.

O estudo, que custou R$ 10,4 milhões, foi feito pela PricewaterhouseCoopers (PwC) entre 2014 e 2016, na sequência dos protestos de 2013 sobre as tarifas do transporte público.

O site Agência Pública conseguiu o relatório por meio da Lei de Acesso à Informação, e o G1 confirmou as informações divulgadas.

Veja as principais conclusões da auditoria:

“Consórcios e Rio Ônibus propõem a maior parte das alterações em linhas e frotas”.

A Prefeitura tem dificuldades para avaliar as propostas e fazer mudanças na malha rodoviária.

As tarifas são definidas com base em custos que não são controlados e ficam maiores do que deveriam.

A Secretaria de Transportes não tem pessoal qualificado para analisar as tarifas e discutir os reajustes pedidos pelas empresas.

Não há acompanhamento da destinação das tarifas.

A distribuição de passageiros de ônibus é irregular: 70% das pessoas usam 33% das linhas.

54% das linhas tem mais de 50% de sobreposição.

59% das linhas não cumpriam a determinação do tamanho da frota em 2014.

Custo da tarifa em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é mais elevado que em São Paulo, Londres e Buenos Aires.

Revisão integral da malha rodoviária poderia proporcionar economia de R$ 0,75 a R$ 1,25 no preço da passagem.

A frequência mínima entre os ônibus não é respeita nem no horário de pico.

Incidência de alta velocidade, com ônibus passando de 80 km/h, principalmente no período noturno.

Há cobrança de taxa para a recarga do Bilhete Único Carioca, que não é cobrada em outras cidades que utilizam sistema similar, como São Paulo, Curitiba e Nova Iorque.

Alguns consórcios operam linhas com tamanho da frota inferior ao determinado e nem sempre cumprem os trajetos.

A auditoria da PwC foi feita por meio de trabalho de campo, análise da situação financeira das empresas de ônibus, dados de localização dos coletivos (GPS) e entrevistas com equipes da prefeitura e funcionários das viações.

A consultoria teve acesso a informações financeiras de 41 empresas e identificou que em apenas cinco delas – Jabour, Pégaso, Real, Redentor e Futuro – estavam concentradas quase um terço da receita do sistema de transporte em 2013. A maior delas, a Jabour, pertence à família de Jacob Barata Filho, conhecido como "rei do ônibus" e investigado pela Operação Lava Jato.

Ele foi preso em 2 de julho acusado de ter pago propina a autoridades do Rio para conseguir facilidades em seus negócios. Mas ganhou direito à liberdade por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

O G1 entrou em contato com o Grupo Guanabara, da qual a Viação Jabour faz parte, mas até a publicação desta reportagem não havia obtido resposta. O G1 ainda não conseguiu contato com as empresas Futuro, Real, Redentor e Pégaso.

Procurado, o consórcio Rio Ônibus afimou que não teve acesso ao estudo realizado pela PwC e que tem defendido a realização de auditoria independente e comandada por empresa de reputação reconhecida, de modo a indicar com isenção qual o valor da tarifa que pode manter o sistema equilibrado do ponto de vista econômico-financeiro (veja íntegra da nota ao final do texto).

Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes afirmou que "está revisando o processo da racionalização” e desenvolvendo um estudo para conhecer as necessidades dos usuários e melhorar os serviços prestados. A pasta afirma ainda que mantém a fiscalização e “monitoramento permanentes sobre cada um dos consórcios”.

O ex-prefeito Eduardo Paes divulgou nota que na época da divulgação do estudo, a prefeitura acatou sugestões por meio de lei aprovada na Câmara. “Incrementou-se a estrutura da Secretaria [de Transportes] para fazer frente a suas enormes responsabilidades. Além disso, a prefeitura realizou a primeira licitação na área de transportes na história da cidade. O estudo apontava que era preciso ter mais concentração administrativa (saímos de quase 60 empresas para 4 consórcios com a licitação), apesar de vários membros da oposição terem chamado essa prática de 'cartelização' do setor”, disse o ex-prefeito (leia a nota na íntegra no fim desta reportagem).

Procurada pelo G1, a PwC afirmou que não está autorizada a divulgar informações sobre o trabalho contratado pela prefeitura.

 (Foto: Arte/G1)
 (Foto: Arte/G1)  

Sistema ineficiente

Segundo os auditores da PwC, o Rio possui um sistema ineficiente, com 541 linhas e 8.819 ônibus. Nos documentos, eles descreveram o setor como “concentrado na solução dos problemas emergenciais” sem atuação proativa e “voltado para o planejamento das ações”.

Tarifa poderia ir a R$ 1,05

O levantamento da PwC mostrou, já em 2014, que a prefeitura tinha a seu alcance um conjunto de meios para baixar o preço da passagem. Naquele ano, o município aumentou a passagem em 20 centavos sob a justificativa de instalar ar-condicionado na frota. No início deste mês, porém, esse reajuste foi derrubado por uma decisão da Justiça.

Para os peritos da PwC, caso houvesse um trabalho de combate a fraudes e uma adequação de horários e frota, a redução da tarifa poderia ser entre 30 a 80 centavos. E mais: o desconto que a revisão integral da malha poderia proporcionar para o preço da passagem era de 75 centavos a R$ 1,25. Isso quer dizer que o usuário que pagava uma tarifa de R$ 3 à época desembolsaria apenas de R$ 1,05 a R$ 2,05.

O estudo chegou à conclusão que os problemas do sistema de transporte rodoviário da cidade são causados, sobretudo, por três fatores: concessão de poder excessivo aos empresários, incentivos que favorecem a maximização da receita em prejuízo da eficiência e o fato de toda concessão atual ter sido construída sobre um legado anterior.

Passageiros concentrados

O estudo constatou que, das 541 linhas de ônibus, 278 (ou 54%) estão com trajetos sobrepostos, provocando gargalos de trânsito nas principais avenidas do Rio.

Outro detalhe do diagnóstico mostra que 70% dos passageiros dos ônibus são transportados em apenas um terço das linhas.

Irregularidades

De acordo com o estudo, nem todos os dados puderam ser levantados. Um deles foi o ganho com investimentos financeiros da RioCard com o uso dos recursos da tarifa. O lucro conseguido com a venda de publicidade em ônibus também não foi determinado.

A auditoria aponta que, apesar do cenário favorável aos empresários, muitas empresas operam com lucro abaixo do previsto – dívidas e investimentos feitos nos primeiros anos de funcionamento poderiam explicar esse quadro.

A PwC revelou que que as dívidas chegam a representar até 80% dos bens de algumas viações. Uma delas era a Santa Maria, cujo percentual era de 93% - a empresa entrou em processo de falência em 2017.

Em 2012, o custo da operação do sistema de transporte rodoviário carioca foi de R$ 1,8 bilhão – quase 60% desse total foi direcionado à compra de combustíveis e pagamento de motoristas. Naquele ano, o resultado ficou negativo em R$ 25 milhões. No entanto, os auditores apontaram que os níveis de investimento pareciam acima da média para o longo prazo.

Várias irregularidades foram constadas no bilhete eletrônico. Entre elas, 24.648 beneficiários estavam com mais de um cartão com passe livre ativo, de um total de mais de dois milhões de cartões. Além disso, 453 cartões não autorizados tinham registros de 3.452 transações de gratuidade.

O que dizem os citados

Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes ressaltou que "está revisando o processo da racionalização e desenvolvendo um estudo minucioso conforme dados obtidos em pesquisas de campo, registros do 1746 e demandas recebidas pela Ouvidoria da pasta".

Segundo a secretaria, "o objetivo do levantamento, acompanhado pela Comissão de Transportes da Câmara dos Vereadores, é conhecer as necessidades e reivindicações dos usuários que sofreram com a retirada e alteração de linhas de ônibus e buscar melhorias nos serviços prestados à população".

A pasta destacou ainda que "mantém fiscalização e monitoramento permanentes sobre cada um dos consórcios vencedores da licitação realizada na gestão anterior. Os mesmos têm a obrigação contratual de manter o serviço operando de forma contínua e adequada para a população".

Leia as respostas enviadas pelo ex-prefeito Eduardo Paes:

“Inicialmente deve se esclarecer que as ações na área de transportes não cabiam ao ex-prefeito e sim a secretaria municipal responsável pela área. Durante a auditoria, que começou em 2014 e seguiu até o fim de 2016, várias sugestões foram acatadas pela Secretaria Municipal de Transportes tais como: racionalização das linhas de ônibus (que tantas reclamações gerou, inclusive pela oposição)e criação de corredores BRT e BRS para maior eficiência; melhoria do sistema de bilhetagem eletrônica; renovação da frota para ônibus climatizados nas 150 linhas mais carregadas que conduzem 70% das viagens; reestruturação da SMTR e contratação de fiscais e engenheiros por concurso; uso do COR para monitoramento da frota por GPS; ampliação dos postos de venda e recarga de cartões (agora reduziram muito) e bilhetagem passou de 40% para 80% das viagens.

A partir da auditoria a SMTR realizou a reestruturação da secretaria e ainda estabeleceu a contratação de mais fiscais e engenheiros por concurso (projeto de lei já aprovado na Câmara do Rio). O concurso de 2015/2016, por exemplo, foi orientado pela PwC e contratou economistas para a secretaria.

Reajuste de tarifa anual se faz através de fórmula com índices de inflação dos insumos empregados. Em 2015 e 2016 a prefeitura determinou a troca de mais de 3 mil ônibus comuns para climatizados, investimento esse que não consta no contrato de licitação como obrigação, por isso foi repassado para a tarifa, conforme foi amplamente divulgado à época. Os meios apontados pela PwC para aumentar a eficiência do sistema e, com isso, poder exigir novos investimentos em qualidade ou reduzir tarifa são reformas de longo prazo como fusões administrativas e racionalização de linhas (que foi duramente criticada pela imprensa e foi suspensa pela atual administração). Como já foi dito, muitas dessas medidas foram iniciadas na gestão passada e devem prosseguir até que seja realizada a revisão tarifária, prevista em contrato para ser feita a cada 4 anos, aproximadamente. Vale ressaltar que o próprio estudo aponta que o lucro das empresas era menor do que o previsto, que alguns consórcios davam prejuízo e que era preciso ter mais concentração administrativa, aprimorar desempenho do sistema para melhorar a gestão e só assim poder reduzir tarifa. Outro ponto que deve ser destacado é que a análise feita pela Agência Pública coloca São Paulo como exemplo tarifário, mas é preciso lembrar que a tarifa custa R$ 3,80, mas a Prefeitura de SP subsidia o sistema com R$ 3,2 bilhões para os empresários”.

Em relação aos dados da auditoria da PwC, o Rio Ônibus esclareceu que não teve acesso ao estudo realizado pela PwC e que tem defendido a realização de auditoria independente e comandada por empresa de reputação reconhecida, de modo a indicar com isenção qual o valor da tarifa que pode manter o sistema equilibrado do ponto de vista econômico-financeiro.

Veja na íntegra a nota do Rio Ônibus:

"Em relação aos dados da auditoria da PwC divulgados pela imprensa, o Rio Ônibus esclarece:

- O Rio Ônibus não teve acesso ao estudo realizado pela PwC, o que dificulta uma análise técnica e precisa sobre os dados divulgados parcialmente pela imprensa;

- O Rio Ônibus tem defendido a realização de auditoria independente e comandada por empresa de reputação reconhecida, de modo a indicar com isenção qual o valor da tarifa que pode manter o sistema equilibrado do ponto de vista econômico-financeiro. É de conhecimento público que o sistema está perto do colapso, com o fechamento de sete empresas e com outras 11 com graves restrições financeiras;

- Como a tarifa atual (R$ 3,60) não é capaz de remunerar o sistema municipal de ônibus do Rio, a auditoria certamente irá considerar o impacto de medidas adotadas unilateralmente pela Prefeitura nos últimos anos, como:

1) Os dois congelamentos da tarifa (2013 e 2017);

2) A inclusão de gratuidades como o Passe Livre Universitário sem indicação de fonte de custeio, o que contraria a legislação;

3) O aumento de 30 minutos no tempo de validade para integração com o Bilhete Único Carioca (BUC);

4) Os custos adicionais com a climatização da frota (estudo da Coppe/UFRJ demonstra que o consumo de combustível é 30% maior nos ônibus com ar-condicionado);

5) Os efeitos da concorrência desleal das vans, principalmente na Zona Oeste.

- O sindicato esclarece ainda que, em 2015, contratou auditoria de renomada empresa da área para analisar os mesmos dados operacionais e financeiros citados pela reportagem. O diagnóstico da auditoria foi encaminhado para a apreciação do poder concedente. Até o momento, os consórcios aguardam uma resposta sobre os dados enviados. O estudo mostra claramente o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão, com defasagem no valor da tarifa.

- O setor sempre defendeu a transparência nos dados e a realização de auditorias que analisassem o contrato para sugestão de melhorias no sistema.

- Desde 2010, o Rio Ônibus vem construindo uma equipe multidisciplinar para colaborar com o poder público na melhoria do sistema municipal de ônibus e transformação da mobilidade urbana de uma cidade que recebeu diversos eventos, como a Jornada Mundial da Juventude 2013, Copa do Mundo 2014, Jogos Olímpicos Rio 2016 e o Rock in Rio. Entre os resultados, destacamos a implantação de corredores BRS e BRT, reforçando o transporte público como o principal legado da cidade.

- O setor sempre defendeu a profissionalização da gestão municipal em prol do sistema de transporte público por ônibus que beneficiem diretamente os passageiros.

- O Rio Ônibus informa, ainda, que mantém o repasse periódico e transparente de relatórios exigidos pela Prefeitura, como o Resumo Diário de Operação, Relatório Mensal de Consumo, Boletim de Mão de Obra e Balanço Financeiro dos Consórcios.

Além disso, a frota de ônibus é monitorada em tempo real, já que todos os veículos são equipados com GPS e os dados, transmitidos diretamente para a Secretaria Municipal de Transportes (inclusive via aplicativo)."



quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Fla comemora baixo custo de terreno de estádio e minimiza questão de segurança

07/09/2017 - Extra

Diogo Dantas 

O Flamengo deu passo decisivo para ter um estádio próprio para 50 mil pessoas. Com o Maracanã sem solução e alto custo, o clube comprou um terreno na Avenida Brasil, entre Benfica e Manguinhos, com 160 mil metros quadrados, e nos próximos quatro meses fará estudos detalhados de viabilidade.

Se tudo der certo, dará seguimento à empreitada. O loca l é a 14 minutos da sede da Gávea e próximo à rodoviária e estações de trem e BRT. O ponto fundamental para o desfecho na escolha do local foi o valor do terreno.

Em área desvalorizada pelo mercado imobiliário, o Flamengo conseguiu arrematar por valor bem abaixo dos concorrentes em outras regiões da cidade.

O ponto negativo pode ser a questão de segurança. A área é próxima a locais considerados violentos. Mas os dirigentes minimizam o fato e alegam que as demais opções e até os estádios cariocas já em uso também o são.

A diretoria pretende fazer um estudo de solo e quer construir um estacionamento horizontal no estádio, que fica na área da refinaria de Manguinhos. O trabalho é capitaneado pelo vice de patrimônio Alexandre Wrobel, que também é responsável pelas obras do Centro de Treinamento Ninho do Urubu. O presidente Eduardo Bandeira de Mello vi brou:

— É um terreno de 160 mil metros quadrados, no início da Av. Brasil, muito bem localizado e a partir de agora, com a assinatura dessa opção de compra, nós vamos poder fazer todos os estudos - disse Bandeira.

Alexandre Wrobel, vice-presidente de patrimônio, explicou todo o procedimento.

“A partir de amanhã a gente já começa a trabalhar de forma efetiva na realização e concretização deste grande sonho que é a construção do nosso estádio próprio. Hoje nós assinamos um termo de opção, o Flamengo tem 120 dias para elaborar os estudos necessários. Sendo positivo os resultados, o Flamengo tem a opção de assinar a aquisição de um terreno de 160 mil metros, muitíssimo bem localizado para a construção de um estádio. Na Av. Brasil. Quem vem da Zona Sul, descendo na Brasil, em dois minutos você chega no estádio. Uma área excepcional, uma metragem excepcional, que permite com facilidade a implementação de um estádio, inclusive de todo o entorno do estádio como estacionamento e tudo mais. Muito bem servido em termos de mobilidade urbana. Muito próximo da Linha Vermelha, da Linha Amarela, com uma estação de BRT sendo construída praticamente em frente ao terreno. Muito próximo da rodoviária. A torcida do Flamengo está espalhada no estado do Rio como um todo, então também muito bem localizado neste sentido. Qualidade do solo muito boa, o que acaba facilitando e barateando as obras. Então estou muito confiante. É o primeiro passo. Não estamos aqui vendendo ilusão. Isso, inclusive, vem sendo trabalhado há quatro, cinco meses e não vazou. Só nesse momento que conseguimos colocar no papel. E a partir de agora temos um trabalho grande nos próximos quatro meses para que possamos viabilizar financeiramente o negócio em termos de implementação de projeto arquitetônico e aí sim podemos adquirir o terreno e partir para a realização do nosso grande sonho que é a construção do nosso estádio próprio”, detalhou.

Atualmente, o Flamengo tem mandado os seus jogos da Copa do Brasil no Maracanã e os do Campeonato Brasileiro e demais competições na Ilha do Urubu.


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

No Rio, minibairro renova região da Pavuna

31/08/2017 - O Estado de S. Paulo, Especial Prêmio Master Imobiliário

Empreendimento com 64 torres e 1.280 apartamentos, no Rio de Janeiro, deu o prêmio de Habitação Econômica para a Cury Construtora. É o Estação Zona Norte, um condomínio-clube construído em terreno de 70 mil m², no bairro Pavuna.

Em seu voto, a comissão julgadora do Master Imobiliário elogia o "minibairro planejado que colaborou para a requalificação da região", na periferia da cidade do Rio de Janeiro. A Cury construiu seis condomínios - Paris, Londres, Roma, Lisboa, Madri e Berlim - para baixa renda. Em média, o preço de lançamento foi de R$ 190 mil, segundo a construtora. A infraestrutura de lazer inclui um clube de 3 mil m², que oferece academia, churrasqueira, piscinas adulto e infantil, playground, quadra poliesportiva, salão de festas e solarium.

"Construímos ruas e, na entrada, há uma área de comércio com 17 lojas", afirma o diretor de negócios da Cury, Leonardo Mesquita. Além do clube com acesso exclusivo para moradores, ele destaca o destino de uma área doada pelo município para construção de escola. "Há área comercial, educação e lazer no condomínio." 

Mas o grande apelo é a mobilidade, diz Mesquita, apontando a distância de 400 metros da estação de metrô Pavuna, na zona norte do Rio. "Pavuna é o último bairro da cidade, na divisa com a Baixada Fluminense, que tem quase 3 milhões de habitantes", diz. "A maioria trabalha no Rio e vai até a estação para pegar a condução." Os prédios atraíram gente das cidades da Baixada Fluminense, como São João do Meriti e Belfort Roxo, exemplifica Mesquita. 

"As pessoas vieram morar ali por causa do metrô", diz. O desenvolvimento do projeto levou em consideração o fato de Pavuna ser um dos bairros que mais crescem em população no Rio. Segundo a Cury, a facilidade de acesso ao crédito, na época, e o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) reforçaram a demanda por qualidade de vida a preço acessível. Quatro condomínios foram lançados no segundo semestre de 2011 e entregues, gradativamente, até agosto de 2014. Os dois últimos foram Madri e Berlim, lançados em 2013 e 2014, respectivamente. 

O tíquete final mais barato, para dois dormitórios, foi de R$ 145 mil no condomínio Berlim, chegando até a R$ 198 mil no Madri. No Lisboa, único condomínio com três dormitórios - com o total de 120 unidades -, o preço chegou a R$ 223 mil. São 20 apartamentos em cada torre. Tudo pronto pra morar. "Berlim foi o último a ser entregue", diz Mesquita. "Terminamos neste mês." Existem apartamentos disponíveis para venda no Berlim e Madri. Mesquita calcula que restam 50 unidades para vender. Em 2016, a Cury registrou valor global de vendas (VGV) de R$ 652 milhões. Foram negociadas 3.131 unidades. 

Os lançamentos somaram R$ 627 milhões, todos enquadrados no MCMV. Neste ano, o objetivo é repetir o VGV, afirma o diretor Leonardo Mesquita. A Cury tem um estoque girando na casa de R$ 300 milhões. Quanto aos distratos, a construtora mudou o modelo de vendas a partir de janeiro deste ano. "Trabalhamos com o modelo chamado venda definitiva", diz. "O cliente só assina contrato já com financiamento da Caixa aprovado." Em abril, o sistema foi adotado para todos os produtos da Cury.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Prefeitura interrompe revitalização do Fazenda da Restinga

10/08/2017 - O Globo

Há divergências sobre processo de doação do espaço, que foi construído pelo shopping em 2000
   
POR LUCAS ALTINO 

Revitalização começou no fim de 2015 - Fábio Rossi

RIO - No fim de 2015, a prefeitura iniciou o projeto de recuperação do Parque Fazenda da Restinga, espaço de 40 mil metros quadrados localizado atrás dos shoppings Downtown e Città America, às margens da Lagoa da Tijuca. Desde então, o trabalho já resultou na retirada de cerca de 90 leucenas — espécies invasoras — e na recuperação de alamedas e trilhas. Mas o serviço está paralisado, devido a um imbróglio com o Città em torno de questões fundiárias.

As ações da Secretaria de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma) no local foram paralisadas no começo do ano. Na mesma época, administração do Città America movimentou o gradil de limite do centro comercial, avançando dois metros sobre o terreno do parque.

Segundo funcionários do Fazenda da Restinga, a área do parque, constituído pelo Città America em 2000, como medida compensatória por sua construção, nunca teria sido devidamente doada ao município, faltando ainda a oficialização, por meio do Registro Geral de Imóveis (RGI). Empregados da firma terceirizada que prestava serviço no local chegaram a relatar que a administração do shopping teria impedido sua entrada no terreno. Procurado pelo GLOBO-Barra, o Città respondeu apenas que “não tem gerência sobre o Parque Fazenda Restinga” e que a intervenção do gradil foi feita com autorização da prefeitura.

Já a Seconserma confirma a disputa com o centro comercial e diz entender que houve, sim, doação, e que a área é pública. Informa que está verificando a “veracidade da alegação do Città America sobre a propriedade da área” e que entende que “a mudança de alambrado e reivindicações do shopping são equivocadas”. A pasta acrescenta que tem a intenção de “transformar o local em área de proteção ambiental, onde se planeja criar uma área de preservação perilagunar, ligando o Parque Mello Barreto (atrás do BarraShopping) à Fazenda da Restinga”.

Mudança. Alegando ter autorização da prefeitura, o shopping Città America deslocou o gradil que determina seus limites e avançou dois metros sobre o terreno do parque

Com projeto do paisagista Fernando Chacel, o Parque Fazenda da Restinga esteve sob responsabilidade do Città America, que o havia adotado, até 2010. Depois desse período, o local se deteriorou, e a proliferação de árvores exóticas, em especial as leucenas, ameaçava as espécies nativas. Em 2015, a prefeitura começou a revitalização da área.

No escopo do projeto estava a regularização da situação fundiária, o que ainda não foi feito. Na época, a prefeitura anunciou também que tinha a intenção de recuperar 3,5 hectares da faixa marginal de proteção do Canal de Marapendi, reparar a torre de observação do parque e construir 700 metros de ciclovia, ações que também não chegaram a ser realizadas

Distrito cultural da Lapa será ampliado até o Rio Antigo

10/08/2017 - O Globo, Giselle Ouchana

Ponto da boemia carioca, a Lapa terá sua área de influência ampliada. O decreto de julho de 2000, que criou o distrito cultural do bairro, permitindo ocupações culturais em imóveis públicos, terá alcance maior para estimular o movimento na região, que também vem sofrendo os efeitos da crise. O anúncio foi feito ontem pelo secretário estadual de Cultura, André Lazaroni, durante um seminário que reuniu empresários, produtores culturais e autoridades. A ideia é expandir o decreto para o Rio Antigo, que abrange a Rua do Lavradio, a Cinelândia, a Praça Tiradentes, a Rua da Carioca e o Largo do São Francisco.

- Os imóveis da Lapa, em sua maioria, são públicos. O decreto que já existe permitiu que esses imóveis fossem ocupados culturalmente por pessoas físicas ou jurídicas. Hoje, alguns estão ocupados e outros, invadidos. O que a gente pretende é fazer um novo decreto com alcance até o Rio Antigo, como parte das estratégias de ordenamento e segurança dessas regiões - explicou Lazaroni, que acionou a Procuradoria-Geral para atuar na reintegração de posse de três imóveis do estado invadidos na Avenida Mem de Sá.

Uma campanha para promover ações dia e noite na Lapa também será lançada. O "Eu Amo a Lapa" seguirá o modelo do Boulevard Olímpico para atrair público. A iniciativa privada quer mais segurança e sugere que equipes do projeto Lapa Presente atuem 24 horas. Atualmente, os policiais só reforçam a segurança à noite e de madrugada.

- Esse é um projeto vitorioso, mas precisa ser ampliado. A Lapa é um símbolo e atrai muita gente. É preciso uma atenção especial- disse o presidente do Polo Novo Rio Antigo, Thiago Cesário Alvim.


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Casa do Capão do Bispo está sem vigilância há um mês

06/08/2016 - O Globo

Local passou a ser frequentado por usuários de drogas
   
POR THALITA PESSOA 

Histórico. Casa do Capão do Bispo está abandonada desde 2011 - Guilherme leporace / Guilherme leporace

RIO — Sem uso desde 2011, quando o Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) deixou de funcionar no local, a Casa do Capão do Bispo, em Del Castilho, agora enfrenta um perigo real de invasão. O local, que contava com vigilância 24 horas, há mais de um mês não tem qualquer tipo de segurança. O motivo, segundo moradores e comerciantes, é a falta de pagamento dos vigilantes pelo governo do estado, que administra o local. Sem qualquer supervisão, usuários de drogas têm frequentado o local.

— O portão de ferro que fecha o terreno caiu com uma ventania. Alguém colocou em pé de novo, mas existem reclamações de moradores de entra e sai de usuários de drogas, principalmente à noite — relata a designer Claudia Waddington, que trabalha perto ao local.

O bancário aposentado Antônio Soares e Gusmão queixa-se do estado de abandono.

— Um local deste sem qualquer cuidado ou vigilância tem tudo para virar uma cabeça de porco se continuar assim — diz ele, que mora no bairro, lembrando que a construção é uma das mais antigas propriedades rurais do estado do Rio e sua casa, sede da fazenda, é o que sobrou da sesmaria doada por Estácio de Sá aos jesuítas.

Procurada, a Secretaria de Cultura do estado informou que encaminhou projeto de restauro da sede-casa para o orçamento. Mas que, “devido às dificuldades financeiras que o estado enfrenta, a contratação dessas obras ainda não foi possível" e que busca parcerias para que a recuperação aconteça o mais brevemente possível.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

'Chuveirinho' instalado em marquise causa polêmica em Copacabana

07/08/2017 - O Globo

Sistema serviria para afastar moradores de rua de prédio em cima do cinema Roxy
   
POR GUILHERME RAMALHO / RENAN RODRIGUES

Sistema joga água debaixo da marquise do cinema Roxy, em Copacabana - Domingos Peixoto / Agência O Globo

RIO - Uma espécie de “chuveirinho”, instalado na marquise do edifício do cinema Roxy, em Copacabana, causou polêmica neste fim de semana. O síndico afirma que o dispositivo foi instalado para regar um futuro jardim que será construído no local, mas, de acordo com alguns moradores, o equipamento foi instalado para afastar o tumulto causado por pessoas em situação de rua que se abrigam debaixo do prédio de número 45 da Rua Bolívar. Presidente da Sociedade Amigos de Copacabana e morador do bairro há 50 anos, o advogado Horácio Magalhães filmou os canos aspergindo água do teto na sexta-feira e postou um vídeo na página da associação no Facebook.

Até a noite de ontem, mais de 18 mil pessoas já tinham visto a cena. Enquanto exibia a calçada toda molhada, Horácio criticou a falta de ação da prefeitura para a retirada de moradores de rua:

“Se a prefeitura não resolve o problema, o cidadão resolve. Estamos em frente ao cinema. Foi instalado um dispositivo: molha a calçada, e a população de rua não se concentra. É a solução que o cidadão encontra quando o poder público não resolve o problema. Infelizmente, a nossa situação na cidade e no nosso bairro está dessa forma. A prefeitura não toma providência, e o cidadão acaba tomando. É isso aí. Onde vamos parar”, disse Horácio no vídeo.

Ao GLOBO, ele disse não concordar com a instalação da engenhoca, mas que entende o motivo.

— Claro que isso não é o tipo de atitude que a gente encoraja, mas a gente entende o que motivou. População de rua virou um problema crônico. Muitas pessoas ficam receosas de passar na calçada, não sabem se vão pedir esmola ou ser assaltados. Essa discussão é macro, com vários aspectos. Tem um aspecto social, mas tem a da segurança. Chegou ao ponto de ter um pedinte em quase toda esquina. Muitos ficam postados em frente aos bancos. Mulher e idoso ficam receosos. Eu fico com um pouco de receio porque eu não sei se ele vai me pedir (dinheiro) ou se vai me roubar — afirmou Horácio.

'ELES FUMAM CRACK, CHEIRAM COLA, FAZEM SEXO À LUZ DO DIA', DIZ CONDÔMINO

Três moradores do Edifício Roxy confirmaram a informação de que os “chuveirinhos” foram instalados pelo próprio condomínio para afastar os moradores de rua. A secretária municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Teresa Bergher, esteve no local neste domingo para apurar as denúncias e disse que vai acionar a Secretaria municipal de Urbanismo para multar o condomínio, caso a irregularidade seja comprovada. A Gerência de Licenciamento e Fiscalização da Zona Sul informou que fará hoje uma vistoria no local e, se necessário, “tomará medidas, como notificar o proprietário".

— Isso é um absurdo, uma irresponsabilidade e falta de humanidade. A lei nos impede de agir, porque permite que essas pessoas deixem os abrigos e voltem a dormir debaixo das marquises. Não vou aceitar nenhuma violência contra os moradores de rua — disse Teresa Bergher.

Um morador do Edifício Roxy, que preferiu não se identificar, disse que antes de instalar o equipamento foram feitas várias reclamações à prefeitura. Mas a situação ficou insustentável.

— Já fizemos várias reclamações. Então, todo mundo concordou em instalar. Um pouquinho de água não mata ninguém. A gente não quer incomodá-los, mas temos que tomar alguma providência. Eles fumam crack, cheiram cola, fazem sexo à luz do dia, brigam toda a noite e não deixam ninguém dormir — contou.

Nem todos os moradores da região, no entanto, concordaram com o equipamento.

— Isso é surreal, desumano, radical e completamente errado — criticou o aposentado Jorge Coelho Neto, de 71 anos. — Os moradores de rua não estão aqui porque gostam. São seres humanos iguais a gente. Não tem que matá-los, mas cuidar deles.

Um dos gerentes do cinema Roxy disse não saber quem instalou os canos. Já o síndico do edifício informou à prefeitura que o sistema foi feito para um futuro canteiro de plantas. O GLOBO entrou em contato com o síndico, mas ele não quis comentar o assunto.

Imagem do Google Maps mostra moradores de rua no local - Foto / Google Maps


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Levantamento mapeia as 15 ruas com mais roubos a motoristas no Rio

24/07/2017 - O Globo

A via recordista é a Avenida Pastor Martin Luther King Junior. Confira o ranking
   
POR RAFAEL SOARES 

Avenida Brasil ficou em segundo lugar no ranking de ruas com mais roubos - Márcia Foletto / Agência O Globo

RIO - Perigo na via: apenas 15 ruas concentram quase um terço de todos os roubos a motoristas do Rio. Foram analisadas mais de 1,8 mil ocorrências do crime “roubo no interior de veículo”, registradas em todas as 42 delegacias distritais da cidade, para descobrir quais os locais e horários o motorista deve evitar ao se deslocar pelo Rio.

A via recordista em ocorrências do tipo é a Avenida Pastor Martin Luther King Junior — batizada em homenagem a um pacifista —, que registrou 157 roubos a motoristas nos seis primeiros meses do ano, média de quase um caso por dia. Um trecho de apenas 3km, dos 25km da via, entretanto, concentra quase 30% das ocorrências: o que liga a Linha Amarela, na altura de Del Castilho, ao Engenho da Rainha. O horário com mais casos de roubos é o fim da madrugada. Ao todo, 42 das 157 ocorrências aconteceram das 4h às 6h.

Para a moradora de Inhaúma Renata Aguiar, os dados refletem uma realidade que ela enfrenta e é vítima. Há 15 dias, foi assaltada, segundo conta, quando voltava para casa por usuários de crack. Os carros passam por ali em alta velocidade para fugir do perigo eminente.

— Todo fim de semana, por volta das 9h, os carros têm que voltar na contramão na altura da entrada da favela da Galinha (próximo à garagem da empresa de ônibus Braso Lisboa e a cerca de 1, 5km da 44ª DP por causa de arrastão. Uber, à noite, diz que não traz até aqui, pois é perigoso — diz a técnica em enfermagem.

A região, próxima ao shopping Nova América e à 44ª DP (Inhaúma), é umas das preferidas de criminosos para arrastões no trânsito. Os crimes também acontecem na Linha Amarela, quarta colocada no ranking das ruas com mais roubos a motoristas, com 34 ocorrências. O trecho da via expressa com maior casos de crimes do tipo — cerca de um terço do total de registros — foi justamente a saída 5, na altura de Del Castilho, que liga a Linha Amarela à Pastor Martin Luther King Jr.

A Avenida Brasil, com quase 60km de extensão, ficou no segundo lugar do ranking, com 103 ocorrências. As outras duas vias que completam a lista das cinco mais perigosas, entretanto, são bem menos longas. A Av. Ministro Edgard Romero, com 2km, em Madureira, registrou 41 casos. Já a Avenida Francisco Bicalho concentrou 31 casos em pouco mais de 1km de extensão.

Das 15 ruas mais perigosas para motoristas na cidade, 13 se localizam na Zona Norte ou têm parte de sua extensão na região. Somente duas ficam no Centro.

RUAS DO MEDO

Roubos a pedestres - Neste domingo, o levantamento revelou que 50 ruas concentram um quarto de todos os roubos contra pedestres na cidade. No topo do ranking das vias mais perigosas do Rio está a Avenida Brasil, com 683 registros — uma média de quase quatro roubos por dia. Empatadas, na segunda colocação, as avenidas Presidente Vargas, no Centro; e Pastor Martin Luther King Júnior, que corta a Zona Norte, tiveram 307, cada.

Presos - A Operação Centro Presente prendeu, em um ano, 130 pessoas acusadas de roubo e furto só na região da Central do Brasil. Os dados são do capitão Hugo Coque, que comanda a operação. No total, foram 2.500 pessoas detidas pela ação, sendo que 528 na Avenida Presidente Vargas — uma média de quase dois casos por dia. E, dos 412 mandados de prisão, a maior parte também foi realizada na via: 260.

Horários - Tanto nos casos de roubos a pedestres, quanto a motoristas, cerca de 40% das vítimas afirmaram, na delegacia, terem sido assaltadas à noite. O segundo período com mais casos, nas duas modalidades de crimes, é a madrugada. No caso dos pedestres, 22% dos casos aconteceram neste horário. Já nos casos com motoristas, foram 27%. O período da tarde é aquele com menos ocorrências nos dois casos

domingo, 23 de julho de 2017

Imóveis vazios do Rio precisam ter utilização

23/07/2017 - O Globo

Soluções existem, mas demandam vontade política e capacidade de gestão. Recuperar esses imóveis para uso ajudaria a revitalizar regiões que hoje estão degradadas
   
Não deixa de ser contraditório que o Rio tenha tanta gente sem moradia e, ao mesmo tempo, centenas de imóveis fechados, abandonados ou subaproveitados, muitos deles localizados em áreas com boa infraestrutura. Reportagem do GLOBO publicada no último domingo mostrou que, somente no Centro, há pelo menos 600 construções vazias, de um total de 4.400, segundo levantamento feito pela prefeitura numa região compreendida entre a Praça Quinze, o Outeiro da Glória, a Rua Frei Caneca e a Avenida Presidente Vargas. De acordo com a pesquisa, 85% desses imóveis são privados. Alguns estão em ruínas, como o sobrado na esquina da Rua do Riachuelo com Inválidos, um prédio do século XVIII tombado pelo Iphan, onde funciona um estacionamento. As poucas paredes que restaram de pé estão cercadas por andaimes.

Recuperar esses imóveis, dando-lhes destinação adequada, tem sido um desafio para sucessivas administrações. Mas especialistas apontam alternativas que poderiam ser seguidas pelo poder público. O arquiteto e urbanista Washington Fajardo defende a Utilização Compulsória desses imóveis — a que se refere como “o bom IPTU” —, instrumento previsto na Constituição federal, no Estatuto da Cidade e no Plano Diretor do Município, mas que ainda precisa ser regulamentado. Por esse mecanismo, o IPTU aumenta progressivamente se o imóvel permanecer fechado e, depois de cinco anos, pode ser desapropriado e até leiloado pela prefeitura. “É um mecanismo bom para o mercado imobiliário, para a política habitacional e para o patrimônio cultural. Não é um mecanismo fiscal, mas urbanístico, e também produz receita por causa da cobrança”, afirma Fajardo.

Já o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Claudio Hermolin, sugere a concessão de descontos ou até a isenção de IPTU, por um determinado período, para estimular proprietários a recuperarem os imóveis, muitos severamente degradados.

Convém lembrar que já houve iniciativas bem-sucedidas nessa área. Uma delas foi o Programa de Apoio à Conservação do Patrimônio Cultural (Pró-Apac), da prefeitura, que destinou recursos para restauração de imóveis particulares tombados ou preservados. Outra experiência que não foi adiante é a compra desses imóveis pelo poder público para a realização de projetos habitacionais.

Ou seja, soluções existem, mas demandam vontade política e capacidade de gestão para serem implementadas. E não se trata apenas de uma questão estética. Reformar esses imóveis e dar-lhes uso são medidas importantes para revitalizar determinadas áreas, como a recém-urbanizada Orla Conde, na Zona Portuária, onde vários prédios estão desocupados. Poderiam estar movimentando a economia do mais novo ponto turístico da cidade.

Talvez um primeiro passo seja a recuperação de imóveis que pertencem ao município, ao estado e à União. Podem não ser muitos. Mas já seria um começo. E serviria de exemplo para os demais.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Grajaú-Jacarepaguá teve casos de violência em 14 dias de junho, segundo relatos

19/07/2017 - O Globo

Rotina de assaltos e tiroteios tem assustado motoristas e moradores da região


Território de medo. A Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, que tem trechos cercados por favelas e outros, por área de mata: riscos de arrastões e tiroteios
Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo
Território de medo. A Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, que tem trechos cercados por favelas e outros, por área de mata: riscos de arrastões e tiroteios - Custódio Coimbra / Agência O Globo
   
POR ELENILCE BOTTARI 

RIO - Já se foi o tempo em que a professora universitária Inês Meneses se sentia aliviada quando, a caminho de casa, chegava à Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá. O frescor da região, cercada pela Mata Atlântica do Parque Nacional da Tijuca, era indicativo de que, depois dali, estaria logo com a família. Mas essa sensação não existe mais. Hoje, atravessar os nove quilômetros de extensão da Avenida Menezes Cortes é, não só para Inês, um momento de muita tensão.

E não é para menos: só em junho, usuários alertaram em redes sociais a ocorrência de tiroteios e arrastões em pelo menos 14 dos 30 dias do mês, numa média de um caso a cada dois dias. A rotina de violência transformou a bucólica estrada na serra - inaugurada em 1950 para aproximar a região de Jacarepaguá do Centro - em mais uma via expressa do medo.

Só na última semana, quatro casos obrigaram a CET-Rio a interditar as pistas por dois dias consecutivos, devido ao risco de balas perdidas. Na quinta-feira passada, bandidos roubaram um caminhão com carga. No dia seguinte, houve um arrastão na via, no mesmo horário em que um policial militar foi morto num assalto no Grajaú.

Entre as principais causas para a mudança de perfil da autoestrada, estão o crescimento desordenado do Complexo do Lins - que fez com que brotassem inúmeros acessos nas margens da via, que facilitam a fuga das quadrilhas - e o alto índice de acidentes que param o trânsito, tornando os motoristas presas fáceis para assaltantes.

- Há 25 anos uso a Grajaú-Jacarepaguá, e, recentemente, a situação piorou muito. Agora em junho presenciei um arrastão. Tinha um carro atravessado na pista. Na hora, enviei uma mensagem para o meu irmão, que costuma passar por ali, alertando para o risco. Aliás, sempre que vou pegar o ônibus, verifico antes os alertas nas redes sociais - contou Inês, que também já foi obrigada a se jogar no piso do ônibus em que viajava durante um tiroteio.

Embora ocorram casos de violência em toda a extensão da via, alguns pontos são considerados mais perigosos por quem passa por lá. Do quilômetro 1 ao 3, trecho onde ficam os morros do Encontro, da Cachoeira Grande, da Cachoeirinha, do Gambá e da Cotia, os tiroteios são mais frequentes e há também registros de ataques a motoristas. Já chegando a Jacarepaguá, na altura do quilômetro 6, trecho cercado de mata e com menos policiamento, são muitos os arrastões.

- Aqui, perto do Hospital Federal Cardoso Fontes, tem um problema sério. As quadrilhas ficam escondidas perto da lixeira, esperando o trânsito ficar mais lento para atacar. Eles descem com fuzis e saem fazendo a limpa em carros e ônibus. Quando tem acidente, então, eles descem logo. E muitos carros tentam fugir na contramão, deixando o trânsito ainda mais caótico - contou uma servidora da unidade de saúde.

Dados do aplicativo de trânsito Waze, analisados pelo Centro de Operações Rio (COR), revelam que engarrafamentos na via podem chegar a atingir seis quilômetros de extensão. Isso representa dois terços da autoestrada, que tem, em média, um fluxo diário de 50 mil veículos em seus dois sentidos. Para o chefe executivo do COR, Marcos Landeira, a fluidez do trânsito tem ligação direta de causa e efeito com a segurança.

- Nossa preocupação ali é manter um fluxo de trânsito que garanta a segurança. Quanto mais engarrafada a via, maior a chance de arrastões e outros crimes - explicou Landeira.

Segundo ele, o alto número de acidentes também preocupa:

- Nosso conselho é que os motoristas procurem respeitar as normas de trânsito, para evitar os acidentes e permitir um fluxo razoável de veículos. Nós trabalhamos junto com a Polícia Militar para tentar desobstruir as pistas o mais rápido possível. Quando tem confrontos, a PM nos alerta e fazemos a interdição parcial ou total das pistas para evitar riscos - afirmou Landeira, acrescentando que em 2017 houve seis interdições por conta de confrontos.

Com nove quilômetros de extensão, a autoestrada está sob a jurisdição de três batalhões da PM e de quatro delegacias. A PM informou que sempre responde prontamente às ações criminosas no local, mas que "o grande trecho margeado por comunidades possibilita a ação desses criminosos que visam interromper o fluxo e cometer assaltos".

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Downtown celebra 20 anos com reforma, expansão e passarela para o metrô

16/07/2017 - O Globo

Espaço no subsolo vai abrigar lojas-âncoras até o fim do próximo ano
   
POR CAROLINA CALLEGARI 

Lojas dos blocos 4, 5 e 6 vão abrigar restaurantes, transformando o espaço num polo - Analice Paron / Agência O Globo

RIO — O Downtown completa 20 anos de funcionamento só no próximo ano. Porém, os preparativos para as comemorações estão em andamento, e a pleno vapor. A promessa é de dar cara nova ao condomínio sem perder a personalidade. Os planos incluem modernização dos 23 blocos, inauguração de uma área subterrânea com cinco lojas-âncoras e de uma passarela ligando o empreendimento diretamente à estação Jardim Oceânico do metrô.


Juliana (de blusa branca), sócia do Sound Club, com integrantes das bandas Drenna, Kapitu e Folks
Artistas da cena alternativa ganham os palcos na Barra e no Recreio

Dois anos depois do food truck, The Burger Experience tem a primeira loja, no shopping Downtown
Hamburguerias carioca e americana apostam em lojas e receitas originais
O projeto inclui, ainda, a criação de um polo gastronômico. Até 12 restaurantes de cozinhas variadas vão ocupar as lojas voltadas para o corredor entre os blocos 4, 5 e 6.

O condomínio tem mais de 200 mil metros quadrados de área construída, e ganhará mais de cinco mil metros quadrados de área locada com o projeto do arquiteto Eduardo Mondolfo. O novo espaço foi projetado especialmente para receber cinco lojas-âncoras, numa tentativa de atrair o público também aos fins de semana e diversificar a gama de ofertas, diz o executivo e fundador da CG Malls, Claudio Guaranys, responsável pela administração do empreendimento.

— A expansão vai mudar o funcionamento. Hoje, recebemos 35 mil pessoas por dia, de segunda a sexta, sendo boa parte funcionários dos espaços abertos no condomínio. As lojas-âncoras vêm para movimentar. Fizemos uma pesquisa sobre os pedidos dos clientes e chegamos aos segmentos de vestuário, eletrônico, livraria. A vinda das Lojas Americanas, primeira confirmada, está em fase final de acordo — conta Guaranys.

Entre os requisitos para a expansão estão não descaracterizar o empreendimento e não isolar o público do ambiente externo, mesmo numa área subterrânea. O acesso para o novo andar, por escadas rolantes, será em meio a uma cobertura verde elevada, como uma rampa, com até oito metros de altura. O arquiteto Eduardo Mondolfo, que assina projetos de prédios conhecidos, como o do Shopping Leblon e o do Hotel Fasano, explica a nova área.

— O que se imaginou é que a cobertura fosse como um prosseguimento da alameda principal, como um jardim longo subindo. As laterais serão de vidro para dar a sensação de mergulhar nesse espaço, aproveitando a luz natural para o ambiente. Quem estiver no Downtown terá a sensação do jardim se levantando. E quem estiver na Avenida das Américas, a impressão de um marco arquitetônico — conta Mondolfo.

A conclusão do novo andar e o funcionamento das lojas- âncoras estão previstos para meados do segundo semestre de 2018. Enquanto isso, o público verá a reforma de 22 blocos. O de número 20 foi o piloto, onde é possível ver as modificações a serem replicadas. Os corredores estão mais iluminados com luz natural, o piso e a pintura internos estão mais claros e as escadas são de mármore com vidro nas laterias.

A reforma de cada bloco dura cerca de quatro meses. A capacidade é de fazer as obras em até três unidades simultaneamente — contando com o desafio de não prejudicar o funcionamento. No quesito segurança, o Downtown está instalando 670 câmeras, monitoradas por uma central. O investimento total das novidades é de R$ 75 milhões, incluindo cerca de R$ 2 milhões para a passarela que ligará o empreendimento até a estação do metrô.

— Queremos comemorar os 20 anos do Downtown dando uma cara mais moderna, elegante e sofisticada. As modificações que estamos fazendo é para mais conforto ao condômino e ao cliente. A passarela será iluminada, coberta e monitorada por câmeras. A prefeitura já aprovou a construção, e vamos arcar com os custos. Faltam documentos para o início da obra, a serem entregues no fim deste ano — adianta Guaranys.

domingo, 16 de julho de 2017

No Centro do Rio, 600 construções estão ociosas

16/07/17 - O Globo 

Selma Schmidt 

RIO — A passagem do VLT, um bonde moderno novinho em folha, pela esquina das ruas da Constituição e República do Líbano, contrasta e faz realçar na paisagem o esqueleto do imóvel onde funcionou, por mais de três décadas, o Rei das Válvulas, uma das maiores lojas de componentes eletrônicos e ferramentas do Brasil, que sofreu um incêndio em 2012. Há sinais de que houve uma tentativa de reerguer a estrutura, numa obra interrompida na primeira laje. E, pelas frestas das tábuas colocadas para inibir invasões, se vê muito lixo, além de tijolos estocados. O lugar, segundo vizinhos, estaria sendo usado como depósito. Virou mais uma entre as tantas construções fechadas, subaproveitadas e abandonadas na cidade. Num levantamento que ainda está sendo concluído, a prefeitura já identificou cerca de 600 delas, entre 4.400 prédios, casas e vilas existentes na área de negócios do Centro. Algumas são parte da história carioca. Outras, até tombadas pelo patrimônio.

No polígono estudado desde novembro do ano passado — que tem como alguns dos limites a Praça Quinze, o Outeiro da Glória, a Rua Frei Caneca e a Avenida Presidente Vargas, do Campo de Santana à Candelária —, mais de 85% das construções sem uso são privadas. Para dar um novo destino a elas, arquitetos e urbanistas apostam em soluções, como o IPTU progressivo em determinados trechos da cidade. Mas há também quem defenda a redução e até a isenção de impostos para estimular proprietários e empreendedores a reerguerem edificações, muitas vezes em ruínas.

Basta dar um passeio pela região para constatar o tamanho do problema. Largado à própria sorte, um pequeno prédio azul na Rua Riachuelo, entre os números 270 e 276, foi invadido há mais de uma década. O térreo virou depósito de carrocinhas de pipoca e, da fachada, às vezes despencam rebocos. Mais adiante, na esquina da Rua dos Inválidos, sobraram as ruínas da entrada do grande solar do século XVIII, pertencente ao Visconde de São Lourenço, e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1938. A área interna do casarão desabou no início dos anos 1990. Os vãos de portas e janelas foram cobertos grosseiramente com tijolos e cimento para cercar o estacionamento 24 horas, improvisado há 20 anos num terreno de mil metros quadrados. Para conter os pedaços que desgrudam do que restou do palacete, a estrutura foi envelopada por andaimes e telas.

— A dona do estacionamento é uma portuguesa que não permite que eu passe o contato. O que posso dizer é que ela não pretende arrumar a fachada. São muitas exigências, e é muito caro — conta o supervisor Reinaldo Mendes.

CONTRASTES NO BOULEVARD

Chegando à Rua do Mercado, incluída no corredor cultural do município, dois imóveis chamam atenção. Um deles, bem conservado — com térreo, dois andares e com varandinha —, abrigou o extinto Papa Tudo (títulos de capitalização administrados pela Interunion). Ele se estende pela Rua do Rosário e ainda pega um trecho da Mercadores.

— Esse prédio está fechado há nove anos — conta Emanuel Queiroz, zelador de um edifício na vizinhança.

Outro prédio da Rua do Mercado, esquina com a Ouvidor, também está fechado. Da única janela aberta se vê um tapume. É um sinal de reforma interna. A Irmandade da Santa Cruz dos Militares, dona do imóvel, diz que o edifício ficou fechado por dois anos, mas agora está alugado. Por e-mail, afirma que “em breve” no local “será exercida atividade gastronômica”. A irmandade informa ainda que possui 400 imóveis, dos quais 5% estão vagos.

Mais adiante, no badalado Boulevard Olímpico, em frente ao Armazém 2 e entre a Superintendência Regional do Ministério da Agricultura e uma unidade do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o mau estado de conservação de seis prédios, um ao lado do outro, com fachadas descascando e janelas quebradas, destoam no ambiente revitalizado. Em dois deles, placas indicam que os espaços podem ser alugados para eventos: o azul tem três mil metros quadrados, mil por pavimento; e o amarelo, que está sem teto, tem dois mil metros quadrados distribuídos por térreo, jirau e laje.

— Estamos nos preparando para alugar. Na época do viaduto, era tudo degradado. Ninguém queria — conta Alexandre Oliveira, gerente de negócios da Kreimer Engenharia, proprietária dos dois prédios, justificando o atual estado de conservação dos edifícios. — O IPTU é caro, e a turma vai fazendo aos pouquinhos.

UTILIZAÇÃO COMPULSÓRIA

O arquiteto e urbanista Washington Fajardo, que presidiu o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, lembra que a Constituição Federal, de 1988, estabeleceu que a propriedade privada no Brasil precisa ter uso. Já o Estatuto da Cidade, de 2001, criou mecanismos para que esse princípio seja aplicado, sendo um deles o da utilização compulsória. Com o Plano Diretor do município, de 2011, foram estabelecidas as áreas onde esse tipo de situação se encaixa.

— A utilização compulsória é um estímulo para se recuperar áreas e destravar imóveis. É um mecanismo bom para o mercado imobiliário, para a política habitacional e para o patrimônio cultural. Não é um mecanismo fiscal, mas urbanístico, e também produz receita por causa da cobrança — argumenta Fajardo. — Outra vantagem indireta é fazer com que a prefeitura passe a ter a documentação atualizada desses imóveis. Os ociosos são como pessoas sem documentos, que não têm certidão de nascimento, RG nem CPF. São imóveis indigentes, mortos-vivos.

O Estatuto da Cidade fixa as regras para essa cobrança. Após a notificação, o proprietário tem um ano para começar a dar uso ao imóvel. Se não cumprir a exigência, o IPTU vai aumentando progressivamente e, após cinco anos, se continuar fechado, pode ser desapropriado, sendo o pagamento feito em títulos da dívida municipal.

Mas, para aplicar a utilização compulsória, a prefeitura tem que aprovar uma lei regulamentando esse instrumento. E, por enquanto, a Secretaria municipal de Fazenda informa que projetos de lei, como o do IPTU progressivo, estão sendo estudados, “a fim de propor mudanças cabíveis e necessárias”.

Entre os defensores da medida, o arquiteto e urbanista Carlos Fernando de Andrade destaca que a desapropriação e o leilão, previstos no instrumento, poderiam evitar que prédios históricos herdados se transformassem em ruínas:

— O IPTU progressivo seria ainda interessante no caso de imóveis fechados para especulação, esperando valorização.

Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Jerônimo de Moraes, esse mecanismo é viável. Mas ele diz que deve ser analisado caso a caso:

— É obrigação do dono dar uso a seu imóvel. Além disso, prédios malconservados trazem prejuízos para a cidade. Só que a prefeitura deve cobrar um IPTU pesado de quem não quer recuperar e reduzir impostos de proprietários que pretendem reformar seus imóveis.

Presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Claudio Hermolin bate na tecla de que a solução para recuperar construções privadas passa por incentivos:

— É preciso dar descontos e até isenções de impostos por um período, durante e após a obra, para que o mercado se interesse em realizar algumas delas.

O presidente do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio), Leonardo Schneider, concorda:

— Muitas famílias que recebem imóveis antigos de herança não têm condições de recuperá-los. E os empreendedores não se interessam em comprá-los.

Arquiteto e urbanista, Luiz Fernando Janot ressalta que aplicar o IPTU progressivo neste momento de crise é maldade:

— A economia está completamente travada, sem vigor.

PROJETO ESTADUAL PARADO

A arquiteta Andréa Redondo, responsável pelo blog Urbe CaRioca, destaca que, na atual situação econômica, o melhor seria os governos usarem os recursos gastos na construção de vários conjuntos do programa Minha Casa Minha Vida, inadequados do ponto de vista urbanístico, segundo ela, para comprar os imóveis ociosos e inseri-los em projetos habitacionais após reformas.

Na Superintendência de Patrimônio Imobiliário do município, constam registros de cerca de cinco mil imóveis da prefeitura, 8% sem ocupação. No primeiro quadrimestre deste ano, foram arrecadados R$ 101 milhões com os aluguéis desses bens.

Há seis anos, o estado anunciou um plano de recuperação de seus imóveis para transformá-los em conjuntos residenciais. O projeto parece não decolar. Na Avenida Modelo, primeira experiência de moradia popular, na Rua Regente Feijó, no Centro, por exemplo, a ação não foi além do escoramento da fachada que restou de um sobrado de 1888. Uma trepadeira reforça a estrutura do arco de entrada da vila de oito casas, em péssimo estado de conservação. Os moradores contam que ocupam o local há décadas, sem pagar aluguel. Os “gatos” garantem a água e a luz. A Secretaria estadual de Obras diz que não apareceram interessados na licitação para a restauração, e um novo edital será lançado.

O presidente nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Sérgio Magalhães, embora veja o IPTU progressivo como “bom instrumento”, prega a atuação efetiva da prefeitura em relação aos bens públicos, sobre os quais não incidem impostos:

— O mínimo que deveria fazer é dar destinação a seus imóveis. Deve ainda ter autoridade sobre os outros imóveis públicos. Os governos federal e estadual não podem ser latifundiários urbanos. A prefeitura tem que reivindicar um poder mais forte de atuação nesse sentido.


terça-feira, 11 de julho de 2017

Novo shopping vai gerar 15 mil vagas de empregos em Niterói

11/07/2017 - O Dia 

Nas obras serão 6 mil chances diretas e indiretas, além de 9,5 mil ao ficar pronto

Rio - Os niteroienses ganharão mais um shopping, no Centro da cidade. O empreendimento será construído na Avenida Marquês do Paraná e a iniciativa pode gerar mais de 15 mil empregos em Niterói. Durante as obras, serão oferecidas seis mil vagas diretas e indiretas, além de 9,5 mil quando o centro comercial estiver pronto. 

O shopping deverá abrigar mais de 200 lojas. Só com o funcionamento do centro de compras 2,5 mil empregos diretos e mais de mil indiretos devem ser ofertados. Além disso, o empreendimento terá uma torre comercial, com escritórios e consultórios, que poderão contabilizar mais seis mil empregos diretos.

Bicliterário 

De acordo com o grupo de investidores responsável pelo shopping, ainda não existe data para o começo das obras. O espaço será uma opção para quem trabalha e mora na região, principalmente no Centro e Icaraí.

A expectativa é que o empreendimento tenha um público grande que irá a pé para o local. Quem anda de bicicleta também será contemplado.Por isso, dentro do shopping será instalado bicicletário para facilitar a locomoção até o centro comercial. 

A ideia do projeto é elaborar shopping mais luxuoso, seguindo o conceito do Fashion Mall, em São Conrado, no Rio. Para isso, o empreendimento abrigará avanços tecnológicos em todas as etapas da construção. Ainda há proposta específica para a sustentabilidade. O valor deve ficar cerca de R$ 18 milhões.

O shopping faz parte do projeto de revitalização local, já que neste semestre haverá a entrega do mergulhão da Praça Renascença e a obras de alargamento da Marquês do Paraná. A via passará a contar com cinco faixas no sentido Icaraí. Portanto, a construção do empreendimento deve começar depois da conclusão da reurbanização da região.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Demanda fraca por imóvel tira fôlego de PPP no Porto do Rio

10/07/2017 - Valor Econômico

O desaquecimento do mercado imobiliário carioca está asfixiando financeiramente a segunda maior parceria público-privada (PPP) do país. Com um valor estimado em contrato de R$ 8,3 bilhões, a reurbanização e a prestação de serviços públicos numa área de 5 milhões de metros quadrados na Região Portuária do Rio de Janeiro está prevista numa PPP firmada em 2010 entre a Prefeitura e a Concessionária Porto Novo.

Os recursos para custear a revitalização urbana e os serviços de manutenção, controle de tráfego e limpeza viriam do Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha (FII-PM), abastecido com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e gerido pela Caixa Econômica Federal. O problema é que em 13 de maio de 2016 a Caixa comunicou à Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp) - gestora da prefeitura dentro da PPP - a "iliquidez" do fundo. A falta de liquidez é recorrente: já havia ocorrido em 2014, tendo sido sanada via um aporte da Caixa.

Uma fonte que participou de uma das reuniões conta que representantes da Caixa têm conversado com "players" do mercado imobiliário para rever os rumos do Porto Maravilha. A reavaliação passa por estudos de viabilidade financeira para obras paralisadas e por pesquisas de mercado para determinar se há demanda pelos projetos ainda não iniciados. Por meio da assessoria de imprensa, a Caixa informou que o FII-PM "mantém agendas constantes com agentes de mercado, incorporadoras, proprietários de imóveis e/ou interessados na transformação e na ocupação da região."

O mais recente informe mensal do FII-PM mostra que, no fim de maio, o fundo possuía R$ 10,55 bilhões em ativos. Só que desse total, mais de 80% (R$ 8,61bilhões) são Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos emitidos pela Prefeitura para custear as obras. Os papéis foram todos adquiridos em 2011 pelo fundo de investimento. Na época, o FII-PM pagou R$ 3,5 bilhões pelos Cepacs (R$ 545 por título) e ficou encarregado de revendê-los a interessadas em construir na região. Cada papel equivale a um total de metros quadrados a ser construídos pelos empreendedores.

Desde então, os títulos mais que triplicaram de preço, chegando ao fim de 2015 cotados a R$ 1.706,03 apesar de a demanda ter despencado. Em 2015, não houve leilões dos títulos e apenas 38 papéis foram vendidos. No ano passado, também não foram comercializados Cepacs e, mesmo assim, os títulos valorizaram 7,10%. Procurada para explicar a alta no preço dos papéis mesmo diante da fraca demanda, a Caixa informou que o Cepac não é um título marcado a mercado, não havendo valor de face determinado. "O preço atual de venda do Cepac é uma função de fatores diversos, em especial, do produto objeto da vinculação, do prazo e condições de desenvolvimento, da região na qual se localiza o projeto e das condições de pagamento propostas", disse o banco.

As variações no preço do Cepac influem diretamente sobre o patrimônio líquido do fundo, que ao fim de maio era positivo em R$ 5,83 bilhões. Como administrador, a Caixa recebe por seus serviços o valor referente a 1% ao ano sobre o patrimônio líquido do FII-PM, conforme indica o regulamento do fundo. A cobrança da taxa de administração como percentual do patrimônio líquido funcionaria, portanto, como estímulo para a Caixa ajustar para cima o preço dos Cepacs, diz uma fonte familiarizada com a PPP. A Caixa afirma que, como os demais fundos de investimento imobiliário, o FII-PM possui regras estipuladas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com critérios contábeis aplicáveis a seus ativos e passivos. "De forma a ter transparência e independência, o FII-PM realiza avaliação anual do valor dos seus ativos, tanto os ativos imobiliários em implantação, quanto os Cepacs, por meio de avaliador independente", afirmou a assessoria de imprensa da Caixa.

"Na tentativa de maximizar o investimento, a Caixa trocou Cepacs por cerca de R$ 1 bilhão participações em empreendimentos [do Porto Maravilha] em vez de vendê-los", explica a fonte. O informe mais recente, de maio, indica que o fundo tinha entre seus ativos R$ 985,6 milhões em "direitos reais sobre bens imóveis". Desse montante, quase três quartos (72,78%) se referem a direitos sobre imóveis em construção, seja para venda ou aluguel. "Eles [Caixa] fizeram gestão errada dos recursos", diz Antonio Carlos Mendes Barbosa, presidente da Cdurp.

A desaceleração no desenvolvimento dos projetos previstos para a área do Porto Maravilha é consequência direta não só do esfriamento do mercado imobiliário, mas das dificuldades financeiras enfrentadas pelo Estado do Rio. "O projeto do Porto Maravilha foi dimensionado numa época de expectativa extremamente otimista", recorda Marina Cury, presidente no Brasil da consultoria global Newmark Grubb. Na época, estudos indicavam que o valor do aluguel por metro quadrado para imóveis de altíssimo padrão na região ficaria em torno de R$ 140, lembra a executiva. Hoje, o valor fechado para locação oscila entre R$ 90 e R$ 110 por metro quadrado.

A escassez de recursos deu início a uma queda de braço jurídica entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Concessionária Porto Novo que pode paralisar a parceria público-privada, a segunda maior entre as 101 já assinadas no país, de acordo com ranking da consultoria Radar PPP elaborado a partir dos valores estimados em contrato. "Existe esse risco [de paralisação]? Sim", admite o presidente Barbosa, da Cdurp. "Mas não acredito que vá acontecer". Pelo contrato assinado em 2010, a Concessionária Porto Novo - que tem como acionistas OAS, Odebrecht Infraestrutura e Carioca Engenharia - seria remunerada com recursos oriundos do FII-PM.

Sem receber repasses desde janeiro, por causa da falta de liquidez do FII-PM, a concessionária cobra na Justiça R$ 68,69 milhões da Cdurp. A companhia, por sua vez, afirma que a responsabilidade pelos pagamentos mensais à concessionária cabe, por contrato, à Caixa. Por e-mail, a assessoria de imprensa destacou que os pagamentos do FII-PM estão condicionados - entre outros fatores - "à disponibilidade de terrenos em situação que possibilite seu desenvolvimento imobiliário e sejam capazes de consumir grande parte do estoque [de Cepacs] ofertado". Até abril de 2016, quando ocorreu a última movimentação, apenas 8,74% dos Cepacs haviam sido vinculados a projetos imobiliários.

Atualmente em torno de R$ 90 milhões, a dívida com a Porto Novo levou à paralisação dos serviços executados pela concessionária, assumidos temporariamente pela Prefeitura. "Se uma concessionária de PPP enfrenta dificuldades para cumprir suas obrigações e prestar os serviços contratados, o poder concedente pode, cumpridas todas as formalidades legais e tentativas de solução menos litigiosas, iniciar um processo administrativo tendo em vista a extinção do contrato de PPP", diz Bruno Pereira, sócio da Radar PPP.


Projeto de construção de shopping no Centro do Rio trava

10/07/2017 - Veja

Supervia enviou a papelada à Procuradoria-geral do estado há cerca de 90 dias

Por Gabriel Mascarenhas

Central do Brasil, Rio de Janeiro-RJ
Central do Brasil, Rio de Janeiro-RJ
Local onde será erguido o shpping

O comando da Supervia, concessionária de trens do Rio, não quem nem ouvir falar nos responsáveis pela Procuradoria-geral da estado.

A empresa enviou ao braço jurídico de Luiz Fernando Pezão um contrato de concessão para a construção de um shopping sobre a estação Central, no Centro da cidade, há aproximadamente três meses, mas ainda não obteve o “ok” para iniciar as obras.

A Supervia, dragada pela Lava-Jato após a delação da Odebrecht, bate o pé que já tem todas as licenças para tocar o projeto, cujos investimento devem bater os 300 milhões de reais.

Talvez, a concessionário, agora sob nova direção, esteja apenas pagado o preço pelas sujeiras de seu passado.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Petrobras vai concluir construção do Comperj em parceria com chinesa

04/07/2017 - O Globo

Envolvida na Lava-Jato, obra de unidade em Itaboraí está parada desde 2014
   
POR RAMONA ORDOÑEZ 

Obras do Comperj - Fábio Rossi / Arquivo O Globo

RIO - A Petrobras vai concluir a construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, no Estado do Rio, em parceria com a gigante chinesa CNPC, revelou ao GLOBO um executivo próximo às negociações. A parceria entre a Petrobras e a chinesa foi anunciada pela estatal na manhã desta terça-feira, mas o comunicado afirma apenas que foi assinado um memorando de entendimentos para iniciar negociações para a realização de uma parceria estratégica.

O Comperj foi uma das obras envolvidas no caso de corrupção revelado pela Operação Lava-Jato e teve suas obras paradas desde 2014. Já foram gastos no projeto US$ 13 bilhões e nada foi construído até o momento. Segundo uma fonte, a expectativa é que a construção da refinaria no Comperj exija investimentos entre US$ 3,5 bilhões a US$ 4 bilhões.

A construção da refinaria do Comperj não consta do Plano de Negócios da Petrobras 2017/21, para a qual a estatal buscava um parceiro. O único projeto do Comper j neste momento da Petrobras é a construção da Unidade de Processamento de Gás Natural UUPGN), destinada a receber e processar o gás natural que será produzido no pré-sal, que será feita com investimentos próprios da Petrobras da ordem de US$ 2,5 bilhões a US$ 3 bilhões.

O memorando de entendimentos para a parceria entre as duas empresas foi assinado nesta terça-feira pelo presidente da Petrobras, Sr. Pedro Parente, e o vice-presidente da CNPC e presidente da PetroChina, Wang Dongjin, em Beijing, capital da China.

Segundo uma fonte próxima à estatal a CNPC manifestou maior interesse em fazer parcerias com a Petrobras na área de exploração e produção de petróleo, e aceitou participar da conclusão do Comperj com uma participação que será minoritária. Esse é o primeiro passo da Petrobras rumo a parcerias na área de refino. A parceria com a CNPC vinha sendo negociada há cerca de seis meses pela Petrobras.

No comunicado ao mercado, a Petrobras explica que o Memorando de Entendimento visa a iniciar negociações referentes a uma parceria estratégica:

“A partir desse Memorando de Entendimento, as empresas se comprometem a avaliar, conjuntamente, oportunidades no Brasil e no exterior em áreas-chaves de interesse mútuo, beneficiando-se de suas capacidades e experiências em todos os segmentos da cadeia de óleo e gás, incluindo potencial estruturação de financiamento.”

A Petrobras afirma que essa parceria “é uma estratégia importante do Plano de Negócios e Gestão 2017-2021. As parcerias estratégicas têm como benefícios potenciais o compartilhamento de riscos, o aumento da capacidade de investimentos na cadeia de óleo e gás, o intercâmbio tecnológico e o fortalecimento da governança corporativa.”

Desde 2013, a Petrobras e a CNPC são parceiras na área de Libra, primeiro contrato pelo regime de partilha de produção, localizada no pré-sal da Bacia de Santos. Sobre a Petrobras.

A CNPC é a maior corporação integrada de Óleo e Gás (O&G) da China, com atividades nos setores de upstream, midstream, downstream, marketing e comercialização, prestação de serviços petrolíferos, engenharia, construção e fabricação de equipamentos. A CNPC tem presença em mais de 70 países.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/economia/petrobras-vai-concluir-construcao-do-comperj-em-parceria-com-chinesa-21551577#ixzz4ltdXZEVc 
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